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Mata nativa conservada pela Klabin no Paraná supera Curitiba em tamanho, diz resumo público 2025

Dados do Resumo Público de 2025 mostram que a Companhia preserva mais de 1.500 km² de vegetação nativa em seu patrimônio florestal no Paraná

A Klabin divulgou o Resumo Público 2025 de suas operações florestais no Paraná e em São Paulo, consolidando os principais avanços do ano. Os dados referem-se a um de seus escopos de certificação e mostram que a companhia preserva uma área de mata nativa em seu patrimônio ambiental quase quatro vezes maior do que o território de Curitiba: enquanto a Companhia mantém mais de 1.500 km², a área territorial da capital paranaense tem cerca de 432 km².

Dentro do escopo de certificação Klabin PR/SP, a empresa possuí 379 mil hectares em 57 municípios nas duas regiões, sendo 199 mil voltados ao cultivo de florestas plantadas e 156 mil dedicados à conservação permanente. Os 24 mil hectares restantes correspondem a áreas destinadas a infraestruturas, corpos d’água e outros usos dentro do patrimônio florestal.

Esse equilíbrio garante um território rico em biodiversidade, onde a produção florestal está ao lado de trechos destinados à preservação. Isso é possível graças ao mosaico florestal, técnica utilizada pela Klabin há mais de 60 anos, que intercala áreas de produção com vegetação nativa permitindo a preservação da biodiversidade.

“Nosso modelo de negócio integra a produção com a conservação ambiental. Os resultados de 2025 reforçam nosso compromisso em equilibrar a eficiência produtiva com a proteção dos ecossistemas. A sustentabilidade é um pilar estratégico para a resiliência e o crescimento de nossa operação”, afirma Julio Nogueira, gerente de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Klabin.

MAIS DE 1.600 ESPÉCIES DE FLORA E MAIS DE 1.100 ESPÉCIES DE FAUNA IDENTIFICADAS

A Klabin mantém um trabalho ativo e contínuo de monitoramento da diversidade biológica em suas áreas florestais. No Paraná, foram registradas 1.256 espécies de flora, incluindo 21 ameaçadas de extinção. Já em São Paulo, 401 variedades foram monitoradas, com 10 em risco de extinção. No caso da fauna, o levantamento identificou 750 espécies de animais no Paraná, das quais 20 sob ameaça, além de 430 em São Paulo, com 14 ameaçadas.

A Companhia ainda mantém neste escopo, dez Áreas de Alto Valor de Conservação em seu patrimônio florestal, sendo que cinco delas garantem serviços ecossistêmicos críticos para as regiões onde estão inseridas. Além disso, a Klabin conta com duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural no Paraná: as RPPN’s Fazenda Monte Alegre e Samuel Klabin, que juntas somam mais de quatro mil hectares dedicados exclusivamente a estudos científicos, proteção ambiental e preservação dos recursos naturais.

AÇÕES SOCIAIS

A atuação social da Companhia nas comunidades locais segue transformando a realidade de muitas pessoas. Promovida por meio do Klabin Transforma – um conjunto de programas, ações e soluções sustentáveis – as iniciativas registraram avanços importantes nos campos da educação e do desenvolvimento socioeconômico.

As cooperativas inseridas no programa Klabin Transforma Território Circular, por exemplo, recuperaram mais de 2.4 mil toneladas de resíduos recicláveis em 2024, por meio do engajamento da comunidade para o descarte correto de resíduos.

“O crescimento da empresa está diretamente ligado ao desenvolvimento das comunidades onde atua. Os projetos do Klabin Transforma demonstram o potencial local, promovendo o desenvolvimento social e econômico. Fortalecer esses laços é parte fundamental da nossa estratégia para um futuro mais sustentável”, conclui Nogueira.

Informações: NewsPulPaper

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Diretor-executivo da ABAF apresenta o balanço de sua participação na COP30

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), encerrou-se em 21/11, após 2 semanas de discussões, aprovando o chamado “Pacote de Belém”. O documento reuniu 29 acordos globais e inclui temas como a ampliação do Fundo de Perdas e Danos e o compromisso de triplicar os valores destinados à adaptação climática até 2035, entre outros assuntos. Integrando a delegação oficial do Brasil e com acesso à Zona Azul da Conferência, o diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, participou representando as florestas baianas e brasileiras no enfrentamento da crise climática.

Durante a conferência, Andrade participou de debates globais sobre financiamento climático, mercados de carbono, políticas para florestas, bioeconomia, inovação e ações de adaptação, contribuindo para posicionar o setor de base florestal como um aliado direto na consolidação da neutralidade de carbono.

“A COP30 marcou uma inflexão histórica ao colocar a Amazônia no centro da agenda global. O Brasil sai fortalecido, com avanços em financiamento, adaptação, florestas e mercados climáticos. Este é um momento crucial para reforçar que o setor brasileiro de árvores cultivadas é parte da solução climática global, unindo produtividade, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico”, destacou Andrade.

Ao longo da COP30, Andrade manteve forte interação institucional com diversas entidades nacionais como Ibá, CNA, e baianas como ACB, FAEB e FIEB, fortalecendo a articulação entre setor produtivo, governo e organismos multilaterais. No cenário internacional, também esteve em diálogo com representantes da FAO, ONU, bancos multilaterais e entidades florestais de vários países, ampliando discussões sobre financiamento verde, cadeias globais de produtos florestais e cooperação técnica para inovação no setor.

“Sustentabilidade para o agro baiano e brasileiro é mais do que um conceito, é uma prática cotidiana, é a base sobre a qual construímos o futuro”, evidencia Humberto Miranda, presidente da FAEB.

“A COP30 é uma chance rara. O futuro será de quem souber transformar desafios em oportunidades – para tanto, lugar mais inspirador do que a Amazônia não há”, destaca Paulo Hartung, presidente da Ibá.

Entre os principais avanços da COP30, destacam-se o reconhecimento das florestas tropicais como ativos globais essenciais para o equilíbrio climático e a consolidação das florestas plantadas como uma solução climática estratégica. A conferência também reforçou o incentivo ao manejo florestal sustentável, aos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e ao desenvolvimento de cadeias produtivas livres de desmatamento. Outro progresso importante foi o fortalecimento do reconhecimento internacional do setor de florestas plantadas, acompanhado da criação de novos mecanismos de financiamento e da expansão dos mercados de carbono, ampliando oportunidades para países e setores comprometidos com a economia verde.

