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Estudo da Embrapa revela que produtores preservam 29% da vegetação nativa, destaca Gilkiane Cargnelutti

A jornalista Gilkiane Cargnelutti participou na manhã desta terça-feira (02) do Campo em Dia, da Clic Rádio, e trouxe informações importantes sobre o papel do agronegócio brasileiro na preservação ambiental, além de atualizar o público sobre medidas comerciais dos Estados Unidos e a expectativa em torno da renegociação das dívidas dos produtores rurais.

Segundo Gilkiane, um novo levantamento divulgado pela Embrapa Territorial durante a COP 30 reforça dados contundentes sobre a conservação ambiental no país. O estudo revela que 65,6% de todo o território nacional permanece coberto por vegetação nativa, incluindo florestas, cerrado, campos naturais e outros biomas. Em contraste, apenas 31,3% das terras brasileiras são destinadas à agropecuária, somando áreas de lavouras e pastagens.

No entanto, o dado mais expressivo destacado pela Embrapa mostra que 29% de todas as áreas de vegetação nativa do país estão dentro de propriedades rurais, sob responsabilidade direta dos produtores. “Isso significa que quase um terço da natureza protegida do Brasil se encontra em áreas privadas mantidas pelo setor produtivo”, explicou Gilkiane.

A jornalista ressaltou que esses números desmontam a narrativa de que o agronegócio seria o principal responsável pela destruição ambiental. “E também evidencia aí o contrário. Grande parte da conservação depende justamente do campo”. Esse relatório também destaca que o “Brasil é uma das maiores potências agroambientais do mundo e combina produção agrícola em larga escala com altos índices de preservação”, destacou.

Gilkiane ainda lembrou que a Embrapa trabalha com dados oficiais, auditáveis e atualizados, o que reforça a credibilidade do levantamento e demonstra que os produtores rurais têm papel decisivo no equilíbrio ambiental brasileiro.

EUA retiram tarifa de 40% para produtos brasileiros

Outro destaque da participação de Gilkiane no programa foi a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% aplicada a diversos produtos brasileiros desde agosto. A medida beneficia itens como carne bovina, café, açaí, cacau, entre outros que estavam incluídos na lista de exceções do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

A retirada da tarifa vale para produtos que chegaram ao território americano a partir de 13 de novembro.

Apesar da revisão, Gilkiane alertou que 62% das exportações brasileiras para os EUA seguem sujeitas a algum tipo de taxação adicional. Em nota, o governo brasileiro classificou a decisão como um avanço, mas afirmou que continuará negociando para eliminar as tarifas restantes e ampliar a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.

Produtores aguardam votação do PL 5122/2023

Gilkiane também atualizou os ouvintes sobre a expectativa do setor produtivo em relação ao PL 5122/2023, que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. A proposta foi aprovada na Câmara antes do recesso do meio do ano, mas segue parada no Senado.

Segundo a jornalista, há uma sinalização do presidente do Senado, Daniel Alcolumbre, de que o projeto pode ser pautado ainda nesta semana. No entanto, essa inclusão na agenda ainda não foi confirmada oficialmente.

O campo não pode mais esperar. Nossos produtores já estão assim no limite.

Gilkiane concluiu reforçando que seguirá acompanhando de perto as movimentações no Senado e trará atualizações em primeira mão para os ouvintes do Campo em Dia.

Informações: ClicCamaquã / Kathrein Silva

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Vencedores do Prêmio APRE Florestas de Jornalismo são homenageados em noite de festa

Jornalistas da RPC de Foz do Iguaçu, Jornal Bem Paraná e Rádio Banda B conquistaram os primeiros lugares nas categorias vídeo, texto e rádio, respectivamente, do 3º Prêmio APRE de Jornalismo, dedicado a premiar as melhores reportagens produzidas em 2025 sobre o setor de florestas plantadas do Paraná. A silvicultura é reconhecida como uma das atividades mais sustentáveis do planeta por produzir matérias-primas renováveis de grande impacto positivo nas áreas ambiental e social. Também foram premiados jornalistas da Revista Globo Rural, da Rede Massa Ponta Grossa, da Ric RECORD Curitiba, do Jornal de Beltrão, da CBN Curitiba e do Portal Mirian Gasparin.

O resultado do prêmio foi revelado pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) no último dia 28 de novembro, durante jantar festivo que também revelou o Prêmio Destaque 2025. A personalidade eleita foi o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, que também já ocupou o cargo de secretário estadual da Agricultura. Há mais de 40 anos, Ortigara se dedica ao desenvolvimento do agronegócio paranaense. Ao longo de sua carreira, consolidou o Paraná como referência nacional em produção agropecuária, sustentabilidade e inovação no campo.

A 3ª edição do Prêmio APRE Florestas de Jornalismo, realizada em Curitiba, no Restaurante Maggiore, em meio à natureza exuberante do Parque Barigüi, registrou recorde de inscrições, consolidando-se como a principal premiação regional dedicada à divulgação qualificada do setor de florestas plantadas.
Criado em 2023, o prêmio é pioneiro no Brasil e inspira, desde então, iniciativas nacionais de valorização do jornalismo especializado. Em 2025, o tema central foi “Florestas Plantadas e Tecnologia”, destacando reportagens que exploraram inovação, sustentabilidade, manejo florestal, pesquisa científica, construção com madeira engenheirada e uso de ferramentas digitais no campo.

O presidente da APRE Florestas, Fabio Brun, ressaltou que a imprensa exerce papel fundamental ao levar ao público informações relevantes sobre o setor florestal. “Agradeço aos jornalistas que dedicaram seu talento em prol do nosso setor. Através do Prêmio APRE de Jornalismo, consolidamos nosso reconhecimento a alguns dos melhores jornalistas que ajudam a escrever a nova história do Brasil”, apontou.

