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Meio Ambiente

CURSO: CABALÁ DO MEIO AMBIENTE - parte 01

15/02/2017
Professor Titular ELIAS SILVA*

* Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)
* Especialista em Pesquisa e Fomento Regional e Empresarial da Atividade Agropecuária pelo Centro de Cooperação Internacional (CINADCO/Shefayim) do Ministério das Relações Exteriores do Estado de Israel (MASHAV)
* Membro do Clube Shalom do Brasil

1. Considerações Iniciais:

A tradução literal da palavra Cabalá é “aquilo que é recebido".  Representa uma antiga tradição judaica que ensina as mais profundas percepções sobre a essência de Deus, sua interação com o mundo e o propósito da Criação, sendo frequentemente mencionada como a "alma" da Torah (Bíblia Judaica). Sendo assim, o propósito básico da Cabalá é guiar o homem no caminho do progresso espiritual, para que possa realmente chegar ao Criador.

Nesse contexto, por sua natural complexidade, tem sido comum abordar o tema de modo pontual, como por exemplo, a Cabalá da Comida, a Cabalá do Dinheiro e a Cabalá da Fala, mas sem perder a essência holística. Em outras palavras, ainda que o enfoque ocorra de forma particular, há a preocupação de demonstrar que tudo se conecta.  Para isso, normalmente os autores fazem analogias (paralelos) entre o assunto tratado e o cotidiano das pessoas, exatamente para que percebam a aplicabilidade e a integralidade da Cabalá, num estímulo a se interessarem cada vez mais na tarefa de estudá-la e aplicá-la em suas vidas.

Com isso em mente, e considerando o fato de ser estudioso do tema e profissional da Ciência Ambiental, resolvi escrever esse ensaio sobre a relação da Cabalá com o meio ambiente (intitulei Cabalá do Meio Ambiente, mas também poderia se chamar Cabalá Ambiental ou Cabalá da Natureza). O faço, por entender que se trata de algo inédito (o enfoque dado) e que podem ser obtidos ensinamentos de cunho prático para todos, não se tratando, portanto, de um mero exercício intelectual, muito típico de acadêmicos. Nesse sentido, assumo totalmente as falhas que eventualmente poderão ocorrer por conta do pioneirismo desse esforço, porém sem o peso da omissão, mas com a salutar companhia da ação. Afinal, o único erro questionável é o da omissão (ter os elementos para fazer e recuar sem justificativa plausível).

Para tanto, considerei o conceito corrente de meio ambiente, que é na prática aquele adotado em Estudos de Impacto Ambiental. Ele abrange o meio físico [representa a parte abiótica do ecossistema, incluindo os compartimentos ar (atmosfera), água (hidrosfera) e solo (litosfera)]; o biótico (abrange a parte biótica, contemplando a flora, a fauna – excluído o ser humano - e os microrganismos) e o antrópico (o ser humano em seus componentes social, econômico e cultural).

Esclareço que o elemento fogo não será considerado explicitamente, uma vez que está inserido nos outros, tal como explico na sequência.  Como se sabe, o fogo decorre de três elementos que se combinam: do combustível (originado do meio biótico, na forma de matéria orgânica vegetal, animal ou microbiana, ou de algum elemento mineral, como por exemplo, petróleo e carvão, que se inserem no meio físico); da energia (direta ou indiretamente se origina da radiação eletromagnética emitida pelo Sol, que é naturalmente abiótica e, portanto, se encontra contextualizada no meio físico); e do oxigênio (faz parte do ar, que é um componente do meio físico). 

Interessante compreender que esse conceito se confunde com os quatro níveis (reinos) de desenvolvimento definidos pela Cabalá. São eles: o mineral (inanimado), o vegetal (vegetativo), o animal (animado) e o humano (falante). Desse modo, o inanimado será entendido como o meio físico; o vegetativo associado ao animado resultará no meio biótico; enquanto o falante representará obviamente o meio antrópico.
Pelo exposto, subentende-se que o ser humano ocupa a posição mais elevada, por conta de ser o único elemento da Criação dotado de racionalidade, aqui entendida como a capacidade de perceber e se relacionar conscientemente com o Criador. Tanto que é exclusiva do ser humano a capacidade de falar propriamente dita e, portanto, de explicitar o seu pensamento e sentimento. Uma das formas mais evidentes de demonstrar essa capacidade é o ato de rezar, em que a pessoa “fala” (conecta-se mais fortemente) com o Criador. Além disso, por essa racionalidade é o nível com maior vontade de receber (egoísmo), mas também com discernimento para doar (altruísmo). Ser altruísta (doador na linguagem cabalística) é a natureza de Deus e, por isso, a direção que a pessoa toma ao conhecer e aplicar os ensinamentos da Cabalá em sua vida. Na verdade, isso não significa que a pessoa precisará abdicar de sua individualidade (egoísmo bem entendido e exercido) e viver uma vida “santa” (toda voltada ao próximo; o altruísmo extremado), porque isso é utópico, mas certamente encontrará o caminho que a levará ao equilíbrio entre esses dois polos.

Essa capacidade de se relacionar com Deus tem uma particularidade muito especial: se dá sempre com Ele, seja diretamente entre as partes (ser humano com Deus e vice-versa) ou com aquilo que criou (ser humano com a Natureza, que também é Ele, e vice-versa). Com isso em mente, torna-se fácil perceber que, ao se relacionar com os elementos ambientais (os constituintes dos meios físico, biótico e antrópico), que são por definição a Natureza, o ser humano está na verdade se relacionando com Deus.  Explico melhor: se Deus também é a Natureza, então, Ele, por ser transcendental,  pode se manifestar a nós por meio dela. Aqui, caberia a seguinte pergunta: o ser humano pode aprender com Deus (por consequência com a Natureza)? Segundo a Cabalá, a resposta é obviamente sim. Então, fica claro que o ser humano pode aprender (e melhorar enquanto indivíduo e no sentido amplo de sociedade) com os elementos ambientais, o que procurarei demonstrar na sequência, sempre buscando apoio em analogias, tal como mencionado anteriormente.

Com o intuito de facilitar a compreensão, a abordagem será feita para cada um dos níveis de desenvolvimento definidos pela Cabalá, conforme a seguinte sequência: mineral, vegetal, animal e humano.

2. Analogias do Nível de Desenvolvimento Mineral (Inanimado) com o Homem e Ensinamentos Extraídos:

Para atender aspectos didáticos, o estabelecimento de analogias entre o nível de desenvolvimento inanimado (mineral, meio físico) com o homem será feito por partes, sendo o ar (atmosfera) o primeiro elemento a ser tratado, depois a água (hidrosfera) e finalmente o solo (litosfera). 
Posteriormente, com o intuito de complementar a abordagem, considerarei alguns elementos que se situam fora da Terra (chamados de astros celestes), com destaque para o Sol e a Lua, pois também influenciam o nosso planeta por meio de suas variáveis físicas (abióticas). Também para eles serão estabelecidas analogias com a vida humana.

Ar (Atmosfera):

De início, é importante entender que o ar atmosférico é uma mistura de gases, vapor de água e partículas suspensas (poeira, fuligem, produtos químicos, entre outros). Os elementos que compõem o ar são essencialmente o nitrogênio (78%) e o oxigênio (21%), e em pequena quantidade argônio (0,94%), gás carbônico (0,03%), neônio (0,0015%), entre outros.

