A Bracell, uma das líderes globais na produção de celulose solúvel, anunciou a abertura de novas oportunidades de trabalho focadas nas áreas de manutenção automotiva e operações florestais para o estado de São Paulo. A iniciativa faz parte do plano de expansão da companhia, que busca reforçar suas equipes técnicas para dar suporte à alta demanda logística e produtiva na região.

As vagas contemplam diferentes níveis de especialização, com foco em profissionais que possuem experiência em mecânica pesada e infraestrutura de transporte.

Oportunidades Disponíveis

De acordo com o comunicado oficial da empresa, as posições em destaque são:

Além das vagas para manutenção, a companhia mantém um banco de talentos ativo para áreas florestais, visando profissionais interessados em atuar no manejo e colheita sustentável.

Como se Candidatar

Os interessados em participar do processo seletivo para as vagas de manutenção ou realizar o cadastro para a área florestal devem acessar os canais oficiais de recrutamento da Bracell.

Para as vagas de manutenção e cadastro geral, as inscrições podem ser realizadas através do link oficial: Questionário de Cadastro Bracell.

Aviso Importante: Este portal possui caráter meramente informativo. Não temos relação direta com o processo de seleção ou com a empresa Bracell. As vagas são replicadas a partir dos canais oficiais da companhia e podem ser preenchidas ou alteradas a qualquer momento, sem aviso prévio.

Com mais de seis décadas de atuação no mercado, a Açokorte consolida sua posição como referência em soluções de corte e desgaste, atendendo segmentos industriais de alta exigência como siderurgia, papel e celulose, óleo e gás, biomassa, borracha entre outros. A estratégia da empresa combina desenvolvimento técnico, proximidade com o cliente e constante atualização tecnológica.

Conforme Maria Clara Martins, Gerente de Vendas da Açokorte, a longevidade da empresa está diretamente ligada à capacidade de adaptação às demandas do mercado.

“Atuamos com excelência em diferentes segmentos, oferecendo soluções de corte e desgaste de acordo com a necessidade de cada cliente, equipamento e processo”, afirma.

Desempenho e estabilidade como diferenciais técnicos

Entre os principais diferenciais dos materiais desenvolvidos pela empresa, como aço especial AK, bimetálico, sinterizado e metal duro, estão o desempenho e a estabilidade operacional, fatores determinantes para a produtividade industrial.

Os desenvolvimentos que envolvem mudança de materiais têm como foco principal melhorar a performance e a estabilidade da ferramenta ao longo da campanha”, explica Maria Clara.

Esse avanço técnico permite que as indústrias operem com maior previsibilidade, reduzindo falhas e otimizando processos produtivos.

Soluções personalizadas a partir da realidade do cliente

Um dos pilares da atuação da Açokorte é o desenvolvimento de soluções sob medida. O processo começa com uma análise detalhada das condições operacionais de cada cliente.

Realizamos visitas técnicas para entender a necessidade, avaliar condições de corte e desgaste, equipamentos utilizados e campanhas atuais. A partir disso, apresentamos melhorias que podem gerar ganhos ou corrigir falhas”, destaca.

Essa abordagem consultiva permite à empresa atuar de forma estratégica dentro das operações industriais, entregando soluções alinhadas aos objetivos específicos de cada cliente.

Recondicionamento como fator-chave de eficiência

Além do fornecimento de materiais, a Açokorte também se destaca pelos serviços de recondicionamento, considerados essenciais para garantir o desempenho e a vida útil das ferramentas.

O recondicionamento é determinante para a performance. Quando realizado fora dos padrões, pode comprometer a estrutura do material, gerando problemas como microtrincas e falhas prematuras”, alerta Maria Clara.

Para garantir a qualidade desse processo, a empresa oferece treinamento gratuito às equipes dos clientes, reforçando a importância do uso correto das ferramentas.

Atuação multissetorial como vantagem competitiva

Atender diferentes segmentos industriais já foi um desafio, mas hoje se tornou um dos principais ativos da Açokorte. A empresa investe continuamente em tecnologia e qualificação da equipe para manter um padrão elevado de atendimento.

Temos uma equipe multidisciplinar e conseguimos intercambiar soluções entre diferentes setores, o que gera processos mais eficientes. Essa diversidade hoje faz parte do DNA da empresa”, afirma.

Futuro impulsionado por inovação em materiais

O setor de materiais de desgaste passa por uma fase de rápida evolução tecnológica, especialmente em áreas como tratamentos térmicos e revestimentos.

Estamos vivenciando uma evolução tecnológica em alta velocidade, com um futuro promissor principalmente em tratamentos e revestimentos. Há muitas inovações em desenvolvimento”, conclui.

Com esse cenário, a Açokorte segue posicionada para acompanhar transformações do setor, apostando em inovação, conhecimento técnico e proximidade com o cliente.

A madeira engenheirada pode atacar uma fraqueza clássica da energia solar: quando o Sol some, a geração cai junto. Ao redesenhar a estrutura interna da balsa em escala microscópica e nanométrica, pesquisadores criaram um material que absorve luz, guarda energia como calor e continua gerando eletricidade mesmo depois do escuro.