Ao todo, foram mais de 40 trabalhos inscritos e 37 selecionados para avaliação, avaliados por um júri formado por especialistas do setor florestal, pesquisadores e profissionais de imprensa: Vitor Afonso Hoeflich, Fernando Geraldi, Ailson Loper, Marisa Valério e Antonio Senkovski.
Além das premiações principais, a Embrapa Florestas concedeu sua tradicional Menção Honrosa à jornalista Miriam Gasparin, do portal miriangasparin.com.br – Economia & Negócios, pela reportagem “Drones e tecnologia revolucionam a silvicultura”, que abordou o uso crescente de drones em inventário, mapeamento, identificação de espécies, monitoramento de pragas e prevenção de incêndios, uma tecnologia já amplamente adotada pelas empresas paranaenses.

Vencedores nas categorias Vídeo, Áudio e Texto

Na categoria Vídeo, o 1º lugar ficou com a RPCTV de Foz do Iguaçu (PR), entregue ao jornalista Zito Terres. A reportagem vencedora, exibida na série Acesso Restrito, conduziu o público por todas as etapas da produção de papel e celulose no Paraná, com forte impacto visual e informativo. Além de Terres, a equipe vencedora é formada também por Franciele John, José Roberto Alves e Nestor Lichtenow.
O 2º lugar foi concedido à Rede Massa com a série de reportagens intitulada “Pinus – O Tesouro Verde do Paraná”, que destacou o uso do CLT (Cross Laminated Timber), a força da madeira engenheirada e os avanços da genética florestal.

O prêmio foi entregue ao jornalista Valdir Bezerra, de Ponta Grossa, cuja equipe é formada também por Adriana Justi, Angela Iurk Rosa, Rhuan Fellipe Cachel, Bruno Romualdo, Paulo Marques, Giulia Boiko da Costa Lopes e Ana Paula Ribeiro.

O 3º lugar foi para a RIC RECORD Paraná com a reportagem que abordou a importância econômica da silvicultura e o peso do setor para o PIB do agro paranaense. Para receber o prêmio, subiram ao palco a repórter Anne Beckhauser e o repórter cinematográfico Clemar Malmann. A equipe também é formada por Grasiani Jacomini, Karina Bernardi, Rafaela Moron, Vanessa Fontanella e Jean Carlo Tschannerl.

Na categoria Áudio, a grande vencedora foi a Rádio Banda B com a série de reportagem intitulada “Do machado à inteligência artificial”, que trouxe uma descrição histórica e tecnológica pelo setor florestal e toda sua evolução até os dias de hoje. As jornalistas Francielly Azevedo e Eliane Muiniki receberam o prêmio pela equipe, que também conta com o jornalista Antonio Nascimento.

O 2º lugar foi para a RadioWeb, de Brasília. A jornalista Janaína Oliveira explorou a construção sustentável com madeira engenheirada, destacando o protagonismo do Paraná no tema.

Já o 3º lugar ficou com a Rádio CBN Curitiba, em reportagem realizada pela jornalista Grasiani Jacomini, que analisou a reação do Paraná à crise das tarifas norte-americanas em 2025, mostrando como pesquisa e inovação estão moldando o futuro do setor.

Na categoria Texto, o 1º lugar foi para o veículo Bem Paraná, em matéria assinada pelas jornalistas Lívia Berbel e Luísa Mainardes. A reportagem vencedora destacou como as casas de madeira e o CLT (Cross Laminated Timber) estão transformando o futuro das moradias sustentáveis no Paraná.

O 2º lugar foi para a Revista Globo Rural, com reportagem da jornalista Carolina Mainardes. A matéria apresentou uma narrativa que percorre desde o manejo de florestas de pinus até a construção final com CLT, conectando campo, indústria e inovação.

O 3º lugar ficou para o Jornal de Beltrão, com matéria do jornalista Niomar Pereira, que analisou o impacto de tecnologias como drones, inteligência artificial, sensores e realidade aumentada no manejo florestal e nos novos modelos de negócio.

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Voith Paper é premiada no Programa Semear, iniciativa de sustentabilidade da Smurfit Westrock

Reconhecimento destaca evolução contínua da empresa em práticas ESG e reforça parceria com a cadeia de suprimentos.

A Voith Paper foi reconhecida com o prêmio Destaque ESG 2025 do Programa Semear promovido pela Smurfit Westrock.

A Voith foi destaque na categoria Fornecedores Indiretos que avalia formas de fortalecer e acelerar a adoção de iniciativas sustentáveis em toda a cadeia de suprimentos.

A premiação da Smurfit Westrock é voltada ao desenvolvimento de fornecedores em sustentabilidade e avaliou 105 fornecedores selecionados com base em sua representatividade no gasto anual.

Após um processo rigoroso, que envolveu análise detalhada de evidências e desempenho, 20 empresas avançaram como finalistas e apenas 6 foram premiadas, sendo a Voith Paper uma delas.

Ao longo da avaliação, os participantes responderam a um questionário abrangente sobre práticas ambientais, sociais e de governança, apresentando evidências comprobatórias para cada indicador. Além disso, foi necessário desenvolver um plano de ação estruturado para a evolução de pontos identificados na avaliação anterior, demonstrando comprometimento com melhoria contínua.

“Este reconhecimento reforça nosso compromisso com a sustentabilidade e a transparência, pilares fundamentais para o futuro da indústria de papel e celulose. Estamos avançando de forma consistente, com iniciativas que fortalecem nosso impacto positivo em toda a cadeia de valor”, destaca Laline Franqueira Koch, Gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Voith Paper.