Esse elemento, o ar, nos reserva muitas surpresas em termos de possíveis analogias com os seres humanos. Talvez, pelo fato de ser uma “simples” massa de ar, o que significa algo de natureza abiótica, as pessoas não imaginam quantas relações podem ser estabelecidas com a vida humana. No entanto, como procurarei demonstrar na sequência, a percepção cabalística nos revelará inúmeros paralelos e conseqüentes aprendizados para todos nós, sendo alguns bem curiosos.

Nesses termos, um primeiro paralelo pode ser feito se tomarmos em conta que o ar permite a passagem de luz, tendo, assim, a propriedade de ser translúcido. Isso significa que, apesar de produzir algum grau de distorção na luz que se propaga no meio, ele não se comporta de modo opaco. Desse modo, não inviabiliza a visão dos objetos (a priori não “esconde” nada). Nesse sentido, poderia ser comparado àquelas pessoas verdadeiras e francas, em que o interlocutor percebe claramente suas intenções e o que traz dentro de si (da mente e do coração). De outra parte, em caso de alguma névoa, o ar já não mais permite a visão plena do ambiente, podendo até gerar muitas surpresas, sendo algumas desagradáveis (por exemplo, a pessoa cair num precipício). Não seria o caso das pessoas que a gente nunca sabe bem o que guardam no coração e na mente, ou seja, aquelas que ficamos sempre com o “pé atrás”? Enfim, aqui o ar nos “ensina” a sermos precavidos e cuidadosos, principalmente quando lidarmos com estranhos ou com situações novas!

Na sequência, é interessante perceber algo curioso sobre o ar. Apesar de existir fisicamente, pois tem massa, parece ser um “vazio”, tanto que caminhamos dentro dele e até edificamos (por exemplo, nossa habitação) no espaço que ocupa.  Sendo assim, sob a percepção mística, o ar se comporta como uma “estrada” (local de passagem) e uma “casa” (local de existência). Também “encobre” tudo o que tem na superfície da Terra, como se tivesse a preocupação de proteger, numa ação tipicamente materna. Portanto, um paralelo curioso e intrigante que se pode estabelecer com a vida humana é que o ar tem tripla função em nossas vidas: ser a “estrada” que nos leva à nossa “casa” e onde se encontra a nossa “mãe”. Em termos místicos, entendo ser o compartimento ambiental que nos permite acessar os recursos materiais (aqui representados pela “estrada” e pela “casa”) e emocionais (aqui entendidos na figura da “mãe”) que necessitamos para viver. Por tudo isso, fica claro que o ensinamento aqui implícito é o do respeito que devemos nutrir pelas pessoas, mas notadamente pelas genitoras e por aquelas que nos dão o suporte material para sobreviver!

O fato de o ar ser incolor (sem cor), inodoro (sem cheiro) e insípido (sem gosto) em sua constituição original também é bem ilustrativo, pois pode ser relacionado com as pessoas que percebemos serem “vazias” (não têm “nada” a oferecer ao seu semelhante). Apesar de todas as pessoas terem certamente algum valor, posto serem parte da Criação, é inegável que encontramos, ao longo de nossas vidas, semelhantes ainda carentes de conhecimentos e sabedoria, talvez por sua própria personalidade e/ou por falta de oportunidades. Sendo assim, o aprendizado é claro: deveríamos buscar todo o conhecimento possível e sermos úteis aos outros, para que reconheçam em nós pessoas com valor e com quem valha a pena conviver. Com isso, é natural que cresça o nosso círculo de relacionamento, num processo sinérgico. Enfim, é de se supor que essa situação resulte em maiores oportunidades de trabalho e parcerias profissionais, bem como de relacionamentos afetivos sadios, entre outras possibilidades. 

Já a visão de utilidade do ar pode ser bem compreendida se tomarmos em consideração quatro fenômenos, dentre outros possíveis: o fato de o gás oxigênio ser vital a vários tipos de organismos (principalmente para os animais); a importância do gás carbônico para as plantas no processo fotossintético; a relevância do ozônio nas camadas altas da atmosfera para a retenção de parte dos raios ultravioleta; e a capacidade de gerar energia eólica. Assim, o ar nos “ensina” a sermos úteis aos nossos semelhantes.  A seguir, veja outras situações em que o ar se mostra útil: como elemento que retém a poluição; necessário para a combustão (o oxigênio); e para a propagação do som.

De outra parte, o ar também tem o seu lado “negativo”, numa demonstração de que tem duas facetas, tal como aquelas pessoas de dupla personalidade. Vejamos: pode gerar erosão eólica, com o conseqüente empobrecimento do solo (perda de fertilidade), assim como o ressecamento de terrenos pela passagem do vento. Há também casos extremos dessa faceta negativa, representados por diferentes nomenclaturas utilizadas pelos meteorologistas, como por exemplo, furacão, tufão, tornado e ciclone.  Portanto, a lição que se pode extrair daqui seria: sermos cuidadosos no trato com pessoas de reconhecida dupla personalidade, pois normalmente se mostram dúbias e volúveis.  Na prática, são as chamadas pessoas “difíceis”. Sendo assim, se pudermos, deveríamos ajudá-las a superar essa dificuldade natural de relacionamento, porque isso trará benefícios a todos.

No que tange particularmente ao vento, que conceitualmente é o deslocamento de massas de ar, é também possível extrair ensinamentos. Talvez o mais importante esteja ligado ao fato de que se trata de um “viajante” sem rumo, pois se desloca de um ponto a outro por influência de algo (pela diferença de pressão atmosférica e de temperatura das massas de ar e pelos movimentos naturais da Terra – rotação e translação). Não seria a situação das pessoas que “batem cabeça” a vida inteira, na medida em que nunca se contentam com o que têm, ademais de estarem sempre em busca de algo que não encontram? Enfim, o vento muda constantemente de direção como certas pessoas na vida, em termos de foco no trabalho, prioridades na vida, prazeres do cotidiano, amores etc. Na prática, são aquelas pessoas conhecidas por não serem centradas, mas inseguras. Nesses termos, é certo que o ar (pela consideração do vento) está a nos “ensinar”, de modo inverso, a sermos centrados e definirmos com clareza o que queremos, exatamente para que tenhamos uma vida profícua.  Isso evidentemente não significa que a pessoa deva sempre fazer as coisas do mesmo modo, ou seja, viver de forma “engessada”. O próprio vento, ao se deslocar, numa demonstração do seu lado “positivo”, nos “ensina” a sermos dinâmicos e a conhecer novos horizontes! Enfim, ao conhecer novas realidades, há obviamente a possibilidade de a pessoa mudar de opinião e de atitude, desde que julgue adequado.

Ainda no campo da abordagem sobre o vento, um ponto sutil diz respeito à brisa (vento leve e fresco que sopra do mar). A sensação é parecida com aquela que certamente todos nós já experimentamos, enfim, com o prazer sentido quando uma pessoa nos acaricia a face ou nos faz um cafuné. É bem provável que seja a maneira mais “educada” e “gentil” do vento, enquanto “mensageiro” de Deus, de se manifestar ao homem e lhe passar “ensinamentos”. Entendo que o ensinamento se relaciona com aquelas pessoas que nos acalmam e nos apóiam em momentos difíceis. Como bem sabemos, às vezes essas pessoas não precisam verbalizar nada, mas só o fato de nos acariciarem a face, já nos passam a sensação de alívio e de que não estamos sozinhos. Enfim, deveríamos valorizá-las enquanto vivas e retribuí-las também com a mesma atenção e carinho.

