Uma nova chance para a borracha brasileira

Fonte: Correio do Povo

“Houve um momento em nossa vida econômica em que a borracha dava para tudo e a Amazônia era o Eldorado brasileiro. Alcançou o precioso látex preços excepcionais e foi a fortuna e, ao mesmo tempo, a mina de muita gente. Ninguém ignora o regime de esbanjamentos e de negociatas inauditas que afinal durou o mesmo que as célebres rosas de Malherbes. Fizemos festa de caboclo e, aproveitando os lucros da afortunada ‘havea’, não nos lembramos da face oposta do problema. Deixamos as culturas aos cuidados da providência e do acaso, que são os dois grandes políticos do Brasil. Entramos depois pelo caminho da fraude, da desonestidade e em pouco tempo os milhões da borracha desapareceram. Veio o período da penúria, das vacas magríssimas. A Amazônia caiu no esquecimento, perdemos os nossos mercados e o produto baixou aos ínfimos preços, ao passo que os ingleses faziam surgir nas suas possessões o que desaparecera do Brasil. Agora o monopólio britânico está se tornando o pesadelo dos países importadores, que começam a voltar os seus olhos para o Nordeste brasileiro. Especialmente os Estados Unidos e a Alemanha, que veem naquela outrora opulenta região campo propício para uma segura resistência à indústria britânica. Nesse sentido se estão procedendo a estudos metódicos e com um caráter e senso científico. É bem possível que, como sempre tem sucedido, o ruído que está fazendo no mundo o monopólio britânico nos desperte do letargo em que mergulhamos, hipnotizados pela miragem da nossa incomensurável riqueza.”

O ciclo econômico de exploração da borracha no Brasil se estendeu entre o fim da década de 1870 e o início da de 1910. O látex da seringueira da Amazônia teve grande demanda internacional, sobretudo pela indústria automobilística. Dessa forma, a Região Norte do país se integrou ao comércio global. O declínio do monopólio amazônico se deu a partir da década de 1910 com a crescente produtividade e rentabilidade da exploração britânica em suas colônias no Leste Asiático.

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Bajulação

“‘A Vanguarda’ publica hoje o seguinte comentário, sob o título ‘A mania de bajulação ao sr. Washington Luís’: ‘A princípio correu o boato de que o sr. Washington não gostava que lhe escrevessem o ‘Luís’ com Z. Imediatamente os luíses da política, das repartições públicas e os aficionados da politicagem, como homenagem ao futuro governo, mandaram o Z às urtigas e adotaram a grafia do sr. Washington. Um dia, o sr. Washington machuca o pé. Não tardaram os admiradores de s. excia. a procurar um motivo qualquer para mancar. Até o nosso chanceler apareceu com o pé machucado, tudo isso por solidariedade ao futuro sol. Doutra feita o ‘engrosso-cocus’ atribulou um respeitável cidadão residente em Niterói. Descobriram que ele tinha parentesco afastado com o sr. Washington e por isso o homem se viu abordado com as manifestações, os presentes, as visitas e os cumprimentos. O ‘engrosso-cocus’, micróbio da moda, continuou a contaminar meio mundo. A sua última manifestação é tão idiotamente entusiasta que toca às raias do absurdo. Foram descobrir que o sr. Washington, quando pequeno, cursara o Colégio Augusto, no Engenho Novo, aqui [Rio de Janeiro]. Para quê, santo Deus? Já andam por aí os antigos condiscípulos de s. excia. fazendo subscrição para homenagear o colega ilustre. Que impressão deve ter o sr. Washington de tal gente?!’”