Com este prêmio, a Voith Paper reafirma sua posição como referência em práticas responsáveis e inovadoras no setor, contribuindo para um ambiente de negócios mais sustentável e atendendo às expectativas de clientes, parceiros e da sociedade.

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Indústrias de papel e celulose de Mato Grosso do Sul estão com vagas abertas

Vagas abrangem diferentes áreas e níveis de formação

Três indústrias de papel e celulose de Mato Grosso do Sul estão com vagas abertas em dezembro. As oportunidades abrangem diferentes áreas e níveis de formação.

A Eldorado Brasil está com inscrições abertas em Três Lagoas para as funções de mecânico(a), especialista competitivo, analista de cadastro de materiais, monitor(a) florestal, motorista tritem, oficial de cozinha e supervisor(a) de desenvolvimento operacional.

Já nas cidades de Inocência e Água Clara, a empresa tem seleção aberta para o cargo de ajudante florestal. Os interessados podem obter mais detalhes sobre cada vaga e se candidatar pelo link.

A Suzano está em busca de candidatos para ocupar vagas de consultor de qualidade, técnico de segurança do trabalho, supervisor de operações florestais, técnico em logística florestal e técnico em manutenção florestal. Clique aqui para saber mais.

Na Sylvamo, em Três Lagoas, as vagas abertas são para o cargo de técnico(a) em elétrica e instrumentação. Para participar do processo seletivo, é necessário se inscrever por este link.

Informações: Mídia Max

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ESG e contratos comerciais: a nova fronteira do setor de papel e celulose

Por Ana Carolina Lopes Sequeira dos Santos – Diretora Legal LatAm da Valmet

Quem atua no universo dos contratos comerciais sabe que esses instrumentos funcionam, quase como um termômetro, das transformações do mercado e da sociedade. Nos últimos anos, acompanhamos uma sucessão de movimentos que impactaram diretamente as relações contratuais entre empresas. Primeiro, veio o período de adaptação à Lei Geral de Proteção de Dados, que, em seu início, gerou inúmeras dúvidas práticas sobre a aplicação da norma e trouxe desafios à formatação dos contratos. Em seguida, durante a pandemia da covid-19, assistimos à ascensão das cláusulas de força maior, até então muitas vezes deixadas em segundo plano, mas que repentinamente se tornaram protagonistas nos debates jurídicos e negociais.

Agora, a atenção se volta para uma nova pauta que vem redesenhando o cenário contratual: o ESG — Environmental, Social and Governance, ou, em português, Ambiental, Social e Governança. Inicialmente restrito a nichos empresariais específicos, o conceito rapidamente ganhou força e se consolidou como diretriz essencial das práticas corporativas. No setor de papel e celulose, essa influência se faz sentir de maneira particularmente intensa, em razão da relação direta da atividade industrial com temas ambientais, gestão responsável de recursos naturais e impactos sociais nas comunidades locais.

Hoje, é praticamente impensável negociar contratos de fornecimento de tecnologia, insumos ou serviços para essa indústria sem considerar as políticas e práticas ESG envolvidas. Onde antes o avanço tecnológico e as estratégias comerciais ocupavam o centro das discussões, o protagonismo agora é compartilhado com a busca por equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. O que antes era uma tendência de mercado passou a ser uma exigência de governança.

Dentro dos contratos, as obrigações relacionadas ao ESG se manifestam de forma pulverizada, muitas vezes sem a percepção imediata de que fazem parte desse mesmo conceito. No entanto, quando analisadas sob uma perspectiva mais ampla, revelam clara correlação com os pilares ambiental, social e de governança. Entre essas obrigações, destacam-se: a preferência pela contratação de mão de obra local, acompanhada do dever de qualificação dessas pessoas; o controle e a redução de ruídos e outras formas de poluição sonora; a responsabilidade por danos ambientais e pelo cumprimento da legislação vigente; a vedação ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão, tanto por parte da contratada quanto de seus subcontratados; e a verificação da idoneidade de todos os integrantes da cadeia produtiva, garantindo que os serviços sejam prestados de forma sustentável e em conformidade com a lei.

Essas previsões contratuais, antes vistas como meras formalidades, vêm ganhando relevância real na gestão dos negócios. E não apenas na teoria: observa-se um esforço concreto das principais empresas do setor para adequar suas operações aos compromissos de ESG. A Suzano, por exemplo, declarou ter atingido, em 2023, 88% de energia proveniente de fontes renováveis. A Bracell, em 2024, anunciou ter alcançado 72% de energia limpa em seu processo produtivo. Já a Klabin figura, por cinco anos consecutivos, entre o “top 1%” em práticas ESG, segundo a S&P Global.

Entre os fornecedores, empresas como a Valmet vêm demonstrando comprometimento semelhante, com auditorias e fiscalizações constantes em suas cadeias de suprimentos para assegurar a aderência às políticas de sustentabilidade e eliminar práticas contrárias aos princípios ESG. Tais iniciativas indicam que o tema não se restringe a cláusulas contratuais e se traduz em ações efetivas e mensuráveis, impactando positivamente toda a estrutura produtiva do setor.

Ainda assim, há um longo caminho a ser percorrido. O compromisso assumido pelas empresas, muitas vezes formalizado inicialmente nos contratos comerciais, precisa se traduzir em condutas concretas, capazes de transformar essa tendência em prática permanente. O verdadeiro desafio está em fazer com que o ESG deixe de ser apenas uma exigência formal ou um diferencial competitivo e passe a integrar, de forma autêntica, a cultura empresarial e a estratégia de negócios. No setor de papel e celulose, esse avanço já é visível, mas sua consolidação dependerá da capacidade de manter o equilíbrio entre eficiência econômica, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental — elementos que, mais do que cláusulas contratuais, representam hoje os pilares de uma nova maneira de fazer negócios.