“O esforço realizado pelo governo do Brasil, pelo estado do Pará e pela Prefeitura de Belém, apesar de todas as dificuldades, valeu a pena para mostrar que o país tem plenas condições de liderar esse processo”, destaca Andrade.

A criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF – Tropical Forest Forever Facility) representa uma iniciativa importante de pagamento por resultados para incentivar que países mantenham suas florestas tropicais em pé. A proposta estabelece que nações que preservam esses biomas serão recompensadas financeiramente por meio de um fundo de investimento global. Ao menos 63 países já endossaram a iniciativa, que, segundo a presidência da COP30, já mobilizou US$6,7 bilhões em recursos iniciais.

“O setor de base florestal já pratica aquilo que muitos setores ainda precisam acelerar: alta produtividade, competitividade e processos que resultam naturalmente em descarbonização. Assim, com os avanços na silvicultura do eucalipto, mostramos que é possível produzir mais, emitir menos e gerar resultados econômicos.” afirma o diretor-executivo da ABAF.

Finlândia – Sua agenda também incluiu encontros com governos estrangeiros, além de diversos eventos técnicos de avaliação e análise do plano das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, promovidos pela Embaixada da Finlândia, que manteve um pavilhão ativo na programação da COP30. As atividades reuniram representantes do setor florestal e instituições dos dois países. Pela Finlândia, participaram o novo embaixador Antti Kaski, o ministro de Ciência e Desenvolvimento Econômico e o ministro das Relações Exteriores.

“Reconheço a liderança desse país como exportador de tecnologias e equipamentos, não somente na área de madeira, como também em economia circular, energias renováveis, segurança pública e defesa militar, tecnologia da informação e educação”, declara Andrade, Cônsul Honorário Emérito da Finlândia e Diretor Regional Nordeste da Finncham, entidades responsáveis por apoiar iniciativas de cooperação econômica e institucional entre Brasil e Finlândia.

A agenda de comunicação também foi intensa. Wilson concedeu entrevistas a veículos presentes na COP30, destacando a contribuição do setor florestal para a mitigação das mudanças climáticas, a preservação de áreas nativas e o potencial da bioeconomia brasileira.

“O problema das mudanças climáticas é de todos nós. Esperamos que os países negociadores assumam suas responsabilidades e façam de 2026, ano em que o Brasil terá liderança, um período de cumprimento de promessas e de efetiva implementação”, reflete Wilson Andrade.

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Mudanças climáticas pressionam a produtividade do eucalipto e aceleram inovação no setor de celulose

Com o avanço das mudanças climáticas, o desempenho das florestas plantadas no Brasil já é afetado e as prioridades de inovação no setor de papel e celulose estão sendo redefinidos. A combinação de dias mais quentes, chuvas irregulares e vendavais frequentes compromete o crescimento do eucalipto, aumenta a proliferação de pragas e eleva as perdas de madeira, uma preocupação crescente, como explica a agrônoma Josileia Zanatta, pesquisadora da Embrapa Florestas.

Segundo estudo da instituição, as oscilações climáticas devem impactar o cultivo do eucalipto em todas as regiões do país, exceto no Sul. “Com a mudança do clima batendo à porta, se nada for feito, teremos, de fato, redução na produtividade”, concorda Adriano Scarpa, gerente de sustentabilidade e políticas florestais da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). Para ele, o caminho passa pela inovação: “O setor vem avançando em pesquisas voltadas à resiliência climática”.

A adaptação exige iniciativas que unem melhoramento genético, projeções climáticas e novas tecnologias de monitoramento. Bioinsumos em desenvolvimento também começam a surgir como alternativa. Segundo pesquisa da Ibá, o melhoramento genético concentra 26% dos R$ 372 milhões investidos em pesquisa e inovação pelo setor no último ano. O objetivo é selecionar árvores produtivas e mais resistentes. “Busca-se, por exemplo, cruzar materiais genéticos de uma espécie de alta produtividade com outra de maior tolerância à seca ou a altas temperaturas, para agregar volume e adaptação”, afirma Cristiane Reis, engenheira florestal e pesquisadora da Embrapa Florestas.

Em um movimento incomum, empresas concorrentes decidiram unir esforços. Klabin, Suzano e Eldorado Brasil participam de um estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef) para analisar o desempenho de clones de eucalipto em diferentes regiões do país. “Com o programa, conseguimos saber com precisão quanto cada material genético cresce em diferentes condições de precipitação”, explica Darlon Orlamunder, diretor de estratégia e planejamento florestal da Klabin. Segundo ele, as informações permitem, por exemplo, avaliar se um clone hoje resistente à seca no Nordeste poderá futuramente ser cultivado no Mato Grosso do Sul. “Caso o ambiente se torne mais seco e as temperaturas aumentem, conseguimos selecionar o material mais adequado à nova condição climática”, afirma.

O melhoramento genético depende diretamente de projeções climáticas robustas, já que a criação de novas linhagens leva entre 12 e 20 anos. “Se não nos anteciparmos agora, corremos o risco de desperdiçar todo o esforço de selecionar espécies pensando no cenário atual, porque, daqui a 15 anos, quando estiverem prontas, talvez já não estejam adaptadas ao novo ambiente”, observa Sharlles Dias, gerente-geral de pesquisa e tecnologia florestal da Eldorado Brasil.

Orlamunder reforça essa visão: “Começamos a selecionar os nossos materiais para as próximas quatro décadas com base nas condições de chuvas e temperatura que estão por vir”. Ele explica que, desde 2018, a Klabin utiliza modelagens climáticas desenvolvidas com apoio do pesquisador Eduardo Delgado Assad, vinculado ao IPCC. Os modelos projetam cenários que variam de um aquecimento mais brando, de 1,5°C, a aumentos de até 5°C até o fim do século.

