Por Renato Zimmermann – Porto Alegre (RS) – Brasil
Em um mundo cada vez mais pressionado pelas mudanças climáticas, pela necessidade de segurança energética e pela busca por modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, um projeto em implantação no norte do Sri Lanka surge como um exemplo de como energia renovável, recuperação econômica e cooperação internacional podem caminhar lado a lado.
A iniciativa é liderada pela Sustainable Green Energy Ltd. (SGEL), empresa que pretende implantar uma usina de geração elétrica a biomassa com capacidade instalada de 10 MW na região de Vavuniya, abastecida por extensas plantações de bambu energético cultivadas especificamente para esse fim.
Muito além da simples produção de eletricidade, o empreendimento propõe a criação de uma cadeia econômica sustentável baseada na geração de energia renovável, na captura de carbono, na recuperação de áreas subutilizadas e na geração de emprego e renda para comunidades rurais.
O projeto vem despertando o interesse de investidores internacionais especializados em infraestrutura sustentável e fundos voltados à chamada economia verde, segmento que movimenta bilhões de dólares anualmente em busca de empreendimentos capazes de combinar retorno financeiro com benefícios ambientais e sociais.
Uma nova etapa para o Sri Lanka

Sri Lanka com 22 milhões de habitantes está se recuperando de tempos difíceis e precisa geração de energia elétrica.
Localizado no Oceano Índico, ao sul da Índia, o Sri Lanka é um país de aproximadamente 22 milhões de habitantes que possui uma história marcada por desafios e superação.
Após décadas de guerra civil encerrada em 2009, o país iniciou um amplo processo de reconstrução econômica e social. Nos anos seguintes, o turismo, a agricultura e os serviços passaram a impulsionar a recuperação nacional.
Entretanto, em 2022, o Sri Lanka enfrentou uma das maiores crises econômicas de sua história recente. A escassez de divisas, o aumento do endividamento externo, a inflação elevada e a falta de combustíveis evidenciaram a necessidade de fortalecer a segurança energética e ampliar investimentos produtivos capazes de reduzir a dependência de recursos importados.
Nesse contexto, projetos ligados à energia renovável passaram a ocupar posição estratégica no planejamento econômico do país.
A proposta desenvolvida pela Sustainable Green Energy se insere justamente nesse cenário, oferecendo uma alternativa capaz de gerar energia firme, estimular a economia regional e contribuir para as metas climáticas assumidas pelo Sri Lanka.
Energia produzida a partir do bambu

Produção de bambu é tradicional no Sri Lanka e garantirá o abastecimento para a geração de energia elétrica.
O coração do empreendimento é uma usina de biomassa de 10 MW que utilizará como combustível principal o Aakash Bambu (Bambusa balcooa), espécie reconhecida internacionalmente por sua elevada produtividade, rápido crescimento e excelente desempenho energético.
O modelo adotado busca solucionar um dos principais desafios dos projetos de biomassa: garantir o abastecimento contínuo da matéria-prima.
Para isso, o projeto prevê o desenvolvimento de aproximadamente 2.000 acres de plantações dedicadas ao cultivo do bambu energético na região de Mannar. A produção estimada é suficiente para abastecer integralmente a usina durante praticamente todo o ano operacional.
Segundo os estudos técnicos, a planta deverá consumir cerca de 77 mil toneladas anuais de biomassa e produzir aproximadamente 75.6 GWh de energia elétrica por ano, operando com fator de capacidade próximo de 90%, índice bastante elevado quando comparado a outras fontes renováveis.
Diferentemente das fontes intermitentes, como solar e eólica, a biomassa possui a vantagem de fornecer energia de forma contínua e controlada, contribuindo para a estabilidade da rede elétrica e para a segurança do abastecimento energético nacional.
A tecnologia prevista é baseada em caldeiras de biomassa e turbinas a vapor, sistema amplamente utilizado em diversos países e considerado altamente confiável para operações de geração contínua.
Benefícios ambientais
Os benefícios ambientais constituem um dos pilares centrais do empreendimento.
O bambu apresenta uma das maiores taxas de crescimento entre as plantas utilizadas comercialmente e possui elevada capacidade de captura de dióxido de carbono (CO₂).
Estudos associados ao projeto indicam que plantações maduras de Aakash Bamboo podem sequestrar entre 175 e 200 toneladas de CO₂ por hectare ao ano, transformando a iniciativa em uma importante ferramenta de mitigação climática.
Outro diferencial está no conceito de carbono renovável. O CO₂ liberado durante a geração de energia corresponde ao carbono previamente absorvido pelas plantações durante seu crescimento, criando um ciclo significativamente mais equilibrado quando comparado aos combustíveis fósseis.
Além disso, as cinzas geradas no processo de combustão poderão ser reaproveitadas como condicionadores de solo e fertilizantes minerais, fortalecendo uma lógica de economia circular e reduzindo a geração de resíduos.
A implantação das plantações também contribuirá para ampliar a cobertura vegetal de áreas atualmente subutilizadas, gerando benefícios ambientais adicionais relacionados à conservação do solo e à recuperação de ecossistemas degradados.
Desenvolvimento regional e inclusão econômica