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‘Tecido de madeira’: apetite por fibras especiais de celulose movimenta mercado de lyocell no Brasil

País tem limitações na fabricação da fibra têxtil, mas cresceu como exportador do insumo, chegando a 20% da produção mundial; matéria-prima movimenta negociações bilionárias com nomes como Suzano, Lenzing e Dexco

Da mesma madeira que abastece a indústria brasileira de papel é possível dar origem a uma das fibras têxteis especiais mais sustentáveis do mercado: o lyocell, obtido a partir da polpa solúvel da celulose extraída de árvores como o eucalipto. A matéria-prima é reconhecida por proporcionar maciez ao tecido e pelo baixo impacto ambiental em sua produção. No Brasil, ela tem sido impulsionada por marcas de moda e por investimentos bilionários de gigantes da cadeia de celulose.

Além da origem florestal, um dos diferenciais que minimiza impactos da produção da fibra frente a concorrentes fósseis está no seu processamento. O insumo passa por dissolução em solvente orgânico, o NMMO (N-metilmorfolina-N-óxido), que é reutilizado em quase 100% durante a produção. A fibra resultante é biodegradável e compostável, podendo decompor-se em poucos meses, se descartada em ambientes favoráveis.

O mercado em torno dessa fibra ganhou relevância nos últimos anos no Brasil. Uma das negociações mais recentes foi anunciada em 2024 pela brasileira Suzano. A companhia, que já tinha nome consolidado em celulose para papéis e embalagens, investiu € 230 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) na compra de 15% da participação global no Grupo Lenzing, empresa austríaca que lidera a produção global de celulose para a indústria têxtil e é detentora da marca Tencel (fibra de lyocell desenvolvida pela empresa).

Segundo o vice-presidente executivo de Novos Negócios na Europa da Suzano, Carlos Aníbal, a aquisição fez parte da estratégia da companhia em avançar na cadeia do downstream (produto final para o consumidor), aproveitando o potencial de crescimento das fibras de celulose para consolidar uma posição competitiva. Por causa da participação minoritária, o executivo passou a ocupar a cadeira de vice-presidente do conselho de administração do Grupo Lenzing, na Áustria, de onde falou com o Estadão.

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“Esse mercado abre a oportunidade de avançarmos no downstream, de construirmos uma posição competitiva em um segmento no qual entendemos que há um potencial muito grande de crescimento, devido à busca por fibras mais sustentáveis e que trazem ao consumidor um conforto muito maior”, diz. “Existe uma tendência crescente dessa combinação de conforto e sustentabilidade, e entendemos que atuar nessa cadeia é uma opção de criação de valor.”

A Suzano tem a possibilidade de comprar outra fatia de participação no Grupo Lenzing até o fim de 2028 e se tornar acionista majoritária, o que seria mais um passo para fortalecer a cadeia do lyocell no País. Aníbal não antecipa informações sobre a intenção de avançar na compra, no entanto. “É um negócio diferente sobre o qual estamos buscando entendimento para tomarmos uma decisão ao longo do tempo.”

A brasileira Dexco, consolidada pelos produtos de louças, revestimentos e painéis de madeira, também expandiu o portfólio com a produção de polpa solúvel de celulose para lyocell e outras fibras ao firmar parceria com o Grupo Lenzing em 2018. A estratégia resultou na criação da joint venture LD Celulose, instalada em Minas Gerais, com investimento de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões). A expansão foi responsável por mais de 75% das receitas globais de fibras especiais do Grupo em 2024.

O vice-presidente da Divisão Madeira da Dexco, Henrique Haddad, explica que a negociação viabilizou a utilização de um maciço florestal de quase 54 mil hectares para outras alternativas em madeira. “Nós achamos bastante interessante o negócio por (resultar em) um produto diferenciado e com uma utilização mais próxima do consumidor, no sentido de estar fazendo uma mudança importante no uso mais sustentável de fibras e tecidos.”

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O acordo representou a ampliação da produção própria de madeira para a celulose solúvel, diminuindo a necessidade de compra de outros fornecedores (o Grupo Lenzing comprava 50% do material antes da joint venture), ressalta o presidente da LD Celulose, Silvio Costa. Segundo ele, foram dez anos estudando outros mercados até que o Brasil se mostrou o local de maior potencial para a industrialização do insumo.

“A Lenzing continua com o tamanho dela em termos de produção de fibras têxteis, na ordem de 1,1 milhão de toneladas por ano. Com a entrada da LD Celulose, ela se tornou autossuficiente ou menos dependente do mercado, com fibra de celulose solúvel produzida a partir de eucalipto no Brasil, com uma vantagem competitiva super importante.”

Concorrente das empresas citadas, a Bracell também mantém uma operação robusta de celulose solúvel no Brasil, com capacidade de produção anual de 2 milhões de toneladas do insumo que origina o lyocell. As plantas fabris que produzem as polpas solúveis ficam na Bahia e em São Paulo.

A companhia não comentou ao Estadão sobre apetite de mercado e investimentos recentes. “Em 2024, 53,5% da celulose produzida pela Bracell na Bahia teve como destino a Ásia, para a fabricação de fibras de viscose e lyocell”, disse a empresa em nota.

Tamanho do mercado

De acordo com a economista Hema Kalathingal, analista de polpas especiais da agência Fastmarkets, os números positivos do lyocell globalmente explicam o apetite das empresas no Brasil pela fibra. Ela diz que as fibras celulósicas produzidas a partir de polpa de madeira cresceram a uma taxa de 6% entre 2021 e 2024, superando o mercado têxtil como um todo. O lyocell apresentou uma taxa média de crescimento anual de cerca de 26% nesse período.

