A produção de energia pode ser uma das principais oportunidades de mercado para o setor florestal no Rio Grande do Sul. Na avaliação do presidente da Associação Gaúcha de Produtores de Florestas Plantadas (Agaflor), Mathias Almeida, a demanda por biomassa de usinas de biocombustíveis e de atividades agroindustriais que utilizam energia térmica em processos como secagem e operação de caldeiras vem aumentando no Estado.
O mercado é uma oportunidade para expansão da silvicultura para além da celulose. Atualmente, o RS tem aproximadamente 900 mil hectares de florestas plantadas, com cultivos de espécies como eucalipto, acácia e pínus.
“A gente tem uma demanda crescente de biomassa de energia, bioenergia, tanto para as indústrias de etanol quanto para todo o agro, que precisa muito de energia para tocar suas caldeiras, suas secagens”, avalia Almeida.
A expectativa de crescimento é baseada, especialmente, diante da perspectiva de ampliação da demanda industrial por madeira e biomassa. No entanto, o planejamento para a produção florestal preocupa. Com um ciclo de cultivo mais longo do que o de outras atividades rurais, a atividade exige antecipação.
“A madeira tem um ciclo de sete a oito anos, então não é de um dia para o outro. Não é uma decisão que tem que ser tomada sem planejamento.”
Alternativa à produção
Almeida explica que a Agaflor trabalha para ampliar a presença da silvicultura nas propriedades rurais, tanto como fonte adicional de renda quanto como alternativa diante dos desafios climáticos. O dirigente destaca que a recorrência de períodos de estiagem reforça a importância de buscar alternativas produtivas para as propriedades rurais.
“A gente vem enfrentando há muitos anos secas consecutivas aqui no Rio Grande do Sul, então a floresta traz uma alternativa de renda para o produtor e é, de certa forma, muito mais resistente a essas intempéries climáticas.”
Ele ressalta que a proposta não é substituir as atividades agropecuárias tradicionais, mas incorporar o componente florestal ao planejamento das propriedades.
“A ideia é trazer cada vez mais para o setor produtivo a floresta plantada como uma alternativa, nunca tirando as outras práticas, mas fazer uma diversificação da propriedade rural.”
Novas regras incentivam produção
O cenário regulatório da silvicultura no Rio Grande do Sul também representa avanços. As regras ambientais abriram novas perspectivas para os produtores interessados em investir no plantio de florestas.
O zoneamento ambiental e a extinção da necessidade de licenciamento devem acelerar os processos. “A gente tem um momento muito positivo no Estado, pró-negócio, pró-produtor, em especial o produtor de florestas.”





