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Professor Laércio Couto, uma grande perda para a silvicultura

Dr. Laércio Couto é um dos grandes nomes da área de silvicultura, agrossilvicultura e plantações de eucaliptos para produção de biomassa energética no Brasil. É reconhecido nacional e internacionalmente por seus trabalhos de ensino, pesquisa e consultoria nas áreas acima citadas.

Professor Laércio, como gosta de ser chamado, nasceu em abril de 1945 em uma pequena cidade da Zona da Mata de Minas Gerais, Tocantins. Descende de portugueses por parte do pai, Argemiro Couto e dos índios Coroados por parte da mãe, Maria Soares Queiroz Couto. Esse primogênito de uma família de sete filhos e duas filhas, herdou do pai que era carpinteiro e marceneiro, o gosto pelo trabalho com a madeira e o respeito pelas árvores nativas que a produziam. De sua mãe herdou o gosto pela natureza e a atração herdada de seus antepassados pelas florestas, pela flora e pela fauna silvestre.

A perda de Laércio Couto causou grande comoção em seus colegas, ex-alunos, profissionais atuantes e entusiastas da silvicultura.

Passou toda sua infância e juventude em Tocantins, entre irmãos, parentes e amigos, estudando e se divertindo naqueles folguedos comuns em uma cidade pequena do interior de Minas, antes do advento da televisão, computadores e vídeo games. Pescaria, religião e futebol eram suas atividades preferidas e tinha como hobby, colecionar selos, figurinhas, tampinhas de garrafas, maços vazios de cigarros, papéis de balas, etc…

Em 1964, ingressou na Escola Superior de Florestas da Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, ao lado de mais 20 colegas, primeira turma daquela nova escola dirigida na época pelo saudoso Dr. Arlindo de Paula Gonçalves, que pode ser considerado um dos ícones da Engenharia Florestal no Brasil. Graduou-se em 1967, tendo sido o primeiro colocado de sua turma que naquela época tinha sido reduzida para onze formandos. Recebeu na época duas propostas de emprego, uma para trabalhar na CEPLAC, Bahia, com o Dr. Paulo Alvim e outra para trabalhar na Prado & Cunha Ltda no município de Buri em São Paulo. Optou pelo trabalho em Buri, pois desejava colocar em prática os conhecimentos adquiridos na escola, na área de silvicultura. Naquela cidade, implantou viveiros e plantações de Pinus que posteriormente foram utilizados pela PLANEBRAS para a produção de resina e de madeira serrada. Em Buri fez grandes amizades com a população local, tornando-se bastante popular na cidade por ter-se tornado um zagueiro do time local de futebol, o Bandeirantes Futebol Clube. Em 1970, casou-se com Maria José Margarido Fonseca, a Fia, com quem teve um filho e duas filhas.

Em 1972, deixou Buri e se mudou para Itararé, ainda no estado de São Paulo, onde foi trabalhar na PLANTAR, que tinha reflorestamentos com Pinus em Itapeva, Itaberá, Sengés e Ibaiti no Paraná. Em 1974, mudou-se para a Praia do Forte na Bahia onde foi implantar um reflorestamento com Pinus e administrar uma plantação de côco onde hoje está localizado o Ecoresort Praia do Forte. Uma vez terminado o projeto da PLANTAR na Bahia, foi trabalhar na Jari em Almeirim no Pará onde atuou no reflorestamento com Pinus e Gmelina arborea. Logo a seguir, foi convidado pelo Presidente da SIF – Sociedade de Investigações Florestais, Professor Mauro Silva Reis, para ir atuar como assistente de pesquisa na entidade, no atual Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa, no inicio de 1975.

Ainda no mesmo ano, 1975, foi aceito para fazer o mestrado em Ciência Florestal no DEF/UFV e convidado para ser professor auxiliar de ensino na área de manejo florestal pelo Professor Antônio Bartolomeu do Vale, que se tornou seu orientador. Em 1977, terminou o mestrado, quando estudou a influência do espaçamento inicial no crescimento de Eucalyptus em plantações florestais no Vale do Rio Doce, Minas Gerais. Seguiu então para o Canadá, onde foi fazer o doutorado na Universidade de Toronto sob a orientação do Professor Jagdish Chandra Nautiyal, um economista florestal de renome internacional. O tema de sua tese, defendida em dezembro de 1982 foi sobre “the timber production function of Eucalyptus grandis in Brazil”. Desta maneira, os primeiros contatos do Professor Laércio com o Eucalyptus foram realizados a partir de 1975 por ocasião de suas atividades como assistente da SIF, estudante de mestrado na UFV, como professor no DEF e posteriormente como estudante de doutorado na Universidade de Toronto, no Canadá.

Ao retornar para o Brasil, após o termino do seu doutorado no Canadá, o Professor Laércio Couto se dedicou a implementar no DEF três áreas principais: a agrossilvicultura, a silvicultura e o planejamento florestal com a utilização de simulação em microcomputadores. Assumiu o ensino da silvicultura em nível de graduação no DEF, criou a disciplina em nível de pós-graduação na área de agrossilvicultura e iniciou a orientação de uma série de estudantes de mestrado e doutorado nas áreas acima mencionadas. Durante toda a sua vida acadêmica, orientou 26 teses de mestrado e doutorado, a maior parte na área de agrossilvicultura com Eucalyptus.

Em 1989, assumiu a Chefia do Departamento de Engenharia Florestal da UFV e a Diretoria Administrativa da Sociedade de Investigações Florestais (www.sif.org.br), quando procurou aumentar o número de empresas associadas da entidade e expandiu os contatos internacionais do DEF e da SIF. Em 1993, deixou a UFV para um período de 18 meses de treinamento em nível de pós doutorado na Colorado State University, tendo como contraparte o Professor David Ray Betters com o qual implementou um projeto de cooperação internacional na área florestal e ambiental, patrocinado pela USIA, que levou aos Estados Unidos vários professores da UFV e à UFV vários professores da CSU. Publicou na época mais de 20 trabalhos relacionados com o seu treinamento na CSU, na área de silvicultura e agrossilvicultura com plantações de curta rotação, principalmente Eucalyptus. Proferiu varias palestras nos Estados Unidos e no México tratando desse assunto, com o apoio da pesquisadora Lynn L. Wright do Oak Ridge National Laboratory – ORNL que tinha o suporte financeiro do Department of Energy – DOE, dos Estados Unidos da América do Norte. O seu trabalho mais importante na época foi uma publicação sobre os impactos técnicos, sociais e ambientais das florestas de curta rotação de Eucalyptus no Brazil.