Do ponto de vista do consumo, os números também são atraentes. “O consumo de fibras de celulose sintéticas dobrou nos últimos 15 anos. O lyocell, em particular, apresentou crescimento de dois dígitos nesse período e agora representa cerca de 11% de todas as fibras celulósicas. A busca por fibras têxteis sustentáveis ​​resultou em uma onda de investimentos em capacidade produtiva, especialmente para o lyocell. Consequentemente, o consumo de lyocell continuará crescendo.”

Com o boom, o Brasil emergiu como um fornecedor importante de celulose solúvel nos últimos anos, por causa do aumento da capacidade produtiva da Bracell e da LD Celulose, fazendo com que o País responda hoje por aproximadamente 20% da capacidade de produção global, segundo dados da Fastmarkets divulgados pela economista. A capacidade de produção de celulose solúvel do País passou de aproximadamente 650 mil toneladas em 2019 para cerca de 1,9 milhão de toneladas este ano, e o Brasil exportou 1,1 milhão de toneladas de celulose solúvel em 2024.

No entanto, o volume significativo de produção de celulose solúvel no Brasil, contrasta com as barreiras para a produção da fibra e do tecido de lyocell no País. As empresas instaladas no Brasil ainda precisam enviar os insumos domésticos para fábricas na Ásia e na Europa, que devolvem as fibras e tecidos usados pelas marcas de moda no Brasil. Ao Estadão os representantes de Suzano e LD Celulose disseram não ter, por enquanto, a intenção de ter planta para a produção da fibra no País, mantendo apenas a produção da polpa solúvel.

Para Kalathingal, desenvolver uma indústria de lyocell no Brasil exigirá “investimentos significativos”. “A maior parte da capacidade atual de produção de lyocell está na China ou em outras partes da Ásia, onde a proximidade com uma cadeia de valor têxtil e de vestuário maior proporciona vantagens estratégicas. O Brasil, atualmente, não possui instalações de produção de fibras celulósicas, (porém) o crescimento da indústria têxtil e de vestuário nacional pode criar oportunidades para futuros investimentos em lyocell.”

Vicunha, uma das maiores fabricantes de jeans do Brasil, começou a usar lyocell na composição das peças desde 2018, mas vê dificuldades na falta de produção da fibra no País. O diretor executivo comercial da empresa, Alejandro Silva, avalia que a fibra veio para somar positivamente na produção junto ao algodão, mas, se houvesse a confecção do tecido na indústria brasileira, o lyocell poderia crescer proporcionalmente ao potencial que tem.

“O crescimento está muito abaixo do que se espera para essa fibra. Nós não temos produção dentro do Brasil, então se paga impostos trazendo de fora. Nós acreditamos e acompanhamos (o crescimento do lyocell), mas temos esses problemas. (As fábricas) não dispõem de matéria-prima para entrega em 48 horas, como algodão, lycra, poliéster.”

Mesmo assim, a Vicunha tem buscado ampliar portfólio com a fibra. Em 2025, foram lançados dois produtos. Para a coleção de 2026, os lançamentos devem chegar a sete confecções compostas por lyocell: cinco em brim e duas em denim. O nosso portfólio vai triplicar, mas, honestamente, quando olhamos o consumo como um todo, o lyocell é uma parte muito pequena. Ele pode crescer a dois dígitos. Mas, para que isso faça uma diferença, tem que crescer a três. E ele tem condição de crescer três dígitos. Precisamos viabilizar isso.”

Demandas atuais e futuras

Enquanto a fibra aguarda uma produção nacional, as demandas pelo tecido continuam vindo de diferentes segmentos. A gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios na América do Sul do Grupo Lenzing, Juliana Jabour, comenta que, no Brasil, os pedidos para o uso do lyocell da companhia (o Tencel) estão vindo dos fabricantes de jeans e de malharia para aplicações diversas, como no segmento esportivo, e do segmento de luxo, que busca fibras premium.

“É uma tendência”, diz, avaliando os últimos cinco anos. “Mesmo os fabricantes aqui (no Brasil) ou as marcas, quando viajam para fora, trazem muitas peças feitas de Tencel. As marcas estão cada vez mais estabelecendo metas de sustentabilidade mais agressivas e convertendo parte do portfólio para produtos mais sustentáveis, e isso começa na escolha da matéria-prima.”

As fibras de lyocell licenciadas pelo Grupo Lenzing estão disponíveis para venda no Brasil em segmentos de nichos diversos e com preços variados. Em setembro, por exemplo, a grife Neriage lançou a coleção autoral Autobiografia usando a fibra, com peças de até R$ 8,8 mil com 70% de lyocell e adição de seda. Já a marca de roupas essenciais Insider lançou em outubro a coleção Nextech, com camisetas em torno de R$199, contendo 92% de lyocell.

Ao Estadão ambas as marcas ressaltaram os atributos de sustentabilidade e a qualidade do tecido final como critério de escolha do material, indicando que a fibra continuará sendo usada em novas coleções. “Produto que não derruba ilegalmente a floresta” e “fibra do futuro” estiveram entre as justificativas. “Temos diversas novas tecnologias mapeadas para os nossos lançamentos, e o lyocell, com certeza, é uma delas”, projeta a líder de P&D da Insider, Karen Prado.

Informações: Shagaly Ferreira / Estadão

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Arauco e Senac lançam exposição fotográfica e anunciam agenda de cursos em Inocência

Iniciativas promovem qualificação profissional e valorizam a cultura local, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável da comunidade

A Arauco lançou, na última quinta-feira (27), a exposição fotográfica “Sabores, Histórias e Memórias” e anunciou o calendário 2026 de cursos profissionalizantes. O evento aconteceu na Casa Arauco, no centro de Inocência, e conta com a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e da Prefeitura Municipal. 