  Como última abordagem sobre o ar, é interessante contextualizar que o principal problema ambiental hoje, de ordem planetária, se relaciona com ele, qual seja, o efeito estufa, que, como se sabe, é causado pelo aumento crescente de certos gases (principalmente o gás carbônico) na atmosfera, o que acaba aumentando progressivamente a temperatura ambiente. Vale entender que essa situação está sendo provocada pela ação humana, não sendo, portanto, um fenômeno natural, tal como poderá um dia ocorrer, se tomada em conta a dinâmica da Terra. Portanto, o ar não é “culpado” de nada! Sendo assim, sob a perspectiva cabalística, essa situação poderia ser relacionada com aquelas pessoas que têm a capacidade de “estragar” as outras. Isso normalmente se dá por maus conselhos ou por influenciar com maledicências e comportamentos reprováveis pessoas com personalidades ainda em formação (muito influenciáveis). Não seria o caso de certos jovens que entram no mundo degradante da droga por influência de “amigos”? Portanto, o ensinamento aqui se conecta com a preocupação de sermos bondosos e eliminarmos o mal de nossas vidas, a fim de não “estragarmos” os outros. Ademais, em termos redobrados cuidados com aquelas pessoas que percebemos não serem adequadas ao nosso convívio. 

Água (Hidrosfera):

Apesar de sua “simplicidade” química, pelo fato de possuir apenas dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, a água também nos reserva muitas surpresas em termos de possibilidades de paralelos com a vida humana, tal como se verificou quando da abordagem sobre o ar.
De modo similar ao ar, em sua constituição original é incolor, inodora e insípida, o que sinaliza para o caso daquelas pessoas que percebemos serem “vazias” (não têm “nada” a oferecer ao seu semelhante). Como visto, isso foi relacionado à própria personalidade da pessoa e/ou à falta de oportunidades na vida, enquanto o aprendizado ficou estabelecido da seguinte maneira: deveríamos buscar todo o conhecimento possível e sermos úteis aos outros, para que reconheçam em nós pessoas com valor e com quem valha a pena conviver. Se agirmos assim, é de se supor que haverá o crescimento do nosso círculo de relacionamento (maiores oportunidades de trabalho e parcerias profissionais, bem como de relacionamentos afetivos sadios, entre outras possibilidades), num processo sinérgico.

A condição de solvente universal, em que “absorve” e “esconde” (“domina”) o soluto, pode ser relacionada com pessoas reconhecidamente envolventes e que parecem “dominar” os outros. Essa característica é comum em certos políticos e em outras pessoas que têm o chamado “dom da palavra”. Enfim, é algo que pode pender para o lado bom ou mau, a depender da intenção da pessoa envolvente. Portanto, o aprendizado se refere a sermos cuidadosos com essas pessoas, para que possamos primeiramente identificar as suas reais intenções e, desse modo, percebermos de que maneira deveríamos agir. 

A visão de utilidade da água é mais bem percebida quando a Ciência nos indica que cerca de 70% do corpo humano é constituído dela.   Dentre outras utilidades para nós, destaco ainda as seguintes: consumo humano (beber, cozinhar alimentos, se lavar etc.), dessedentação animal, piscicultura, irrigação e energia hidroelétrica.  Assim, a água nos “ensina” a sermos úteis aos nossos semelhantes. 

A capacidade de mudar de estado (líquido, sólido e gasoso) é algo bem interessante de se considerar, pois tem forte conotação mística. Significa no paralelo com o ser humano aquelas pessoas volúveis, ou seja, que apresentam instabilidade de comportamento (provavelmente pela dupla personalidade). Na prática, são aquelas pessoas que você “nunca” sabe como vai encontrá-la. Sob essa condição, a lição que se pode extrair daqui seria: sermos cuidadosos no trato com pessoas de reconhecida dupla personalidade, pois normalmente se mostram instáveis emocionalmente.

O mesmo raciocínio do parágrafo anterior vale para a dicotomia água doce ou salgada, posto que uma pode se transformar na outra naturalmente. Todavia, nesse particular entendo que há um ensinamento menos voltado para o caso relacionado com pessoas volúveis, mas sim para a necessidade de sermos práticos na vida. Vejamos: não é verdade que em certas situações precisamos ser “doces” (brandos, compreensivos), mas em outras “salgadas” (categóricos, francos)? De modo similar, tem-se o caso da água superficial ou subterrânea: no primeiro, precisamos “mostrar a cara” (ir de encontro ao que necessitamos, enfim sermos proativos), porém no outro precisamos nos preservar (“esconder”), a fim de não nos prejudicarmos (sermos ingênuos).

Também podemos pensar como o relatado acima, quando encontrarmos (ou nos comportarmos como) águas (entenda-se pessoas) “calmas” (neves “eternas” em picos de grande altitude) ou “agitadas” (na forma de maremotos e tsunamis, conforme a terminologia adotada, apesar de ser o mesmo fenômeno, além de enxurradas). Para cada situação, ou seja, na calma ou na agitação, o aprendizado é refletir sobre o nosso comportamento; enfim se justifica ou não agir desse modo, fazendo as correções cabíveis.

O fato de a água ser encontrada em estado corrente (comportamento hidrológico lótico) ou estável (lêntico) indica que existem dois tipos básicos de pessoas (duas naturezas comportamentais). O primeiro caso se refere a pessoas ativas e inquietas, exatamente pelo “movimento” natural delas em busca do desejado (em termos hidrológicos, sair de montante e ir à jusante), enquanto o outro abrange os calmos e os serenos. Como se pode imaginar, sob esse contexto, não existe uma natureza certa ou errada, pois isso depende da personalidade de cada um e de qual momento a pessoa está vivenciando. Em alguns desses, é evidente que haverá necessidade de sermos mais ativos ou não. Sendo assim, é interessante extrairmos o seguinte ensinamento: procure se conhecer bem (reflita bastante sobre você e seus atos) para saber se está se comportando adequadamente em termos da dinâmica que aquele momento está a exigir.  Após isso, se necessário, faça as correções cabíveis, no sentido de se tornar uma pessoa melhor (para você e para os outros).

A questão da tensão superficial da água também é muito interessante. Trata-se de um fenômeno físico que resulta no surgimento de uma membrana elástica na camada superficial do líquido. Esta propriedade é causada pelas forças de coesão entre moléculas semelhantes, cuja resultante vetorial é diferente na interface. Exatamente por essa situação que um inseto pode caminhar sobre a água.  Sendo assim, fica claro que a água se “protege” do ar ao seu redor, como se “dissesse não quero me misturar com você”. Ora, o ensinamento aqui é o seguinte: precisamos ter proteção de certos fatores externos (por exemplo, de algumas pessoas com má inclinação moral), a fim de mantermos a nossa individualidade (subentendida como sadia). Como isso é impossível na prática, pois vivemos num mundo em que interagimos com os outros, a água novamente nos “ensina”, ou seja, em algum momento ela evapora (vai para o ar) e deixa de ser líquido, o que nos remete a pensar sobre a importância de sermos flexíveis em certas situações, desde que isso traga nos traga benefícios morais. Enfim, é sábio manter a individualidade, mas é mais sábio ainda a enriquecermos com bons conselhos e exemplos alheios.