Em 1994, iniciou um trabalho de suporte técnico para a Gutchess International Incorporated – GII, visando implantar no Brasil uma serraria que utilizasse o Eucalyptus como matéria prima para produção de madeira serrada de alto valor agregado. Este trabalho culminou com a parceria entre a GII e a Aracruz Celulose para o surgimento da empresa Aracruz Produtos Sólidos de Madeira, resultando na instalação da serraria hoje existente no município de Posto da Mata ao sul da Bahia. Hoje, esta serraria pertence à Weyerhaeuser e à Aracruz e produz madeira serrada de Eucalyptus, conhecida como LYPTUS, um novo conceito de madeira nobre, que é comercializada dentro do Brasil e também exportada para os Estados Unidos e Europa.

Em 1996, assumiu a Diretoria Científica da SIF que na época contava com 10 associadas, instituindo um trabalho de expansão e consolidação da entidade, deixando-a em 2002 com mais de 80 empresas participantes e co-participantes. Paralelamente, assumiu a Presidência do Centro Mineiro para Conservação da Natureza – CMCN cooperando na expansão para se tornar o Centro Brasileiro para Conservação da Natureza e Desenvolvimento Sustentável – CBCN (www.cbcn.org.br) com trabalhos executados na área florestal e ambiental para empresas privadas e prefeituras municipais.

Laércio tem sido um dos principais pesquisadores, orientadores de alunos de mestrado e doutorado e professores da agrossilvicultura no Brasil a partir da década de 80. Por essas razões, dedicou-se para a criação, a partir de 2001, da Sociedade Brasileira de Agrossilvicultura (www.sbag.org.br), da qual é o atual presidente, visando agregar e difundir os conhecimentos e o estado da arte existentes no Brasil nesta importante área do conhecimento.

Em 2002, foi indicado como Brazilian Team Leader do Task 30 da IEA Bioenergy (www.iea.org), pelo Ministério de Minas e Energia, quando promoveu um evento conjunto na cidade de Belo Horizonte na área de energia a partir da biomassa florestal
(http://www.fao.org/forestry/webview/media?mediaId=4581&langId=1). Foi ainda solicitado a criar e ser o presidente da Rede Nacional de Biomassa para Energia – RENABIO pelos Engenheiros do MME, Marcelo Khaled Poppe e Manoel Nogueira. A RENABIO (www.renabio.org.br), com sede em Viçosa, Minas Gerais é hoje uma referencia nacional e internacional na área de biomassa para energia, principalmente na área florestal.

Aposentou-se como Professor Titular na área e Silvicultura pelo Departamento de Engenharia Florestal da UFV, terminou a orientação dos seus últimos estudantes de pós graduação, como Professor Voluntário da UFV. Uma vez terminados sua missão e seu contrato, mudou-se para a cidade de Itu, São Paulo onde também residem o seu filho Luciano e sua família. Seu filho Luciano, bem como suas outras duas filhas, Juliana e Michelle são todos formados em engenharia florestal pela Universidade Federal de Viçosa. Ao contrário do que a maior parte dos amigos pode pensar, nunca houve qualquer pressão por parte do Professor Laércio para que seus filhos seguissem a carreira do pai. Foi uma coisa que aconteceu naturalmente. Afinal de contas na família ainda existem vários outros membros que são Engenheiros Florestais, uma carreira intimamente associada à família Couto.

Hoje, o Dr. Laércio Couto é Professor Adjunto da Faculdade de Florestas da Universidade de Toronto e Professor Associado da Universidade Federal do Mato Grosso e da Universidade Federal Rural do Pará, Consultor adhoc do CNPq, Embrapa, Finep e Capes, membro do Conselho Consultivo do CAMESA – Consortium for the Advancing of the Sustainability of Ecosystems in the Americas, presidente do CBCN, da RENABIO, da SBAG, e consultor florestal de diversas empresas que atuam nas suas áreas de especialidade.

De todas as suas atividades, o Professor Laércio tem um grande orgulho de ter dado sua contribuição para o estabelecimento da serraria da Aracruz no Sul da Bahia, que constituiu um marco no uso da madeira do Eucalyptus para produtos sólidos de madeira. Alem disso, ele tem um grande orgulho por ter introduzido muito fortemente no Brasil o ensino formal da Agrossilvicultura, em nível de graduação e pós-graduação e de ter escolhido principalmente o Eucalyptus como o componente florestal do sistema agro-florestal, na maioria dos seus estudos.

Atualmente, o Professor Laércio Couto, procura aliar estudos sobre florestas adensadas de Eucalyptus com agrossilvicultura e com produção de biomassa energética renovável no Brasil, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do País. Culturas como mandioca, mamona, soja, girassol, milho, sorgo, capim elefante e outras, fazem parte do elenco de componentes agrícolas e forrageiras que o Professor Laércio procura combinar com o Eucalyptus na busca de soluções socioeconômicas e ambientalmente corretas para suprir o Brasil e o mundo com energia renovável e alimentos.

O Professor Laércio orgulha-se também não só de ter sido um formador de Engenheiros Florestais, mas principalmente um formador de entusiasmados cidadãos e cidadãs, a quem procurou transmitir não só os conhecimentos técnicos, mas também os conceitos de cidadania e de compartilhamento para que nossa sociedade possa ter um desenvolvimento mais harmonioso e integrado. Laércio sempre valoriza bastante o seu networking com ex-alunos, ex-colegas, amigos de empresas e instituições nacionais e internacionais. Prova evidente de seu network é a ampla cooperação que possui com inúmeros acadêmicos e pessoal da iniciativa privada. Seus inúmeros trabalhos de pesquisa com diversificado número de co-autores é uma demonstração dessa grande rede de geração e difusão de conhecimentos que ele ajudou a criar.

Suas principais áreas de “expertise” são portanto as seguintes:
• agrossilvicultura;
• biomassa energética;
• conservação da natureza e desenvolvimento sustentável;
• silvicultura geral.


Publicação original em: https://www.eucalyptus.com.br/newspt_set07.html#nove / Os Amigos dos Eucalyptus – Por: Celso Foelkel.

