Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos

Fonte – Perfil News

Em Três Lagoas, Suzano e Eldorado produzem juntas 5,05 milhões de toneladas de celulose por ano e sustentam uma cadeia de milhares de empregos que mantém a economia três-lagoense aquecida mesmo diante das turbulências nacionais

Enquanto parte do Brasil convive com empresas em dificuldades, demissões, endividamento e recuperações judiciais, Três Lagoas segue na direção oposta. Suzano e Eldorado Brasil formam uma engrenagem econômica que produz 5,05 milhões de toneladas de celulose por ano, mantém milhares de trabalhadores e espalha seus efeitos por fornecedores, comércio, hotéis, transportadoras, construção civil e serviços. Os números enviados pelas próprias companhias revelam por que a celulose se tornou um dos grandes pilares de sustentação da economia três-lagoense

Há um Brasil que fecha portas, corta postos de trabalho, renegocia dívidas e acompanha com preocupação empresas tradicionais entrando em processos de reestruturação.

E existe Três Lagoas.

No município sul-mato-grossense, em meio às incertezas que atingem diferentes setores da economia nacional, uma gigantesca engrenagem continua girando dia e noite. Dela saem milhões de toneladas de celulose destinadas ao Brasil e ao exterior. Mas, ao redor dela, circula algo ainda mais importante para quem vive aqui: emprego, salário, investimento, contratos, impostos e oportunidades.

Essa engrenagem tem dois nomes gigantes: Suzano e Eldorado Brasil.

As respostas encaminhadas pelas duas companhias ao questionário enviado pelo Perfil News ajudam a colocar em números uma transformação que Três Lagoas percebe diariamente nas ruas.

Somadas, as fábricas instaladas no município possuem capacidade para produzir 5,05 milhões de toneladas de celulose por ano: são 3,25 milhões de toneladas das duas fábricas da Suzano e aproximadamente 1,8 milhão de toneladas produzidas pela Eldorado Brasil.
São 5 bilhões e 50 milhões de quilos de celulose por ano.

Uma produção de escala mundial concentrada em um único município.

Mas a verdadeira dimensão dessa indústria começa a aparecer quando se deixa de contar toneladas e se passa a contar pessoas.

Milhares de empregos antes mesmo de calcular o efeito multiplicador

A Eldorado Brasil informou ao Perfil News possuir atualmente 3.300 colaboradores diretos em Três Lagoas. Quando são consideradas também suas operações em Selvíria, Água Clara, Inocência, Bataguassu e Andradina, são outros 1.855 profissionais, chegando a 5.155 funcionários próprios ativos na região.

A Suzano, por sua vez, informou que mantém cerca de 6 mil postos de trabalho, entre colaboradores próprios e terceiros, somente para atender sua Unidade de Três Lagoas. Considerando também Ribas do Rio Pardo, são aproximadamente 9 mil empregos entre próprios e terceirizados em Mato Grosso do Sul.

Isso significa que, tomando apenas os 6 mil postos informados pela Suzano em Três Lagoas e os 3.300 empregados próprios da Eldorado no município, as duas operações representam pelo menos 9,3 mil postos e empregos diretamente ligados às estruturas produtivas locais, embora as categorias informadas pelas empresas sejam diferentes — a Suzano inclui próprios e terceiros, enquanto o número da Eldorado se refere a funcionários próprios.

É uma população inteira trabalhando em torno de duas gigantes industriais.

E isso é apenas o começo.

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
A atuação da Eldorado Brasil movimenta uma ampla cadeia de fornecedores, prestadores de serviços e parceiros, superando a casa dos 15 mil empregos indiretos (Foto: Assessoria)

A indústria termina no portão da fábrica. O emprego, não.

A força econômica da celulose não pode ser medida apenas pelo número de crachás das duas companhias.

A Eldorado informou que sua operação movimenta mais de 15 mil empregos indiretos em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente 10 mil somente em Três Lagoas. São trabalhadores vinculados à extensa cadeia de fornecedores, prestadores de serviços e empresas parceiras necessária para manter a operação funcionando.

A companhia mantém uma rede de mais de 15 mil fornecedores e prestadores de serviços, priorizando, sempre que possível, empresas locais e regionais.

