Aos 49 anos, MS tem a 5ª menor taxa de desemprego e vê a celulose mudar o mapa do trabalho

Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11) com um dos mercados de trabalho mais aquecidos do país.

No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 2,7%, segundo a PNAD Contínua do IBGE. É a quinta menor entre as 27 unidades da federação, atrás de Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%) e Rondônia (2,6%). No mesmo período de 2025, a taxa era de 2,9%, e no primeiro trimestre deste ano, de 3,8%.

A taxa mede quem procurou emprego e não encontrou. Outros dois números da mesma pesquisa ajudam a entender a qualidade desse trabalho. A informalidade, que reúne quem trabalha sem carteira assinada ou sem CNPJ, ficou em 29,2%, a terceira menor do país, atrás apenas de Santa Catarina (25,4%) e do Distrito Federal (28,7%). O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.840 por mês, o nono maior do Brasil e acima da média nacional, de R$ 3.738.

A carteira assinada segue crescendo

De janeiro a julho, o Estado abriu 19.258 vagas formais a mais do que fechou, segundo o Novo Caged, do Ministério do Trabalho, em dados divulgados pela Semadesc. Foram 260.856 contratações e 241.598 desligamentos.

Em agosto vieram mais 1.208 postos, e o total de trabalhadores com carteira chegou a 685.345. Somados os meses, o saldo do ano passa de 20,4 mil vagas, conta feita por A Crítica com os números mensais, que ainda podem ser revisados pelo ministério.

O mapa dessas vagas mostra para onde a economia está andando. Em julho, a cidade que mais gerou empregos formais foi Inocência, no leste do Estado, com saldo de 923 vagas. É a cidade que sedia a obra da fábrica de celulose da Arauco. Em agosto, a liderança ficou com Três Lagoas (785), seguida por Campo Grande (435) e Chapadão do Sul (307). Nos dois meses, construção e serviços puxaram as contratações, enquanto a indústria geral, que no Caged não inclui a construção, fechou mais vagas do que abriu: menos 556 em julho e menos 325 em agosto.

A celulose redesenhou o leste do Estado

A maior aposta industrial dos últimos anos está nas fábricas de celulose. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano começou a operar em 21 de julho de 2024 uma fábrica com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.

Mato Grosso do Sul completa 49 anos com desemprego baixo, crescimento das vagas formais, aumento da renda e grandes investimentos industriais – (Foto: Divulgação)

O investimento informado pela empresa é de R$ 22,2 bilhões, sendo R$ 15,9 bilhões na fábrica e R$ 6,3 bilhões em plantio e logística. Segundo a empresa e o governo estadual, a obra chegou a ter mais de 10 mil empregados no pico, e a operação emprega cerca de 3 mil pessoas, entre próprios e terceirizados. A unidade já aparece no resultado trimestral da companhia.

Em Inocência, a Arauco ergue o Projeto Sucuriú. Segundo a empresa, são US$ 4,6 bilhões de investimento e capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. O canteiro pesa no emprego de todo o Estado: entre janeiro e julho, 4.691 do saldo de 10.125 vagas da indústria sul-mato-grossense, ou 46%, saíram de Inocência, segundo o Observatório da Indústria da Fiems, que conta as obras industriais nessa conta. A Arauco prevê iniciar a operação no fim de 2027, como A Crítica mostrou em setembro. A celulose já responde por 26% das exportações do Estado em 2026, atrás apenas da soja.

Crescimento acima da média nacional

O efeito aparece no Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o Estado produz. Pelas Contas Regionais do IBGE, cujo dado mais recente é de 2023, a economia de Mato Grosso do Sul somou R$ 184,4 bilhões, a 15ª do país. O crescimento real naquele ano foi de 13,4%, o segundo maior do Brasil, atrás apenas do Acre (14,7%), enquanto o país cresceu 3,2%. O PIB por habitante, de R$ 66.884,75, é o sexto maior entre os estados.

O desafio dos próximos anos é manter esse ritmo quando as grandes obras terminarem. Pelos números da própria Arauco, a fábrica de Inocência deve empregar cerca de 6 mil pessoas em operação, menos da metade dos 14 mil trabalhadores previstos no pico da obra. O saldo negativo da indústria geral em julho e agosto, nos dados do Caged, é um sinal a acompanhar, e a qualificação de quem vai trabalhar nas fábricas prontas passa a pesar tanto quanto o volume de investimento anunciado.