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Responsável por 4% do PIB nacional, silvicultura é importante aliada da sustentabilidade na indústria de transformação

Segmento de florestas plantadas produziu 25 milhões de toneladas de celulose, 11 milhões em papel e 1,5 milhão de m³ de madeira nobre

Em 7 de dezembro é comemorado o Dia Nacional da Silvicultura, uma menção ao setor rural responsável pela produção de florestas plantadas. Para se ter uma ideia dos resultados positivos do manejo e a pegada sustentável dessa importante atividade agrícola, diariamente são plantadas 1,8 milhão de árvores com fins comerciais. 

A informação divulgada pela Ibá (Indústria Brasileira de Árvore) é resultado de um estudo realizado anualmente. A atividade de silvicultura é responsável por 4% do PIB (Produto Interno Bruto), e produziu em 2023, 25 milhões de toneladas de celulose, 11 milhões de toneladas de papel e ainda, 1,5 milhão de metros cúbicos de madeira para exportação.

É importante esclarecer que a silvicultura é o método de cultivar florestas, a fim de evitar o desmatamento das matas nativas e a destruição dos biomas nacionais.

O relatório anual da organização MapBiomas destacou que, nos últimos cinco anos o Brasil perdeu mais de 8,5 milhões de hectares de vegetação nativa, por retirada ilegal de árvores. Em outras palavras, o espaço atingido equivale a duas vezes o tamanho do Rio de Janeiro. 

Outro ponto de atenção foram as regiões do Cerrado e Matopida (Bahia, Piauí, Tocantins e Maranhão), que registraram o maior índice de remoção da vegetação nativa, com 49%. Portanto, foram responsáveis por quase metade do desmatamento ocorrido no território nacional.

Diante das informações elencadas sobre a flora nacional é fundamental incentivar os produtores a optarem pela cultura de árvores plantadas, como pinus e eucalipto, já que são matérias-primas de papel e celulose e ainda, apresentam alto valor agregado. 

O Senac EAD conta com um portfólio completo de cursos na área ambiental, de cursos livres a pós-graduação. Além disso, a graduação de Tecnologia em Gestão Ambiental recebeu nota máxima do MEC, pela nota obtida no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). 

Os concluintes também têm direito a solicitarem a carteira profissional do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), no estado onde residem. Portanto, se você tem interesse de iniciar uma carreira na área de meio ambiente, venha para o Senac EAD. Acesse o site e confira as opções de aprendizado. 

Sobre o Senac EAD

Com mais de 77 anos de atuação em educação profissional, o Senac foi pioneiro no ensino a distância no Brasil. A primeira experiência nessa modalidade se deu em 1947 com a Universidade do Ar, em parceria com o Sesc, que ministrava cursos por meio do rádio.

A partir de 2013, com o lançamento do portal Senac EAD, a instituição ampliou sua atuação em todo o país. Hoje, oferece um amplo portfólio de cursos livres, técnicos, de graduação, pós-graduação e extensão a distância, atendendo a todo o Brasil, apoiado por mais de 380 polos presenciais para avaliações. Acesse aqui a programação completa de cursos do Senac EAD.

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O que o Dia Nacional da Silvicultura tem a ver com você?

*Artigo por Eleandro Brun

O Brasil, um país de rica biodiversidade, tem na silvicultura uma aliada fundamental para a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Conheça os desafios e as oportunidades dessa atividade, que vai muito além do plantio de árvores. Desvende os mistérios da floresta e descubra como você pode contribuir para um futuro mais verde

A Silvicultura é o conjunto de técnicas e processos de cultivo de florestas, as quais podem ser aplicadas tanto para finalidade econômica, ecológica como múltipla. Apesar de muitos “acharem” que ela envolve também manejo florestal e conservação das florestas, estão enganados, pois cada um tem um conceito e uma aplicação diferente. Como não estamos aqui para discutir conceitos, deixo essa busca para uma próxima publicação.

A biodiversidade das florestas brasileiras e seus ecossistemas associados é muito grande, portanto, é um tanto difícil dizer que sabemos cultivar todas as espécies presentes nestes biomas. Sabemos sim, fazer o cultivo de uma quantidade significativa delas e, por aproximação empírica ou com base em pesquisas científicas, rotineiramente, nos aventuramos no cultivo de novas espécies. Além disso, contamos com uma gama importante de espécies exóticas, vindas de outros biomas ou países, que também merecem muita atenção.

Como Engenheiro Florestal atuante na área de silvicultura, afirmo que é uma descoberta nova a cada dia, um novo método de cultivar, uma nova aplicação de produto ou insumo para cultivo, uma nova espécie que conseguimos propagar e produzir mudas ou novas árvores, uma nova praga controlada, um novo inimigo natural, entre tantos temas, pois a silvicultura contempla desde a produção de sementes ou outros propágulos, a produção de novas mudas, o preparo da área e do solo para o plantio da nova floresta, o controle de plantas competidoras, de pragas, doenças, o plantio, replantio, adubação, calagem, tudo com o seu devido cuidado e monitoramento, que só um profissional que estuda muito esses temas, como os Engenheiros e Engenheiras Florestais, conseguem fazer.

Dito isso, penso que não é o fato de termos um “dia da Silvicultura”, instituído pela Lei 12643/2012, sendo comemorado no dia 07 de dezembro de cada ano, que fará com que cada cidadão vire um plantador de árvores de uma hora para outra. A lei é sim, importante para marcar avanços e buscar uma conscientização, mas também deve-se ressaltar a Lei 14876/2024, que excluiu a silvicultura da lista de atividades potencialmente poluidoras, a qual retira de cena uma quase insensatez e sim, incentiva o plantio de florestas com diferentes finalidades.

Após a leitura até aqui, um jovem estudante de ensino médio que estiver lendo, espero, este texto, dirá “ok, ainda não entendi o que tenho a ver com isso”, eu afirmo que um mundo de descobertas, sonhos e realizações está a sua espera em um curso de Engenharia Florestal, onde se estuda muito todo o processo de implantação e condução de uma floresta de qualidade, desde a semente até a floresta formada e pronta para começar a te dar o que foi esperado nos objetivos do projeto desta floresta. Objetivos estes que podem ser desde as florestas de produção de celulose (e sua infinidade de usos), madeira sólida para sua casa ou sem móvel, biomassa e carvão para energia renovável, ou as florestas geradoras de serviços ecossistêmicos de recuperação de áreas degradadas, proteção do solo, da água, da biodiversidade, da qualidade de vida urbana e, também, bases de nossa segurança alimentar.