Bastante interessante e com clara conotação mística é o fato de a água formar um espelho. Repare: ela não pode se “ver” nesse espelho e, consequentemente, se “admirar”, mas “oferece” essa possibilidade aos seres vivos, num ato de grande generosidade. É claramente o caso das pessoas altruístas! Assim, o ensinamento seria: admirar e respeitar profundamente esse tipo de pessoa, bem como ajudá-la o quanto possível, pois o altruísmo é a essência do nosso Criador, como já explicado nesse ensaio.

Para finalizar a abordagem sobre a água, trarei agora algo bem curioso e com profunda marca cabalística. Refere-se ao fato da água sempre se direcionar aos pontos mais baixos do terreno, haja vista o fenômeno da gravidade. De outra parte, é verdade que ela também pode ascender pelo efeito da evaporação ou da capilaridade. Assim, no primeiro caso se mostra “humilde” (se coloca abaixo), mas no outro se torna “altiva” (busca o alto). O que se quer dizer é que a água tende a ter comportamento dúbio, tal como mostrado em itens anteriores (líquido, gasoso ou sólido; lótico ou lêntico; doce ou salgada), indicando, desse modo, o paralelo com aquelas pessoas de dupla personalidade. Robustece ainda mais esse argumento, a consideração da dicotomia que a água (nesse particular da que se precipita pluviometricamente) assume quando irriga o solo para produzir alimento (seu lado positivo) ou quando provoca deslizamentos de encostas e soterramento de casas e pessoas (seu lado negativo). Como já demonstrado, o ensinamento para este caso é o de sermos cuidadosos com pessoas que tenham dupla personalidade, pois normalmente se mostram instáveis emocionalmente.

  Solo (Litosfera):

O primeiro ponto a ser tratado sobre o solo diz respeito à sua definição agronômica, qual seja, que resulta do processo de intemperização das rochas, sendo também o local onde as plantas terrestres se fixam e retiram seus nutrientes. Esse será o conceito aqui adotado, sem prejuízo obviamente da compreensão de que o solo pode apoiar edificações, entre outros itens em que esteja presente.

Com base no explicitado, percebe-se já a primeira conotação cabalística que o solo possui: apesar de ser moldável (se origina da rocha desgastada pelas intempéries), oferece alta resistência para que isso ocorra (leva-se muito tempo para a rocha se transformar em solo; normalmente milhares de anos). Portanto, cabalisticamente esse fato pode estar relacionado com pessoas que apresentam opiniões e posicionamentos radicais (intransigentes, turrões), exigindo, quase sempre, muito tempo para entenderem e aceitarem certos fatos. Em muitos casos, há real possibilidade disso se transformar em intolerância de todos os tipos. Nesses termos, o ensinamento seria: fazer um exame pessoal para verificar se temos esse tipo de tendência, corrigindo os excessos, já que essa forma de viver pode ferir os outros e nos trazer graves conseqüências, inclusive de ordem física e emocional, sem contar a perda de oportunidades profissionais e pessoais (amizades e amores).
Paradoxalmente ao item anterior, em que a relação do solo se deu com pessoas intransigentes, agora ele se mostra aberto ao outro, na medida em que é poroso e não maciço. No caso, essa porosidade pode ser entendida como a capacidade de receber e “aceitar” o outro (a água adentrando no solo). No entanto, essa capacidade atinge o seu limite quando o solo se encharca. Essa situação nos permite relacionar o solo com pessoas capazes de ouvir e acatar opiniões alheias, mas até o ponto do aceitável. Então, o ensinamento aqui contido se refere a respeitar a opinião dos outros e eventualmente aceitá-la, porém desde que isso esteja afinado com os bons valores éticos e morais.

A porosidade mencionada no parágrafo anterior nos remete ao fato de que o solo pode armazenar água, por conta primeiramente da infiltração e depois da percolação, até chegar ao lençol freático. Assim, tem a capacidade de “esconder” algo. Isso se relaciona com as pessoas introspectivas e que “guardam” tudo para si. A lição a ser extraída daqui seria: observarmos bem os nossos semelhantes e nos esforçarmos para “extrairmos” deles aquilo que precisam exteriorizar (notadamente conhecimentos e sentimentos), para o seu próprio benefício e dos outros. Afinal, a introspecção pode levar a pessoa ao isolamento social, com perdas óbvias de oportunidades em todos os sentidos.    

O fato de se ver normalmente apenas a sua superfície e raramente o subsolo, nos faz inferir que esse elemento ambiental possui seus “segredos”. Afinal, é possível se encontrar grandes “pedras” (a rocha ainda a ser intemperizada) abaixo de uma estreita camada de solo, o que se denomina agronomicamente de litossolo. Sendo assim, é possível relacionar esse aspecto com pessoas enigmáticas e também introspectivas. Isso se deve ao fato de que elas podem nos reservar surpresas, algumas inclusive desagradáveis. Portanto, o ensinamento a ser obtido do considerado é o mesmo do parágrafo anterior.
Como se sabe, o solo é o sustentáculo das plantas terrestres e de tudo que se edifica sobre ele. Portanto, o solo nos ensina aqui que precisamos ter apoio e alicerce na vida, para suportarmos as dificuldades inerentes à existência humana. Enfim, nos permite perceber que a família é esse apoio e alicerce e que devemos resguardá-la. O fato do solo também ter o papel de nutrir as plantas com minerais nos reserva o ensinamento de que a família é nossa abastecedora de alimentos (quantas despesas tiveram os nossos pais com a nossa alimentação, entre outros itens necessários à nossa sobrevivência!) e de sentimentos.

Como já percebido, o solo se mostra útil em várias situações. Destacaremos aqui as seguintes: ser a base e a fonte de nutrientes minerais para as plantas terrestres; apoio para edificações; superfície por onde as pessoas normalmente transitam; abrigo para diferentes tipos de animais, entre eles répteis, aves e mamíferos; e local de recepção de corpos humanos (sepulturas). Em relação ao último item, é interessante perceber que o solo é a nossa última “morada”, algo com grande conotação cabalística. Enfim, aprendemos aqui a sermos úteis aos nossos semelhantes e a reconhecermos o solo como elemento ambiental de grande valor místico, pois foi escolhido por Deus para nos receber quando a vida física cessar.  Reforça-se essa importância, pois na Torah se diz claramente que o homem veio do pó (do “barro”, da “terra”) e a ele voltará (Bereshit 3:19, que é o Livro de Gênesis).

Dada a capacidade de ser cultivado e produzir alimentos, o solo é normalmente chamado de “mãe terra”, ou seja, com o sentido de “seio” feminino, por ser provedor de vida (figurativamente o leite materno). Portanto, é mais uma demonstração de sua utilidade e importância para a humanidade. Vale então o ensinamento de sermos úteis aos nossos semelhantes. 