A Eldorado Brasil também integra modelagens e dados meteorológicos às suas estratégias. A empresa opera 30 estações automáticas que coletam, de hora em hora, informações sobre temperatura, umidade e precipitação. “Já estamos na nossa quarta atualização e temos modelado o clima das nossas áreas até 2099”, afirma Dias. Segundo ele, os modelos indicam que o volume total de chuva pode se manter estável, mas concentrado em períodos mais curtos, cenário que exige produção em ambientes mais secos.

Para acelerar o desenvolvimento de novas árvores, o setor aposta em análises de DNA capazes de prever características como tolerância à seca, resistência a pragas, crescimento acelerado e densidade da madeira. A Eldorado espera reduzir o ciclo de criação de novos clones para cerca de seis anos até 2028, hoje ele dura entre 12 e 15 anos. Na Klabin, a meta segue a mesma direção. “Com essas seleções precoces, nosso objetivo é encurtar o atual ciclo de 12 anos”, diz Orlamunder.

Paralelamente, sensores e equipamentos avançados ampliam o monitoramento das florestas. Na Suzano, torres com sensores registram trocas de carbono, água e energia entre árvores e atmosfera, como detalha Pablo Cadaval, diretor de tecnologia e inovação. Outro dispositivo utiliza tecnologia da Nasa, originalmente aplicada no mapeamento de solos em Marte, para análises químicas em campo. Pelo método, conhecido como sensoriamento proximal, resultados que antes levavam cerca de 30 dias ficam prontos em dez minutos.

Suzano, Klabin e Eldorado também monitoram o fluxo de seiva dos eucaliptos para avaliar o uso da água e acompanham o comportamento das estruturas de respiração das folhas. Para integrar esse volume de dados, a Suzano desenvolveu um sistema capaz de combinar medições de solo e árvores com informações de satélite e clima. “Isso nos permite conhecer o balanço hídrico da região e entender melhor o comportamento das árvores, o que leva a decisões mais assertivas e ajustes finos de manejo”, afirma Cadaval.

O setor também experimenta soluções biológicas. A Embrapa Florestas trabalha no desenvolvimento de bioinsumos específicos para o cultivo de eucalipto, como bactérias que estimulam o crescimento das raízes ou favorecem a absorção de fósforo. “Estamos analisando três bactérias e dois fungos para tentar melhorar o enraizamento do eucalipto”, afirma Dias. Ele acredita na expansão dessa tecnologia: “Não tenho dúvidas de que, com o aumento da escala, o uso do micro-organismo se tornará uma tendência”.

Informações: Valor Econômico

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Fundo para florestas sai do papel e recebe US$ 6,7 bi

No entanto, ainda restam dúvidas sobre quando o TFFF começará a mobilizar capital privado

O início do processo para capitalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, em inglês) foi considerado pelo governo brasileiro e por especialistas um dos principais avanços da COP30. A Presidência do Brasil garantiu US$ 6,7 bilhões em compromissos de aporte no fundo. O valor foi comemorado por integrantes dos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, que lideraram a iniciativa, ainda que não tenha alcançado a meta de US$ 10 bilhões.

Apesar de pontos nebulosos, como dúvidas sobre quando de fato o fundo começará a mobilizar capital privado e fazer os primeiros desembolsos, especialistas avaliam o mecanismo como uma iniciativa inovadora, porque, quando concretizada, contribuirá para mitigar o aquecimento global ao auxiliar na preservação das florestas, que absorvem dióxido de carbono (CO2), principal gás causador do efeito estufa. O TFFF também é elogiado por não precisar de doações e por garantir um fluxo contínuo de remuneração aos países para preservação de suas florestas.

“Pela primeira vez numa COP, um instrumento de solução ambiental pôde efetivamente sair do papel”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em coletiva de imprensa durante a COP para anunciar os aportes no TFFF. “Já temos aqui mais da metade dos recursos que tínhamos nos colocado como meta nesse primeiro ano”, reforçou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “Essa é a COP da implementação, e o TFFF significa implementação, ao viabilizar os recursos necessários para que possamos proteger as florestas”, completou.

André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e enviado especial da sociedade civil para a COP30, considera o fundo uma ferramenta muito bem pensada, sobretudo porque tem essa visão de remunerar a floresta que não é derrubada. “É um sinal, no meu entender, muito poderoso de que as florestas têm valor. Depois de a gente não conseguir, infelizmente, avançar nos combustíveis fósseis, é ainda mais importante pactuarmos em torno de manter e recuperar florestas”, afirmou.

Já temos mais da metade dos recursos que tínhamos nos colocado como meta nesse 1º ano”

— Marina Silva

Ronaldo Seroa Motta, colaborador do Earth Innovation Institute (EII) e professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), estima que a tração que o TFFF ganhou na COP de Belém foi importante para que esse mecanismo se firme como um modelo de financiamento climático. “Espero que o TFFF tenha mais adesões e se consolide como um ponto focal de financiamento da conservação florestal. A preservação da floresta colabora não só reduzindo as emissões, como capturando CO2. É um caminho mais barato do que construir um depósito de CO2, chamado de CCS [Captura e Armazenamento de Carbono].”

A ministra do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, Irene Vélez, destacou que o TFFF terá o papel no futuro de assegurar um fluxo contínuo de financiamento. “Muitos programas [de conservação] nos países são relacionados à política atual. Quando o governo muda, todos esses esforços de conservação podem diminuir. Então, a ideia de ter uma continuidade de financiamento é crucial para ver a floresta realmente se fortalecer”, disse Vélez durante painel sobre o TFFF na COP30.

O fundo busca levantar US$ 125 bilhões, sendo US$ 25 bilhões de capital público e o restante, privado. A ideia é que os valores sejam investidos e parte da remuneração seja revertida para remunerar os países que preservam suas florestas tropicais. É diferente, por exemplo, do Fundo Amazônia, que é baseado em doações por parte dos países.

Durante a COP em Belém, a Noruega se comprometeu a aportar US$ 3 bilhões até 2035 no TFFF; a Alemanha, 1 bilhão de euros (US$ 1,15 bilhão); e a França, 500 milhões de euros (US$ 577 milhões) até 2030. Antes, o Brasil e Indonésia já haviam anunciado US$ 1 bilhão cada. Além disso, mais de 50 países endossaram a declaração da COP30 sobre o TFFF, confirmando o “interesse e apoio político”.