Acredito ainda que um dos maiores propósitos que podemos ter é o de sermos cidadãos e cidadãs sustentáveis, e a produção de bens e serviços das florestas é apenas um dos aspectos. Plantar e cuidar das florestas é ainda um grande propósito colaborativo ao planeta, pois esta “máquina de sequestrar carbono” que podemos plantar e cuidar é, sem sombra de dúvida, a mais eficiente máquina de combate às mudanças climáticas que cada pessoa pode acessar, plantar, cuidar e, acima de tudo, conhecer mais.

Fica o desafio a todos e todas, principalmente aos jovens cidadãos deste país, que venham conhecer os cursos de Engenharia Florestal espalhados pelo Brasil e participem deste grande projeto que é tornar nosso planeta um lugar melhor, com mais florestas, com mais ar de qualidade, com a conservação da água e do solo, com a produção de alimentos, tanto no meio rural como no urbano. A atividade de silvicultura é parte de tudo isso e você estará diretamente ligado a ela. Tenhamos esse propósito, o planeta espera isso de nós!


*Eleandro Brun – Engenheiro Florestal, Dr. – Professor da UTFPR Dois Vizinhos, Coordenador da Câmara Especializada em Engenharia Florestal do CREA-PR, Secretário Geral da SBEF (Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais).

Informções: Minuto Rural.

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Demanda aquecida e boa produtividade do eucalipto incorrem em resultados positivos para atividade

O setor de florestas plantadas avança cada vez mais dados investimentos, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, aliado à sustentabilidade ambiental. Segundo o último levantamento, realizado recentemente, da Canopy Remote Sensing Solutions, o Brasil conta com 10,3 milhões de hectares de florestas cultivadas, sendo que desse total, 76,1% são ocupados por eucalipto, seguindo de pinus (18,7%) e demais espécies (5,2%).

A demanda – tanto no Brasil, quanto no resto do mundo – crescente por madeira, celulose e carvão vegetal, principais produtos obtidos a partir do eucalipto, abre grandes janelas de oportunidade para o plantio da espécie. Novas plantas industriais estão sendo construídas, principalmente no Centro-Sul do país, com investimentos da ordem de bilhões de reais.

O projeto Campo Futuro, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Serviço de Aprendizagem Rural (Senar), levantou os custos de produção de eucalipto em cinco praças em 2024: Amambai/MS, Campo Grande/MS, Eunápolis/BA, Teixeira de Freitas/BA e Botucatu/SP. Um aspecto observado em boa parte das regiões é o avanço do arrendamento de áreas até então cultivadas por pequenos e médios produtores, pelas empresas florestais atuantes em cada região.

A produção de eucalipto pode ser desmembrada em três etapas principais: formação da floresta, manutenção e colheita. Em todos esses casos, a comercialização é feita na modalidade “madeira em pé”, sendo, portanto, a colheita realizada pela empresa compradora. Um dos fatores de maior preponderância para o sucesso da lavoura é sua produtividade, sendo influenciada por diversos elementos como a própria genética do material cultivado, condições de solo, clima e manejo silvicultural. Para eucalipto, ela é medida pelo Incremento Médio Anual (IMA). O Gráfico 1 traz esse comparativo entre as praças levantadas.

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Gráfico 1. Comparativo dos custos de implantação de eucalipto, gastos com manutenção ao longo do ciclo produtivo e incremento médio anual (IMA) levantados em 2024.
Fonte: Projeto Campo Futuro (CNA/Senar)

Com base no gráfico observamos produtividades médias próximas considerando os modais analisados, com exceção de Botucatu/SP, onde o IMA é de 45 m3/ha/ano, apesar de os dispêndios de formação da floresta e manutenção, principalmente, estarem muito abaixo em relação à maioria das outras regiões. Isso se explica justamente pela maior diluição desses custos no volume total de floresta produzida por unidade de área.

Outro ponto a ser observado é que, em casos como Amambai/MS e Teixeira de Freitas/BA, um menor custo de implantação pode resultar em maior desembolso na fase de manutenção, sem ainda refletir em ganhos de produtividade em patamares mais altos, como os das regiões de Eunápolis/BA e Botucatu/SP.

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Gráfico 2. Comparativo dos Custos Operacionais Efetivos (COE), Custos Operacionais Totais (COT), Custos Totais (CT) e receita bruta obtidos nos levantados em 2024.
Fonte: Projeto Campo Futuro (CNA/Senar)

No Gráfico 2 temos os valores referentes ao Custo Operacional Efetivo (COE), Custo Operacional Total (COT) e Custo Total (CT). O COE corresponde a todos os componentes de custos gerados pela relação entre os coeficientes técnicos (quantidade utilizada) e os seus preços, que são somados aos gastos administrativos e os custos financeiros do capital de giro. Para a cultura do eucalipto, as atividades irão compor o COE a partir da manutenção da floresta. O COT soma ao COE, as depreciações e pró-labore, incluindo o custo de implantação. Já o CT, é resultante da soma entre COT e o custo de oportunidade da terra e bens de capital.

Observamos que os preços pagos aos produtores em todas as regiões levantadas são suficientes para arcar com os desembolsos diretos (COE), bem como os custos implícitos (COT), indicando uma situação econômica favorável da atividade em relação a outros investimentos alternativos. Assim, temos margens líquidas positivas em todas as praças. Já ao se considerar o custo de oportunidade da terra – calculado de acordo com o valor de arrendamento praticada em cada região, e dos bens de capital, para Eunápolis/BA e Teixeira de Freitas/BA, a receita não é suficiente para manter a atratividade econômica no longo prazo.

Apesar de ter a produtividade média mais baixa dentre as praças levantadas, Campo Grande/MS é a que mais se destaca no aspecto econômico, gerando margem líquida positiva ao produtor de R$ 50,33/m3, valor 88% acima da média das cinco regiões. Isso se dá em boa parte pelo menor dispêndio relacionado à manutenção da floresta (78% abaixo da média geral), bem como a melhor remuneração da madeira, diante da demanda aquecida em seu entorno.

Após Campo Grande/MS, temos os resultados mais positivos em Amambai/MS, que foi favorecida por um menor custo relacionado ao pró-labore e bom preço pago no metro cúbico da madeira. Em seguida, Botucatu/SP, cuja produtividade foi essencial para o bom resultado, conforme comentado anteriormente, apesar de possuir o maior valor de remuneração da terra – 64% acima da média das demais regiões.

