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Biomassa

Do lixo ao luxo de gerar energia

23/03/2015
Resíduos florestais outrora descartados conquistam usinas térmicas

Flávio Leite
Gerente Geral da Vermeer Brasil

O agravamento da crise hídrica está instigando o mercado a buscar novas fontes para geração de energia e os olhares voltam-se cada vez mais para os resíduos de madeira. A expectativa de que, em abril de 2015, o leilão de fontes alternativas de energia negocie contratos de energia eólica e biomassa chama a atenção para a diversificação da matriz energética, com aproveitamento de insumos que anteriormente eram descartados.
Para ter uma ideia do potencial desta biomassa, lembre-se de que o Brasil registra mais de sete milhões de hectares de florestas plantadas de eucalipto e pinus, além de outras culturas florestais como acácia e mogno africano. O Panorama do Potencial de Biomassa no Brasil, produzido pelo Centro Nacional de Referência em Biomassa (Cenbio), aponta São Paulo e Paraná como os Estados com maior potencial de aproveitamento de resíduos de madeira, provenientes da silvicultura, na geração de energia elétrica. Bahia e Minas Gerais aparecem na sequência. De acordo com o estudo, na conjuntura atual, inclusive a remoção dos tocos tem se tornado lucrativa para queima em usinas térmicas.

O avanço da legislação também tem favorecido o aproveitamento dos resíduos de madeira, que até recentemente eram descartados indevidamente. Com a atual Política Nacional de Resíduos Sólidos, é proibido descartar os resíduos de árvores junto com o lixo domiciliar. A mudança afeta diretamente os resíduos de podas urbanas. O material que era deixado no campo ou descartado indevidamente nos aterros sanitários está se consolidando como alternativa para queima em caldeira e substrato para compostagem. A estimativa do Panorama é de que a biomassa tenha mais peso na geração mundial de eletricidade, produzindo cerca de 27 TWh até 2020.

A eficiência do processo está melhorando com novas tecnologias de conversão. Ainda que a combustão em fornos e caldeiras seja predominante, processos como gaseificação e pirólise despontam como alternativas mais eficientes. Segundo o Balanço Energético Nacional, a participação da biomassa na matriz energética brasileira é de 27%, a partir da utilização de lenha de carvão vegetal (11,9%), bagaço de cana-de-açúcar (12,6%) e outros (2,5%). O potencial autorizado para empreendimentos de geração de energia elétrica, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é de 1.376,5 MW, quando se consideram apenas centrais geradoras que utilizam bagaço de cana-de-açúcar (1.198,2 MW), resíduos de madeira (41,2 MW), biogás ou gás de aterro (20 MW) e licor negro (117,1 MW).

Além da conjuntura, outro fator que tem favorecido o aproveitamento desta biomassa é o desenvolvimento de tecnologias específicas para o manejo deste material. Fabricantes globais como a Vermeer estão instalados no Brasil trazendo soluções já consagradas em outras regiões como Estados Unidos e Europa, auxiliando o mercado local na superação das barreiras tecnológicas. A fabricante reforça seu posicionamento com a maior frota de equipamentos combinados e com uma filial no País para o pronto atendimento aos clientes.


O mercado é favorecido com tecnologias que viabilizam cavacos, microcavacos e pellets em granulometrias precisas. O leque de soluções disponíveis é amplo. A linha de trituradores, por exemplo, possui equipamentos horizontais e verticais. Estes últimos operando com gravidade, ou seja, eles não possuem uma mesa de alimentação e sim uma grande bacia com um tambor triturador. Alguns modelos possuem oito martelos e 16 cortadores, que podem ser substituídos em menos de uma hora. São trituradores versáteis, adequados para lidar com materiais volumosos como tocos, fardos e pellets.

Alternativa entre os modelos de trituradores horizontais são os autopropelidos. Opções móveis e eficientes para as operações de reciclagem de resíduos de madeiras, seja durante a limpeza de campo, ou para o processamento de compostagem, de desbastes florestais e para o processamento de resíduos da arborização urbana. Diferente dos modelos rebocáveis, que necessitam de equipamentos auxiliares como tratores para serem movimentados, essa alternativa permite ao operador total autonomia no deslocamento ao redor do campo de trabalho, otimizando a produção com a mesma eficiência de processamento de materiais.