As ações têm como objetivo ampliar o acesso à qualificação para o mercado de trabalho e valorizar a identidade cultural da região, reafirmando o compromisso da Companhia com o desenvolvimento social e econômico local.

Exposição Fotográfica

A mostra reúne trabalhos produzidos pelos alunos do curso “Fotografia de Bolso: fotografe, edite e compartilhe com celular”, realizado em parceria com o Senac e direcionado a estudantes das escolas municipais de Inocência e do distrito de São Pedro. A iniciativa estimulou a criatividade e o olhar artístico dos jovens para a fotografia.

A exposição estará aberta ao público até 5 de dezembro, na Casa Arauco, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30. Durante esse período, os visitantes poderão votar na sua foto favorita entre as 22 imagens participantes. Quem não puder comparecer, poderá acessar as fotos e votar online pelo link divulgado nas redes socias entre os dias 28 de novembro e 5 de dezembro.

Cada pessoa poderá votar apenas uma vez. Os dois autores das fotos mais votadas receberão um iPhone 16 como prêmio. A entrega acontecerá no dia 6 de dezembro, durante a festa de lançamento do projeto Natal dos Sonhos, na Casa Arauco (Av. Três Lagoas, nº 199, Centro, Inocência).

Agenda de Cursos Profissionalizantes

Desde setembro, a Arauco, em parceria com o Senac, vem oferecendo cursos gratuitos para moradores de Inocência e do distrito de São Pedro, com foco na qualificação profissional e no estímulo ao empreendedorismo. Até agora, além do curso de fotografia, foram realizados treinamentos como “Atendimento e Recepção em Hospitalidade”, “Camareira – Técnicas de Limpeza e Arrumação” e  Higiene e Manipulação de Alimentos.

•        Os cursos acontecerão até junho de 2026

•        Cursos voltados para Inocência e o distrito de São Pedro

•        Total de vagas: 1.260

•        Carga horária total: 10.091 horas

Para 2026, está programado mais de 20 cursos, distribuídos em seis áreas:

•        Gastronomia: produção de salgados, pizzas e marmitas gourmet

•        Beleza: cabeleireiro, design de sobrancelha, manicure e pedicure

•        Saúde e Segurança: cuidador de idosos

•        Gestão e Comércio: operador de caixa

•        Turismo e Hospitalidade: técnicas de recepção, atendimento e camareira

•        Tecnologia: informática, Excel e Business Intelligence com Power BI

Todos os cursos são gratuitos e com objetivo de rápida formação, com carga horária de até 96 horas, e abertos para diversas idades. Caso não atinjam o número de inscrições, os cursos podem sofrer alterações. 

Investimento no Potencial de Inocência

Para Theófilo Militão, diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Arauco, a chegada da companhia à região vai muito além da construção da fábrica. “A Arauco tem um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento social sustentável da comunidade. Esta parceria com o Senac é a materialização desse compromisso. Queremos oferecer ferramentas concretas para que a população se capacite, diversifique sua renda e tenha novas oportunidades no futuro. Investir em educação é investir no potencial de Inocência.”

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MS avança na geração de empregos e cidades do “Vale da Celulose” se destacam no cenário de recuperação econômica

O desempenho de Ribas do Rio Pardo, que vive um ciclo de expansão impulsionado pela industrialização florestal e pelos investimentos decorrentes de grandes plantas de celulose, evidencia a consolidação do município como um dos mais dinâmicos mercados de trabalho do estado

Mato Grosso do Sul voltou a registrar desempenho positivo na geração de empregos formais em outubro, abrindo 880 novos postos de trabalho, e consolidando um saldo de 31.820 vagas criadas somente em 2025. Os números, divulgados pelo Novo Caged, reforçam o dinamismo econômico do estado — especialmente nas cidades impulsionadas pelo setor florestal e industrial, que compõem o chamado Vale da Celulose, com destaque para Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas e Inocência.

Comércio lidera e construção mantém ritmo forte

Três dos cinco grandes setores econômicos do MS fecharam outubro no azul. O Comércio foi o protagonista, responsável por 432 novas vagas, refletindo a expansão do varejo e a antecipação das contratações de fim de ano. A Construção Civil, aquecida por grandes obras estruturais e projetos industriais, somou 412 postos, seguida pela Indústria, que abriu 203 vagas.

Agropecuária (-72) e Serviços (-95) tiveram desempenho negativo — comportamento típico de períodos de entressafra e ajustes sazonais.

Mulheres, jovens e profissionais com ensino médio são protagonistas

O perfil das contratações também chama atenção: as mulheres ocuparam a maioria das vagas, com 468 novos vínculos, enquanto os homens ficaram com 412.

A força de trabalho com ensino médio completo segue como a mais demandada no estado, respondendo por 1.146 admissões. Já os jovens entre 18 e 24 anos lideraram o ingresso no mercado, com 912 vagas — um indicativo de renovação e formação de mão de obra para os setores que mais crescem no MS.

Cidades do Vale da Celulose entre os melhores desempenhos — Ribas do Rio Pardo se firma como polo emergente

No ranking municipal, Dourados ocupou a liderança com 338 novas vagas em outubro. Logo atrás, cidades estratégicas do Vale da Celulose tiveram papel decisivo para o saldo positivo do mês:

  • Três Lagoas — +327 vagas
  • Inocência — +172 vagas
  • Nova Alvorada do Sul — +112 vagas
  • Ribas do Rio Pardo — +108 vagas

O desempenho de Ribas do Rio Pardo, que vive um ciclo de expansão impulsionado pela industrialização florestal e pelos investimentos decorrentes de grandes plantas de celulose, evidencia a consolidação do município como um dos mais dinâmicos mercados de trabalho do estado.