Em Eunápolis/BA e Teixeira de Freitas/BA, os COE’s foram bastante comprometidos por custos administrativos, relacionados principalmente à mão de obra contratada e despesas fixas das propriedades. Novos investimentos na etapa de manutenção visando maiores produtividades, e busca por melhorias nas negociações com empresas florestais, podem gerar melhores resultados econômicos a médio e longo prazos nos municípios baianos.

Sabe-se que a eucaliptocultura é uma atividade altamente influenciada por fatores externos à produção propriamente dita, e que depende primordialmente de demanda aquecida. A demanda definirá os preços pagos ao produtor, e consequentemente, com base na rentabilidade do produtor, o nível de investimento em insumos e manejo de qualidade. Por ser uma cultura de ciclo longo, o planejamento e a gestão financeira da propriedade são fundamentais na busca por rentabilidade e mitigação de efeitos sazonais, como elevação de custos (principalmente de fertilizantes e defensivos agrícolas), e o próprio arrefecimento da cadeia produtiva de tempos em tempos, comum à atividade.

Informações: CNA SENAR.

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Atualização da atividade de silvicultura em relação ao potencial de poluição é aprovada no plenário da Câmara dos Deputados

Na tarde de ontem, 8 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 1366 que retira a silvicultura da lista de atividades potencialmente poluidoras e consumidoras de recursos naturais. Agora, o PL segue para sanção do Presidente da República

Com a atual classificação, estipulada na Lei nº 6.938, do ano de 1981, a atividade de plantar e manejar economicamente florestas é considerada de médio potencial poluidor. Desta forma, os processos de licenciamento e autorizações ambientais seguem ritos incompatíveis com a realidade da atividade praticada hoje no Brasil.

Ao promover a necessária atualização da classificação normativa, o manejo de árvores passa a ser considerado uma atividade que não apresenta potencial significativo de impacto e degradação ambiental.

O PL 1366 é de autoria do Senador Álvaro Dias e, desde 2014, tramita no Congresso brasileiro.O relator do projeto na Câmara, Deputado Federal Covatti Filho, defende que o PL corrige um equívoco histórico de manter a atividade da silvicultura no rol de potenciais poluidores. Segundo ele, “a silvicultura é uma atividade agrícola sustentável e contribui para a proteção da biodiversidade, a conservação do solo e das nascentes de rios, a recuperação de áreas degradadas e a redução das emissões de gases de efeito estufa”.

Após a sanção presidencial e publicação do PL, o Brasil crescerá em competitividade justa com as melhores e modernas normas com os principais países produtores de madeira de reflorestamento, que baseados em evidências científicas já promovem, há tempo, a silvicultura como uma atividade que impulsiona benefícios ambientais e sociais nas regiões onde é cultivada.

Associação Mineira da Indústria Florestal comenta aprovação

Minas Gerais é o estado que possui a maior floresta plantada do Brasil. No total, o estado abriga mais de 2,3 milhões de hectares de produção em consórcio com mais 1,3 milhão de hectare de matas nativas, áreas conservadas e cuidadas pela agroindústria mineira.

Os 3,6 milhões de hectares de árvores estão em mais de 803 municípios mineiros. Em cerca de 55% dos casos os cultivos estão sob responsabilidade de pequenos e médios produtores rurais que exercem a vocação e aquecem a economia local, com geração de renda, trabalho e dignidade.

Para a Presidente da Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), Adriana Maugeri, a aprovação do PL 1366 é um passo sólido para a retomada dos plantios de florestas em Minas Gerais. A Presidente destaca que a silvicultura é uma atividade nobre que possui ampla capacidade de ser monitorada pelo Estado. Também, enfatiza que eventuais impactos ambientais são mapeados e conhecidos pela ciência, atestados pela qualidade ambiental e pelos serviços de recuperação e promoção de áreas de baixa produtividade exercidos pelo setor há mais de 60 anos.

Adriana Maugeri vai além e explicita que, quando a atividade florestal é realizada conforme as melhores práticas de manejo, são nítidos os múltiplos benefícios proporcionados em escala, tais como: conservação e regeneração de solo, conexão de áreas para fluxo da biodiversidade, conservação e recuperação de cursos de água, por exemplo.

“Com a simplificação da importante etapa do licenciamento, certamente o setor vai voltar a crescer e, de fato e em singular volume, atuar frontalmente contra o desmatamento ilegal e em prol da remoção de carbono e sua fixação no solo, mitigando os indesejados efeitos que já vivenciamos das alterações climáticas”, afirma.

Segundo o Presidente do Conselho Deliberativo da AMIF, Edimar Cardoso, o setor florestal trabalha para recuperar áreas de baixa produtividade no Brasil há várias décadas. Com sua capacidade de produzir, plantar e conservar sempre em grandes escalas, a agroindústria florestal é o motor da economia verde de Minas Gerais e do Brasil. Para ele, a atualização normativa faz justiça e abre caminhos para o cumprimento de importantes metas de descarbonização da economia assumidas pelos governos estaduais e federal.

“A agroindústria florestal é o motor que impulsiona a economia verde e a descarbonização no Brasil. A obsoleta classificação de potencial poluidora atribuída à prática de plantio de florestas precisava, de fato, ser revista, adequada e atualizada. O setor atualmente conserva quase sete milhões de hectares de mata nativa e produz mais de nove milhões de hectares de floresta plantada, tudo isso para prover toda madeira legal que precisamos”, enfatiza Edimar Cardoso.

Ainda de acordo com Adriana Maugeri, que também é presidente da Câmara Técnica de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura (Mapa), sem a aprovação do PL o setor florestal brasileiro não conseguiria expandir a produção de forma a  atender a meta do Governo Federal de mais quatro milhões de hectares de florestas cultivadas em todos país até 2030, conforme anunciou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, no lançamento do Plano Nacional de Florestas Plantadas realizado em março deste ano.

“A aprovação do PL tem sido pauta prioritária da atuação da AMIF, das associações estaduais, da IBÁ, de Federações do agro e da indústria de todo o país para a viabilização do pleito. Só é contra este PL quem ainda está ancorado no passado, é alimentado por falsas informações e narrativas que não são comprovadas pela ciência, ou que ainda tem como exemplo práticas não indicadas da atividade florestal que degradam o ambiente, assim como qualquer atividade quando não é conduzida corretamente”, finaliza Adriana Maugeri.