Projeto já tem local para a planta industrial com tecnologia de última geração. A missão brasileira liderada pela JPG GROUP e Realize Negócios visa estruturar a captação dos fundos de investimentos verdes.
A proposta vai além da geração de energia.
A região de Vavuniya e seus arredores possuem forte vocação agrícola e enfrentam desafios históricos relacionados ao desenvolvimento econômico.
A implantação das plantações de bambu e da usina energética deverá criar uma nova cadeia produtiva regional, envolvendo agricultores, transportadores, operadores industriais, técnicos especializados e prestadores de serviços.
O projeto também prevê a participação de produtores locais no fornecimento complementar de biomassa, criando uma fonte adicional de renda para famílias rurais e ampliando os benefícios econômicos para as comunidades vizinhas.
Especialistas em desenvolvimento sustentável destacam que iniciativas dessa natureza costumam apresentar elevado potencial multiplicador, uma vez que combinam investimentos em infraestrutura com geração de empregos e fortalecimento da economia local.
Capital internacional impulsiona a transição energética
Projetos de infraestrutura sustentável exigem estruturas financeiras robustas e acesso a fontes de capital compatíveis com seus horizontes de maturação.
Foi justamente nesse contexto que ocorreu, em maio de 2026, uma missão técnica internacional ao Sri Lanka reunindo investidores, especialistas e profissionais ligados ao setor de energia renovável. O objetivo central foi a estruturação financeira do projeto e a aproximação com fundos internacionais especializados em investimentos sustentáveis.
Entre os participantes esteve o economista brasileiro Jaime Panerai Gavioli, sócio-fundador e presidente da JPG Group, um conglomerado empresarial com atuação diversificada. Panerai também responde pela Realize Negócios, subsidiária da JPG Group especializada em estruturação financeira, planejamento estratégico, desenvolvimento de negócios, captação de recursos para projetos de expansão empresarial, além de fusões e aquisições.
Panerai contou com o acompanhamento de Ramasubramanian Subramanian, diretor da SEGL. Reconhecido como um líder visionário em energia verde e desenvolvimento sustentável, Ram Subramanian possui ampla experiência na criação de soluções ambientais de impacto. Como CEO da Aakash Green, lidera iniciativas voltadas para energia renovável baseada em bambu, redução de carbono e resiliência climática. Sob sua orientação, a empresa expandiu projetos de plantio de bambu em regiões como África, Ásia e GCC, além de avançar em estratégias globais de descarbonização. Ram destacou estar muito satisfeito com a presença de sul-americanos, ressaltando que essa diversidade trouxe novas experiências e perspectivas valiosas para a viabilidade financeira e a captação de recursos do projeto.
A participação brasileira teve como objetivo contribuir para a modelagem financeira do empreendimento e apoiar a aproximação com fundos internacionais especializados em investimentos sustentáveis.
Conhecidos globalmente como green funds, ou fundos verdes, esses veículos financeiros direcionam recursos para projetos capazes de gerar impactos ambientais positivos mensuráveis, incluindo energia renovável, descarbonização da economia, eficiência energética e mitigação das mudanças climáticas.
Nas últimas duas décadas, os fundos verdes se tornaram protagonistas da transição energética global, mobilizando trilhões de dólares em investimentos destinados à construção de uma economia de baixo carbono.
A experiência da JPG Group