A região, historicamente ligada ao setor florestal, passa por um processo de adensamento produtivo que tem ampliado oportunidades não apenas na indústria, mas também na construção civil, comércio e serviços.

Brasil ultrapassa 1,8 milhão de novas vagas no ano

No cenário nacional, o Brasil gerou 85.147 empregos com carteira assinada em outubro, acumulando mais de 1,8 milhão de novos postos formais entre janeiro e outubro de 2025. O país chegou ao recorde de 48,99 milhões de vínculos ativos.

O setor de Serviços segue como o principal motor da economia brasileira, com 82.436 vagas no mês, seguido pelo Comércio, que adicionou 25.592 empregos. O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.304,31.

Perspectivas

Com a retomada acelerada nos polos industriais e a consolidação do Vale da Celulose como eixo estratégico de desenvolvimento, a tendência é de que Mato Grosso do Sul encerre 2025 com novo patamar de empregabilidade. Para cidades como Ribas do Rio Pardo, o avanço confirma um ciclo de transformação socioeconômica que vem redesenhando o mapa do trabalho no estado.

Informações: Notícias do Cerrado

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Produção de celulose impulsiona crescimento do setor de árvores cultivadas no terceiro trimestre

Setor florestal mantém desempenho positivo em 2025

O setor brasileiro de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração manteve trajetória de crescimento no terceiro trimestre de 2025, impulsionado principalmente pela alta na produção e exportação de celulose. Os dados foram divulgados na nova edição do Boletim Mosaico, publicação trimestral da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne indicadores econômicos do segmento entre janeiro e setembro deste ano.

Produção de celulose cresce mais de 16%

De acordo com o boletim, a produção de celulose atingiu 21,7 milhões de toneladas nos nove primeiros meses de 2025 — um avanço de 16,1% em relação ao mesmo período de 2024. As exportações também registraram alta expressiva, com crescimento de 14,2%, totalizando 15,7 milhões de toneladas enviadas ao exterior.

Segundo o Portal do Agronegócio, desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de celulose, com forte competitividade e foco em práticas sustentáveis.

Papel mantém estabilidade e painéis de madeira enfrentam desafios

Já a produção de papel permaneceu estável, somando 8,5 milhões de toneladas. Mesmo com a estabilidade na produção, o segmento apresentou avanços: as vendas domésticas cresceram 1,9%, as exportações subiram 4,2%, e as importações tiveram alta de 7,1%.

No caso dos painéis de madeira, as exportações recuaram 4,5%, enquanto as vendas internas tiveram leve alta de 1,8%. A Ibá destacou que tanto o papel quanto os painéis de madeira ainda sofrem impactos das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, o que afetou o desempenho das exportações nesses segmentos.

Em valores, as exportações totais do setor somaram US$ 11,3 bilhões entre janeiro e setembro, o que representa uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

China lidera compras de produtos florestais brasileiros

A China continua sendo o principal destino das exportações do setor, especialmente no caso da celulose. As vendas para o país cresceram 11,8% em comparação a 2024. Na sequência, figuram como principais mercados a Europa, a América do Norte e a América Latina, embora esses destinos tenham registrado uma leve retração nas importações.

Mesmo em meio às incertezas do comércio internacional, o setor de árvores cultivadas segue contribuindo fortemente para a economia brasileira, representando 4,4% das exportações totais do país e 8,9% das exportações do agronegócio.

Brasil reforça posição de liderança e sustentabilidade

Para o presidente da Ibá, Paulo Hartung, o desempenho do setor reflete resiliência e compromisso com a sustentabilidade.

“O setor chega ao terceiro trimestre com aumento consistente na produção de celulose, estabilidade no papel e recuperação nas vendas domésticas. Ainda enfrentamos um cenário global de incertezas, mas o Brasil, como maior exportador mundial de celulose, segue firme em sua missão de oferecer soluções sustentáveis, competitivas e de origem renovável para o mundo”, afirmou.

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Silvicultura de precisão: da muda à colheita, a tecnologia como eixo central da nova era florestal

Por Ailson Loper

A silvicultura brasileira vive uma transformação silenciosa, porém profunda. A combinação entre genética avançada, sensoriamento remoto, automação e inteligência artificial está redefinindo o modo como se planeja, implanta, conduz e colhe uma floresta.

Essa integração tecnológica, que abrange desde a origem da muda até a entrega final da madeira à indústria, constitui o que hoje denominamos silvicultura de precisão, um conceito que alia ciência, dados e sustentabilidade à eficiência produtiva.

silvicultura de precisão é o uso coordenado de todas as tecnologias disponíveis, desde o melhoramento genético até o sensoriamento remoto, para maximizar a produtividade e garantir a sustentabilidade. Trabalhamos com unidades cada vez menores, chegando ao nível da árvore individual, o que nos permite um controle inédito sobre o crescimento e o manejo das florestas plantadas.

Ela representa a convergência entre biotecnologia, engenharia e ciência de dados. O setor florestal brasileiro, especialmente o paranaense, tem sido protagonista nessa transformação, desenvolvendo soluções próprias, adaptadas à realidade local, consolidando-se como referência mundial em produtividade e sustentabilidade.

Da semente à colheita, cada decisão é guiada por tecnologia e inteligência. Esse é o novo paradigma das empresas de base florestal. Somos capazes de produzir mais, com menor impacto e utilizando ao máximo de conhecimento técnico possível.