Por outro lado, quando o solo for entendido de modo mais amplo (a litosfera), ele pode nos reservar surpresas desagradáveis, como por exemplo, quando se manifestar por terremoto, erupção vulcânica e deslizamento de terra (encosta). Tal como mostrado em situações anteriores, o aprendizado a ser extraído daqui se relaciona ao caso das pessoas de dupla personalidade (volúveis). Assim, a lição que se pode extrair seria: sermos cuidadosos no trato com pessoas de reconhecida dupla personalidade, pois normalmente se mostram instáveis emocionalmente.

Astros Celestes:

É importante contextualizar que os corpos celestes interferem no nosso planeta por meio de variáveis físicas (abióticas). Assim, considerada a dinâmica da Natureza na Terra, é evidente que isso gerará também influências de ordem biótica e antrópica.

Sem a preocupação de se estender, vejamos primeiramente o caso do Sol: enquanto nossa fonte primária de energia, e por meio de sua radiação eletromagnética (variável física), desencadeia uma série de reações na Terra, dentre elas a que permite o processo fotossintético. Já a Lua, ninguém desconhece a sua influência nas marés, pela força gravitacional (parâmetro físico) que exerce sobre a Terra. Outro caso também da maior relevância e que se menciona ter ocorrido a cerca de 65 milhões de anos atrás (algo dessa proporção poderá se repetir? se ocorreu uma vez, por que não, se considerada a imensidão do Universo?), se refere à teoria mais aceita pela Ciência para explicar a extinção dos dinossauros, enfim, a que menciona o choque de um asteróide com aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro com a superfície da Terra, gerando uma explosão (fenômeno físico, pelo impacto resultante do contato de duas superfícies) equivalente a 100 trilhões de toneladas de TNT (trinitrotolueno).

Portanto, com isso em mente, deve-se aceitar que a percepção de meio ambiente precisa ser ampliada, não podendo se restringir às condições e influências internas do planeta, o que implica dizer que necessita envolver também as interferências externas (causadas pelo resto do Universo, por meio do Sol, da Lua, dos asteróides, dos cometas, dos meteoros, dos meteoritos etc.).  

Desse modo, entendo que a melhor analogia que se possa fazer com a vida humana, se tomada em consideração à relação dos astros celestes com a Terra, é a de que pessoas de fora do nosso convívio habitual (às vezes muito distantes fisicamente) poderão exercer muita influência na formação do nosso caráter e, por consequência, no modo pelo qual vamos agir na vida.  Isso é fácil de comprovar, se pensarmos nas possibilidades que temos à mão com a internet, como por exemplo, a influência que uma palestra veiculada pelo Youtube pode exercer na vida de uma pessoa. Enfim, é algo que pode ter influências benéficas (assistir uma aula do seu professor na internet) ou maléficas (montar um perfil falso na internet e assediar crianças). Enfim, o ensinamento aqui é bem claro: é preciso ser vigilante com o que nos chega pelos diferentes tipos de comunicação disponíveis no mundo atual (internet, televisão, rádio etc.), pois há muito “lixo”.   Maior importância isso assume, quando percebermos que esse “lixo” poderá chegar às nossas crianças ou àqueles sob os quais temos responsabilidades.

3. Analogias do Nível de Desenvolvimento Vegetal (Vegetativo) com o Homem e Ensinamentos Extraídos:

Como subentendido no início desse ensaio, os vegetais (as plantas, a flora) constituem uma parte do meio biótico. Portanto, nesse item a analogia com o homem se dará especificamente com as plantas, ficando reservado o próximo para tratar do nível de desenvolvimento animado, que inclui as outras formas de vida: os animais e os microrganismos (bactérias, arqueas, algas azuis, protozoários, algas eucariontes, fungos e vírus). Desse modo, o meio biótico ficará totalmente contemplado com a consideração desse item e do próximo.

Uma primeira analogia que se pode estabelecer com os vegetais (chamarei aqui simplesmente plantas) é o fato de terem surgido antes dos seres humanos no planeta. Sem a preocupação de explicitar datas, pois as várias fontes apresentam números muito conflitantes, é fato inconteste que as plantas são mais “velhas” do que nós. Portanto, deveríamos respeitá-las por isso, o que estaria em consonância com o que foi ensinado pelos nossos pais, que nos diziam para respeitar os mais velhos (na verdade a todos). Desse modo, como já estavam no planeta antes de nós, deveríamos “agradecê-las” por terem participado do processo que criou, direta e indiretamente, as condições ecológicas para que um dia pudéssemos surgir nesse mundo. Se não fosse verdade, como poderíamos explicar a pirâmide ecológica, em que as plantas ficam na base e sustentam com matéria e energia tudo o que está acima (herbívoros, carnívoros e decompositores)? Portanto, quando você defender sua tese ou fechar um grande contrato, não deixe de perceber quantas plantas te sustentaram direta ou indiretamente. Sendo assim, para esse caso, os dois sentimentos que deveríamos nutrir pelas plantas (e pelos nossos semelhantes) são: respeito aos mais velhos e gratidão!

Em relação ao respeito aos mais velhos e à gratidão que devemos nutrir por eles, existem duas mitsvot (mandamento judaico, na forma de obrigação, sendo o singular mitsvá) que ilustram bem a situação, quais sejam: honrar pai e mãe e temer pai e mãe. Portanto, na própria Torah já se tem a sinalização para reverenciarmos aqueles que nos precedem, o que se faz aqui com as plantas.

Outra analogia possível de ser feita se refere ao fato de que as plantas possuem fototropismo positivo, ou seja, buscam sempre a luz e miram acima (o Alto, o Limite Superior, o Céu). Sabemos que muitas pessoas só “olham para baixo”, pois se sentem incapacitadas e inferiores aos outros, parecendo gostar da “sombra” e de que tenham pena delas! Portanto, aqui podemos aprender com elas a sermos determinados, resolutos e objetivos.

De sua parte, o fato de serem autotróficas demonstra que são criativas, engenhosas, produtivas, generosas e úteis. Vejamos: transformam o carbono atmosférico em biomassa, num processo extremamente complexo (criatividade, engenhosidade), e concomitantemente geram um produto essencial a várias formas de vida: o gás oxigênio (produtividade, generosidade, utilidade). Com base nisso, de forma análoga deveríamos nos esforçar para sermos úteis à sociedade (notadamente quando estudamos e conquistamos conhecimentos e títulos com dinheiro público), por meio de nossa inteligência e esforço, exatamente no sentido de provê-la com os insumos materiais e imateriais que necessita. Outro ponto a refletir é o fato de que, por serem autotróficas, são autossuficientes em termos da capacidade de produzirem o seu próprio alimento, o que nos ensina a sermos independentes o quanto possível. Em outras palavras, deveríamos assumir o controle de nossas vidas e não vivermos de modo submisso. Afinal, para isso o Criador nos deu o livre arbítrio!