Do lado da Suzano, o efeito econômico é ainda mais amplo quando se considera o chamado efeito-renda.

Estudo realizado em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em 2021 e citado pela companhia em sua resposta ao Perfil News, estimou que, para cada colaborador próprio da Suzano, a empresa contribui para a geração de até 15,5 outros postos de trabalho na economia local.

O resultado estimado chega a 69,3 mil empregos entre diretos, indiretos e efeito-renda relacionados à presença da Suzano em Três Lagoas. Considerando também Ribas do Rio Pardo, a empresa informa que o impacto pelo efeito-renda pode alcançar 130 mil empregos em Mato Grosso do Sul.

Os números da Suzano e da Eldorado não podem simplesmente ser somados como se utilizassem a mesma metodologia — o levantamento da Suzano inclui efeito-renda e pode alcançar trabalhadores e atividades econômicas que também tenham relação com a cadeia da Eldorado.

Ainda assim, eles mostram uma dimensão impressionante: a influência econômica das duas empresas alcança dezenas de milhares de postos de trabalho em Três Lagoas e na região.

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
Foto registrada no refeitório da Eldorado Brasil que gera 5.155 empregos diretos na região, sendo 3.300 em Três Lagoas e 1.855 nos municípios vizinhos (Foto: Ricardo Ojeda/Perfil News)

Se fosse feita uma soma meramente aritmética dos 69,3 mil empregos estimados pelo estudo apresentado pela Suzano com os 3,3 mil empregos próprios e aproximadamente 10 mil indiretos informados pela Eldorado para Três Lagoas, chegar-se-ia a 82,6 mil postos de trabalho ou impactos sobre o emprego. Esse número, porém, não deve ser apresentado como total consolidado de empregos distintos, porque as metodologias são diferentes e pode existir sobreposição entre as cadeias.

O que não deixa margem para dúvida é a escala.

A celulose sustenta uma gigantesca rede de trabalho em Três Lagoas.

R$ 1,7 bilhão em fornecedores locais: o dinheiro que sai da fábrica e entra na cidade

A riqueza produzida pela celulose não permanece dentro das fábricas.

Ela se espalha.

Entre 2021 e 2025, segundo a Suzano, suas operações movimentaram aproximadamente R$ 13,3 bilhões em contratos com fornecedores de bens e serviços.

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
A força do setor de celulose também impulsiona novos investimentos em Três Lagoas. Atraída pelo crescimento econômico e pela demanda gerada pelas empresas do segmento, a concessionária Volvo Rivesa foi inaugurada no município em 11 de novembro de 2020. A unidade marcou um momento histórico para a Volvo, tornando-se a 100ª concessionária de caminhões e ônibus da marca no Brasil e reforçando a expansão da cadeia de negócios e serviços ligada ao desenvolvimento industrial da região (Foto: Paulo/Perfil News)

Somente em 2025, 532 fornecedores locais atenderam à Unidade de Três Lagoas, movimentando aproximadamente R$ 1,7 bilhão. Considerando também Ribas do Rio Pardo, foram 824 fornecedores distintos no Estado e R$ 3,7 bilhões movimentados em 2025.

R$ 1,7 bilhão em um único ano significa, em média, aproximadamente R$ 141,7 milhões por mês em contratos com fornecedores relacionados à operação três-lagoense da Suzano.

É aí que se entende por que uma fábrica de celulose não movimenta somente celulose. Ela movimenta caminhões; máquinas, oficina, peças, combustíveis, restaurantes, hotéis, imóveis, transportadoras, engenharia, tecnologia, construção, comércio, prestação de serviços e principalmente, pessoas.

É a ciranda positiva da economia

O trabalhador recebe seu salário e vai ao supermercado.

O empresário contratado pela indústria aumenta sua equipe.

A transportadora compra caminhões.

A oficina contrata mecânicos.

O hotel recebe profissionais que chegam para uma parada de manutenção.

O restaurante vende mais refeições.

O posto vende mais combustível.

Uma família aluga uma casa.

Outra compra um imóvel.

Uma construtora lança empreendimento.

Novos loteamentos aparecem.

