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Bioenergia

Bioenergia que vem do eucalipto

29/08/2015
Há um assunto que está cada vez mais presente na agenda do dia: a crise de energia no país. E, apesar de todos estarem falando sobre isso, é preciso fazer mais e se concretizar possíveis soluções, como alternativa a curto, médio ou a longo prazo.

Para nós, na Bahia, a busca por alternativas energéticas se torna ainda mais urgente tendo em vista o veto presidencial aos artigos da Medida Provisória de número 656 que autorizava a prorrogação de contratos de fornecimento de energia, existentes há mais de 40 anos, com a Chesf – Companhia Hidroelétrica do São Francisco e as empresas eletrointensivas. Isso impacta profunda e negativamente nestas empresas que consomem muita energia.

Só na Bahia, temos quatro empresas eletrointensivas fortes, cada uma no seu setor: a Braskem na área petroquímica, a Caraíba Metais/Paranapanema na área de cobre, a Ferbasa na área de ferro-ligas e a Gerdau – única usina de siderurgia que temos. A presidenta Dilma, que tanto incentivava a indústria, mandou vetar a MP e, com isso, as empresas estão preocupadas. Com toda razão! Se essa energia não for fornecida como vem sendo feito, as empresas terão que ir para o mercado e vão acabar comprando a mesma energia por um preço bem maior.

É preciso resolver este problema; caso contrário elas param. E com elas, todas as cadeias industriais, pois elas são estruturantes, cada uma no seu setor. Todavia, as empresas também têm que buscar alternativas. E são várias.

Além dos modelos tradicionais, surgem novas alternativas que são as chamadas energias alternativas ou renováveis, como a energia eólica e a solar. Mas uma novíssima alternativa já está sendo bem promissora, concorrencial e bem próxima de nós, brasileiros. Trata-se da bioenergia, a energia que vem da biomassa do bagaço de cana, do capim, dos resíduos florestais e, principalmente da madeira. E este último caso é o que se apresenta como boa opção, especialmente na Bahia. É a biomassa que vem de uma árvore mágica que dá tudo: o eucalipto.

Além de seus usos múltiplos já conhecidos – mais de 5 mil produtos -, o eucalipto encontra o ambiente ideal no Brasil e, em especial, na Bahia. Por suas condições edafo-climáticas, a Bahia uma das regiões mais aptas e produtivas do mundo. A Austrália, que é de onde nós trouxemos o eucalipto, tem uma produção de 23 metros cúbicos, por hectare/ano. Na Bahia este número é de 45. Já em algumas regiões mais adequadas este número chega a 60. E tem mais: enquanto que outras árvores em países de alta expertise em florestas plantadas, como é o caso da Finlândia, precisam de 30 anos para o corte, aqui temos árvores prontas para serem usadas para a biomassa em 3 anos e meio.

O uso do eucalipto para a geração de biomassa já é fato e já temos, inclusive, alguns exemplos perto de nós, na Bahia. Um deles é o da Dow Química, com a ERB, que inaugurou uma planta de cogeração de vapor e energia gerados a partir de biomassa de eucalipto. O projeto é pioneiro no setor petroquímico e abastece a maior unidade da Dow no Brasil, localizada em Candeias (BA), com energia limpa, substituindo parte do gás natural. Este projeto já atende 25% da demanda de calor e energia que ela consome. Outro projeto é o da Bolt Energias que vai investir na construção de uma termelétrica movida a cavaco de eucalipto, com capacidade instalada de 150 megawatts (MW), em São Desidério, no Oeste da Bahia. Outra unidade energética, com a mesma capacidade, será instalada em Vitória da Conquista.

Nenhum empresário pode confiar numa única alternativa para garantir o fornecimento de energia para sua empresa. Mas, muito mais que sobrevivência, a aposta em energias renováveis é um compromisso com o meio ambiente, com a sustentabilidade do negócio e também uma prova de visão empresarial.