A Arauco e sete instituições de Inocência encerraram nesta semana, uma capacitação voltada à elaboração de projetos e captação de recursos. O encontro foi realizado no Centro Cultural Lázara Lessonier e reuniu representantes de entidades locais, que apresentaram propostas nas áreas social, educacional, ambiental, trânsito e atendimento a diferentes públicos.
A formação faz parte do projeto Ciclo do Conhecimento, dentro do programa Parceiros do Bem, que conecta empresas ligadas ao Projeto Sucuriú a iniciativas sociais do município. Durante o evento, os participantes detalharam seus projetos a representantes dessas empresas, com foco em viabilizar apoio e investimentos.
Segundo a Arauco, o objetivo da capacitação foi oferecer base técnica para que as instituições consigam estruturar melhor suas propostas e ampliar o acesso a recursos. Representantes locais destacaram que projetos bem organizados aumentam a credibilidade e facilitam a captação de investimentos, além de contribuírem para melhorias na cidade.
O chefe do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), Odorico Garcia, ressalta que “a formação mostrou que projetos bem estruturados geram mais credibilidade e são a chave para atrair novos investimentos”. Na opinião dele, a partir de agora, os responsáveis pelos projetos do Demutran “estão mais preparados para buscar recursos que garantam um trânsito mais seguro e eficiente para Inocência”.
O programa Parceiros do Bem foi lançado em 2025 e atua como ponte entre o setor privado e organizações sociais, incentivando ações coletivas e doações estruturadas. Já o Projeto Sucuriú marca a instalação de uma planta de celulose da Arauco em Inocência, com previsão de início das operações em 2027, além de geração de empregos e impactos econômicos na região.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) detalhou as novas diretrizes para a contratação temporária de brigadistas que vão atuar no Prevfogo. A medida busca reforçar as equipes de campo no período de seca, que vai de maio a setembro.
A seleção será descentralizada, com chamadas públicas nas comunidades onde as brigadas atuarão. A prioridade será dada a áreas de maior vulnerabilidade ambiental e social, como terras indígenas, territórios quilombolas e assentamentos federais.
O processo seletivo inclui avaliação curricular, desempenho no curso de formação de brigadistas florestais e aprovação em teste de aptidão física. Nos municípios que já contam com cursos previstos, a seleção começa nessa etapa; em localidades sem previsão, serão aceitos candidatos com formação equivalente de carga mínima de 40 horas.
Conforme a Lei nº 8.745 de 1993, o recrutamento temporário normalmente ocorre por processo seletivo simplificado. Em situações de emergência ambiental ou calamidade pública, a contratação pode ser feita sem processo formal para garantir agilidade na resposta.
As contratações abrangerão o Distrito Federal e praticamente todos os estados, incluindo Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins. Essa amplitude reflete a estratégia de estruturar uma rede nacional de prevenção e combate a incêndios florestais.
No nível municipal, as vagas incluem brigadistas, chefes de esquadrão e chefes de brigada. Em âmbito estadual, serão contratados agentes federais de informação, chefes de esquadrão de queima prescrita, brigadistas especializados e supervisores estaduais para apoio às coordenações do Prevfogo.
Em Brasília, estão previstas dez vagas de supervisores federais com atuação em áreas estratégicas como prevenção, monitoramento, logística, operações e tiro quente. Em seleção para supervisor estadual aberta anteriormente, o salário foi de R$ 5.676 para jornada de 40 horas semanais, conforme apurou o portal Metrópoles.
As contratações têm duração inicial de até um ano e podem ser prorrogadas por mais dois anos, conforme necessidade operacional e orçamentária. O cargo de supervisor exige nível médio completo, certificado de formação emitido pelo Ibama ou ICMBio, experiência comprovada, idade entre 18 e 59 anos e habilitação categoria B ou superior.
Em editais anteriores, os salários variaram de R$ 1.980 para brigadistas, R$ 2.640 para chefes de esquadrão e R$ 3.300 para chefes de brigada. A remuneração busca valorizar o trabalho de campo e atrair profissionais experientes para as operações.