Uma empresa especializada percebe demanda e decide abrir uma filial em Três Lagoas.

E o ciclo recomeça.

É uma ciranda econômica positiva, alimentada por uma atividade industrial capaz de irradiar seus efeitos por praticamente todos os setores da cidade.

Essa capacidade de atração ajuda a explicar a presença de empresas especializadas em máquinas, equipamentos, manutenção, transporte e operações florestais que encontraram no chamado Vale da Celulose um mercado suficientemente grande para justificar investimentos permanentes.

Suzano responde por 67% do PIB industrial de Três Lagoas, aponta estudo citado pela empresa

Talvez um único número seja suficiente para demonstrar o tamanho dessa dependência — e também dessa fortaleza econômica.

Segundo a Suzano, estudo realizado em parceria com a FGV, com dados divulgados em 2021, apontou que a companhia respondia por aproximadamente 67% do PIB industrial de Três Lagoas.

O mesmo levantamento estimou os já citados 69,3 mil empregos entre diretos, indiretos e efeito-renda.

Dois terços do PIB industrial associados a uma única companhia ajudam a explicar por que a celulose deixou de ser apenas mais um setor econômico para assumir uma posição estrutural na cidade.

E ao lado da Suzano está a Eldorado Brasil, com seus 1,8 milhão de toneladas anuais, milhares de trabalhadores próprios e uma cadeia que, segundo a empresa, supera 15 mil empregos indiretos em Mato Grosso do Sul.

Juntas, elas transformaram Três Lagoas em uma cidade cuja economia conversa diretamente com o mercado mundial.

Uma cidade protegida por uma indústria exportadora

O contraste com o ambiente de incerteza econômica nacional fica ainda mais evidente.

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
Novo investimento reforça a geração de empregos em Três Lagoas. O Centro de Serviços que a Andritz está construindo às margens da BR-158 gera cerca de 200 empregos durante a fase de construção e deverá criar mais de 130 postos de trabalho permanentes após a conclusão, fortalecendo a cadeia industrial e contribuindo para o desenvolvimento econômico do município e da região (Foto: Paulo/Perfil News)

O próprio questionário encaminhado às empresas tratou desse cenário: enquanto diferentes municípios enfrentam perda de empregos e redução da atividade econômica, qual é o papel da celulose para preservar estabilidade e oportunidades?

A resposta da Suzano foi clara.

Para a companhia, “o setor de celulose tem se mostrado um pilar sólido da economia brasileira” e, em Três Lagoas e nos municípios vizinhos, essa força representa estabilidade e segurança para a economia local, com geração constante de empregos, movimentação da cadeia produtiva e atração de investimentos mesmo em momentos de incerteza.

A avaliação da Eldorado segue na mesma direção.

Segundo a empresa, o setor possui papel estratégico na economia brasileira e especialmente em Mato Grosso do Sul, impulsionando investimentos, exportações, empregos e desenvolvimento regional. A companhia destaca ainda que a cadeia florestal ajuda na diversificação econômica e fortalece o ambiente de negócios.

É exatamente aí que Três Lagoas destoa.

Enquanto muitos municípios brasileiros temem perder uma grande empresa, Três Lagoas convive com duas gigantes de escala mundial e com uma cadeia produtiva que continua demandando trabalhadores, fornecedores e qualificação.

O problema de Três Lagoas é outro: falta gente qualificada

Existe um dado particularmente simbólico nas respostas das empresas.

Quando questionadas sobre os principais desafios para os próximos anos, ambas apontaram uma questão semelhante: mão de obra qualificada.

A Eldorado afirma que atualmente sua maior complexidade é justamente a contratação de profissionais qualificados.

A Suzano também identifica a qualificação da mão de obra local como desafio para todo o setor florestal e, por isso, mantém programas próprios e parcerias para formação profissional.

É um contraste poderoso.

Em meio a um ambiente nacional no qual o medo do desemprego acompanha milhares de famílias, uma das maiores dificuldades do principal setor econômico de Três Lagoas é encontrar trabalhadores suficientemente qualificados para ocupar determinadas funções.

As empresas passaram, inclusive, a investir diretamente na formação dessas pessoas.