O setor de florestas plantadas no Brasil

De acordo com dados do mais recente relatório publicado pela Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), o setor de florestas plantadas no Brasil não para de crescer.

No total, o setor cultiva uma área de 9,94 milhões de hectares espalhados pelo território nacional. Além das áreas produtivas, o setor conserva, simultaneamente, outros 6,7 milhões de hectares de mata nativa, o que equivale ao território do estado do Rio de Janeiro.

Em 2022, a agroindústria florestal brasileira gerou 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos, alcançou uma receita bruta de R$ 260 bilhões e bateu recorde de produção ao atingir 25 milhões de toneladas de celulose, 11 milhões de toneladas de papel e 8,5 milhões de m³ de painéis de madeira. Além disso, conta com uma carteira de investimentos de quase R$ 62 bilhões, abrindo uma nova fábrica a cada ano e meio, em média. “É um setor que está do lado certo da equação climática e motivo de orgulho para os brasileiros e brasileiras”, afirma o Presidente Executivo da IBÁ, Paulo Hartung.

Assim como ocorre na agricultura de alto desempenho tecnológico, na última década observa-se o desenvolvimento da silvicultura de precisão. A agroindústria florestal brasileira está pronta para entregar um futuro mais sustentável e saudável com seus mais de cinco mil bioprodutos.

Informações: Amif.

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Exclusiva – Confira a programação do V Congresso Brasileiro de Eucalipto que acontece em maio, em Vitória (ES)

Ainda dá tempo! Inscrições para um dos maiores fóruns florestais do país podem ser feitas através do site www.congressoeucalipto.com.br

Um dos mais importantes fóruns Brasileiros de intercâmbio e atualização sobre o setor florestal está de volta. O Congresso Brasileiro de Eucalipto será realizado nos dias 08 e 09 de maio, no Auditório do Centro de Treinamento Dom João Batista, na Praia do Canto, em Vitória (ES), e neste ano, em sua 5ª edição, traz como tema central: “Uso Múltiplo Sustentável”, a fim de promover uma maior reflexão e compromisso do setor com práticas que respeitam o meio ambiente e o desenvolvimento econômico e social.

O evento, que teve sua última edição em 2019, é uma realização do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), e conta com a participação esperada de diversos segmentos, como celulose e papel, indústria moveleira e madeireira, carvão vegetal, energia, e atividades afins. O Congresso garante oportunidades únicas de aprendizado, networking e troca de experiências.

Temas & Programação

Com uma programação atual e diversificada, e contando com a participação dos principais profissionais do país no segmento, serão abordados os seguintes temas no Congresso:

  • Cenários e tendências do setor de florestas plantadas no Brasil;
  • Mercado consumidor da madeira de eucalipto – Desafios e Soluções;
  • Mercado de créditos de carbono com reflorestamento;
  • Inovação tecnológica, sustentabilidade no setor florestal;
  • Uso de eucalipto em consórcio com nativas para restauração florestal em áreas de reserva legal;
  • Situação atual e perspectivas da aplicação do Código Florestal Brasileiro;
  • Uso múltiplo de eucaliptos em pequenas propriedades;
  • Uso do eucalipto em Sistemas agroflorestais de alta performance;
  • A dimensão/impacto de projetos florestais nas comunidades e na cadeia de valor;
  • Mecanização florestal em áreas acidentadas.

Estado berço

Escolhido para receber a quinta edição do Congresso, o estado do Espírito Santo possui a 9ª maior área plantada de eucalipto do Brasil com aproximadamente 258 mil ha e a primeira em termos percentuais com 5,6% do território estadual. 

O setor

O setor florestal baseado em florestas plantadas tem ganhado notoriedade nos últimos anos pela sua importância e contribuição ao desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil, e tem se tornado um dos principais motores da economia local. O país possui grande potencial para o reflorestamento e manejo florestal sustentável, o que pode contribuir para a conservação da biodiversidade e a redução das emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com dados do Relatório Anual Ibá 2023, o Brasil possui 9,94 milhões de hectares plantados de eucalipto, pinus e demais espécies para a produção de celulose, papel, painéis de madeira, pisos laminados, produção energética, biomassa, construção civil rural e urbana, acomodação de cargas, entre outros usos. As árvores plantadas são responsáveis por 90% de toda a madeira produzida para fins industriais no País – o restante vem de florestas naturais legalmente manejadas.

O documento que reúne as principais informações do setor florestal brasileiro, também indica que no mesmo ano houve um crescimento de 6,3%, com receita agregada de R$ 260 bilhões.

Inscrições – Vagas limitadas

As inscrições para o V Congresso Brasileiro de Eucalipto podem ser feitas diretamente pelo link https://www.congressoeucalipto.com.br/inscricao.php (no site oficial do evento), com valor especial até o dia 29/04.

Contatos:

Raiz Comunica (27) 9929-0771 bretas@raizcomunica.com.br

CEDAGRO-ES (27) 99830-9621 cedagro@cedahgro.org.br

Saiba mais em: www.congressoeucalipto.com.br

CLIQUE AQUI E CONFIRA AS FOTOS DA EDIÇÃO ANTERIOR DO EVENTO (2019)

Escrito por: redação Mais Floresta / Foto: Paulo Cardoso.

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Exclusão da silvicultura como atividade potencialmente poluidora é aprovada na CCJC da Câmara dos Deputados e avança para Plenária

Na tarde de ontem (9), foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) 1366/22 que autoriza a exclusão da atividade de silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras.

O PL já havia sido aprovado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Após a aprovação na CCJC, o Projeto está pronto para ser encaminhado ao Plenário da Câmara dos Deputados para votação definitiva.

Com a atual classificação, definida na década de 1980, o plantio e manejo de florestas é considerada uma atividade com médio potencial poluidor, característica que não apresenta a realidade massiva da produção de florestas no Brasil. A agroindústria florestal brasileira é, sem dúvida, a atividade econômica que mais conserva e conecta matas nativas em escala em todos os biomas.

Com a exclusão desta classificação desatualizada, mais produtores rurais poderão investir nesta atividade de forma legal, ampliando os benefícios socioambientais dessa grande cadeia de valor.

Após a aprovação do PL em plenário, o Estado Brasileiro conseguirá atender em menor prazo suas metas importantes de descarbonização da economia e transição energética, conforme anunciou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, no último dia 21 de março, no lançamento do Plano Nacional de Florestas Plantadas.