Esse processo tem início muito antes do plantio, nos viveiros clonais e pomares de sementes, onde a base genética das florestas plantadas é definida com muita tecnologia. A produção de mudas envolve polinização e cruzamentos controlados  embriogênese somática, hibridação sexual e técnicas de clonagem,  técnicas que garantem maior vigor, sanidade e adaptabilidade das árvores.

Nesses ambientes, a automação é realidade por meio de sistemas de controle de irrigação, nutrição e temperatura que monitoram continuamente o desenvolvimento das plantas. Além disso, o uso de bioinsumos e inimigos naturais substitui defensivos convencionais, reduzindo impactos ambientais e promovendo um equilíbrio ecológico entre viveiro e floresta.

Cada muda é resultado de um planejamento preciso, que considera dados de solo, clima, relevo e material genético. Essa base científica é o alicerce de uma floresta mais produtiva e resiliente.

Plantio guiado por dados

Ao sair do viveiro, a muda entra em um processo de implantação altamente planejado. Antes mesmo do plantio começar, mapas de produtividade, análises de solo, modelos altimétricos e dados climáticos são cruzados para definir qual espécie e qual clone são mais adequados a cada área.

A silvicultura de precisão rompe com o paradigma da escala por hectare, porque o planejamento passa a ser feito em micro talhões. Isso permite ajustar práticas de manejo dentro do mesmo talhão conforme a variabilidade do terreno e das condições climáticas.

Sensores, estações meteorológicas e softwares de planejamento espacial são utilizados para decidir onde, quando e como plantar, maximizando a eficiência do uso de insumos, água e fertilizantes.

aplicação de géis hidroabsorventes e adubos de liberação lenta garante maior retenção hídrica e nutrição contínua da muda, reduzindo perdas e melhorando o índice de sobrevivência no campo.

Monitoramento aéreo e gestão inteligente da floresta

Após o plantio, inicia-se outra fase, a de monitoramento e manejo florestal de precisão, sustentada por tecnologias de sensoriamento remoto e coleta massiva de dados.

O uso de drones equipados com sensores multiespectrais, câmeras térmicas e radares de alta resolução permite acompanhar, em tempo real, o desenvolvimento das árvores e a sanidade das áreas cultivadas. Essas ferramentas possibilitam identificar falhas de plantio, mortalidade, manchas de baixa produtividade e até ninhos de formigas com precisão centimétrica.

As informações coletadas pelos drones são integradas a plataformas digitais, onde passam por processamento de imagens, modelagem 3D e análises estatísticas automatizadas. O cruzamento desses dados gera mapas de vigor vegetativo, índices de biomassa e alertas de pragas e deficiências nutricionais, subsidiando intervenções rápidas e eu diria até cirúrgicas.

A inteligência artificial e a análise de dados desempenham papel crescente nesse processo. Hoje, as empresas florestais já aplicam modelos preditivos capazes de antecipar impactos de mudanças climáticas, variações hídricas e ciclos de pragas.

Essas ferramentas correlacionam variáveis históricas e ambientais, permitindo decisões mais assertivas, como ajustar o momento do controle da vespa-da-madeira ou redefinir áreas de plantio do pinus, conforme projeções de temperatura e regime de chuvas.

Condução e tratos silviculturais de alta precisão

Durante o ciclo de crescimento, o manejo florestal segue princípios de eficiência e sustentabilidade. As operações de poda, desbaste e combate a incêndios são definidas com base em dados de produtividade, prognoses de crescimento e variáveis ambientais

A etapa de desbaste, por exemplo, é planejada por softwares que indicam intensidade e localização ideais, considerando o desenvolvimento das árvores e as metas definidas. As máquinas florestais adaptadas com gruas de longo alcance e controle automatizado permitem executar essas operações com mínima compactação do solo e máxima segurança e assertividade.

O manejo integrado de pragas continua sendo uma frente estratégica. Em parceria com instituições de pesquisa, as empresas utilizam inimigos naturais e bioagentes em substituição a defensivos químicos, preservando a biodiversidade e garantindo conformidade ambiental.

Além da floresta, a logística operacional de campo também passou por transformação tecnológica. Procedimentos padronizados, que vão da alimentação ao transporte de equipes e insumos, foram sistematizados e digitalizados, garantindo segurança, conforto e rastreabilidade em todas as etapas da operação.

Colheita mecanizada e logística inteligente

Na fase final, a colheita florestal representa a síntese da automação e da engenharia aplicada ao campo. As operações são controladas a partir de centros de comando integrados, que determinam rotas, cronogramas e sequência de corte com base em dados de produtividade, relevo e umidade do solo.

As máquinas colheitadeiras (harvesters e forwarders) possuem sistemas embarcados de georreferenciamento, controle de corte e otimização de sortimentos. Cada árvore pode ser identificada e processada com precisão, reduzindo perdas e melhorando o rendimento industrial.

A ergonomia e o conforto dos operadores também fazem parte dessa revolução tecnológica: cabines climatizadas, comandos automatizados e sensores de segurança refletem o alto nível de profissionalização das operações florestais.

O futuro da silvicultura

O volume de dados gerado ao longo do ciclo florestal é hoje exponencial. As empresas utilizam sistemas de data mining, modelagem preditiva e inteligência artificial para transformar dados brutos em informação e essa informação em inteligência para a tomada de decisão.

Essas análises são capazes de prever produtividade futura, antecipar riscos climáticos e otimizar a alocação de recursos. A tomada de decisão torna-se cada vez mais orientada por evidências, substituindo a experiência empírica pela gestão baseada em dados científicos. Esse é o futuro da silvicultura e que já está presente nas empresas de base florestal do estado.

Ailson Loper é diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas).

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