O aprendizado sobre sermos úteis também pode ser obtido ao percebermos que as plantas protegem o solo das intempéries, minimizando o seu desgaste. Bem assim, pelo fato de prestarem diversos serviços ecossistêmicos, tais como, controle da poluição aérea, pela absorção de gases tóxicos pelos estômatos e adsorção de particulados em sua superfície aérea; indução à infiltração no solo da água precipitada; oferecimento de sombra e embelezamento da paisagem; proteção à fauna silvestre; entre outros. Mais evidente esse aprendizado fica quando tomamos em conta o fato de permitirem o seu uso direto, na forma de lenha, látex, resina, frutos, sementes, princípios ativos para remédios etc.  
Outro ponto que merece destaque ainda sob a perspectiva da utilidade, é o caso das plantas utilizadas em rituais religiosos (por exemplo, arruda, mirra, sândalo e espada de São Jorge), numa demonstração inequívoca de que “induzem” as pessoas a sentirem que possuem centelha divina, talvez pelo odor que desprendem ou pela forma que assumem. Tanto é verdade, que existem plantas consideradas sagradas para certos povos, como o caso da sálvia branca para os índios norte-americanos. Esses casos nos remetem a pensar que as plantas também foram colocadas no mundo para servirem de intermediárias entre a humanidade e Deus. Enfim, nos permitem (“ensinam”) indiretamente estabelecer conexão com Ele. Nesse sentido, é certo que o exemplo mais contundente se encontra na própria Torah, mais precisamente no Livro de Êxodo (Shemot), quando Deus estabelecia conexão com Moisés por meio de uma sarça (Acacia nilotica) ardente.

Apesar da inegável utilidade das plantas, é preciso considerar a existência de algumas espécies que são catalogadas como “daninhas”, a que prefiro denominar de competidoras, dentre elas a conhecida tiririca (Cyperus rotundus). Elas normalmente possuem potencial para se tornar pragas e, desse modo, podem limitar drasticamente a produtividade de cultivos agrícolas, bem como de pastagens e projetos florestais. Se isso ocorre, há real possibilidade desses projetos se tornarem inviáveis economicamente. Compreendido isso, a analogia com a vida humana, sob a minha ótica, se refere ao fato de que, às vezes, nos deparamos com pessoas que se tornam agressivas, maldosas e nos causam prejuízos de toda ordem. O aprendizado seria o seguinte: sermos cautelosos no trato com as pessoas, para que possamos analisá-las com a devida atenção, a fim de não nos surpreendermos com fatos negativos por elas provocados, a nós ou a terceiros. Do mesmo modo, precisamos nos examinar para saber se também não estamos agindo como uma “praga” para com os nossos semelhantes.

Um aspecto bem interessante é a analogia que se pode fazer entre a família (nossa base genética e fonte de valores e sabedoria) e o solo ou uma superfície líquida (base física das plantas terrestres ou aquáticas e fonte de nutrientes e água). Enfim, aprendemos aqui que precisamos ter apoio e alicerce na vida, a fim de suportarmos as dificuldades inerentes à existência humana, onde a família desempenha papel fundamental.
Como todo ser, as plantas mantém relações com os outros elementos do meio (ar, água, solo, outras plantas, animais irracionais, microrganismos e ser humano), o que nos remete a pensar o quão importante é “abrir-se” ao mundo e conquistarmos nosso espaço. Aqui se nota a importância de sermos ativos, bem como receptivos aos outros.

Nesse contexto de relacionamento com o meio, é fato que podem surgir problemas para as plantas, tais como, parasitas, doenças e competição, entre outros. Todavia, são situações inerentes à vida vegetal e, por extensão, a qualquer organismo, o que implica dizer que precisamos seguir em frente, mesmo quando a situação não é a ideal. Enfim, aprendemos aqui o quão importante é o poder de superação e a “luta” pela vida. De outra parte, há também relacionamentos benéficos com o meio, entre os quais a simbiose com fungos micorrízicos e com as bactérias nitrificantes, numa demonstração de que a natureza permite às plantas encontrar parceiros “interessados” em seu bem-estar. Não seria esse o caso quando encontramos na vida pessoas/instituições que nos apóiam e pelas quais sentimos a necessidade moral de agirmos em reciprocidade? Pelo exposto, entendemos que as plantas nos ensinam a importância de sermos éticos e gratos aos outros!

Ainda em relação ao tema relacionamento das plantas com o meio, um aspecto sutil e interessante diz respeito a casos de alelopatia, que, como sabemos, podem ocorrer de forma intraespecífica e interespecífica. Na verdade, a alelopatia envolve um processo que tem objetivo bem claro: reduzir ou eliminar a competição. Sendo assim, se considerarmos as plantas, poderíamos dizer que se trata de um “egoísmo vegetal”.  De modo análogo, quando o ser humano tem o ego inflado (só pensa em si), a Cabalá menciona que a pessoa pode ficar deprimida e se sentir incapaz (intraespecífica), sendo o suicídio o caso extremo. Também pode se voltar contra os outros (interespecífica) de diversos modos, como por exemplo, pela agressão verbal, pela agressão física e pelo caso extremo do homicídio. Enfim, aprendemos aqui que devemos ter consciência de assumirmos as rédeas das nossas vidas, ou seja, sermos responsáveis por aquilo que nos diz respeito, mas sem se esquecer de que o “sol nasceu para todos”, o que significa se esforçar para conseguir nosso espaço, mas com respeito aos outros.

Vale ainda perceber que, quando do relacionamento com os elementos do meio, as plantas passaram a dispor, por meio do processo evolutivo (em outros termos, pela criação contínua de Deus de sua obra), de estratégias extremamente criativas, sendo alguns exemplos os seguintes: a liberação de odores agradáveis e a coloração chamativa de folhas e flores para atraírem potenciais polinizadores; a anatomia “traiçoeira” dos vegetais carnívoros para capturar presas; o aumento da concentração de clorofila nas partes mais expostas à luz solar; e a perda de folhas em épocas secas para mitigar estresse hídrico. Disso resulta que deveríamos usar toda nossa inteligência e esforço para desenvolvermos estratégias no sentido de termos o melhor desempenho possível em tudo quanto nos caiba, notadamente em situações de crise ou de escassez de recursos. Se assim agirmos, haverá maior possibilidade de sobrevivermos, notadamente num mundo competitivo como o que vivemos.  Assim, se pensarmos no cenário profissional, procure ser criativo e colocar em prática todo o seu potencial intelectual e esforço.

Essa criatividade acima reportada pode ser bem exemplificada se tomarmos o caso das plantas que possuem espinhos ou acúleos. A par da diferença entre essas estruturas, qual seja, a de que somente os primeiros são vascularizados, deve-se perceber que ambos têm a capacidade de “intimidar” e “repelir” intrometidos (por exemplo, animais que fariam herbivoria). Nesses termos, as plantas nos ensinam a importância de sermos precavidos, ponderados, estrategistas e espertos, a fim de sobrevivermos. Poder-se-ia dizer até com algum grau de malícia. É claro que isto não significa sermos agressivos e hostis com os nossos semelhantes ou com qualquer outro ser, mas sim em termos o discernimento para identificarmos e evitarmos situações em que seriamos “usados”, às vezes até para praticar o mal e prejudicar inocentes.
Também é interessante contextualizar o caso da adaptação de certas plantas a ambientes que não apresentam as condições ideais ao seu desenvolvimento, como por exemplo, o caso das ervas ruderais ou das que vivem em dunas (ficam sujeitas a constantes ventos e às marés). Enfim, são plantas que conseguem sobreviver em locais inóspitos, o que demonstra a sua capacidade de adaptação. De novo surge o “ensinamento” de que devemos desenvolver estratégias para sobrevivermos em situações difíceis.

