Por: Notícias do Cerrado
A unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo encerrou seu primeiro ano completo de operação consolidando resultados acima das expectativas e se posicionando entre as plantas mais competitivas do mundo. Inaugurada em julho de 2024, a fábrica já nasce como referência global em escala, eficiência e desempenho industrial.
Com investimento de R$ 22,2 bilhões, dentro do chamado Projeto Cerrado, a planta é a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade instalada de 2,55 milhões de toneladas anuais. Em 2025, porém, a produção chegou a 2,58 milhões de toneladas, superando o volume nominal previsto.
O desempenho operacional chamou atenção também pela velocidade. A unidade atingiu a curva de aprendizagem em pouco mais de cinco meses, tempo significativamente inferior ao padrão histórico da indústria, e alcançou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas em menos de seis meses, um recorde no setor.
Arranque acelerado e operação estável
Outro indicador relevante foi a consistência operacional. Durante 30 dias consecutivos, a fábrica operou acima da capacidade nominal diária, estimada em 7.203 toneladas, mantendo estabilidade e previsibilidade nos processos.
O resultado é atribuído à combinação de tecnologia de ponta, integração entre áreas e preparação antecipada das equipes. Diferentemente de modelos tradicionais, a Suzano investiu em simuladores de operação antes do início das atividades, o que acelerou a adaptação dos profissionais.
A atuação integrada entre floresta, indústria e logística também foi decisiva. Esse modelo permitiu respostas rápidas a ajustes iniciais, comuns em operações dessa escala, sem comprometer o desempenho da planta.
Eficiência, energia e autossuficiência
A unidade de Ribas do Rio Pardo se destaca ainda pelo alto nível de autossuficiência. A planta produz insumos estratégicos como ácido sulfúrico, oxigênio e peróxido de hidrogênio, além de gerar energia renovável suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 2,3 milhões de habitantes.
Com excedente médio de aproximadamente 180 megawatts, parte da energia é destinada a fornecedores e o restante é exportado para o Sistema Interligado Nacional. Esse modelo reduz custos operacionais e reforça a sustentabilidade da operação.
Outro avanço importante está na substituição de combustíveis fósseis. A fábrica utiliza tecnologia de gaseificação de biomassa, capaz de reduzir em até 97% o uso de derivados de petróleo nos fornos de cal, com economia energética significativa.
Base florestal garante competitividade
A eficiência industrial é sustentada por uma base florestal robusta em Mato Grosso do Sul. A Suzano opera em uma área de aproximadamente 1,136 milhão de hectares, sendo 327 mil destinados à conservação ambiental.
A área plantada de eucalipto, próxima de 300 mil hectares, foi desenvolvida para garantir abastecimento contínuo à fábrica, com alto nível de controle genético e produtividade. O incremento médio anual pode superar 40 m³ por hectare, um dos mais elevados do mundo.
A logística também contribui para a competitividade. Com raio médio de abastecimento de 65 quilômetros, uso intensivo de transporte de alta capacidade e integração ferroviária até o Porto de Santos, a operação reduz custos e aumenta eficiência.
Sustentabilidade e impacto local
No campo ambiental, a unidade apresenta indicadores alinhados às melhores práticas globais. Mais de 85% da água utilizada é devolvida ao meio ambiente após tratamento, e não há envio de resíduos para aterros, graças ao reaproveitamento de subprodutos.
Além dos resultados industriais, o projeto tem impacto direto no desenvolvimento regional. Desde a implantação, mais de R$ 300 milhões foram investidos em infraestrutura, saúde, educação e segurança no município.
A fábrica também impulsionou a economia local, gerando mais de 5 mil empregos diretos e fortalecendo o comércio e o setor de serviços. Programas de qualificação profissional e apoio a pequenos negócios ajudaram a integrar a população à nova dinâmica econômica.
Novo patamar para a indústria
Com participação relevante na produção nacional, a unidade responde por cerca de 20% da produção total da Suzano e por um terço da celulose produzida no Brasil. Grande parte do volume é destinada aos mercados da China e Europa.
A expectativa da companhia é que o investimento seja amortizado em até sete anos. Apenas nos dois primeiros meses de 2025, a unidade gerou US$ 224 milhões em exportações, valor equivalente a várias vezes o orçamento anual do município.
Ao consolidar desempenho acima do projetado já no primeiro ano, a fábrica de Ribas do Rio Pardo redefine parâmetros da indústria de celulose e reforça o protagonismo do Mato Grosso do Sul no cenário global do setor.






