A produção de eucalipto para fins energéticos ganha importância no planejamento agroindustrial do Oeste do Paraná. A C.Vale e a Embrapa Florestas realizaram, em 21 de outubro, em Palotina (PR), um encontro técnico para apresentar resultados de 15 anos de pesquisas sobre o desempenho florestal da espécie e seu potencial como fonte de energia para as operações do agronegócio.
O evento reuniu cerca de 80 participantes, entre profissionais de cooperativas, pesquisadores e representantes de empresas do setor. A programação combinou apresentações técnicas e visitas a áreas experimentais para discutir alternativas capazes de melhorar a produtividade dos plantios e o aproveitamento da madeira na geração de energia.
A iniciativa está relacionada à demanda por biomassa nas operações agroindustriais. A C.Vale investe no cultivo de eucalipto desde a década de 1980 e mantém atualmente cerca de 6 mil hectares plantados no Paraná. A madeira é utilizada no abastecimento de caldeiras industriais e secadores de grãos.
Somente no complexo agroindustrial da cooperativa, o consumo chega a 700 toneladas de cavacos de madeira por dia, dimensão que evidencia a importância do planejamento florestal para atender à demanda energética.
Pesquisa busca aumentar a produtividade do eucalipto energético
Durante o encontro, pesquisadores e profissionais do setor apresentaram estudos relacionados ao desempenho silvicultural e energético de diferentes clones de eucalipto, além da influência do espaçamento entre árvores sobre a produção de madeira.
A programação também abordou o uso de adubação química, a aplicação de dejetos líquidos de suínos em áreas florestais e as possibilidades de aproveitamento da madeira como combustível para processos industriais.
As pesquisas procuram identificar quais combinações de material genético, densidade de plantio, fertilidade do solo e manejo favorecem o desenvolvimento das árvores e a produção de biomassa destinada à geração de energia.
O objetivo é produzir informações técnicas que auxiliem na escolha dos materiais utilizados nos plantios e na definição das práticas de manejo mais adequadas às condições regionais.
Na abertura do evento, os participantes foram recebidos pelo vice-presidente da C.Vale, Ademar Pedron; pelo secretário do Conselho de Administração, Walter Dal’Boit; e pelo diretor de Comercialização, Alexandre Tormen.
“Buscamos aprimorar o padrão do eucalipto para garantir o maior rendimento possível e atender às necessidades das nossas operações”, afirmou Pedron.
Tormen destacou a importância da continuidade das pesquisas e da cooperação entre empresas, instituições científicas e universidades.
“Essa parceria contribui para aumentar a eficiência energética, reduzir custos e fortalecer a segurança dos processos”, ressaltou.
Manejo florestal pode contribuir para reduzir custos industriais
A produção de madeira para energia exige planejamento desde a escolha do material genético até a colheita e o uso da biomassa nas instalações industriais. Características como crescimento das árvores, produtividade por área e propriedades da madeira podem influenciar o rendimento energético e a eficiência operacional.
Nesse contexto, os estudos desenvolvidos pela C.Vale e pela Embrapa Florestas buscam ampliar o conhecimento sobre os fatores que determinam o desempenho dos plantios.
De acordo com Alcemir Chiodelli, gerente do Departamento de Grãos da C.Vale, os resultados acumulados ajudam a compreender as condições que favorecem o desenvolvimento das árvores e oferecem subsídios para decisões mais precisas no campo.
“As informações obtidas ao longo desse período contribuem para elevar o desempenho dos plantios e desenvolver alternativas energéticas mais eficientes para o agronegócio”, destacou Chiodelli.
A melhoria da produtividade florestal pode contribuir para o planejamento do abastecimento das caldeiras e dos secadores de grãos. O resultado econômico, entretanto, depende de fatores como custos de implantação, manejo, colheita, transporte e eficiência de conversão da biomassa em energia.
Visitas técnicas aproximaram pesquisa e produção no Oeste do Paraná
No período da tarde, os participantes visitaram as fazendas Piquiri e Floresta, localizadas na região de Palotina e Assis Chateaubriand, no Oeste paranaense.
Nas propriedades, acompanharam avaliações de diferentes clones de eucalipto, espaçamentos de plantio, adubação mineral e aplicação de dejetos líquidos de suínos.
A atividade de campo permitiu observar os experimentos e relacionar os resultados apresentados durante a manhã às condições reais de cultivo. As visitas também abriram espaço para a troca de experiências entre produtores, profissionais do setor e pesquisadores.
O contato direto com as áreas experimentais é importante para avaliar como as práticas de manejo se comportam em diferentes condições e quais alternativas podem ser consideradas na produção comercial de madeira para fins energéticos.
Biomassa de eucalipto ganha relevância na expansão agroindustrial
A ampliação das atividades agroindustriais na região aumenta a necessidade de fontes de energia capazes de atender à demanda de caldeiras, secadores e outros equipamentos utilizados no processamento de produtos agrícolas.
Nesse cenário, o eucalipto representa uma alternativa de biomassa florestal cuja eficiência depende da produtividade dos plantios e da organização da cadeia de abastecimento.
Para Guilherme Andrade, engenheiro florestal, pesquisador da Embrapa Florestas e coordenador do projeto, a integração entre pesquisa e produção é fundamental para desenvolver bases técnicas mais consistentes para o setor.
“A expansão das atividades agroindustriais amplia a demanda por biomassa na região. O projeto reúne esforços para fortalecer as bases técnicas da produção de madeira para fins energéticos no Oeste do Paraná. As pesquisas avaliam fatores como materiais genéticos, espaçamento, densidade populacional, fertilidade do solo e práticas de manejo”, enfatizou o pesquisador.
Os estudos podem contribuir para identificar sistemas de produção mais adequados às necessidades industriais e às condições de cultivo da região, considerando tanto o rendimento florestal quanto a qualidade da matéria-prima destinada à geração de energia.
Parceria de longo prazo fortalece o planejamento energético do agronegócio
A cooperação entre a C.Vale e a Embrapa Florestas reúne a experiência operacional de uma cooperativa agroindustrial e o conhecimento científico de uma instituição de pesquisa.
Ao longo de 15 anos, os trabalhos têm abordado aspectos genéticos, agronômicos e operacionais da produção de eucalipto para energia, buscando aperfeiçoar o desempenho dos plantios e oferecer alternativas para o abastecimento industrial.
Com 6 mil hectares cultivados no Paraná e consumo diário de até 700 toneladas de cavacos em seu complexo agroindustrial, a C.Vale tem uma demanda expressiva por biomassa. O aprimoramento dos sistemas florestais pode ajudar a orientar decisões sobre produtividade, manejo e fornecimento de madeira.
A iniciativa reforça a importância da pesquisa aplicada para aproximar a produção florestal das necessidades do agronegócio, especialmente em regiões onde o processamento de grãos e outras atividades industriais exige fornecimento contínuo de energia.