A capacidade das plantas de colonizar novos espaços, por meio da dispersão de propágulos sexuados e assexuados, nos passa o exemplo de que devemos ser proativos e buscarmos novos horizontes. Para tanto, necessitaremos de confiança e arrojo, pois há o risco inerente de não ocorrer o desejado sucesso. Vejamos: acaso não é verdade que muitas sementes dispersadas sequer chegam a germinar, seja porque aportaram em solo inadequado ou por terem sido consumidas por animais, dentre outras possibilidades? Portanto, as plantas nos ensinam que devemos ser persistentes em nossos intentos.

O fato de muitas plantas rebrotarem também nos traz ensinamentos, pois demonstra que são capazes de se renovar, mesmo com reveses (corte do caule, passagem de fogo, entre outras possibilidades). Assim, quando tivermos contrariedades, não significa o fim, mas uma possibilidade de recomeço, talvez até para melhor. O ensinamento é claro: precisamos cultivar a persistência, mantendo a confiança inabalada.

Há também o caso de certas plantas que excretam substâncias repelentes ao toque/injúria (por exemplo, picada de inseto) ou que, se consumidas, podem até matar. Uma possibilidade de analogia talvez esteja ligada ao fato de que algumas pessoas agem sempre em retaliação, ou seja, não suportam qualquer observação ou crítica, mesmo quando se trata de algo construtivo. Em linguagem popular, é o chamado “dono da verdade”.  Essas pessoas tendem a se isolar e a serem mal vistas por todos, num verdadeiro “suicídio social”. Obviamente, o ensinamento aqui contido se refere a saber se defender, mas com argumentos consistentes e não com grosserias.      

Um caso bem interessante diz respeito ao processo de sucessão vegetal, no qual, por meio dos estádios serais, as plantas criam condições para que outras surjam. Desse modo, se estabelecem os estágios sucessionais pioneiro, intermediário, avançado e climáxico. O paralelo que se pode estabelecer com a vida humana é que as gerações se sucedem, mas deixam exemplos, testemunhos, conhecimentos e recursos para serem usufruídos pelos descendentes. Nesse sentido, em tese, se imagina que o ambiente posterior possuirá melhores condições de sobrevivência que o anterior, enfim, que os filhos terão uma melhor condição de vida se comparada a dos pais. A isso, o Judaísmo denomina de “sacrifício” de uma geração em favor da próxima, algo que certamente se prende com a quase automática relação entre a sabedoria da Cabalá e os pensamentos e  atos do povo hebreu. Portanto, se considerada especificamente a perspectiva ambiental, o ensinamento aqui contido se refere a usar de modo consciente os recursos planetários, a fim de que as próximas gerações também possam sobreviver. Como visto, a Cabalá se sintoniza perfeitamente com a visão de sustentabilidade (uso hoje, mas garanto que amanhã o recurso ainda estará disponível)!

O uso de plantas psicoativas (por exemplo, maconha, coca e papoula) é bem interessante de ser analisado. A analogia com a humanidade é que, a depender da intenção do uso e da dose, o resultado pode ser benéfico ou maléfico, qual seja, o de que podemos pender para o lado bom (a boa inclinação, conhecida em hebraico como yetzer tov) ou mau (a má inclinação, conhecida como yetzer hará) da vida, conforme direcionarmos o nosso livre arbítrio. Enfim, uma pessoa pode se comportar bem (usá-la como princípio ativo prescrito para combater determinada patologia) ou mal (usá-la para se drogar e consequentemente entrar numa “fria”). Sendo assim, o ensinamento aqui é bem claro: viver com responsabilidade e respeitar o próprio corpo. Na visão cabalística, é um dever da pessoa cuidar adequadamente do seu corpo, pois só assim atingirá o equilíbrio que a permitirá servir em plenitude a Deus! Isso é bem fácil de perceber na prática, na medida em que a pessoa enferma terá óbvias restrições de saúde para agir em todos os sentidos, seja para orar e cumprir os mandamentos divinos (em hebraico mitsvot) ou mesmo para se relacionar com o próximo.

Também podemos obter aprendizado se relacionarmos o endemismo (por essa situação podem se tornar raras e até ameaçadas de extinção) de certas plantas com aspectos da sociedade humana. Em outras palavras, as plantas que vivem exclusivamente em certos locais ou regiões podem ser comparadas àquelas pessoas com comportamento único (personalidade marcante) ou com comunidades endógenas, como por exemplo, quilombolas e etnias indígenas. Assim, deveríamos reconhecê-las, valorizá-las e protegê-las de algum modo, exatamente por serem únicas, o que significa que se constituem em relíquias antrópicas. Caso desapareçam ou se descaracterizem (por aculturação), pode-se estar perdendo algo insubstituível! Enfim, aqui se aprende o respeito ao outro e ao seu modo de vida, bem como a ser ativo na proteção a pessoas “raras”. 

Outra analogia possível se refere ao caso dos organismos (no nosso caso plantas) geneticamente modificados (OGM) ou que são transgênicos.  De forma sucinta, vale entender que organismo geneticamente modificado é um ser vivo que sofreu alguma mudança artificial em seu material genético, mediante manipulação da engenharia genética. A mudança pode ser apenas em alterações na estrutura ou na função do próprio material genético do organismo, mas sem a introdução de genes de outra espécie no original; então esse organismo é considerado somente um OGM. De sua parte, um transgênico é um OGM que recebeu uma parte do material genético de outra espécie.  Portanto, o transgênico é um tipo de OGM, mas nem todo OGM é um transgênico. No entanto, ainda que seja necessário se estabelecer essa diferenciação, é preciso considerar que, para ambos os casos, o objetivo é lograr um fenótipo superior (uma melhoria na resposta do organismo). 

Entendido o explicitado acima, a analogia mais óbvia entre uma planta transgênica e a humanidade está relacionada com situações em que pessoas recebem partes de outras, como por exemplo, órgãos transplantados e doação de sangue, o que implica dizer que precisam viver com algo “estranho”, ao menos num primeiro momento. Já o caso das plantas OGM pode ser relacionado com pessoas que, por estímulo externo (influenciada por terceiros: pais, professores etc.), passaram a ter um comportamento (fenótipo de cunho social) considerado mais adequado e aceito pela sociedade.  Com base no exposto, talvez o principal ensinamento que se possa extrair do caso da transgenia é que devemos admirar as pessoas que tiveram que se submeter a transplantes e transfusões de sangue, não só pelo sofrimento (físico e psicológico) que experimentaram e experimentam, mas pelo exemplo de vida que dão ao conviverem com a situação. Já o caso do OGM também reserva ensinamentos, na medida em que nos revela o quanto podemos crescer com a opinião e o exemplo alheios.