Outra solução bastante difundida é o picador florestal. Há modelos aptos a processar material de até 58 cm de diâmetro com garantia de eficiência por intermédio de sistemas de alimentação automático e rotores de corte de alta velocidade e embreagem a disco. O sistema de alimentação com a mesa de três metros de comprimento é mais uma vantagem do equipamento. O sistema de alimentação de alguns picadores aceita toras de madeira com comprimento muito superior ao da mesa, além de posicionar o material a ser picado em ângulo de corte mais eficiente. É preciso atenção ao design das máquinas para avaliar se a abertura de alimentação também minimiza gargalos de material, além de oferecer uma área de alimentação ampla, sem a presença de defletores laterais, o que aumenta a produtividade do operador da garra florestal durante o procedimento. Outro destaque do equipamento é o sistema de esmagamento automático, que pode ser programado para exercer entre 0 e 1,8 toneladas de pressão de esmagamento. Há opções em que o operador do equipamento ainda pode acionar um botão manual, para alcançar força de esmagamento maior, de até 2,1 toneladas.

As linhas de picadores de galhos também estão ampliando suas fatias de mercado, tornando as operações mais seguras e produtivas.  Entre as opções, figuram aquelas equipadas com sistema de controle, que monitora o desempenho do motor e reverte automaticamente o rolo de alimentação quando necessário, evitando sobrecarga do sistema.  Modelos com uma boca de alimentação de 30 cm de altura são capazes de picar galhos retorcidos e copas de árvores inteiras, sem a necessidade de pré cortá-los com motosserras. Recursos para desligamento da alimentação e a distância da mesa ao rolo são outros fatores importantes na escolha dos equipamentos. O operador não deve ficar próximo ao rolo, o que também reduz os riscos de acidentes.

Com as oportunidades para aproveitamento dos tocos, os destocadores começam a se tornar mais conhecidos no mercado. Nas áreas urbanas, quando as prefeituras combinam o uso do destocador em conjunto com o picador de galhos, a mão de obra intensiva, de até sete pessoas envolvidas no processo, cai para duas. A redução é ainda mais expressiva em termos de tempo: ao invés de dez viagens e caminhões para uma operação média de poda e destocamento, uma equipe que adota um picador e um destocador, por exemplo, pode executar a operação completa em até uma hora e demandar apenas uma viagem de caminhão para o descarte do material. Se deixados nas florestas, os tocos oferecem riscos aos equipamentos que transitam na área, além de prejudicar as rotações e plantios de cultura.

A combinação destas tecnologias, considerando peneiras rotativas, trituradores horizontais e verticais, picadores florestais, picadores de galhos e destocadores é capaz de garantir altos níveis de produtividade e confiabilidade na produção de cavaco, microcavaco e pellets de madeira. A Vermeer tem equipamentos em campo, contribuindo para o sucesso de diversas operações de geração e cogeração de energia. No Nordeste, por exemplo, os trituradores horizontais picam os resíduos de podas de cajueiros. No Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os trituradores horizontais e picadores florestais operam na limpeza de laranjais, em florestas de eucalipto, palha de cana-de-açúcar entre outras. Com exceção do Sul, nestas regiões os produtores de grãos estão queimando os resíduos florestais para cogeração de energia e geração de calor nos silos.

Apesar da produção ainda ser modesta, o segmento de pellets amplia as oportunidades de negócios. O Brasil tem grande potencial de aproveitamento da biomassa florestal na produção de pellets para atender às demandas nacional e internacional. A Europa concentra 52% das plantas indústrias e os EUA, 41%, segundo o European Pellet Centre, e mesmo assim eles têm potencial para importar pellets de outros mercados.
Por último, é importante alertar compradores e decisores em relação ao perfil do fabricante, considerando os resultados quando se combina equipamentos de uma mesma marca, presença no Brasil, suporte em todo o ciclo de vida do equipamento, oferecendo treinamentos, estoque de peças e equipe técnica qualificada. Juntos, esses aspectos proporcionam segurança ao cliente, que terá sua operação acompanhada de perto pela fabricante.