A produtividade florestal, o custo baixo de produção e investimentos em logística e modernização, entre outros fatores, tornaram o Brasil o maior exportador de celulose do mundo, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). De acordo com o órgão governamental, foram exportadas para o exterior, em 2025, 22,2 milhões de toneladas de celulose – 13% a mais do que em 2024.
“Temos uma das maiores produtividades florestais do mundo em eucalipto [fibra curta], o que reduz o custo de madeira por tonelada de celulose e sustenta a competitividade, mesmo em ciclos de preços mais fracos”, justifica Daniel Sasson, analista do Itaú BBA.
O Brasil é um dos principais fornecedores dos Estados Unidos. No setor de fibra curta (“hardwood”), tipicamente de eucalipto, aparece como líder de exportação para esse país com ampla folga. Estimativas de mercado indicam que respondemos por 82% do suprimento de celulose de fibra curta (“hardwood pulp”) importada pelos Estados Unidos. De acordo com o Mdic, os EUA são o segundo maior importador da celulose brasileira, seguido por Itália e Holanda. Em primeiro lugar está a China, destino de 48% das exportações brasileiras de celulose em 2025.
Somente para os EUA foram exportadas, em 2025, 2.968 milhões de toneladas, contra 2.999 de 2024, o que significa uma estabilidade de produção, segundo Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibrá). Em contrapartida, em valores de negócios, registrou-se uma queda de 21%. Em 2024 o montante de vendas para os EUA atingiu a casa de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, enquanto em 2025 computou-se cerca de US$ 1,3 bilhão. “Mesmo num quadro adverso da economia global, com o fato de ter perdido valor no ano passado, em relação a 2024, o setor conseguiu manter um bom desempenho”, assinala Hartung.
Essa queda de valores em 2025 pode ser atribuída também às medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos ao longo de 2025, conforme Paulo Feldmann, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). “As vendas de celulose para os Estados Unidos se reduziram em função do tarifaço anunciado pelo presidente Trump. A sobretaxa para o Brasil, que vigorou cerca de três meses em 2025, era de 30%. Nesse período, o Brasil decidiu paralisar as exportações, passando a fortalecer a venda de celulose para outros países, como a China”, argumenta.
Dados da Secex/Comex Stat apontam que o Brasil exportou no primeiro trimestre deste ano cerca de 755 mil toneladas para os Estados Unidos, o que significa uma queda de 1,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Em participação, os Estados Unidos representaram aproximadamente 14,3% do volume exportado pelo Brasil nos primeiros três meses deste ano, o que representa uma ligeira alta em relação ao computado no mesmo período de 2025.
Informações do relatório “Monitor do Comércio BR-EUA”, da Amcham, divulgado neste mês, mostram que no quadrimestre janeiro-abril de 2026 a queda das exportações do Brasil para os EUA foi de 9% em valores, na comparação com o mesmo período de 2025. Em contrapartida, a quantidade em toneladas exportadas aumentou 7,7%. “Esses números refletem as oscilações de preços, decorrentes do tarifaço do presidente Trump”, enfatiza Feldmann. “Essa redução das exportações no quadrimestre foi menor que os 16,7%, registrados no total das exportações dos dez produtos mais vendidos para os EUA em 2026.”
Entretanto, mostra o relatório, computando-se somente abril de 2026, na comparação com abril de 2025, o aumento foi de 31,89% em valores. E em quantidade exportada, 51%. “Podemos esperar que nos próximos meses deste ano haja uma recuperação de tal forma que no final de 2026 possamos esperar um desempenho bem mais parecido com o de 2025”, diz Feldmann.
Fonte: Valor Econômico






