Brasil registra recordes na produção de celulose, com reflexos para a cadeia de embalagens

A indústria brasileira de base florestal encerrou 2025 com recordes na produção e nas exportações de celulose, segundo o Relatório Anual da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), divulgado em 13 de outubro. O resultado reforça a relevância do país no fornecimento global de fibras utilizadas na fabricação de diferentes tipos de papel, incluindo aqueles destinados à produção de embalagens.

Ao longo do ano, a produção nacional de celulose chegou a 29,4 milhões de toneladas, crescimento de 6,95% em relação a 2024. As exportações totalizaram 20,7 milhões de toneladas, avanço de 11,6% na comparação anual. Já a receita bruta do setor florestal alcançou R$ 249,4 bilhões, equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro. As vendas externas de toda a cadeia somaram US$ 14,9 bilhões.

Para a indústria de papéis para embalagens, o desempenho da celulose é relevante porque a matéria-prima é utilizada na fabricação de produtos como papel-cartão e papéis de fibra virgem empregados em diferentes aplicações de acondicionamento e transporte de mercadorias. A disponibilidade de fibras integra, portanto, os fatores que influenciam a cadeia produtiva, embora os recordes de celulose não representem, isoladamente, um aumento da produção ou do consumo de embalagens.

Os indicadores da indústria de papel mostram um cenário que precisa ser analisado separadamente. De acordo com dados divulgados anteriormente pela Ibá, a produção brasileira de papéis somou 11,3 milhões de toneladas em 2025, mantendo-se no mesmo patamar do ano anterior. No período, as exportações de papel cresceram 4,8%, enquanto as vendas domésticas avançaram 2%.

Os resultados indicam que a expansão da produção de celulose não se traduziu necessariamente em crescimento equivalente para todos os segmentos da indústria papeleira. Para o mercado de embalagens, fatores como a demanda dos setores consumidores, a composição dos produtos fabricados, os custos de produção e as condições de comercialização também influenciam o desempenho.

Nesse contexto, os números da celulose ajudam a dimensionar a capacidade de fornecimento da indústria brasileira de fibras, mas não permitem concluir, por si só, que haverá redução de custos ou maior oferta de papéis para embalagens. Esses efeitos dependem das condições de mercado e das decisões de produção e comercialização das empresas.

O relatório da Ibá também aponta a importância econômica e territorial da atividade. Segundo a entidade, o setor mantém 710 mil empregos diretos e gera renda, direta ou indiretamente, para 3,8 milhões de pessoas no Brasil. Em 2025, o país permaneceu na liderança mundial das exportações de celulose e ocupou a segunda posição entre os maiores produtores.

A área produtiva do setor florestal chegou a 10,73 milhões de hectares. Mato Grosso do Sul foi o principal destaque na expansão, com a incorporação de 222 mil hectares de áreas anteriormente classificadas como antropizadas.

O levantamento também registra avanços na restauração florestal e na silvicultura de espécies nativas. Essas atividades, descritas pela entidade como um segmento ainda em formação no país, já abrangem 57,5 mil hectares em processo de regeneração.

Ao comentar os resultados, Paulo Hartung, presidente da Ibá, destacou os desafios enfrentados pela indústria no cenário internacional.

“Mesmo em face de um cenário marcado pela complexidade, com o aumento das tensões geopolíticas, a continuidade de conflitos em diferentes regiões do mundo, o recrudescimento de medidas protecionistas desestabilizando cadeias globais de comércio, e o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais, o setor mostrou, mais uma vez, sua resiliência e competitividade”, disse, em comunicado de imprensa.

Para a cadeia de embalagens de papel, os resultados de 2025 oferecem um panorama da dimensão e da capacidade produtiva da base florestal brasileira. A evolução do mercado, contudo, também dependerá do comportamento da produção de papéis, das vendas internas e externas e da demanda por embalagens nos diferentes setores da economia.