Na declaração, os países citam que se trata de uma “iniciativa inovadora concebida para fornecer recursos previsíveis, permanentes e em larga escala para a conservação das florestas tropicais em países em desenvolvimento, por meio de um mecanismo de financiamento misto que mobiliza capital público e privado e que, de forma baseada em resultados, destina fundos à conservação e ao uso sustentável das florestas tropicais.”

Há, contudo, uma série de dúvidas sobre quando os aportes anunciados serão de fato concretizados, já que os países ainda precisam formalizar o compromisso de investimento e explicitar quais são as condicionantes. Além disso, o fundo precisa ter ao menos US$ 10 bilhões de capital público para começar a alavancar capital privado e, então, fazer os primeiros desembolsos. Foi um pedido da Noruega, para não ter mais que 20% do capital público aportado.

Integrantes do governo brasileiro afirmam que até novembro do próximo ano, quando a presidência da COP será transferida para Turquia e para a Austrália, será possível chegar próximo aos US$ 10 bilhões de capital inicial, para alavancar US$ 40 bilhões em recursos privados, por meio da emissão de títulos. Também acreditam que em três anos será possível chegar ao objetivo completo de levantar US$ 125 bilhões. Eles explicam que é natural que haja uma demora na capitalização, porque os países ainda precisam cumprir etapas internas antes de fazer o aporte de fato no fundo.

Também há a expectativa que mais países anunciem aportes, em especialmente a China. Isso porque somente em outubro deste ano o Banco Mundial foi confirmado como administrador do TFFF. Essa parceria é considerada pelo governo como essencial para garantir que o fundo opere com os mais altos padrões de governança, criando condições para que mais países sintam segurança em aderir. O banco também atuará como trustee, repassando recursos gerados pelos TFFF aos governos.

Diretora-geral da Iniciativa Internacional da Noruega para o Clima e as Florestas (NICFI, na sigla original), Dyveke Rogan avaliou que é normal que haja incertezas por parte dos países sobre aportar ou não recursos no TFFF, porque trata-se de um mecanismo novo. “Nós [Noruega] chegamos à conclusão de que, sim, há certos riscos para gerar esse retorno do investimento que deve ser distribuído para os países. Mas, para nós, o risco de não construir esse mecanismo que irá garantir um fluxo estável [de recursos] para os países florestais é muito mais alto”, argumentou Rogan, em painel para debater o TFFF.

Ela conclamou para que mais países venham aderir, de forma a garantir o sucesso do fundo. “O TFFF pode funcionar somente se nós conseguirmos fazer isso em escala. Portanto, eu encorajo outros patrocinadores que estão olhando para isso a se engajarem.

Informações: Valor / Globo

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Estudo da Embrapa revela que produtores preservam 29% da vegetação nativa, destaca Gilkiane Cargnelutti

A jornalista Gilkiane Cargnelutti participou na manhã desta terça-feira (02) do Campo em Dia, da Clic Rádio, e trouxe informações importantes sobre o papel do agronegócio brasileiro na preservação ambiental, além de atualizar o público sobre medidas comerciais dos Estados Unidos e a expectativa em torno da renegociação das dívidas dos produtores rurais.

Segundo Gilkiane, um novo levantamento divulgado pela Embrapa Territorial durante a COP 30 reforça dados contundentes sobre a conservação ambiental no país. O estudo revela que 65,6% de todo o território nacional permanece coberto por vegetação nativa, incluindo florestas, cerrado, campos naturais e outros biomas. Em contraste, apenas 31,3% das terras brasileiras são destinadas à agropecuária, somando áreas de lavouras e pastagens.

No entanto, o dado mais expressivo destacado pela Embrapa mostra que 29% de todas as áreas de vegetação nativa do país estão dentro de propriedades rurais, sob responsabilidade direta dos produtores. “Isso significa que quase um terço da natureza protegida do Brasil se encontra em áreas privadas mantidas pelo setor produtivo”, explicou Gilkiane.

A jornalista ressaltou que esses números desmontam a narrativa de que o agronegócio seria o principal responsável pela destruição ambiental. “E também evidencia aí o contrário. Grande parte da conservação depende justamente do campo”. Esse relatório também destaca que o “Brasil é uma das maiores potências agroambientais do mundo e combina produção agrícola em larga escala com altos índices de preservação”, destacou.

Gilkiane ainda lembrou que a Embrapa trabalha com dados oficiais, auditáveis e atualizados, o que reforça a credibilidade do levantamento e demonstra que os produtores rurais têm papel decisivo no equilíbrio ambiental brasileiro.

EUA retiram tarifa de 40% para produtos brasileiros

Outro destaque da participação de Gilkiane no programa foi a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% aplicada a diversos produtos brasileiros desde agosto. A medida beneficia itens como carne bovina, café, açaí, cacau, entre outros que estavam incluídos na lista de exceções do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump.

A retirada da tarifa vale para produtos que chegaram ao território americano a partir de 13 de novembro.

Apesar da revisão, Gilkiane alertou que 62% das exportações brasileiras para os EUA seguem sujeitas a algum tipo de taxação adicional. Em nota, o governo brasileiro classificou a decisão como um avanço, mas afirmou que continuará negociando para eliminar as tarifas restantes e ampliar a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.

Produtores aguardam votação do PL 5122/2023

Gilkiane também atualizou os ouvintes sobre a expectativa do setor produtivo em relação ao PL 5122/2023, que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. A proposta foi aprovada na Câmara antes do recesso do meio do ano, mas segue parada no Senado.

Segundo a jornalista, há uma sinalização do presidente do Senado, Daniel Alcolumbre, de que o projeto pode ser pautado ainda nesta semana. No entanto, essa inclusão na agenda ainda não foi confirmada oficialmente.

O campo não pode mais esperar. Nossos produtores já estão assim no limite.

Gilkiane concluiu reforçando que seguirá acompanhando de perto as movimentações no Senado e trará atualizações em primeira mão para os ouvintes do Campo em Dia.