O fortalecimento do Prevfogo ganha relevância diante do aumento de incêndios florestais associados às mudanças climáticas e ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado. A nova rodada de contratações busca ampliar a capacidade de resposta e proteger biomas e comunidades tradicionais.
Em todo o mundo, as florestas são casa e trabalho para 42 milhões de pessoas. E a Ásia é a região com a maior parcela de profissionais do setor florestal, seguida por Europa, África e Américas.
Os dados constam da nova pesquisa “Metodologia atualizada para quantificar o emprego no setor florestal: estimativas globais e regionais”.
O estudo, que analisa dados de 2011 a 2022, inclui as primeiras estimativas globais de emprego desagregadas por sexo para o setor florestal.
A pesquisa foi compilada em parceria com o Instituto Florestal Thünen e duas agências da ONU: a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e a Organização Internacional do Trabalho, OIT.
No documento, as mulheres representam 25% desta força de trabalho com 10,6 milhões de empregos. Ao todo, a mão-de-obra florestal abriga cerca de 1,2% dos postos de trabalho no globo, um declínio em comparação com 2011 quando o total era de 3,1%.
A Ásia tem cerca de 1,4% desses empregos. Na Europa, a participação diminuiu ligeiramente, de 1,3% em 2011 para 1,2% em 2022.

Cifor/Ulet Ifansasti
Na Indonésia, muitas pessoas dependem da biodiversidade florestal para sua subsistência.
Já a África apresentou flutuações começando em 1,2% em 2011, atingindo o pico em 2016 e diminuindo para 1,0% em 2022. Nas Américas, a taxa de emprego nas florestas permanece estável em torno de 0,8%, com pequenas mudanças após a pandemia da Covid-19.
O estudo conjunto utiliza dados anuais do setor e seus subsetores para 182 países, representando 99% da área florestal mundial. O documento inclui as primeiras estimativas globais de emprego desagregadas por sexo para o setor florestal, destacando disparidades persistentes entre mulheres e homens em todas as regiões.
A maior disparidade foi encontrada na Europa, onde 1,8% dos homens e apenas 0,5% das mulheres estavam empregados no setor florestal em 2022. Em contraste, essas disparidades foram menores na África, nas Américas e na Ásia.
As florestas contribuem para as economias nacionais e para o desenvolvimento sustentável, criando empregos, gerando valor econômico e apoiando a sustentabilidade ambiental.
Em todo o setor, a fabricação de madeira e produtos de madeira continua sendo a maior fonte de emprego, representando aproximadamente 58% dos postos de trabalho nas florestas, seguida pela silvicultura e exploração madeireira e pela fabricação de celulose e papel.
A produção de celulose será tema de um encontro em Alto Araguaia (a 480km de Cuiabá) no dia 22 de novembro. A discussão sobre a importância da produção e a sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental da região em que uma indústria é instalada, será o tema central do encontro.
Extraída das árvores e utilizada na fabricação de plásticos, vernizes, filmes, seda artificial, produtos químicos e principalmente na confecção do papel, a indústria de celulose é um importante segmento da economia brasileira.
Intitulado “Araguaia Florestal: Desafios e Perspectivas”, o evento será uma apresentação sobre o setor de celulose brasileiro e quais são as expectativas de futuro para o setor.
Realizado com o apoio da fábrica de celulose Euca Energy, os participantes terão a oportunidade de conhecer e aprender com a experiência vivida na cidade de Três Lagoas (MS), onde a indústria de celulose se instalou há 12 anos e que em poucos anos virou destaque nacional e mundial.
A discussão ocorrerá na Associação dos Fiscais Fazendários do Estado de Mato Grosso, na BR 364, km 02, das 7h30 às 18h e reunirá representantes da prefeitura, câmara dos vereadores do município, Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso, Senar MT e a Cooperativa dos Floricultores (Cooperflora).