“A desburocratização do setor florestal tem sido pauta prioritária da atuação da AMIF que, por meio da articulação institucional e governamental, está desenhando um cenário mais promissor para a produção econômica e também para a conservação de florestas em Minas Gerais e no Brasil”, conclui a presidente da AMIF, Adriana Maugeri.

Informações: AMIF.

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Silvicultura: conheça a indústria que já está em 94% das cidades mineiras

Minas é líder em atividade florestal, com 27% da produção. São 2,2 milhões de hectares de plantio, quase a totalidade de eucalipto, em 803 dos 853 municípios

Com uma área superior a 2,2 milhões de hectares de plantio, Minas Gerais é o estado líder da chamada indústria florestal, de acordo com dados do último levantamento de Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento ainda revela que o estado possui o maior valor de produção, com R$ 7,5 bilhões gerados em 2022, representando 27,3% do total produzido no país.


Entre os municípios, João Pinheiro aparece na terceira posição em maiores valores da produção da silvicultura, gerando R$ 497 milhões. A cidade do Noroeste de Minas é destaque nacional no carvão vegetal, com 437,8 mil toneladas em 2022. No entanto, o dado revela uma queda de 7,8% em termos de volume de produção na comparação com o ano anterior.


Ainda de acordo com dados do IBGE, organizados pela Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF), o cultivo de árvores em Minas é destinado, principalmente, à produção de papel e celulose, indústria que atingiu um volume total de 7,9 milhões de metros cúbicos (m³) em 2022. Ao mesmo tempo, é estimado que o plantio florestal esteja presente em 803 municípios, sendo que 96,8% do toral se refere à cultura de eucalipto.


Adriana Maugeri, presidente da AMIF e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), afirma que, para o estado liderar tanto em área plantada quanto em valor de produção, foi necessário uma combinação de fatores que inclui o tamanho do território disponível.


“Não há restrição locacional para os plantios. Uso o exemplo do Mato Grosso do Sul, que também tem sido um expoente na indústria da celulose, mas apenas a zona Leste do estado é adaptada para o plantio florestal, porque tem o pantanal e várias outras culturas. Em Minas Gerais, pode se plantar em todas as regiões, então para se ter uma ideia de escala, de 853 municípios, 803 têm plantio florestal”, explicou.

O Norte do estado lidera em área plantada destinada à silvicultura, com 566.380,58 hectares totais, sendo 98% coberto pelo eucalipto, árvore de cultura predominante em Minas Gerais. Na região, o destaque fica com o município de Buritizeiro, a segunda cidade com a maior área coberta, abrangendo 77,5 mil hectares.


Adriana Maugeri ressalta ainda que as potencialidades da cultura de árvores no estado são impulsionados pelo clima e pelo investimento em tecnologia, proveniente dos cursos de engenharia florestal em universidades mineiras. A representante do setor também destaca o que chamou de “vocação agrícola”.


“A vocação por plantar floresta é antiga, mas não necessariamente se plantava da melhor forma. Qualquer vegetal que você planta em locais não recomendados, não vai crescer ou vai deteriorar o solo. Isso foi se desenvolvendo tanto que Minas Gerais é o estado que possui o maior número de universidades com Engenharia Florestal no Brasil. A academia é muito forte, então, se tem uma mão de obra muito qualificada”, frisou.

Fábrica da Cenibra em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce
Fábrica da Cenibra em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce: além de plantar, empresa faz parcerias com pequenos e médios produtores ruraisCenibra/Divulgação

Cifras da cadeia produtiva

No último dia 6 de março, a presidente da Amif e outros representantes do setor se reuniram com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Na oportunidade eles apresentaram os potenciais da cadeia produtiva florestal. Segundo Adriana Maugeri, o setor teve receita bruta de R$ 260 bilhões em 2022, mas a análise varia segundo o segmento da indústria e seus diferentes perfis.


A presidente da AMIF cita, por exemplo, a celulose, matéria-prima essencial para produção de papel, cujo volume é majoritariamente destinado ao mercado externo. Segundo o relatório PEVS do IBGE, a produção de madeira em tora para papel e celulose representa o maior valor entre os grupos de produtos da indústria florestal, com R$ 9,1 bilhões.


“A celulose é uma commoditie que tem um peso muito forte na balança comercial. Quando a gente estratifica o PIB Mineiro, a celulose tem um valor forte, devido à exportação. A indústria nacional da produção de papel não é tão expressiva quanto a internacional. Alguns desses produtos que a gente compra, como os papéis higiênicos, vêm da indústria de fora. Sai da nossa celulose e volta como produto já acabado”, explicou Adriana Maugeri.


De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Fazenda, a celulose ocupou o 11ª lugar no ranking das exportações totais do país em 2022 (2,5%), com 19,8 milhões de toneladas. Uma das principais empresas produtoras da matéria-prima em Minas, a Cenibra, por exemplo, destina só 2% da sua produção ao mercado interno.


“Em 2022, foram comercializadas 1.165,3 mil toneladas de celulose; 98% desse total é destinado ao mercado externo e 2% de toneladas destinadas ao mercado doméstico. Nossos principais destinos de exportação são América do Norte, Ásia e Europa”, conta o diretor técnico, industrial e florestal da Cenibra, Júlio César Tôrres Ribeiro.


Atualmente a companhia ocupa área total de 254 mil hectares, sendo 131 mil destinados ao plantio de eucalipto, 106 mil a matas nativas e áreas de preservação permanente, além de 17 mil hectares de infraestrutura e estradas. Segundo Júlio Ribeiro, os plantios estão distribuídos em 54 municípios, mas a empresa também trabalha em parceria com o pequeno e médio produtor rural.


“Quando incluímos o Fomento Florestal com produtores rurais, alcançamos 89 municípios. Atualmente, são 575 parceiros, numa área aproximada de 21 mil hectares, o que contribui com 15% do abastecimento de madeira na fábrica. O produtor rural recebe toda a instrução técnica, insumos para início da produção e a muda de clone adaptada à sua região”, explicou.


Queixa sobre a burocracia

O diretor da Cenibra e a presidente da Amif afirmam que entre os principais entraves do setor está a burocracia para o plantio. Adriana Maugeri afirma que Minas Gerais já perdeu “muito investimento” por causa das dificuldades jurídicas, e que empresas já chegaram a esperar 10 anos para conseguir licenciamento ambiental.


