Relatório da Ibá mostra 92% de energia renovável, estoque de 5,1 bilhões de toneladas de CO₂e e apenas 1,4% dos resíduos indo para aterros
Um dos números mais emblemáticos do Relatório Anual 2026 da Ibá é simples de enunciar: para cada hectare de árvore plantada, o setor mantém em pé quase 0,67 hectare de vegetação nativa. Ao todo, são 7,15 milhões de hectares de áreas conservadas — um patrimônio que cresceu continuamente de 6,67 milhões de hectares em 2022 até o recorde atual, incluindo 39,8 mil hectares de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural).
Essas áreas guardam uma biodiversidade rara de quantificar: mais de 8.310 espécies já registradas nas Unidades de Manejo Florestal, sendo 5.400 de flora (13,9% de todas as espécies catalogadas no Brasil) e 2.800 de fauna. O monitoramento é sistemático — 89% das empresas acompanham a fauna e 78% a flora em suas operações, e 70% mantêm programas de apicultura.
Na gestão da água, os indicadores apontam ganhos históricos: a produção de celulose reduziu o consumo hídrico em 84% desde a década de 1970, e as fábricas integradas devolvem ao meio ambiente 99% da água que captam. Nas unidades de papel e embalagens, o índice de retorno chega a 97%. No campo, 100% das unidades adotam práticas de conservação de solo e água, e 78% utilizam plantio em mosaico — técnica que intercala talhões plantados com vegetação nativa.
Em clima, o setor se apresenta como um grande estoque de carbono: 1,95 bilhão de toneladas de CO₂e estocadas nas florestas plantadas e 3,16 bilhões de toneladas na vegetação nativa conservada — mais de 5 bilhões de toneladas no total. Do lado das emissões, 85% das empresas mantêm inventários de gases de efeito estufa e 53% já possuem metas formais de redução.
A economia circular é outro ponto forte: 87,4% de todos os resíduos gerados são convertidos em energia, e apenas 1,4% vai para aterros sanitários. Não por acaso, 92% da matriz energética do setor é renovável — puxada pelo licor preto (78,2%) e pela biomassa florestal (13%) —, com 96% de autossuficiência energética nas unidades de celulose. A reciclagem de aparas de papel atinge 60,4%.
O selo de credibilidade vem da certificação florestal: a área certificada total saltou de 6,8 para 11,6 milhões de hectares em cinco anos (alta de 70%), e 66% da área gerida pelo setor é certificada. O Brasil ocupa a 5ª posição mundial em FSC e a 10ª em PEFC.
O impacto social acompanha os números ambientais: foram R$ 167,9 milhões investidos em 339 projetos socioambientais, beneficiando 895 mil pessoas. Nos municípios com presença do setor, o PIB per capita é 29% superior à média nacional. Na diversidade, as mulheres já representam 23% da força de trabalho — eram 13% no início da série histórica — e 88% das empresas mantêm iniciativas de inclusão.
Redação Mais Floresta