Ainda no que toca a alguma manipulação da planta com vistas a obter um melhor desempenho agronômico, um caso bem particular diz respeito à enxertia.  De forma objetiva, o caso parece ter maior relação com a transgenia, ou seja, com o fato de ter que se conviver com algo “estranho”, já que a planta enxerto (em linguagem agronômica o cavaleiro) se relacionará diretamente com a planta porta-enxerto (o cavalo). Evidentemente, não se trata de introdução de genes de outra espécie, mas é preciso ter em conta que envolve uma situação em que duas plantas conviverão intrinsecamente, quase como uma só. Isso sinaliza para o ensinamento de que, quando convivermos intimamente com outra pessoa (normalmente o cônjuge), necessitaremos reconhecer até onde vai o nosso espaço (o nosso limite de opiniões e ações). Enfim, será necessário reconhecer e respeitar o “espaço” do outro, o que permitirá uma convivência harmônica.  Isso é da maior importância, pois envolve a harmonia do casal, que, como se sabe, é o núcleo onde a família se estabelecerá.   É preciso deixar claro aqui que a prática da enxertia não é considerada casher (apta, adequada) pelo Judaísmo. Todavia, isso não exclui a possibilidade de se fazer as pretendidas analogias entre as plantas e a humanidade.

Outro caso extremamente interessante e curioso se refere às plantas com comportamento monóico (com flores unissexuais femininas e masculinas na mesma planta; portanto, o mesmo indivíduo poderia se comportar como macho ou fêmea) ou dióico (com flores unissexuadas femininas e masculinas em plantas distintas; portanto, o mesmo individuo tem apenas um comportamento sexual). Sem avançar no aspecto científico do caso e o que isso nos revelaria geneticamente, pois não se tem esse objetivo no presente ensaio, talvez a melhor analogia da presente situação com a humanidade se refira ao seguinte ponto: monóico (hermafroditismo humano) e dióico (heterossexualismo). Como se pode perceber, a analogia aqui estabelecida trata de tema complexo e que, para uma análise mais apurada, haveria certamente a necessidade de se recorrer a perfis profissionais de diversas especialidades, como por exemplo, médicos e cientistas sociais, fugindo completamente do nosso objetivo, qual seja, o de especificamente estabelecer relações entre características das plantas com o ser humano, e extrair daí algum aprendizado. Nesses termos, nos restringiremos a extrair o seguinte ensinamento: respeitar os outros, ainda que diferentes de nós.

Também é um tema interessante o caso da ocorrência de estratos entre plantas. Como se sabe, em um ambiente florestal é normal se encontrar três estratos bem definidos: o herbáceo, o arbustivo e o arbóreo. A ocorrência desses estratos desencadeia uma série de relações ecológicas entre as plantas que os compõem, muito influenciada pelo sombreamento e pela consequente interferência no padrão de temperatura e umidade do ambiente em que vivem. Desse modo, não é por acaso que se têm plantas heliófilas (mais dependentes de luz) e umbrófilas (menos dependentes de luz). Portanto, há que se perceber o quanto um estrato influencia o outro, o que nos permite fazer a seguinte analogia com a humanidade: as classes sociais e as suas inerentes relações. Nesse sentido, é preciso registrar que algumas são lamentavelmente desumanas (aculturação, dominação pela força, escravidão etc.), o que estaria a exigir retificação (correção na linguagem cabalística). Pelo exposto, fica o aprendizado de que não é possível evitar as inerentes interferências de uma classe social sobre a outra, até pelas desigualdades implícitas, todavia as suas relações precisam se pautar no respeito e na ética. Em uma linguagem mística, praticar o bem a quem quer que seja, tanto na condição de indivíduo quanto de membro de qualquer classe social. Afinal, como se diz no popular, ninguém é tão pobre que não possa doar (em todos os sentidos - financeiro, conselhos, exemplo de vida etc.) e ninguém é tão rico que não possa receber.  

A situação referente às plantas longevas (por exemplo, as sequoias) ou que sobrevivem por pouco tempo (normalmente as herbáceas) também permite estabelecer analogias com o ser humano. Assim, vamos encontrar casos de pessoas que faleceram muito jovens ou em idade avançada, o que nos faz refletir sobre a fragilidade e a transitoriedade humana. Enfim, o ensinamento é que somos simples criaturas e não temos controle de tudo, o que nos obriga a sermos humildes e valorizarmos cada momento dessa vida. Nesse contexto, o aprendizado também vai de encontro a sermos solidários e piedosos com as pessoas que perdem seus entes queridos, notadamente em situações inesperadas.
Outro caso em que é possível estabelecer paralelos é a situação observada em certos vegetais que demoram ou nunca produzem frutos (portanto, a possibilidade de se reproduzir). No mundo vegetal isso pode estar associado a inúmeros fatores, entre os quais não se ter o polinizador específico. Sob qualquer possibilidade que dificulte ou impeça o fato, entendemos que a analogia com a humanidade parece estar mais ligada às pessoas que encontram dificuldades (físicas, psicológicas, financeiras, entre outras) em deixar descendentes. Já num sentido holístico, tal como apregoado pela visão cabalística, poder-se-ia pensar em qualquer dificuldade que apareça para se produzir algo (por exemplo, conhecimento). Sendo assim, o ensinamento aqui contido é o de se esforçar para encontrar os meios que te levarão a atingir o objetivo natural de qualquer ser, ou seja, marcar sua presença na Criação. Isso pode se dar na forma de deixar descendentes, conhecimentos, exemplos de vida ou qualquer outro elemento que se mostre importante para a sociedade.

Um ponto que também merece consideração é o que trata das espécies exóticas (por exemplo, o eucalipto no Brasil). O paralelo com a humanidade é claro: o estrangeiro e como ele se relaciona com o seu novo “habitat” (país). Sendo assim, uma situação real é encontrada quando nos deparamos com nacionalismos exacerbados e xenofobia, hoje tão comuns pelo êxodo de pessoas de países pobres em direção à Europa. A que isso tem levado? Ao ódio e ao terrorismo! É evidente que isso é inaceitável e merece correção. Talvez essa correção possa começar pela procura em conhecer o outro, gerando, desse modo, a possibilidade do diálogo e consequentemente de se mudar de opinião, se convencido. Nisso o povo judeu é único e pode contribuir de forma significativa com a humanidade, via ensinamentos da Cabalá, pois a maior parte de sua existência se deu fora de Israel, o que implica dizer como o estrangeiro, o exótico e o diferente. Enfim, o ensinamento que se pode extrair daqui é a da tolerância e do respeito incondicional ao seu semelhante. 

Ao finalizar essas analogias, contextualizo aqui o caso das plantas cultivadas em ambientes internos, sendo as mais comuns as de vaso. Como se sabe, elas são cuidadas pelas pessoas em seus domínios (casas, apartamentos, condomínios etc.). Na prática, passam a ser “membros” da família, quase como os animais de estimação, dada a “intimidade” proporcionada pelos cuidados e pelo carinho que recebem. Desse modo, em muitos casos, profissionais das áreas de Psiquiatria e Psicologia já prescrevem a seus pacientes o chamado Tratamento Fitoterápico (não como chá, mas como passatempo). Ainda em relação a esse tópico, o mesmo raciocínio pode ser feito se tomarmos em consideração as plantas cultivadas em espaços externos, entre eles jardins, canteiros, praças e parques (a chamada arborização urbana), as quais normalmente são observadas e admiradas pelos transeuntes, numa verdadeira “higiene mental”. Portanto, o ensinamento que podemos extrair daqui se refere à necessidade de encontrarmos alguém (ou algo) que nos toque emocio