Mas, de acordo com a representante do setor, o diálogo com o governo do estado é bom e há boa vontade em desburocratizar. “A indústria não precisa de dinheiro (público), o recurso, ela tem. A gente precisa da contrapartida do estado em licenciamento, tributação, sistemas que favoreçam e sejam algo simplificado”, frisou Adriana Maugeri.


Ela ressalta que é preciso estabilidade para que as empresas se instalem em Minas, porque os projetos são de “longuíssimo prazo”. O ciclo de eucalipto é um dos menores entre as árvores, mas desde o plantio de mudas até a colheita de uma árvore adulta a duração é de sete anos.


Júlio Ribeiro acrescenta que fatores como o cenário econômico, mão-de-obra no campo e a infraestrutura são desafios importantes da Cenibra, mas que devido à burocracia não é possível expandir a produção. “Toda a área plantada hoje atende à produção atual e não existe excedente de madeira que permita uma expansão no momento. Existe no Brasil uma lei que limita a compra de terras por empresas com capital estrangeiro e esse é um dos empecilhos para aumento de nossa base florestal”, disse o representante da companhia.


Silvicultura

A atividade pode ser definida como a ciência que estuda maneiras naturais e artificiais de plantio de árvores, para atender as exigências do mercado. A silvicultura moderna opera com plantações mantidas artificialmente e com emprego de tecnologia para a produção de madeira e derivados, como a celulose, matéria-prima para o papel.

Informações: Estado de Minas.

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Pesquisadores do campus de Alegre lançam livro sobre silvicultura de precisão

Os professores Samuel Silva, do curso de Engenharia Rural, e Willian Moraes, do curso de Agronomia, ambos do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE), localizado no campus de Alegre, em parceria com outros autores, publicaram o livro Silvicultura de Precisão. A obra contempla todas as etapas da produção silvicultural, apontando as técnicas e tecnologias para uso imediato e traçando o horizonte do que ainda está por vir no processo constante de digitalização do campo.

Segundo os autores, a publicação é a primeira no Brasil e no mundo a abordar aspectos tecnológicos voltados para o setor, com impacto no ensino da silvicultura, mas principalmente nas ações diretas de monitoramento, tomada de decisão e manejo dos povoamentos florestais.

“O livro possui temas atuais relevantes no dia a dia do silvicultor moderno, como a automação, robótica, inteligência artificial, fitossanidade, matologia, climatologia, estoque de carbono, tecnologia de aplicação, entre outros”, destacam.

O livro é dividido em 18 capítulos e apresenta um projeto gráfico que traz imagens e ilustrações, com objetivo de proporcionar aos leitores uma experiência mais completa e imersiva. Publicado pela editora da Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão (Funep), o material não tem fins lucrativos. O recurso financeiro arrecadado com as vendas será direcionado para uma conta da Funep, e posteriormente destinado a organizações não governamentais (ONGs) com atuação voltada às questões socioambientais.

O livro pode ser adquirido no site da editora Funep pelo valor de R$ 120,00 ou consultado na Biblioteca Setorial Sul, no campus de Alegre, onde há exemplares disponíveis. 

Informações: UFES / Fonte imagens: LinkedIn Marcus Vinicius Masson.

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Estudo avaliou o potencial silvicultural do eucalipto no Estado do Ceará

No árido cenário do Ceará, onde solos arenosos e ventos impetuosos desafiam o cultivo, surge uma iniciativa ousada: o projeto da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) e Embrapa Florestas (PR) desafia as adversidades climáticas para viabilizar o cultivo de árvores destinadas à indústria moveleira. Com 12 anos de dedicação, a pesquisa empreendida no município de Acaraú revelou uma surpreendente possibilidade de florestação em meio a condições aparentemente desfavoráveis.

A forte insolação e as baixas precipitações, que inicialmente pareciam barreiras intransponíveis, foram enfrentadas por cientistas que avaliaram meticulosamente 39 espécies, entre nativas e exóticas, além de seis híbridos de eucaliptos. Os resultados indicam que, contra todas as probabilidades, é possível transformar o árido solo cearense em terreno fértil para o florescer de uma nova indústria.

Esse esforço inovador não apenas desafia a natureza, mas também promete impulsionar economicamente a região, abrindo caminho para a produção de matéria-prima sustentável e contribuindo para a diversificação da matriz econômica local. O projeto, marcado por uma década de resiliência científica, lança luz sobre a capacidade humana de superar desafios e explorar novos horizontes, mesmo nos ambientes mais árduos.

Sob a liderança da pesquisadora Diva Correia, a inovadora iniciativa revela um material com potencial multifacetado. Além de se destacar na indústria moveleira, o produto demonstra aptidão para setores diversos, como energia, apicultura, arborização e recuperação de áreas degradadas. Clones de eucaliptos surpreenderam com adaptação promissora, apontando caminhos para a construção civil e sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta.

Em busca de espécies florestais adaptadas às distintas regiões do Ceará, os pesquisadores implementaram seu primeiro experimento em três hectares irrigados pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na zona rural de Acaraú (CE), próximo a Marco (CE). Após três anos, a primeira fase de seleção destacou espécies com notável adaptação às condições locais, impulsionando novas etapas de experimentação. Os ensaios subsequentes incluem a seleção de matrizes de espécies nativas, testes clonais em eucaliptos, variação de espaçamentos e análises de qualidade da madeira. Além disso, a pesquisa abrange a utilização de resíduos para o desenvolvimento de inovadores materiais, promovendo uma abordagem abrangente para o aproveitamento sustentável dos recursos florestais na região.

Podemos dizer que os clones de eucaliptos são muito promissores, por seu rápido crescimento e adaptabilidade às condições de solo e clima da região e apresentam potenciais de uso para energia.

O pesquisador João Alencar, envolvido no projeto, relata que entre as espécies nativas avaliadas, diversas demonstram um desenvolvimento robusto. Assim como os clones de eucaliptos, essas espécies apresentam potencial para a produção de móveis, geração de energia e desempenham papel crucial na reposição florestal. Além disso, destacam-se em áreas como apicultura e integração em sistemas floresta-lavoura-pecuária, evidenciando sua versatilidade para diversos usos.

O estudo sinaliza não apenas para o desenvolvimento sustentável, mas também para a diversificação de atividades econômicas ancoradas nas riquezas da flora regional.

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