Informações: ClicCamaquã / Kathrein Silva

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Vencedores do Prêmio APRE Florestas de Jornalismo são homenageados em noite de festa

Jornalistas da RPC de Foz do Iguaçu, Jornal Bem Paraná e Rádio Banda B conquistaram os primeiros lugares nas categorias vídeo, texto e rádio, respectivamente, do 3º Prêmio APRE de Jornalismo, dedicado a premiar as melhores reportagens produzidas em 2025 sobre o setor de florestas plantadas do Paraná. A silvicultura é reconhecida como uma das atividades mais sustentáveis do planeta por produzir matérias-primas renováveis de grande impacto positivo nas áreas ambiental e social. Também foram premiados jornalistas da Revista Globo Rural, da Rede Massa Ponta Grossa, da Ric RECORD Curitiba, do Jornal de Beltrão, da CBN Curitiba e do Portal Mirian Gasparin.

O resultado do prêmio foi revelado pela Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) no último dia 28 de novembro, durante jantar festivo que também revelou o Prêmio Destaque 2025. A personalidade eleita foi o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, que também já ocupou o cargo de secretário estadual da Agricultura. Há mais de 40 anos, Ortigara se dedica ao desenvolvimento do agronegócio paranaense. Ao longo de sua carreira, consolidou o Paraná como referência nacional em produção agropecuária, sustentabilidade e inovação no campo.

A 3ª edição do Prêmio APRE Florestas de Jornalismo, realizada em Curitiba, no Restaurante Maggiore, em meio à natureza exuberante do Parque Barigüi, registrou recorde de inscrições, consolidando-se como a principal premiação regional dedicada à divulgação qualificada do setor de florestas plantadas.
Criado em 2023, o prêmio é pioneiro no Brasil e inspira, desde então, iniciativas nacionais de valorização do jornalismo especializado. Em 2025, o tema central foi “Florestas Plantadas e Tecnologia”, destacando reportagens que exploraram inovação, sustentabilidade, manejo florestal, pesquisa científica, construção com madeira engenheirada e uso de ferramentas digitais no campo.

O presidente da APRE Florestas, Fabio Brun, ressaltou que a imprensa exerce papel fundamental ao levar ao público informações relevantes sobre o setor florestal. “Agradeço aos jornalistas que dedicaram seu talento em prol do nosso setor. Através do Prêmio APRE de Jornalismo, consolidamos nosso reconhecimento a alguns dos melhores jornalistas que ajudam a escrever a nova história do Brasil”, apontou.

Ao todo, foram mais de 40 trabalhos inscritos e 37 selecionados para avaliação, avaliados por um júri formado por especialistas do setor florestal, pesquisadores e profissionais de imprensa: Vitor Afonso Hoeflich, Fernando Geraldi, Ailson Loper, Marisa Valério e Antonio Senkovski.
Além das premiações principais, a Embrapa Florestas concedeu sua tradicional Menção Honrosa à jornalista Miriam Gasparin, do portal miriangasparin.com.br – Economia & Negócios, pela reportagem “Drones e tecnologia revolucionam a silvicultura”, que abordou o uso crescente de drones em inventário, mapeamento, identificação de espécies, monitoramento de pragas e prevenção de incêndios, uma tecnologia já amplamente adotada pelas empresas paranaenses.

Vencedores nas categorias Vídeo, Áudio e Texto

Na categoria Vídeo, o 1º lugar ficou com a RPCTV de Foz do Iguaçu (PR), entregue ao jornalista Zito Terres. A reportagem vencedora, exibida na série Acesso Restrito, conduziu o público por todas as etapas da produção de papel e celulose no Paraná, com forte impacto visual e informativo. Além de Terres, a equipe vencedora é formada também por Franciele John, José Roberto Alves e Nestor Lichtenow.
O 2º lugar foi concedido à Rede Massa com a série de reportagens intitulada “Pinus – O Tesouro Verde do Paraná”, que destacou o uso do CLT (Cross Laminated Timber), a força da madeira engenheirada e os avanços da genética florestal.

O prêmio foi entregue ao jornalista Valdir Bezerra, de Ponta Grossa, cuja equipe é formada também por Adriana Justi, Angela Iurk Rosa, Rhuan Fellipe Cachel, Bruno Romualdo, Paulo Marques, Giulia Boiko da Costa Lopes e Ana Paula Ribeiro.

O 3º lugar foi para a RIC RECORD Paraná com a reportagem que abordou a importância econômica da silvicultura e o peso do setor para o PIB do agro paranaense. Para receber o prêmio, subiram ao palco a repórter Anne Beckhauser e o repórter cinematográfico Clemar Malmann. A equipe também é formada por Grasiani Jacomini, Karina Bernardi, Rafaela Moron, Vanessa Fontanella e Jean Carlo Tschannerl.

Na categoria Áudio, a grande vencedora foi a Rádio Banda B com a série de reportagem intitulada “Do machado à inteligência artificial”, que trouxe uma descrição histórica e tecnológica pelo setor florestal e toda sua evolução até os dias de hoje. As jornalistas Francielly Azevedo e Eliane Muiniki receberam o prêmio pela equipe, que também conta com o jornalista Antonio Nascimento.

O 2º lugar foi para a RadioWeb, de Brasília. A jornalista Janaína Oliveira explorou a construção sustentável com madeira engenheirada, destacando o protagonismo do Paraná no tema.

Já o 3º lugar ficou com a Rádio CBN Curitiba, em reportagem realizada pela jornalista Grasiani Jacomini, que analisou a reação do Paraná à crise das tarifas norte-americanas em 2025, mostrando como pesquisa e inovação estão moldando o futuro do setor.

Na categoria Texto, o 1º lugar foi para o veículo Bem Paraná, em matéria assinada pelas jornalistas Lívia Berbel e Luísa Mainardes. A reportagem vencedora destacou como as casas de madeira e o CLT (Cross Laminated Timber) estão transformando o futuro das moradias sustentáveis no Paraná.

O 2º lugar foi para a Revista Globo Rural, com reportagem da jornalista Carolina Mainardes. A matéria apresentou uma narrativa que percorre desde o manejo de florestas de pinus até a construção final com CLT, conectando campo, indústria e inovação.

