Estado fecha 2025 com 2,27 milhões de hectares, 21% da área nacional, e registra leve retração enquanto Mato Grosso do Sul encurta a distância para 478 mil hectares; eucalipto permanece a base do setor, com destino histórico à siderurgia a carvão vegetal
Sim, Minas Gerais continua na liderança. O estado fechou 2025 com 2.274.345 hectares de árvores plantadas — 21,2% de toda a área florestal cultivada do Brasil —, posição que ocupa desde o início da série histórica do Relatório Anual 2026 da Ibá, em 2016. Nenhum outro estado chega perto: o vice-líder, Mato Grosso do Sul, tem 1,8 milhão de hectares.
Mas a resposta à pergunta do ano é: diminuiu. A área mineira recuou 8.939 hectares em 2025 (−0,39%), após alta em 2024. Mais relevante que o movimento pontual é o padrão de fundo: desde o pico de 2019, quando somava 2.306.205 hectares, o estado oscila em patamar de estabilidade — está 31.860 hectares abaixo daquele recorde. Em dez anos, porém, a expansão acumulada segue expressiva: +844 mil hectares desde 2016, alta de 59%.
O que muda de verdade é a corrida pelo topo. Em 2024, Minas Gerais tinha 713 mil hectares de vantagem sobre Mato Grosso do Sul; em 2025, a vantagem caiu para 478.204 hectares — uma redução de 235 mil hectares em apenas um ano. MS plantou 226 mil hectares novos no período, enquanto MG encolheu. Mantido o ritmo dos últimos anos, a aritmética indica que a distância seria zerada em cerca de dois anos — dado que transforma a disputa entre os dois estados no principal enredo da silvicultura brasileira.
O eucalipto explica quase tudo: são 2.202.366 hectares em MG — 26,5% do total nacional —, com leve recuo de 0,35% no ano, mas alta de 58,4% na década. O pinus (32.779 hectares) e as demais espécies (28.984 hectares) têm papel coadjuvante. O estado também abriga cerca de 9 mil hectares de Integração Floresta-Pecuária, segundo maior do país.
Sobre o principal produto derivado do eucalipto, o relatório não desagrega a produção industrial por estado — mas o capítulo de carvão vegetal entrega a pista decisiva: o Brasil é o maior produtor mundial de carvão vegetal (6,7 milhões de toneladas), praticamente todo consumido internamente, sobretudo pela indústria siderúrgica. E é em Minas Gerais que essa cadeia tem seu epicentro histórico: o estado concentra a maior parte da produção nacional de carvão vegetal e do ferro-gusa produzido em fornos a carvão — dado de contexto setorial, não publicado na forma desagregada pelo relatório. Em paralelo, o eucalipto mineiro também abastece a cadeia de celulose, que bateu recorde nacional em 2025 com 29,4 milhões de toneladas.
No impacto econômico, o relatório não publica PIB nem empregos desagregados por estado — os números são nacionais: R$ 249,4 bilhões de receita bruta, R$ 29,3 bilhões em tributos (dos quais R$ 6,1 bilhões estaduais), 713 mil empregos diretos e 3,83 milhões de postos no efeito total. O indicador territorial, porém, fala por si: nos municípios com presença do setor, o PIB per capita é 29% superior à média nacional (R$ 74 mil contra R$ 60 mil) — e é justamente no interior mineiro, berço da silvicultura brasileira, que esse efeito se manifesta há décadas, em municípios analisados na seção de desempenho setorial do próprio relatório.
Redação Mais Floresta





