Em painel no 2º BioComForest, especialistas apontam a biomassa como protagonista da transição energética brasileira — e alertam: sem florestas plantadas, a conta não fecha
1. O Cenário da Transição Energética
A discussão sobre energia no Brasil mudou de endereço. Saiu dos debates sobre petróleo e gás e entrou de vez no campo — literalmente. No 2º BioComForest, realizado na Unesp de Botucatu, um painel reuniu especialistas para tratar de um tema que ganhou urgência nacional: o papel da biomassa na geração de energia e a necessidade de o país plantar florestas em escala para sustentar essa demanda crescente.
O cenário, segundo os participantes, é de alta demanda e escassez. Indústrias de celulose, etanol de milho e processamento de grãos disputam a mesma matéria-prima, enquanto a base de florestas plantadas não acompanha o ritmo. A conclusão do painel foi uma confluência de entendimentos: o momento é desafiador, mas abre grandes oportunidades para quem investe com planejamento.
2. Perspectivas dos Especialistas
Mario Coso, head da ESG Tech, resumiu o diagnóstico: o ambiente é de alta demanda, com cadeias como celulose, etanol de milho e processamento de grãos pressionando por biomassa. Historicamente, lembrou, houve resistência dos produtores rurais em investir em eucalipto — e hoje isso se reflete na escassez de florestas plantadas. Para ele, a saída é plantar orientado ao mercado. “Você precisa plantar pensando em quem vai comprar daqui a 5, 6, 7 anos”, afirmou.

Leonardo Pacheco, diretor de biomassa da FS Florestal, trouxe números que dimensionam o desafio. Só a cadeia de biomassa para etanol de milho no Brasil demandaria cerca de 1 milhão de hectares de florestas plantadas. O problema, explicou, é geográfico: a demanda está no Centro-Oeste, onde há grão e agroindustrialização, mas a base florestal foi historicamente constituída para carvão ou celulose. “Estamos criando uma cadeia do zero”, resumiu.

Fausto Takizawa, presidente da Arefloresta, colocou o Mato Grosso como termômetro dessa transição. O estado, junto ao Ministério Público, assinou um termo de compromisso ambiental que cria um marco regulatório: até 2035, os grandes consumidores deverão se abastecer 100% de biomassa plantada ou plano de manejo florestal, como exige o Código Florestal. Para quem entra no mercado agora, o conselho é de cautela estratégica: identificar as cadeias, avaliar preços potenciais da madeira, oferta, custos de aquisição e arrendamento. “É na interseção entre terras, compra e venda de madeira e custos de silvicultura que se encontra o meio ótimo para balizar o investimento”, pontuou.

José Carlos Sottomaior, diretor da EcoProducts, reforçou a tendência de crescimento do etanol de milho — mais barato de produzir que o de cana — e, com ele, a demanda por biomassa. Sottomaior defendeu ainda soluções inovadoras, como o “chipel” — o uso da palha do milho para abastecer caldeiras, substituindo o cavaco de eucalipto e aproveitando o resíduo da própria lavoura, sem esperar sete anos pela floresta.

Caio Sousa, senior consultant de Agribusiness & Biofuels da S&P Global Energy, fechou o painel com a visão de mercado: a biomassa já é a fonte de energia térmica — e, em muitos casos, elétrica — que está substituindo o gás, o óleo BPF e outros combustíveis fósseis por uma matriz renovável. Para ele, a geração de resíduos e a biomassa formam “um casal perfeito”: a receita de um negócio que transforma resíduo em energia limpa.

3. Conclusão
O recado do painel é claro: a biomassa deixou de ser alternativa para se tornar prioridade na matriz energética brasileira. Mas, para que essa energia chegue, o país precisa plantar hoje — e com inteligência — as florestas que vão alimentar as caldeiras do futuro.

O BioComForest é uma realização da Paulo Cardoso Comunicações, com organização da FCA – Unesp de Botucatu e parceria da Florestar – Indústria Florestal Paulista. Quem quiser assistir ao vídeo completo do painel e saber oq eu mais foi debatido, basta acessar o link: https://youtu.be/ALx307gYPKk
Redação Mais Floresta