Em agosto vieram mais 1.208 postos, e o total de trabalhadores com carteira chegou a 685.345. Somados os meses, o saldo do ano passa de 20,4 mil vagas, conta feita por A Crítica com os números mensais, que ainda podem ser revisados pelo ministério.

O mapa dessas vagas mostra para onde a economia está andando. Em julho, a cidade que mais gerou empregos formais foi Inocência, no leste do Estado, com saldo de 923 vagas. É a cidade que sedia a obra da fábrica de celulose da Arauco. Em agosto, a liderança ficou com Três Lagoas (785), seguida por Campo Grande (435) e Chapadão do Sul (307). Nos dois meses, construção e serviços puxaram as contratações, enquanto a indústria geral, que no Caged não inclui a construção, fechou mais vagas do que abriu: menos 556 em julho e menos 325 em agosto.

A celulose redesenhou o leste do Estado

A maior aposta industrial dos últimos anos está nas fábricas de celulose. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano começou a operar em 21 de julho de 2024 uma fábrica com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano.

Mato Grosso do Sul completa 49 anos com desemprego baixo, crescimento das vagas formais, aumento da renda e grandes investimentos industriais – (Foto: Divulgação)

O investimento informado pela empresa é de R$ 22,2 bilhões, sendo R$ 15,9 bilhões na fábrica e R$ 6,3 bilhões em plantio e logística. Segundo a empresa e o governo estadual, a obra chegou a ter mais de 10 mil empregados no pico, e a operação emprega cerca de 3 mil pessoas, entre próprios e terceirizados. A unidade já aparece no resultado trimestral da companhia.

Em Inocência, a Arauco ergue o Projeto Sucuriú. Segundo a empresa, são US$ 4,6 bilhões de investimento e capacidade para 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. O canteiro pesa no emprego de todo o Estado: entre janeiro e julho, 4.691 do saldo de 10.125 vagas da indústria sul-mato-grossense, ou 46%, saíram de Inocência, segundo o Observatório da Indústria da Fiems, que conta as obras industriais nessa conta. A Arauco prevê iniciar a operação no fim de 2027, como A Crítica mostrou em setembro. A celulose já responde por 26% das exportações do Estado em 2026, atrás apenas da soja.

Crescimento acima da média nacional

O efeito aparece no Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o Estado produz. Pelas Contas Regionais do IBGE, cujo dado mais recente é de 2023, a economia de Mato Grosso do Sul somou R$ 184,4 bilhões, a 15ª do país. O crescimento real naquele ano foi de 13,4%, o segundo maior do Brasil, atrás apenas do Acre (14,7%), enquanto o país cresceu 3,2%. O PIB por habitante, de R$ 66.884,75, é o sexto maior entre os estados.

O desafio dos próximos anos é manter esse ritmo quando as grandes obras terminarem. Pelos números da própria Arauco, a fábrica de Inocência deve empregar cerca de 6 mil pessoas em operação, menos da metade dos 14 mil trabalhadores previstos no pico da obra. O saldo negativo da indústria geral em julho e agosto, nos dados do Caged, é um sinal a acompanhar, e a qualificação de quem vai trabalhar nas fábricas prontas passa a pesar tanto quanto o volume de investimento anunciado.

Em números: O trabalho em MS em 2026

Desocupação – 2,7% no 2º trimestre, 5ª menor do país (IBGE)

Informalidade – 29,2%, 3ª menor do país (IBGE)

Renda média – R$ 3.840 por mês, 9ª maior; Brasil: R$ 3.738 (IBGE)

Vagas formais – 19.258 de janeiro a julho e 1.208 em agosto (Novo Caged)

Carteira assinada- 685.345 trabalhadores em agosto (Novo Caged)

PIB 2023- R$ 184,4 bilhões, alta real de 13,4% (IBGE)

Indústria jan-jul -46% do saldo de vagas da indústria, incluindo obras, veio de Inocência (Fiems)+ Entenda os termos

Fontes: IBGE (PNAD Contínua, 2º trimestre de 2026; Contas Regionais 2023) e Novo Caged/MTE, com dados divulgados pela Semadesc. Investimentos e empregos das fábricas são informados pelas empresas.