A restauração florestal na Amazônia deixará de depender de interpretações subjetivas para se basear em métricas científicas. Durante a oficina “Indicadores para Avaliação da Recomposição da Vegetação Nativa”, realizada em Belém na semana passada, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semas), em parceria com a Embrapa e outras instituições, consolidou os parâmetros que vão atestar se uma área degradada foi, de fato, recuperada.
A medida é um passo decisivo para a segurança jurídica no campo. Com regras claras, o produtor rural que possui passivos ambientais saberá exatamente o que o fiscal irá cobrar para validar o seu Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD).
De acordo com a pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, foram estabelecidos indicadores mínimos para que uma área seja considerada em plena recuperação:
Para o secretário adjunto da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, o objetivo é criar uma base técnica sólida para o Programa de Regularização Ambiental (PRA) do Pará.
“Isso traz clareza e capacidade de acompanhamento. É um ‘protocolo vivo’, que evoluirá conforme os avanços da ciência”, explicou.
O resultado do encontro servirá de base para uma nova normativa técnica da Semas. Além de técnicos paraenses, representantes do Acre, Amazonas e Rondônia acompanharam as discussões, sinalizando uma possível padronização de critérios em outros estados da Amazônia Legal.
A Suzano está com seis processos seletivos abertos para atender as áreas administrativa, florestal e de manutenção nas Unidades de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas (MS). As inscrições estão abertas a todas as pessoas interessadas, sem distinção de gênero, idade, origem, deficiência ou orientação sexual, por meio da Plataforma de Oportunidades da Suzano (https://suzano.gupy.io/).
Confira abaixo a lista completa das vagas disponíveis e os respectivos prazos de inscrição. Nas páginas, é possível consultar os pré-requisitos e atribuições para cada função e os benefícios oferecidos pela empresa.
Operador(a) de Máquina Silvicultura II – Inscrições até 19/04/2026: Página da Vaga | Operador(a) de Máquina Silvicultura
Assistente Administrativo II – Vaga Afirmativa Para Pessoas Com Deficiência (PcD) – Inscrições até 19/04/2026: Página da Vaga | Assistente Administrativo II
Técnico(a) de Manutenção Instrumentação III – Inscrições até 21/04/2026: Página da vaga | Técnico(a) de Manutenção Instrumentação
Mecânico(a) de Caminhão e Carretas – Inscrições até 26/04/2026:
Página da vaga | Mecânico(a) de Caminhão e Carretas
Três Lagoas
Técnico(a) de Operações Florestais I – Inscrições até 19/04/2026: Página da vaga |Técnico(a) de Operações Florestais
Técnico(a) de Operações Florestais III (Transporte de Madeira) – Inscrições até 23/04/2026: Página da vaga | Técnico(a) de Operações Florestais III
Mais detalhes sobre os processos seletivos, assim como os benefícios oferecidos pela empresa, estão disponíveis na Plataforma de Oportunidades da Suzano (https://suzano.gupy.io/). A Suzano reforça que todos os processos seletivos são gratuitos, sem a cobrança de qualquer valor para garantir a participação, e que as vagas oficiais estão abertas a todas as pessoas interessadas. Na página, candidatos e candidatas também poderão acessar todas as vagas abertas no estado e em outras unidades da Suzano no país, além de se cadastrar no Banco de Talentos da empresa.
A receita com a exportação de produtos industriais de Mato Grosso do Sul somou em março US$ 580 milhões, conforme levantamento do Observatório da Indústria da Fiems. O valor representa um recuo de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando a soma chegou a US$ 679,1 milhões.
“Apesar do recuo, ainda assim, trata-se do segundo melhor resultado já registrado para um mês de março em toda a série histórica das exportações industriais de Mato Grosso do Sul”, destacou o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende.
Ainda de acordo com o levantamento, no acumulado do primeiro trimestre de 2026, a receita totalizou US$ 1,75 bilhão, com queda de 5% frente ao mesmo período do ano passado, quando atingiu US$ 1,84 bilhão.
“Mesmo com a retração, este também é o segundo melhor resultado da série histórica para o período de janeiro a março”, completou o economista-chefe da Fiems.