O 3º lugar ficou para o Jornal de Beltrão, com matéria do jornalista Niomar Pereira, que analisou o impacto de tecnologias como drones, inteligência artificial, sensores e realidade aumentada no manejo florestal e nos novos modelos de negócio.

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Voith Paper é premiada no Programa Semear, iniciativa de sustentabilidade da Smurfit Westrock

Reconhecimento destaca evolução contínua da empresa em práticas ESG e reforça parceria com a cadeia de suprimentos.

A Voith Paper foi reconhecida com o prêmio Destaque ESG 2025 do Programa Semear promovido pela Smurfit Westrock.

A Voith foi destaque na categoria Fornecedores Indiretos que avalia formas de fortalecer e acelerar a adoção de iniciativas sustentáveis em toda a cadeia de suprimentos.

A premiação da Smurfit Westrock é voltada ao desenvolvimento de fornecedores em sustentabilidade e avaliou 105 fornecedores selecionados com base em sua representatividade no gasto anual.

Após um processo rigoroso, que envolveu análise detalhada de evidências e desempenho, 20 empresas avançaram como finalistas e apenas 6 foram premiadas, sendo a Voith Paper uma delas.

Ao longo da avaliação, os participantes responderam a um questionário abrangente sobre práticas ambientais, sociais e de governança, apresentando evidências comprobatórias para cada indicador. Além disso, foi necessário desenvolver um plano de ação estruturado para a evolução de pontos identificados na avaliação anterior, demonstrando comprometimento com melhoria contínua.

“Este reconhecimento reforça nosso compromisso com a sustentabilidade e a transparência, pilares fundamentais para o futuro da indústria de papel e celulose. Estamos avançando de forma consistente, com iniciativas que fortalecem nosso impacto positivo em toda a cadeia de valor”, destaca Laline Franqueira Koch, Gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Voith Paper.

Com este prêmio, a Voith Paper reafirma sua posição como referência em práticas responsáveis e inovadoras no setor, contribuindo para um ambiente de negócios mais sustentável e atendendo às expectativas de clientes, parceiros e da sociedade.

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Indústrias de papel e celulose de Mato Grosso do Sul estão com vagas abertas

Vagas abrangem diferentes áreas e níveis de formação

Três indústrias de papel e celulose de Mato Grosso do Sul estão com vagas abertas em dezembro. As oportunidades abrangem diferentes áreas e níveis de formação.

A Eldorado Brasil está com inscrições abertas em Três Lagoas para as funções de mecânico(a), especialista competitivo, analista de cadastro de materiais, monitor(a) florestal, motorista tritem, oficial de cozinha e supervisor(a) de desenvolvimento operacional.

Já nas cidades de Inocência e Água Clara, a empresa tem seleção aberta para o cargo de ajudante florestal. Os interessados podem obter mais detalhes sobre cada vaga e se candidatar pelo link.

A Suzano está em busca de candidatos para ocupar vagas de consultor de qualidade, técnico de segurança do trabalho, supervisor de operações florestais, técnico em logística florestal e técnico em manutenção florestal. Clique aqui para saber mais.

Na Sylvamo, em Três Lagoas, as vagas abertas são para o cargo de técnico(a) em elétrica e instrumentação. Para participar do processo seletivo, é necessário se inscrever por este link.

Informações: Mídia Max

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ESG e contratos comerciais: a nova fronteira do setor de papel e celulose

Por Ana Carolina Lopes Sequeira dos Santos – Diretora Legal LatAm da Valmet

Quem atua no universo dos contratos comerciais sabe que esses instrumentos funcionam, quase como um termômetro, das transformações do mercado e da sociedade. Nos últimos anos, acompanhamos uma sucessão de movimentos que impactaram diretamente as relações contratuais entre empresas. Primeiro, veio o período de adaptação à Lei Geral de Proteção de Dados, que, em seu início, gerou inúmeras dúvidas práticas sobre a aplicação da norma e trouxe desafios à formatação dos contratos. Em seguida, durante a pandemia da covid-19, assistimos à ascensão das cláusulas de força maior, até então muitas vezes deixadas em segundo plano, mas que repentinamente se tornaram protagonistas nos debates jurídicos e negociais.

Agora, a atenção se volta para uma nova pauta que vem redesenhando o cenário contratual: o ESG — Environmental, Social and Governance, ou, em português, Ambiental, Social e Governança. Inicialmente restrito a nichos empresariais específicos, o conceito rapidamente ganhou força e se consolidou como diretriz essencial das práticas corporativas. No setor de papel e celulose, essa influência se faz sentir de maneira particularmente intensa, em razão da relação direta da atividade industrial com temas ambientais, gestão responsável de recursos naturais e impactos sociais nas comunidades locais.

Hoje, é praticamente impensável negociar contratos de fornecimento de tecnologia, insumos ou serviços para essa indústria sem considerar as políticas e práticas ESG envolvidas. Onde antes o avanço tecnológico e as estratégias comerciais ocupavam o centro das discussões, o protagonismo agora é compartilhado com a busca por equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. O que antes era uma tendência de mercado passou a ser uma exigência de governança.

Dentro dos contratos, as obrigações relacionadas ao ESG se manifestam de forma pulverizada, muitas vezes sem a percepção imediata de que fazem parte desse mesmo conceito. No entanto, quando analisadas sob uma perspectiva mais ampla, revelam clara correlação com os pilares ambiental, social e de governança. Entre essas obrigações, destacam-se: a preferência pela contratação de mão de obra local, acompanhada do dever de qualificação dessas pessoas; o controle e a redução de ruídos e outras formas de poluição sonora; a responsabilidade por danos ambientais e pelo cumprimento da legislação vigente; a vedação ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão, tanto por parte da contratada quanto de seus subcontratados; e a verificação da idoneidade de todos os integrantes da cadeia produtiva, garantindo que os serviços sejam prestados de forma sustentável e em conformidade com a lei.

Essas previsões contratuais, antes vistas como meras formalidades, vêm ganhando relevância real na gestão dos negócios. E não apenas na teoria: observa-se um esforço concreto das principais empresas do setor para adequar suas operações aos compromissos de ESG. A Suzano, por exemplo, declarou ter atingido, em 2023, 88% de energia proveniente de fontes renováveis. A Bracell, em 2024, anunciou ter alcançado 72% de energia limpa em seu processo produtivo. Já a Klabin figura, por cinco anos consecutivos, entre o “top 1%” em práticas ESG, segundo a S&P Global.

