Celulose registra forte alta global com aperto na oferta

O mercado global de papel e celulose enfrenta um momento de forte valorização, impulsionado por uma combinação de restrições na oferta e demanda resiliente. De acordo com o monitor semanal do Santander, produtores da América do Norte anunciaram reajustes significativos para junho de 2026, especialmente no segmento de celulose fluff.

O cenário é marcado por fechamentos de fábricas importantes, como a unidade de Coosa Pines da Domtar, além de paralisações planejadas para manutenção que reduzem a disponibilidade do produto. Adicionalmente, as interrupções logísticas causadas pelo conflito no Oriente Médio continuam a pressionar os custos de frete e prazos de entrega.

Reajustes de preços ganham força no exterior

Grandes players globais já formalizaram aumentos que entram em vigor no próximo mês. Rayonier Advanced Materials anunciou altas entre US$ 55 e US$ 120 por tonelada para celulose fluff, marcando seu quarto reajuste apenas em 2026.

Domtar seguiu o movimento com aumentos de US$ 45/t para mercados emergentes, incluindo China e Ásia. Já a Graphic Packaging elevará em US$ 60/t os preços de suas linhas de papel cartão (boxboard) branqueados e não branqueados na América do Norte, refletindo o aperto contínuo no setor de embalagens.

Suzano e Klabin anunciam aumentos no Brasil

No mercado doméstico brasileiro, as gigantes do setor também ajustam suas tabelas para compensar a elevação dos custos operacionais e insumos.

  • Suzano: Implementará um aumento de 7% nas linhas de papelão (containerboard) a partir de 1º de junho. No mercado europeu, a companhia elevará em 6% os preços de papéis revestidos e não revestidos.
  • Klabin: Anunciou reajuste de 6,6% para todas as suas linhas de containerboard no Brasil, com validade também para junho. A medida visa mitigar os aumentos de custos acumulados desde o início de 2025.

A sensibilidade do setor é alta: conforme a análise do Santander, cada mudança de US$ 10 por tonelada nos preços da celulose impacta o EBITDA anual das empresas cobertas entre 1,5% e 2,0%.

Recorde histórico no setor de embalagens brasileiro

Um dado que chamou a atenção dos analistas foi o desempenho do papelão ondulado no Brasil. Dados preliminares da Empapel mostram que os embarques de abril totalizaram 358,8 mil toneladas, o nível mais alto para o mês desde o início da série histórica em 2005.

Ajustado sazonalmente, o volume atingiu o recorde histórico de 362,6 mil toneladas. Esse crescimento de 5,5% na comparação anual sinaliza um momento de forte tração para o setor de embalagens, impulsionado pelo consumo interno e possivelmente pela dinâmica do e-commerce.

Panorama na China e Europa

Apesar da euforia em outros mercados, os preços das fibras curtas (BHKP) e longas (NBSK) na China permaneceram estáveis na última semana, cotados a US$ 606/t e US$ 662/t, respectivamente. O gap de preços entre as fibras está em US$ 56/t, valor que permanece 61% abaixo da média histórica de cinco anos.

Na Europa, a dinâmica foi distinta: os preços da fibra curta saltaram US$ 37,62/t na semana, atingindo US$ 1.378/t, enquanto a fibra longa recuou marginalmente para US$ 1.654/t.