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Floresta Plantada

A Sustentabilidade

18/01/2015
A sustentabilidade está sendo entendida como uma necessidade de todas as atividades. Está se transformando numa filosofia de se pensar e de se produzir para que se possa deixar às próximas gerações um legado de esperança de vida melhor. Há quem diga que nada gerou, nos últimos anos, tanta discussão, polêmica e ensinamentos teóricos para algo tocado pela simplicidade e racionalidade.

Tem sido uma mina de ouro a consultores especializados que lidam com as inúmeras variáveis dos diferentes processos produtivos na busca do equilíbrio técnico, econômico, social, cultural, ambiental, duradouro e, acima de tudo, com a legitimidade e a aceitação dos que executam, dos que participam e dos que dependem de tais processos. Fica a impressão de que o certo, racional e simples é extremamente complexo para se executar.

Mas, nesse labirinto de preocupações, a silvicultura brasileira, nos últimos anos, tem dado passos significativos na direção da sustentabilidade. A profissionalização crescente da atividade, o extraordinário desenvolvimento tecnológico, o processo de certificação florestal e o respeito às legislações sociais e ambientais vigentes, com certeza, podem ser apontados como os principais fatores que propiciaram os avanços alcançados pela silvicultura brasileira na direção da sustentabilidade.

Há inúmeros exemplos de sucesso para serem replicados. A tecnologia do mais alto nível está disponível a todos e não se encontra trancada. É só saber procurar. Profissionais altamente competentes para traçar os caminhos da sustentabilidade para os mais diversos empreendimentos também não estão escondidos. Esse acervo de conhecimento e de competência é a garantia de que novos e auspiciosos saltos ainda acontecerão para consolidar ainda mais as trilhas da silvicultura sustentável.

Evoluímos de forma significativa na produtividade de nossos plantios, no manejo, na conservação e na proteção dos recursos naturais e ambientais de nossos empreendimentos. O aspecto social tem sido enriquecido com empregos de qualidade e cuidados especiais com a mão de obra usada nas atividades florestais. O lado social da silvicultura já se transformou em exemplo para outras atividades rurais.

Estamos na direção certa, mas não podemos deixar de registrar algumas dificuldades que precisam ser superadas para não prejudicar os avanços consolidados. Há de se registrar:

• falta de um programa nacional que mostre quanto, onde e a finalidade dos novos plantios – não há nada mais insustentável do que empreendimentos florestais sem nenhuma destinação da madeira ou grandes empreendimentos industriais sem a garantia de abastecimento;
• necessidade de financiamentos compatíveis com as características da atividade – prazos inadequados e elevadas taxas de juros constituem a maldita receita para se manter a atividade sem sustentação;
• rede experimental de pesquisa florestal que assegure o sucesso dos plantios nas novas áreas de fronteira – grandes empreendimentos sem tecnologia consagrada é um exercício de adivinhação insustentável;
• investimentos em pesquisas e desenvolvimento tecnológico para diversificação do uso da madeira – a madeira com destinação exclusiva a restritos segmentos industriais cria uma dependência extremamente suscetível aos produtores;
• marginalização do fomento e do fomentado florestal junto a grandes consumidores florestais – esse desencontro de interesses em épocas de dificuldades é desestimulante e prejudicial à legitimidade da atividade perante a sociedade;
• valor inescrupuloso da madeira em algumas regiões – a prática de negociações oportunistas inibe novos investimentos;
• o uso de ações filantrópicas ilustradas em ricos relatórios – são discursos travestidos de sustentação que criam mais interesses duvidosos do que base de sustentação –; etc.

Esses problemas são manchas que diminuem o brilho dos caminhos que a silvicultura está construindo na direção da sustentabilidade. As reações de espanto e de preocupação quando se depara com tais limitações são reflexos inquestionáveis de que as correções são inevitáveis. A sustentabilidade precisa deixar de ser peça orçamentária com metas e responsabilidades  apresentadas em relatórios. A sustentabilidade há de se transformar em filosofia de vida que corre no sangue dos profissionais e nos corredores das organizações empresariais.