Entre os fornecedores, empresas como a Valmet vêm demonstrando comprometimento semelhante, com auditorias e fiscalizações constantes em suas cadeias de suprimentos para assegurar a aderência às políticas de sustentabilidade e eliminar práticas contrárias aos princípios ESG. Tais iniciativas indicam que o tema não se restringe a cláusulas contratuais e se traduz em ações efetivas e mensuráveis, impactando positivamente toda a estrutura produtiva do setor.

Ainda assim, há um longo caminho a ser percorrido. O compromisso assumido pelas empresas, muitas vezes formalizado inicialmente nos contratos comerciais, precisa se traduzir em condutas concretas, capazes de transformar essa tendência em prática permanente. O verdadeiro desafio está em fazer com que o ESG deixe de ser apenas uma exigência formal ou um diferencial competitivo e passe a integrar, de forma autêntica, a cultura empresarial e a estratégia de negócios. No setor de papel e celulose, esse avanço já é visível, mas sua consolidação dependerá da capacidade de manter o equilíbrio entre eficiência econômica, responsabilidade social e sustentabilidade ambiental — elementos que, mais do que cláusulas contratuais, representam hoje os pilares de uma nova maneira de fazer negócios.

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‘Tecido de madeira’: apetite por fibras especiais de celulose movimenta mercado de lyocell no Brasil

País tem limitações na fabricação da fibra têxtil, mas cresceu como exportador do insumo, chegando a 20% da produção mundial; matéria-prima movimenta negociações bilionárias com nomes como Suzano, Lenzing e Dexco

Da mesma madeira que abastece a indústria brasileira de papel é possível dar origem a uma das fibras têxteis especiais mais sustentáveis do mercado: o lyocell, obtido a partir da polpa solúvel da celulose extraída de árvores como o eucalipto. A matéria-prima é reconhecida por proporcionar maciez ao tecido e pelo baixo impacto ambiental em sua produção. No Brasil, ela tem sido impulsionada por marcas de moda e por investimentos bilionários de gigantes da cadeia de celulose.

Além da origem florestal, um dos diferenciais que minimiza impactos da produção da fibra frente a concorrentes fósseis está no seu processamento. O insumo passa por dissolução em solvente orgânico, o NMMO (N-metilmorfolina-N-óxido), que é reutilizado em quase 100% durante a produção. A fibra resultante é biodegradável e compostável, podendo decompor-se em poucos meses, se descartada em ambientes favoráveis.

O mercado em torno dessa fibra ganhou relevância nos últimos anos no Brasil. Uma das negociações mais recentes foi anunciada em 2024 pela brasileira Suzano. A companhia, que já tinha nome consolidado em celulose para papéis e embalagens, investiu € 230 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão) na compra de 15% da participação global no Grupo Lenzing, empresa austríaca que lidera a produção global de celulose para a indústria têxtil e é detentora da marca Tencel (fibra de lyocell desenvolvida pela empresa).

Segundo o vice-presidente executivo de Novos Negócios na Europa da Suzano, Carlos Aníbal, a aquisição fez parte da estratégia da companhia em avançar na cadeia do downstream (produto final para o consumidor), aproveitando o potencial de crescimento das fibras de celulose para consolidar uma posição competitiva. Por causa da participação minoritária, o executivo passou a ocupar a cadeira de vice-presidente do conselho de administração do Grupo Lenzing, na Áustria, de onde falou com o Estadão.

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“Esse mercado abre a oportunidade de avançarmos no downstream, de construirmos uma posição competitiva em um segmento no qual entendemos que há um potencial muito grande de crescimento, devido à busca por fibras mais sustentáveis e que trazem ao consumidor um conforto muito maior”, diz. “Existe uma tendência crescente dessa combinação de conforto e sustentabilidade, e entendemos que atuar nessa cadeia é uma opção de criação de valor.”

A Suzano tem a possibilidade de comprar outra fatia de participação no Grupo Lenzing até o fim de 2028 e se tornar acionista majoritária, o que seria mais um passo para fortalecer a cadeia do lyocell no País. Aníbal não antecipa informações sobre a intenção de avançar na compra, no entanto. “É um negócio diferente sobre o qual estamos buscando entendimento para tomarmos uma decisão ao longo do tempo.”

A brasileira Dexco, consolidada pelos produtos de louças, revestimentos e painéis de madeira, também expandiu o portfólio com a produção de polpa solúvel de celulose para lyocell e outras fibras ao firmar parceria com o Grupo Lenzing em 2018. A estratégia resultou na criação da joint venture LD Celulose, instalada em Minas Gerais, com investimento de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões). A expansão foi responsável por mais de 75% das receitas globais de fibras especiais do Grupo em 2024.

O vice-presidente da Divisão Madeira da Dexco, Henrique Haddad, explica que a negociação viabilizou a utilização de um maciço florestal de quase 54 mil hectares para outras alternativas em madeira. “Nós achamos bastante interessante o negócio por (resultar em) um produto diferenciado e com uma utilização mais próxima do consumidor, no sentido de estar fazendo uma mudança importante no uso mais sustentável de fibras e tecidos.”

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O acordo representou a ampliação da produção própria de madeira para a celulose solúvel, diminuindo a necessidade de compra de outros fornecedores (o Grupo Lenzing comprava 50% do material antes da joint venture), ressalta o presidente da LD Celulose, Silvio Costa. Segundo ele, foram dez anos estudando outros mercados até que o Brasil se mostrou o local de maior potencial para a industrialização do insumo.

“A Lenzing continua com o tamanho dela em termos de produção de fibras têxteis, na ordem de 1,1 milhão de toneladas por ano. Com a entrada da LD Celulose, ela se tornou autossuficiente ou menos dependente do mercado, com fibra de celulose solúvel produzida a partir de eucalipto no Brasil, com uma vantagem competitiva super importante.”

