Bracell ajusta layout e destrava instalação de fábrica de R$ 16 bilhões em Bataguassu

Um ajuste no layout do projeto original solucionou o impasse referente à área destinada à instalação da nova fábrica de celulose da Bracell, no município de Bataguassu, em Mato Grosso do Sul. A readequação foi confirmada por Artur Falcette, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, conforme informações divulgadas pelo portal Campo Grande News. O anúncio ocorreu durante o evento Pantanal Tech MS 2026, realizado na cidade de Aquidauana.

Segundo o secretário, a solução consistiu em uma mudança no posicionamento da planta industrial dentro do terreno. Com a alteração de diretriz, o governo estadual aguarda agora a retificação do processo de licenciamento ambiental por parte da empresa para dar continuidade aos trâmites.

Adequação do Projeto e Licenciamento Ambiental

Na prática, a distribuição da infraestrutura da fábrica passou por um reposicionamento. A Bracell já possuía a licença prévia aprovada pelo Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) desde dezembro do ano anterior e havia protocolado o pedido de licença de instalação. No entanto, o processo precisou ser retirado temporariamente para que o licenciamento fosse adequado à nova posição da planta.

O início das obras civis e de infraestrutura no local está condicionado à obtenção desta nova licença de instalação, que atestará a conformidade ambiental do projeto readequado.

Capacidade de Produção e Demanda Florestal

Dados do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) indicam que o empreendimento receberá investimentos da ordem de R$ 16 bilhões. O complexo industrial foi projetado para abrigar até duas linhas de produção.

A primeira linha operará com capacidade estimada entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de toneladas anuais de celulose kraft, insumo base para a indústria de papel. A segunda linha tem potencial para fabricar 1,460 milhão de toneladas anuais de celulose kraft, somadas a 1,147 milhão de toneladas anuais de celulose solúvel. Em capacidade máxima, a unidade poderá processar 2,607 milhões de toneladas por ano na segunda fase.

Para sustentar esse volume de produção, o projeto prevê um consumo anual de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de madeira. A base florestal que atenderá a fábrica já conta com a atuação do grupo controlador da Bracell, a Royal Golden Eagle (RGE), que opera no estado por meio da empresa MS Florestal.

Impacto Socioeconômico

A construção e a futura operação da fábrica representarão uma transformação econômica significativa para a região do Bolsão sul-mato-grossense. Durante o pico das obras de instalação da planta, a estimativa é que sejam gerados cerca de 12 mil empregos diretos. Após a conclusão e início das operações regulares, o complexo industrial deverá manter um quadro de aproximadamente 2 mil trabalhadores fixos.