Líderes de empresas de florestas plantadas e biomassa debateram oferta e demanda, produtividade da silvicultura e inovação no setor
O segundo painel do primeiro dia do 2º BioComForest, realizado no dia 28 de julho na Unesp de Botucatu, reuniu cinco executivos de peso para um debate direto sobre os rumos da silvicultura e da biomassa no Brasil. Em entrevistas exclusivas, os líderes apontaram um cenário de madeira escassa nos próximos ciclos, preços sustentados pelo consumo e a urgência de reinvestir em tecnologia e produtividade.
Felipe Comelli (CEO da Comber): momento de reinvestir

Felipe Comelli abriu as entrevistas definindo o momento como “lei de mercado: oferta e procura”. Ele lembrou que a floresta leva tempo para ficar pronta e que as indústrias aqueceram mais rápido do que a maturação dos plantios. “Nos próximos 6, 7 anos, vamos viver grandes desafios para a indústria consumidora, mas para o produtor florestal são bons preços, sustentados pelo consumo”, afirmou. Para ele, a oportunidade é agora: reinvestir, aproveitar os bons valores e melhorar a tecnologia. Comelli também lançou uma provocação ao setor: modelar o silvicultor como o agricultor de grãos — soja e milho — que saltou em produtividade, enquanto a silvicultura ainda “patina” na otimização de área plantada e ganho por hectare.
Paulo Monteiro (gerente de florestas da Eucatex): escassez e melhoramento genético

Paulo Monteiro projetou as tendências para o próximo ciclo, de 6 a 7 anos: manutenção da falta de madeira e preços ainda maiores em relação aos praticados hoje. Ele defendeu as decisões já em curso nas empresas, como criar um “buffer”, um pulmão de área — plantando um pouco mais do que o necessário para o manejo — e o investimento em melhoramento genético para ganhar incremento. “Produzir mais com menos espaço”, resumiu, na aposta de que isso amenize e equalize a questão de oferta e demanda no próximo ciclo.
Maycon Pereira (CEO da Máquina Solo): resíduos que viram biomassa

Maycon Pereira apresentou o trabalho com diversos tipos de resíduos florestais e de madeira. Como exemplo, citou a casca de eucalipto triturada dentro da indústria de papel e celulose, transformada em biomassa de qualidade que as próprias plantas reaproveitam. A empresa também atua com tocos e raízes de eucalipto, processados por um triturador de fabricação norte-americana, além de resíduos de embalagens de madeira e de obras — todos convertidos em biomassa energética.
Anthony Andrade (CGOO da Forestoken): tecnologia a favor do gestor

Anthony Andrade apresentou um portfólio de soluções baseadas em dados e inteligência artificial. A Forestoken oferece um aplicativo que permite aos consumidores identificar onde estão os maciços florestais e avaliar se é competitivo e viável buscar madeira naquela região, com detecção automática dos plantios e bases de dados que identificam os proprietários para a aproximação comercial. Há ainda uma plataforma de comercialização em que produtor e consumidor se encontram para negociações juridicamente seguras, com todos os parâmetros registrados em blockchain — o que torna o contrato seguro e imutável. No campo da gestão, a empresa desenvolveu um software florestal baseado em IA que “trabalha para o gestor”: basta pedir em linguagem natural — quanto custa a floresta, se o plantio está atrasado ou no prazo — sem a necessidade de treinamento ou de uma equipe dedicada. Ele também defendeu a abertura do setor a “entrantes” de outros segmentos, para trazer novas práticas, como a agricultura fez, e aplicá-las na silvicultura.
Admaury Andrade (diretor da Verde Floresta): cooperativismo como caminho

Admaury Andrade chamou a atenção para a reforma tributária, que deve impactar fortemente o produtor, e defendeu o papel das cooperativas em atualizar, qualificar e dar oportunidade à produção. “Isolado, o produtor negocia sozinho; dentro da cooperativa, ele consegue uma melhor colaboração”, destacou.
O 2º BioComForest foi uma realização da Paulo Cardoso Comunicações. Para assistir ao vídeo completo das entrevistas, clique no link do YouTube: https://youtu.be/jcfcZmf3Hi4
Redação Mais Floresta