Quanto à participação relativa, a indústria respondeu por 53% da receita total de exportações de Mato Grosso do Sul em fevereiro. No acumulado do ano, a participação do setor industrial foi ainda maior, alcançando 69%.
Grupos industriais que apresentaram maior participação nas receitas de exportação
Os segmentos com maior participação nas receitas de exportação até o momento foram Celulose e papel (40%), Complexo frigorífico (37%) e Óleos vegetais e demais produtos de sua extração (10%). Juntos, os segmentos responderam por 87% das exportações do Estado entre janeiro e março de 2026.
No grupo Celulose e papel, a receita acumulada nos primeiros três meses do ano é de US$ 692,2 milhões. O principal produto foi a pasta química de madeira (99,7%). Entre os principais compradores estão China (52%), Itália (9%), Turquia (8%), Holanda (6%) e Estados Unidos (5%).
O Complexo frigorífico somou US$ 644,1 milhões de receita entre janeiro e março. Os principais produtos foram carnes desossadas congeladas de bovino (56%), carnes desossadas refrigeradas de bovino (19%) e coxas com sobrecoxas de frango desossadas e congeladas (4%). China (27%), Estados Unidos (20%), Chile (9%), Holanda (4%) e Uruguai (4%) lideram entre os principais compradores.
Já o grupo de Óleos vegetais e demais produtos de sua extração registrou receita de US$ 170,5 milhões no primeiro trimestre do ano. Os produtos mais exportados foram bagaços e resíduos da extração do óleo de soja (32%), óleo bruto de soja (28%) e farinhas e pellets da extração do óleo de soja (27%). Índia (20%), Holanda (14%), Dinamarca (13%), Tailândia (9%) e Japão (8%) foram os principais destinos.
Inovação da Suzano alia alta resistência, menor uso de produtos químicos e apelo visual natural
A Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência global em bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, traz ao mercado o Eucanatural, celulose marrom de eucalipto desenvolvido pelo time de P&D no Centro de Tecnologia de Aracruz, no Espírito Santo e, atualmente produzida com sucesso em escala industrial. Esse tipo de fibra ainda é pouco disponível mundialmente e representa uma alternativa de alto desempenho para o setor de embalagens, papéis flexíveis, filtros de ar, e diversas outras aplicações, reunindo resistência, menor impacto ambiental e aparência natural característica.
A ideia do produto surgiu em 2020 e, entre 2021 e 2022, passou por intenso trabalho de desenvolvimento técnico. Nesse período, a equipe de pesquisa da Suzano simulou no laboratório do Centro de Tecnologia todas as etapas do processo industrial, avaliando propriedades físicas e químicas e realizando testes piloto. Em 2023, a tecnologia avançou para a primeira campanha industrial em larga escala, com produção de milhares de toneladas. Recentemente, uma campanha reforçou a entrada efetiva do Eucanatural no portfólio comercial da empresa.
Segundo Lucas Ornelas Jacinto, pesquisador sênior da Suzano, a inovação atende a uma demanda crescente do mercado por materiais de menor impacto ambiental e alta performance. “Pouquíssimas empresas no mundo produzem celulose marrom de mercado. Cada etapa do processo, fizemos os testes necessários e, ao validar o potencial, realizamos a campanha industrial. O Eucanatural se destaca pela resistência e pelo menor consumo de produtos químicos, já que não há etapa de branqueamento”, explica.
O avanço da tecnologia para escala industrial foi viabilizado pela parceria entre o Centro de Tecnologia e o time de produção da empresa. “Foi uma parceria robusta entre o Centro Tecnológico de Aracruz e a equipe da industrial de celulose. Transformar uma inovação de laboratório em uma campanha industrial de grande escala exige sinergia total entre as áreas, e esse alinhamento foi fundamental para garantir que o produto chegasse ao mercado com segurança, qualidade e desempenho”, destaca Fabrício José da Silva, Diretor de Operações Industriais da Suzano.