A Eldorado registrou mais de 386 mil horas de capacitação somente em 2025, mantendo programas que vão da formação florestal à preparação de jovens, estagiários, aprendizes e lideranças.

A Suzano informa que mais de 1,4 mil profissionais já foram capacitados em suas diferentes iniciativas, incluindo parcerias com o Senai para formar operadores de máquinas, mecânicos e profissionais das áreas de silvicultura, colheita, mecânica, elétrica, automação e química.

A indústria, portanto, não apenas procura mão de obra.

Ela ajuda a formá-la.

93,44% da mão de obra da Eldorado é local

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Outro número reforça a importância dessa riqueza permanecer na região.

Segundo a Eldorado Brasil, 93,44% de seus colaboradores são de origem local.

Isso significa que a maior parte dos salários pagos pela companhia não vai embora; permanece nas cidades, transforma-se em consumo, moradia, educação, alimentação, serviços, lazer, patrimônio, qualidade de vida e volta a movimentar a economia regional.

E se Suzano e Eldorado parassem amanhã?

É uma hipótese extrema.

Mas talvez seja a maneira mais simples de compreender o que essas duas empresas representam.

Imagine, por um instante, as máquinas desligadas; os caminhões parados, as florestas sem colheita, fábricas sem trabalhadores, transportadoras sem contratos, hotéis sem os profissionais das grandes paradas industriais, restaurantes perdendo clientes, postos vendendo menos combustível, oficinas sem equipamentos para reparar, fornecedores perdendo contratos, mercado imobiliário sentindo a queda da demanda, comércio vendo milhares de salários desaparecerem, arrecadação pública sendo atingida.

Com isso o choque não ficaria dentro das fábricas, ele atravessaria Três Lagoas inteira.

Isso não significa que a cidade não possua outras forças econômicas. Possui comércio, serviços, pecuária, agricultura, outras indústrias e um empresariado diversificado.

Mas retirar abruptamente a celulose da equação significaria retirar uma das principais colunas que sustentam a economia regional.

E essa potência ainda continua investindo

A engrenagem também não está parada.

No primeiro semestre de 2026, a Suzano informou ter investido R$ 25 milhões na modernização de sua segunda fábrica em Três Lagoas, com implantação de uma nova planta de licor branco oxidado para ampliar eficiência e reduzir consumo de insumos.

A Eldorado, por sua vez, afirma avaliar continuamente novas oportunidades de investimentos voltadas ao crescimento sustentável, eficiência operacional e geração de valor para as comunidades onde atua.

Ou seja: não estamos falando apenas de uma riqueza construída no passado.

Estamos falando de uma cadeia que continua recebendo capital, tecnologia e qualificação.

Muito além da fábrica

Há ainda uma dimensão que não aparece diretamente na produção industrial.

As duas empresas passaram a exercer papel relevante em projetos sociais, ambientais e de geração de renda.

A Eldorado mantém mais de 106 mil hectares exclusivamente destinados à conservação ambiental e informa que seu Programa Eldorado de Sustentabilidade alcança anualmente mais de 55 mil pessoas.

A companhia também apoia iniciativas de empreendedorismo rural e agricultura sustentável. Em 2025, adquiriu aproximadamente 20 toneladas de alimentos de pequenos produtores locais para seus refeitórios e realizou conservação de 289 quilômetros de estradas rurais.

A Suzano, por sua vez, informa possuir 327 mil hectares destinados exclusivamente à conservação em Mato Grosso do Sul, onde mais de 1.500 espécies de fauna e flora já foram catalogadas.

No campo social, a companhia afirma que suas iniciativas contribuíram para que 32,7 mil pessoas superassem a linha da pobreza em Mato Grosso do Sul entre 2020 e 2025, sendo 9.387 somente em 2025.

Além disso, a Suzano informa investir voluntariamente mais de R$ 5 milhões por ano em projetos sociais, alcançando mais de 20 municípios sul-mato-grossenses.

Três Lagoas encontrou na celulose sua grande muralha econômica

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
Fardos de celulose produzida pela Eldorado Brasil e exportado para o mercado asiático (Foto: Assessoria)

Em um país continental, crises nunca atingem todas as regiões com a mesma intensidade.

