Mais Floresta Logo Mais Floresta

 

Formigas cortadeiras

A biologia e a organização social das formigas cortadeiras

29/03/2015
AS CORTADEIRAS: SAÚVAS E QUENQUÉNS

BIOLOGIA E ORGANIZAÇÃO SOCIAL DAS FORMIGAS CORTADEIRAS

São insetos sociais que habitam e vivem em equilíbrio natural com as florestas nativas há milhões de anos antes do homem aparecer. Necessitam das folhas para servir de substrato do seu fungo alimentar, o verdadeiro alimento delas.

As formigas cortadeiras pertencem à ordem Hymenoptera, família Formicidae e subfamília Myrmicinae e especificamente da tribo Attini onde se encontram os gêneros que cultivam fungo para alimentação. Os gêneros de maior importância são Atta (saúvas) e Acromyrmex (quenquéns).
Esses formigueiros se organizam em castas que compõe uma estrutura socialmente perfeita, da seguinte forma:
Indivíduos permanente e ápteros constituídos por Rainha, única responsável por colocar ovos e reproduzir operarias e alados, e operarias estéreis compostas pelas jardineiras, cortadeiras/carregadeiras e soldados.

Indivíduos temporários que surgem uma vez por ano para a reprodução de formigueiros constituídos por bitus e iças, que se acasalam no ar no momento da revoada, evento que ocorre após as primeiras chuvas finalizando a estação de inverno.

Dessas revoadas é que surgirão novos formigueiros, das 5.000 iças (futuras rainhas) e 5.000 bitus (todos morrem após caírem no chão) apenas 2 formigueiros é que chegarão à fase adulta a partir de 3 anos de idade, sendo que após caírem no chão, as iças arrancam as asas e começam a cavar no solo. Após 90 dias já estão saindo as primeiras operárias para o corte de folhas.

O ciclo biológico das formigas é constituído por: Ovo – Larva – Pulpo – Adulto e dura 62 dias para a formação do adulto.

Os ninhos subterrâneos possuem dezenas ou centenas de câmaras (conhecidas, também, como panelas) ligadas entre si e com o exterior por meio de galerias. No exterior notam-se montes de terra solta formados pela terra retirada das câmaras e galerias.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Elas estão bem adaptadas ao ambiente brasileiro. Sua ocorrência se restringe ao território do Continente Americano com distribuição geográfica situada desde o sul dos Estados Unidos ao Norte da Patagônia na Argentina. Não ocorre no Chile e nas costas do Peru.
No Brasil sua ocorrência é generalizada e estão presentes em todos os Estados da Nação, sendo preocupação constante nas mais diversas culturas econômicas do Agronegócio Nacional. Somente no Brasil ocorrem 20 espécies e nove subespécies de Acromyrmex e 10
espécies e três subespécies de Atta, das 15 espécies conhecidas, ou seja, quase 70% das espécies de saúvas ocorre no território brasileiro.

DANOS ECONÔMICOS

Com a entrada das culturas econômicas passam a cortar as folhas desses cultivos passando a ser preocupação para a produtividade, visto que um formigueiro adulto necessita de 1.000 Kg de folhas por ano para subsistência dessa colônia que pode abrigar mais de 5 milhões de indivíduos. Assim, constituem-se em um dos mais importantes grupos de insetos daninhos às culturas, pois atacam intensamente e constantemente as plantas em qualquer estágio de desenvolvimento, cortando suas folhas que são carregadas para o interior dos ninhos localizados no interior do solo, onde cultivam fungos para alimentação de todos os indivíduos da colônia. Isso torna difícil o seu controle e exige combates intensos.

As Formigas Cortadeiras, saúvas do gênero Atta e quenquéns do gênero Acromyrmex, são consideradas a principal praga de florestas plantadas de eucalipto e pinus, pois estão relacionadas aos fatores limitantes de produção florestal. Atacam essas culturas desde seu estágio inicial até as árvores mais adultas.

Os 1.000 Kg de folhas anuais que um sauveiro consome representam 86 árvores de eucalipto adulto, o que representa algo perto de 5% de árvores de eucalipto em 1 ha.

Segundo analises do prof. Forti da UNESP de Botucatu, 4 sauveiros adultos impactam em 14% na produtividade das florestas de Eucalipto.
Em plantios de eucalipto os custos e tempo gasto para controle das formigas cortadeiras foi estimado em 75% das ações relacionadas ao controle de pragas (Vilela, 1986). Os gastos referentes ao custo com floresta até o terceiro ciclo no controle de formigas cortadeiras representam 30%, correspondendo a 7,4% no preço da madeira em pé (Rezende et al., 1983)

Em áreas com alto grau de infestação, os prejuízos são devastadores. Se considerarmos o preço de 1 st de madeira em pé por volta de R$ 80,00 (Informativo CEPEA – março 2015), e que 7,4% pode ser consumido.

Fontes:
Formigas Cortadeiras: Biologia, Ecologia, Danos e Controle (Luiz Carlos Forti e Maria Aparecida Castellani Boaretto)
Manual de Formigas Cortadeiras: Biologia, identificação das Principais Espécies e Manejo (autores: Rosinês Luciana Motta e José Guilherme Luxinich)
Manejo Integrado de Formigas Cortadeiras (Ronald Zanetti)

Descrição da foto 02:

A1 – Forma alada para reprodução de formigueiros
A2 – Rainha – reprodução de indivíduos das diferentes castas
B1 – Soldado – defesa do formigueiro
B2 – operaria menor – corte de folhas e cuidados com fungo alimentar