O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciaram, nesta quarta-feira, 10, durante evento de celebração da Semana do Meio Ambiente, cinco novas operações de crédito do Fundo Clima Florestas voltadas à restauração florestal e a sistemas agroflorestais, que somam R$ 834 milhões em financiamentos.
Somados aos recursos da iniciativa privada para execução dos projetos, os novos contratos alavancam investimentos da ordem de R$ 2,7 bilhões em reflorestamento. Considerando todas as operações já realizadas com o Fundo Clima, o BNDES chega a R$ 8,2 bilhões de recursos mobilizados para reflorestamento.
Os projetos abrangem ações nos biomas Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica e reforçam o papel do Fundo Clima como principal instrumento público de financiamento da transição ecológica no Brasil, o qual é gerido por um Comitê Gestor vinculado ao MMA e tem o BNDES como operador.
A celebração da Semana do Meio Ambiente ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula. No evento, foi assinado o contrato com empresa pertencente ao BTG Pactual Timberland Investment Group (BTG Pactual TIG), uma das maiores gestoras de investimentos florestais do mundo, bem como entregues as cartas de aprovação com os grupos econômicos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções. As iniciativas combinam restauração ecológica e produtiva, manejo sustentável e sistemas agroflorestais com uso em espécies nativas, integrando ciência, inovação e impacto social. Juntas, deverão restaurar mais de 65,6 mil hectares, gerar mais de 27 mil empregos verdes, garantir o plantio de mais de 108 milhões de árvores de espécies nativas que irão capturar milhões de toneladas de CO₂, fortalecendo o compromisso brasileiro com a agenda de neutralidade climática.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que o Brasil além de enfrentar o desmatamento está promovendo a reconstrução de suas florestas por meio de instrumentos como o Fundo Clima. “Esse fundo que anunciamos aqui é crédito, não é filantropia, não é doação. Essas empresas que assinaram com o BNDES aqui hoje estão tomando recurso emprestado para investir em restauro florestal de nativas. Não estamos falando da plantação de uma única espécie. Estamos falando em restaurar, em reconstruir florestas nativas no Brasil com apoio do setor privado.
Tereza observou que a contrapartida para o setor privado será a geração de crédito de carbono, mas não só. “Vão gerar produtos madeireiros, vão gerar produtos da bioeconomia, vão implantar sistemas agroflorestais – produzir alimentos junto com a floresta, mas vamos restaurar nossos biomas, restaurar a biodiversidade, capturando carbono. Não existe nada mais eficiente para capturar carbono no mundo do que reconstruir florestas”.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou a importância das operações. “Em parceria estratégia com o Ministério da Fazendo, com o Tesouro Nacional e com o BNDES, nós dinamizamos o Fundo Clima e criamos o Eco Invest. Juntos, esses instrumentos vêm mobilizando mais de duas centenas de bilhões de reais em investimentos verdes, mostrando que o nosso setor empresarial está junto conosco, apostando na transformação ecológica e na construção de uma economia de baixo carbono sólida e rentável”.
Projetos – No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, obteve R$ 200 milhões para proteger e restaurar 49,4 mil hectares no Cerrado. O projeto contempla a restauração de 24,8 mil hectares de áreas degradadas e a conservação de 24,6 mil hectares de vegetação nativa. O projeto prevê a cpatura de 36 milhões de créditos de carbono.
A carta celebrada pela Systemica, por sua vez, prevê R$ 180 milhões do Fundo Clima que serão investidos, por meio da Triunfo do Xingu Restauração Ecológica Sociedade de Propósito Específico, na Concessão Florestal na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu (URTX). Prevê-se no projeto o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.
Com R$ 87,2 milhões do BNDES, o projeto Muçununga será implementado pelos grupos Biomas e pela Carbon2Nature Brasil – joint venture da Neoenergia com a Carbon2Nature, do grupo espanhol Iberdrola – em áreas da Veracel Celulose. O projeto deve gerar 500 mil créditos de carbono em 40 anos. Serão plantadas mais de 100 espécies em áreas que vão servir como como pontos de conexão para recriar a Mata Atlântica e facilitar conexões para espécies ameaçadas de extinção, caracterizando o projeto como um destaque em termos de biodiversidade.
O projeto de R$ 116 milhões apresentado pela Courageous Land Roraima SPE S.A., por sua vez, vai implantar sistemas agroflorestais (SAF) em 2 mil hectares com foco na produção de café, açaí e madeireiras, em áreas degradadas em Rorainópolis, no sul de Roraima. O município foi escolhido porque as características dessa região são favoráveis ao cultivo das espécies do projeto. Além disso, espera-se capturar, ao de longo de 42 anos, 1 milhão de toneladas de CO2.
A carta celebrada com a RRG Soluções Baseadas na Natureza Ltda concede R$ 250 milhões a serem investidos em uma área de 2,5 mil hectares para produção de cacau sustentável em áreas degradadas. Desses, 500 ficarão em Teixeira de Freitas (BA) na tradicional zona cacaueira do estado e outros 2 mil em Casa Nova (BA) no semiárido nordestino e integrante da Região Administrativa do Polo Petrolina e Juazeiro.