Concorrente das empresas citadas, a Bracell também mantém uma operação robusta de celulose solúvel no Brasil, com capacidade de produção anual de 2 milhões de toneladas do insumo que origina o lyocell. As plantas fabris que produzem as polpas solúveis ficam na Bahia e em São Paulo.

A companhia não comentou ao Estadão sobre apetite de mercado e investimentos recentes. “Em 2024, 53,5% da celulose produzida pela Bracell na Bahia teve como destino a Ásia, para a fabricação de fibras de viscose e lyocell”, disse a empresa em nota.

Tamanho do mercado

De acordo com a economista Hema Kalathingal, analista de polpas especiais da agência Fastmarkets, os números positivos do lyocell globalmente explicam o apetite das empresas no Brasil pela fibra. Ela diz que as fibras celulósicas produzidas a partir de polpa de madeira cresceram a uma taxa de 6% entre 2021 e 2024, superando o mercado têxtil como um todo. O lyocell apresentou uma taxa média de crescimento anual de cerca de 26% nesse período.

Do ponto de vista do consumo, os números também são atraentes. “O consumo de fibras de celulose sintéticas dobrou nos últimos 15 anos. O lyocell, em particular, apresentou crescimento de dois dígitos nesse período e agora representa cerca de 11% de todas as fibras celulósicas. A busca por fibras têxteis sustentáveis ​​resultou em uma onda de investimentos em capacidade produtiva, especialmente para o lyocell. Consequentemente, o consumo de lyocell continuará crescendo.”

Com o boom, o Brasil emergiu como um fornecedor importante de celulose solúvel nos últimos anos, por causa do aumento da capacidade produtiva da Bracell e da LD Celulose, fazendo com que o País responda hoje por aproximadamente 20% da capacidade de produção global, segundo dados da Fastmarkets divulgados pela economista. A capacidade de produção de celulose solúvel do País passou de aproximadamente 650 mil toneladas em 2019 para cerca de 1,9 milhão de toneladas este ano, e o Brasil exportou 1,1 milhão de toneladas de celulose solúvel em 2024.

No entanto, o volume significativo de produção de celulose solúvel no Brasil, contrasta com as barreiras para a produção da fibra e do tecido de lyocell no País. As empresas instaladas no Brasil ainda precisam enviar os insumos domésticos para fábricas na Ásia e na Europa, que devolvem as fibras e tecidos usados pelas marcas de moda no Brasil. Ao Estadão os representantes de Suzano e LD Celulose disseram não ter, por enquanto, a intenção de ter planta para a produção da fibra no País, mantendo apenas a produção da polpa solúvel.

Para Kalathingal, desenvolver uma indústria de lyocell no Brasil exigirá “investimentos significativos”. “A maior parte da capacidade atual de produção de lyocell está na China ou em outras partes da Ásia, onde a proximidade com uma cadeia de valor têxtil e de vestuário maior proporciona vantagens estratégicas. O Brasil, atualmente, não possui instalações de produção de fibras celulósicas, (porém) o crescimento da indústria têxtil e de vestuário nacional pode criar oportunidades para futuros investimentos em lyocell.”

Vicunha, uma das maiores fabricantes de jeans do Brasil, começou a usar lyocell na composição das peças desde 2018, mas vê dificuldades na falta de produção da fibra no País. O diretor executivo comercial da empresa, Alejandro Silva, avalia que a fibra veio para somar positivamente na produção junto ao algodão, mas, se houvesse a confecção do tecido na indústria brasileira, o lyocell poderia crescer proporcionalmente ao potencial que tem.

“O crescimento está muito abaixo do que se espera para essa fibra. Nós não temos produção dentro do Brasil, então se paga impostos trazendo de fora. Nós acreditamos e acompanhamos (o crescimento do lyocell), mas temos esses problemas. (As fábricas) não dispõem de matéria-prima para entrega em 48 horas, como algodão, lycra, poliéster.”

Mesmo assim, a Vicunha tem buscado ampliar portfólio com a fibra. Em 2025, foram lançados dois produtos. Para a coleção de 2026, os lançamentos devem chegar a sete confecções compostas por lyocell: cinco em brim e duas em denim. O nosso portfólio vai triplicar, mas, honestamente, quando olhamos o consumo como um todo, o lyocell é uma parte muito pequena. Ele pode crescer a dois dígitos. Mas, para que isso faça uma diferença, tem que crescer a três. E ele tem condição de crescer três dígitos. Precisamos viabilizar isso.”

Demandas atuais e futuras

Enquanto a fibra aguarda uma produção nacional, as demandas pelo tecido continuam vindo de diferentes segmentos. A gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios na América do Sul do Grupo Lenzing, Juliana Jabour, comenta que, no Brasil, os pedidos para o uso do lyocell da companhia (o Tencel) estão vindo dos fabricantes de jeans e de malharia para aplicações diversas, como no segmento esportivo, e do segmento de luxo, que busca fibras premium.

“É uma tendência”, diz, avaliando os últimos cinco anos. “Mesmo os fabricantes aqui (no Brasil) ou as marcas, quando viajam para fora, trazem muitas peças feitas de Tencel. As marcas estão cada vez mais estabelecendo metas de sustentabilidade mais agressivas e convertendo parte do portfólio para produtos mais sustentáveis, e isso começa na escolha da matéria-prima.”

As fibras de lyocell licenciadas pelo Grupo Lenzing estão disponíveis para venda no Brasil em segmentos de nichos diversos e com preços variados. Em setembro, por exemplo, a grife Neriage lançou a coleção autoral Autobiografia usando a fibra, com peças de até R$ 8,8 mil com 70% de lyocell e adição de seda. Já a marca de roupas essenciais Insider lançou em outubro a coleção Nextech, com camisetas em torno de R$199, contendo 92% de lyocell.

Ao Estadão ambas as marcas ressaltaram os atributos de sustentabilidade e a qualidade do tecido final como critério de escolha do material, indicando que a fibra continuará sendo usada em novas coleções. “Produto que não derruba ilegalmente a floresta” e “fibra do futuro” estiveram entre as justificativas. “Temos diversas novas tecnologias mapeadas para os nossos lançamentos, e o lyocell, com certeza, é uma delas”, projeta a líder de P&D da Insider, Karen Prado.

Informações: Shagaly Ferreira / Estadão

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