Foto em frente a Embaixada Brasileira no Sri Lanka – na capital do Sri Lanka, cidade de Colombo. A missão brasileira recebeu suporte diplomático para ajudar o desenvolvimento do País em recuperação econômica.
Sob a liderança de Panerai, a JPG Group vem consolidando sua atuação como conglomerado empresarial, conectando empreendedores, investidores institucionais e fontes internacionais de capital.
A subsidiária Realize Negócios, também dirigida por Panerai, é especializada em estruturação financeira, planejamento estratégico, desenvolvimento de negócios, captação de recursos para projetos de expansão empresarial, além de fusões e aquisições.
Reconhecido como um economista nexialista termo que ele próprio utiliza para se identificar, descrevendo profissionais que atuam como pontos de conexão entre diferentes ecossistemas de negócios, culturas e fontes de capital Panerai tem um olhar voltado para regiões que necessitam de energia como motor de geração de riquezas.
Para ele, projetos de infraestrutura energética não apenas fornecem eletricidade, mas criam condições para evitar o êxodo rural, gerar empregos e abrir oportunidades em comunidades locais, sempre com base em soluções limpas e sustentáveis.
Com experiência em M&A, valuation, modelagem financeira, business plans e engenharia financeira, Panerai participou de operações que superam US$ 500 milhões em crédito estruturado e investimentos. Sua capacidade de transitar por diferentes ecossistemas empresariais e internacionais reforça o papel da JPG Group e da Realize Negócios como agentes de impacto positivo, conectando capital global a projetos transformadores.
A atuação da empresa inclui a estruturação de funding internacional, operações de dívida corporativa, project finance, investimentos por participação societária (equity) e captação de recursos para projetos de infraestrutura, energia, indústria e agronegócio.
Segundo informações apresentadas pela companhia, a JPG Group possui acesso a linhas internacionais destinadas a projetos a partir de € 10 milhões, sem limite máximo pré-definido, sendo que operações de maior porte costumam apresentar condições ainda mais competitivas.
Dependendo da natureza do empreendimento, as estruturas podem ser desenvolvidas tanto na modalidade de funding integral quanto por meio de equity, permitindo adequar o modelo financeiro às características específicas de cada projeto.
Entre as condições normalmente avaliadas junto a investidores internacionais estão taxas anuais entre 3,75% e 4,75%, além de períodos de carência compatíveis com a implantação dos empreendimentos, possibilitando que projetos intensivos em capital atinjam maturidade operacional antes do início da amortização financeira.
Conexões que moldam o futuro da energia
O projeto da Sustainable Green Energy representa muito mais do que a construção de uma usina elétrica. Ele simboliza uma nova forma de pensar o desenvolvimento econômico, integrando produção de energia, agricultura sustentável, recuperação ambiental, inclusão social e financiamento climático.
Em um momento em que governos, investidores e empresas buscam soluções concretas para enfrentar os desafios da descarbonização, iniciativas como esta demonstram que a transição energética também pode gerar riqueza, empregos e desenvolvimento regional.
A participação de especialistas brasileiros como coestruturadores, ao lado de investidores internacionais, evidencia que a construção de uma economia de baixo carbono será cada vez mais um esforço global. Nesse processo, conhecimento técnico, inovação e capital precisam atuar de forma integrada para viabilizar projetos transformadores.
Depoimento de Panerai

“Acreditamos que o funding internacional deve ir muito além do financiamento de grandes projetos. Nosso compromisso é identificar iniciativas sólidas, sustentáveis e transformadoras, capazes de gerar empregos, impulsionar o desenvolvimento regional e promover uma nova matriz energética para o mundo. Buscamos conectar capital global a projetos que deixem um legado econômico, social e ambiental positivo, criando oportunidades para comunidades, fortalecendo empresas e contribuindo para uma economia mais limpa e eficiente. Cada operação que estruturamos representa um passo em direção a um futuro em que investimento e responsabilidade caminham juntos, beneficiando não apenas investidores, mas toda a sociedade.”
Depoimento de Ramasubramanian Subramanian

“Hoje é um dia histórico para o AAKASH Green Energy e para o futuro do desenvolvimento sustentável em nossa região. Receber a missão empresarial da América Latina e avançar na estruturação do funding internacional de US$ 330 milhões representa muito mais do que a viabilização de um grande projeto: simboliza a confiança de investidores globais no potencial do Sri Lanka e da África como protagonistas da nova economia verde.
Esta parceria permitirá transformar recursos naturais em energia limpa, gerar milhares de oportunidades de trabalho, fortalecer comunidades e impulsionar uma cadeia produtiva baseada na sustentabilidade e na inovação. Estamos construindo uma ponte entre continentes, unindo conhecimento, capital e propósito em favor de um futuro melhor.
Agradecemos à equipe da América Latina representada pela JPG GROUP pela dedicação, profissionalismo e visão estratégica. Temos convicção de que esta será a primeira de muitas operações que contribuirão para acelerar a transição energética e promover o desenvolvimento econômico em diversos países africanos e asiáticos. Juntos, estamos escrevendo uma nova página na história dos investimentos sustentáveis globais.”
Do bambu à energia: projeto no Sri Lanka une sustentabilidade, desenvolvimento econômico e capital internacional
Fonte: Energy Channel