Aplicações e benefícios para o mercado
Por não passar pelo processo de branqueamento, o Eucanatural reduz o uso de insumos químicos e oferece uma aparência naturalmente marrom, ideal para embalagens que desejam transmitir sustentabilidade e autenticidade. O produto é indicado para embalagens de forma geral (caixas de papelão, caixas de sapato, sacolas e outras aplicações de papel para embalagem que demandam robustez).
Além disso, Lucas Ornelas revela que um dos segmentos que mais absorvem a celulose marrom é o de papéis flexíveis, como rótulos de vinho, sacos de café e papéis para air fryer. “O ramo de mercado que mais compra a celulose marrom é o de papéis flexíveis. A combinação entre desempenho técnico e atributos ambientais faz do Eucanatural uma alternativa estratégica em um mundo cada vez mais orientado para soluções renováveis. E na Suzano trabalhamos empenhados na inovação, pois é daí que surgem oportunidades para melhorar o mundo e o nosso próprio negócio”, finaliza.
A conversão dos biomas nativos brasileiros em áreas de agricultura resultou na perda estimada de 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo. Essa quantidade, calculada com base em dados coletados por estudos realizados nos últimos 30 anos, equivale à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente, unidade de medida usada para padronizar a emissão de diferentes gases de efeito estufa.
A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Communications por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), da Embrapa Agricultura Digital e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
O trabalho foi realizado no âmbito do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon), um centro de pesquisa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sediado na Esalq-USP e coordenado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, que também assina o artigo.
A boa notícia é a estimativa dos pesquisadores de que “recarbonizar” cerca de um terço da área agrícola do país já seria suficiente para alcançar a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) do Brasil no Acordo de Paris, que tem como meta a redução de 59% a 67% das emissões de gases de efeito estufa (em relação a 2005) até 2035.
A meta, em teoria, poderia ser alcançada utilizando técnicas sustentáveis, como rotação de cultura, plantio direto e sistemas integrados como integração lavoura-pecuária-floresta. Outro potencial se dá na reforma de pastos degradados, que somam 20 milhões de hectares apenas na mata atlântica.
“O objetivo principal desse trabalho era estimar a dívida de carbono dos solos do Brasil. Além de chegar a esse número geral, calculamos quanto cada bioma acumula e quanto perde de carbono quando uma área natural é convertida em agricultura, além de quais práticas agrícolas conservam mais e menos carbono no solo”, resume João Marcos Villela, primeiro autor do estudo e pesquisador na Esalq-USP apoiado pela Fapesp.
As estimativas foram realizadas a partir da análise do maior banco de dados sobre carbono dos solos do Brasil, agrupado pelos pesquisadores e que reuniu 4.290 registros provenientes de 372 estudos publicados nos últimos 30 anos. Foram contemplados todos os biomas brasileiros e tanto áreas de vegetação natural quanto de agricultura.
A expectativa dos pesquisadores é que os resultados do estudo ajudem a guiar políticas públicas e ações da iniciativa privada, tanto para direcionar práticas sustentáveis nas lavouras quanto para subsidiar o mercado de créditos de carbono com dados sobre os estoques brasileiros.
Melhores práticas
Para realizar cálculos de emissões de gases de efeito estufa, usa-se a métrica CO2 equivalente, a fim de padronizar diferentes gases em uma só unidade de medida. Neste caso, a quantidade aferida de carbono é multiplicada por 3,66, daí a diferença entre o 1,4 bilhão de toneladas de carbono e os 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
No estudo, a mata atlântica apresentou o maior acúmulo de carbono no solo em sua vegetação natural e em áreas de agricultura. Caatinga e pantanal foram os que tiveram os menores estoques entre as medições realizadas. Os pesquisadores consideraram o carbono presente em quatro camadas de solo normalmente analisadas nesse tipo de estudo, 0 a 10 cm, 0 a 20 cm, 0 a 30 cm e 0 a 100 cm.
Na camada mais superficial, os estoques das áreas de vegetação nativa da mata atlântica foram 86% maiores do que na caatinga e 36% maiores do que no cerrado. Em áreas de agricultura, a mata atlântica superou pantanal e caatinga em 154% e 62%, respectivamente.