Existem municípios que dependem do comércio.

Outros, do agronegócio.

Alguns, do turismo.

Três Lagoas encontrou na indústria — e particularmente na celulose — uma de suas maiores fortalezas.

São 5,05 milhões de toneladas de capacidade produtiva anual somente nas fábricas de Suzano e Eldorado instaladas no município.

São 3.300 empregados próprios da Eldorado em Três Lagoas, chegando a 5.155 em sua operação regional.

São cerca de 6 mil postos de trabalho entre próprios e terceiros ligados à unidade três-lagoense da Suzano.

São aproximadamente 10 mil empregos indiretos atribuídos pela Eldorado à sua cadeia somente em Três Lagoas.

São 69,3 mil empregos diretos, indiretos e de efeito-renda estimados pelo estudo apresentado pela Suzano para sua presença no município.

São 532 fornecedores locais da Suzano movimentando aproximadamente R$ 1,7 bilhão em apenas um ano.

É uma dimensão econômica que ajuda a explicar por que Três Lagoas consegue respirar de maneira diferente em momentos de incerteza.

Três Lagoas desafia a crise: gigantes da celulose sustentam empregos, fortalecem a economia e impulsionam novos investimentos
A expansão do setor florestal segue atraindo novos investimentos para Três Lagoas. Inaugurada em 1º de abril de 2026, a nova unidade da divisão florestal da John Deere possui mais de 2.500 m² de área construída, com oficina dedicada, amplo estoque de peças, salas de treinamento e centro de soluções integrado. A estrutura reforça a presença da marca na região e acompanha o crescimento da cadeia florestal no município (Foto: Paulo/Perfil News)

Os próprios dados fornecidos pelas companhias mostram que a intenção de retratar Três Lagoas como um município que destoa do cenário econômico adverso está diretamente ligada à escala da celulose, à geração de empregos e à atração de empresas e renda para a cidade.

Enquanto o Brasil olha para a crise, Três Lagoas olha para as chaminés

No horizonte três-lagoense, as chaminés das fábricas representam muito mais do que produção industrial.

Para milhares de famílias, representam salário no final do mês.

Para centenas de empresários, representam contratos.

Para jovens que entram em cursos profissionalizantes, representam uma possibilidade de carreira.

Para hotéis, restaurantes, oficinas, postos, transportadoras e comerciantes, representam clientes.

Para o poder público, representam atividade econômica e arrecadação.

Para Mato Grosso do Sul, representam exportação, industrialização e desenvolvimento.

E para Três Lagoas representam algo ainda maior: segurança econômica em meio à incerteza.

É claro que nenhuma cidade deve depender eternamente de um único segmento e que diversificar a economia continua sendo estratégico. Também é necessário separar com rigor empregos próprios, terceirizados, indiretos e aqueles calculados pelo efeito-renda para não transformar estimativas econômicas em números absolutos.

Mas há uma conclusão que os dados das duas empresas tornam difícil contestar:

se a celulose espirra, Três Lagoas sente. Se a celulose cresce, Três Lagoas cresce junto.

Suzano e Eldorado Brasil construíram ao redor de suas fábricas uma cadeia que ultrapassou os limites dos complexos industriais e se espalhou pela cidade, pelo campo e pelos municípios vizinhos.

A celulose está no caminhão que cruza a rodovia.

No mecânico contratado.

No quarto de hotel ocupado.

Na refeição vendida.

Na máquina nova adquirida por um fornecedor.

No profissional treinado.

No jovem que conquista o primeiro emprego.

Na família que compra sua casa.

No empresário que decide investir.

No imposto que retorna aos cofres públicos.

É uma riqueza que começa no eucalipto, passa pela fábrica, cruza o mundo em forma de celulose e, antes disso, deixa em Três Lagoas uma extensa trilha de empregos, renda e desenvolvimento.

Enquanto parte do país atravessa turbulências, Três Lagoas segue com os motores ligados.

E, no coração dessa potência econômica, estão duas gigantes que ajudam a explicar por que, mesmo quando nuvens carregadas pairam sobre a economia brasileira, a Capital Mundial da Celulose ainda consegue olhar para o horizonte e enxergar céu de brigadeiro.