Devo plantar mogno africano?

Por Milton Frank
Consultor de Silvicultura de Mogno Africano há 14 anos

O avanço das florestas plantadas no Brasil frequentemente vem acompanhado de mitos e promessas sedutoras. Ao longo de quase uma década e meia dedicando meus dias à silvicultura de nobres essências, sinto-me no dever de iniciar esta reflexão com uma declaração categórica, despida de ilusões: o mogno africano não é, e nunca foi, um “ouro verde”.

Aqueles que buscam na terra um milagre financeiro imediato ou um enriquecimento sem percalços colherão apenas frustração. A silvicultura de alto rendimento é uma arte de paciência, técnica e absoluto realismo.

Para compreendermos o cenário atual, precisamos olhar para as nossas bases. A espécie mais difundida em solo brasileiro, o Khaya grandifoliola, ainda carrega o peso de ser um ilustre desconhecido tanto no mercado interno quanto nas exigentes praças internacionais. Essa obscuridade mercadológica nasceu de uma ironia histórica: um equívoco na classificação das sementes originalmente recebidas pela antiga unidade da EMBRAPA no Pará. O que se plantava acreditando ser Khaya ivorensis era, na verdade, grandifoliola. A correção dessa rota botânica e comercial só foi possível graças ao esforço hercúleo da Associação Brasileira dos Produtores de Mogno Africano (ABPMA) e à visão do empresário Ricardo Tavares, que trouxe ao Brasil o renomado botânico Gaël, a maior autoridade mundial na espécie, para desvendar nossa real identidade florestal.

Por outro lado, o Khaya senegalensis, que iniciou sua trajetória em solo nacional sob o manto da desconfiança e do descrédito, hoje desenha uma narrativa surpreendente. Esta espécie desponta com vigor e alcança cotações expressivas no leste dos Estados Unidos, onde a madeira serrada de alta qualidade chega a atingir a impressionante marca de US$ 1.200,00 por metro cúbico. É a prova de que o mercado premia a resiliência e as características técnicas certas, quando bem direcionadas.

No que tange aos retornos financeiros, o produtor precisa calibrar suas expectativas com precisão matemática. Não espere aportes significativos ou lucros vultosos vindos dos desbastes intermediários, que ocorrem entre o décimo e o décimo quarto ano de cultivo. Da mesma forma, desmistifique a utopia de que o corte final de sua floresta se dará aos 18 anos. A maturidade plena de um plantio de mogno exige tempo; o ciclo real para a colheita definitiva estende-se dos 25 aos 30 anos. Recentemente, testemunhei a colheita de uma floresta no estado do Pará que atingiu exatamente a marca dos 30 anos para entregar o seu potencial máximo.

O sucesso na comercialização, portanto, caminha lado a lado com a habilidade de negociação do silvicultor e sua capacidade de verticalizar a produção. Atualmente, vivenciamos uma dualidade intrigante: enquanto madeireiras comercializam madeiras equivalentes ao Khaya grandifoliola pelo valor de R$ 8.000,00 o metro cúbico, os produtores locais de mogno frequentemente vendem sua madeira de desbaste por valores modestos, em torno de R$ 2.500,00 por metro cúbico. Aqueles que possuem estrutura para investir no beneficiamento e na agregação de valor conseguem elevar esse patamar, alcançando, no máximo, R$ 4.000,00 por metro cúbico.

No que tange ao corte final de florestas maduras, ainda navegamos por águas calmas e de muita expectativa, pois escasseiam plantios que atingiram a idade ideal em larga escala no país. Temos de esperar que o tempo faça sua parte. Contudo, baseando-nos nos preços praticados por madeiras similares de alto padrão, projeta-se que o mogno africano maduro, serrado e devidamente seco em estufa, possa atingir com segurança a valorização de R$ 8.000,00 por metro cúbico.

Diante de tudo o que os meus 14 anos de experiência me ensinaram, afirmo sem hesitação: só ingresse no plantio de mogno africano se você tiver tradição e verdadeira bagagem na atividade florestal. Trata-se de um negócio de médio a longo prazo perfeitamente interessante, mas que esconde armadilhas severas para os desavisados. Se você não domina intimamente o manejo silvicultural, se não sabe combater pragas e patologias, se não compreende a adubação de precisão, se é incapaz de diagnosticar a sutil necessidade de irrigação ou de selecionar mudas de alta performance genética, o meu conselho mais sincero é: afaste-se deste mercado.

O Mogno Africano é uma herança esculpida no campo. É um território fértil e recompensador para os PROFISSIONAIS DA ÁREA FLORESTAL, mas um abismo financeiro para os AMADORES.


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