A grande quantidade de dados permitiu ainda estimar os tipos de conversão que mais retiram carbono do solo em cada bioma e quanto a transição da monocultura para outras práticas agrícolas pode aumentar o carbono estocado nos seis biomas analisados.
Enquanto transformar vegetação nativa em monocultura na mata atlântica gera uma perda de 33% do carbono do solo, a mesma conversão no cerrado causa um déficit de 15,8%. Por sua vez, converter uma área de monocultura em um sistema integrado no cerrado gera um ganho de 15,3% de carbono no solo.
Na amazônia, estima-se que fazer a transição da monocultura para a rotação de culturas, ou para o cultivo de mais de uma cultura em consórcio, gera um incremento potencial de carbono de 14,1%.
“Estes são potenciais teóricos, que ainda dependem de mais estudos para sabermos se podem se concretizar ou não. No entanto, agora temos uma base que nos dá boas perspectivas para a aplicação em novos estudos e mesmo em políticas públicas e no mercado de créditos de carbono no Brasil, ainda incipiente”, conclui Villela.
Em dezembro de 2025, a Shell, a Petrobras e o CCarbon lançaram o Carbon Countdown, que será o maior banco de dados de estoques de carbono do Brasil. Com metodologia padronizada, o projeto vai coletar e medir amostras em todo o país, a fim de refinar os resultados obtidos no estudo publicado agora.
Outro centro que apoiou o estudo foi o Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), sediado na USP e financiado pela Fapesp e pela Shell.
A madeira está voltando ao centro da construção civil em projetos de grandes edifícios, impulsionada pelo uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada, que permitem estruturas mais altas, leves e resistentes.
Segundo a tendência descrita por arquitetos e engenheiros em um artigo do Grist, organização de mídia independente dedicada a soluções climáticas, a adoção da madeira em grandes edifícios acompanha tanto preocupações ambientais quanto avanços técnicos que permitem seu uso seguro em estruturas de grande porte.
O uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada, em que camadas são coladas para formar vigas mais resistentes, permite a construção de edifícios de 15, 20 e até 25 andares. Em 2022, o Ascent MKE Building, com aproximadamente 86,5 metros, foi inaugurado em Milwaukee, nos Estados Unidos, e se tornou o edifício de madeira mais alto do mundo.
Esse avanço ocorre em um contexto de aquecimento global. Árvores capturam carbono durante o crescimento e esse carbono pode ser incorporado de forma permanente às construções. Em Vancouver, no Canadá, foi concluído um edifício de 10 andares chamado The Hive, descrito como a maior estrutura de madeira com resistência sísmica do tipo na América do Norte.
Apesar do uso da madeira, as construções não dependem apenas dela para resistir a terremotos. O The Hive utiliza amortecedores Tectonus, que funcionam como grandes sistemas de absorção de energia e ajudam a recentralizar o edifício após tremores.
Em testes realizados na Universidade da Califórnia em San Diego, uma estrutura de madeira de 10 andares foi submetida a 88 simulações de terremotos. No núcleo do edifício havia uma peça de madeira em massa chamada “parede oscilante”, ancorada à fundação com hastes de aço de alta resistência. A estrutura não sofreu danos. “Teve um desempenho fenomenal”, afirmou Shiling Pei, professor da Colorado School of Mines.
Mesmo em construções em madeira, ainda há uso de outros materiais. As vigas são fixadas com suportes metálicos e os edifícios permanecem apoiados em fundações de concreto, cuja produção tem impacto significativo de carbono, embora haja esforços para torná-la mais sustentável.
Em relação ao risco de incêndio, a madeira laminada é projetada para formar uma camada de carvão ao queimar, o que ajuda a proteger sua estrutura interna. “Essa é a camada de carvão que atua como um revestimento protetor que impede que queime ainda mais”, disse Lindsay Duthie.
Além da engenharia, há também o aspecto ambiental: o uso da madeira é apontado como alternativa ao aço, cuja produção tem alto impacto de carbono, e pode se beneficiar de práticas de manejo florestal que utilizam árvores menores e ajudam a reduzir riscos de incêndios.