O avanço está em transformar a própria madeira engenheirada em um sistema “tudo em um”, sem empilhar camadas diferentes que costumam desperdiçar energia nas fronteiras entre materiais. A madeira deixa de ser só suporte e vira parte ativa da conversão, do armazenamento e da proteção do sistema.

Por que a energia solar “morre” à noite e o que a madeira engenheirada muda

Sistemas solares podem ser muito eficientes na captura de luz, mas continuam presos a um limite básico: sem radiação, não há potência imediata. Uma solução é armazenar energia como calor, mas isso costuma exigir várias camadas, cada uma com uma função, o que gera perdas.

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A proposta da madeira engenheirada é diferente: integrar absorção de luz, armazenamento térmico e geração elétrica em uma única estrutura, usando a arquitetura natural da madeira como “andaime” para materiais avançados.

Balsa por dentro: microtubos que viram um “andaime” natural

A escolha da balsa não foi pela resistência, mas pela geometria interna. Em microscópio, ela parece um feixe de microtubos alinhados, com canais de cerca de 20 a 50 micrômetros de largura. Esses canais ajudam a guiar calor e acomodar outros materiais.

O problema é que a madeira crua reflete luz e absorve água. Para resolver, a equipe removeu a lignina, elevando a porosidade para acima de 93% e expondo uma rede interna com muitas superfícies reativas. A madeira vira uma “esponja porosa” por dentro, mas mantém direção e estrutura.

Fosforeno negro protegido: absorve do UV ao infravermelho e vira calor

Em vez de carbonizar a madeira, a engenharia foi química nas paredes dos canais. Elas foram revestidas com folhas ultrafinas de fosforeno negro, capaz de absorver luz em ultravioleta, visível e infravermelho e converter em calor.

Como o fosforeno degrada no ar, cada folha foi protegida por uma camada formada por ácido tânico e íons de ferro, criando uma rede que funciona como escudo contra oxidação e ainda melhora a absorção por efeitos de transferência de carga. Mesmo após 150 dias de exposição solar, o material revestido permaneceu estável.

Prata e super-hidrofobia: mais captura de luz e menos água

O material recebeu nanopartículas de prata para ampliar a absorção de luz por efeitos plasmônicos. Depois, a superfície foi modificada com cadeias longas de hidrocarbonetos, tornando-a extremamente repelente à água.

O resultado foi uma estrutura super-hidrofóbica com ângulo de contato de 153°, ou seja, a água simplesmente escorre, o que ajuda no uso ao ar livre.

Ácido esteárico guarda calor e sustenta geração após a luz sumir

Com o “andaime” pronto, os canais foram preenchidos com ácido esteárico, um material de mudança de fase. Quando aquece, ele derrete e armazena energia; quando esfria, solidifica e libera esse calor.

Os números do desempenho resumem o salto da madeira engenheirada:

Na prática, a luz aquece a estrutura e derrete o ácido esteárico. Quando a luz desaparece, o calor é liberado aos poucos, mantendo uma diferença de temperatura no gerador termoelétrico. É isso que permite continuar produzindo eletricidade mesmo no escuro.

Durabilidade e segurança: ciclos térmicos, chama e microrganismos

A madeira engenheirada foi testada em 100 ciclos de aquecimento e resfriamento e manteve desempenho quase inalterado. Também apresentou comportamento de segurança relevante: resistiu à queima e se autoextinguiu em até dois minutos.

Outro ponto é a superfície antimicrobiana, pensada para reduzir colonização de microrganismos que degradariam o desempenho em ambiente externo. Isso ajuda a manter a performance fototérmica por mais tempo.

O que ainda falta antes de virar produto

Mesmo com os resultados, o trabalho ainda é prova de conceito. O próximo passo é mostrar que a madeira engenheirada consegue operar em escala maior com saída de energia adequada para aplicações reais, mantendo estabilidade, custo viável e fabricação repetível.

Se esse caminho funcionar, o conceito pode abrir espaço para soluções de armazenamento solar mais simples, além de usos como gestão térmica em eletrônicos, materiais de construção mais eficientes e sistemas off-grid onde confiabilidade importa mais do que pico de potência.Você acha que a madeira engenheirada tem mais futuro em energia off-grid e emergências, ou em materiais de construção para reduzir gasto com climatização?

Fonte: Click Petróleo e Gás

Um trio de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveu um modo de obter uma enzima, a partir de um fungo cultivado em resíduos agrícolas, que promove o branqueamento da polpa da celulose, processo importante na produção de papel.

O branqueamento da polpa de celulose normalmente utiliza reagentes oxidantes à base de cloro, como o dióxido de cloro. Esses produtos químicos são altamente tóxicos e podem contaminar efluentes e até a atmosfera, liberando gases nocivos à saúde humana.

Entre as vantagens da nova tecnologia, além da produção a partir de resíduos agrícolas, está o fato de que a proteína obtida apresenta estabilidade térmica superior à de muitas enzimas fúngicas descritas na literatura científica, o que amplia suas possibilidades de aplicação na indústria.

“Esta é uma alternativa mais sustentável para a indústria papeleira, que reduz o uso de químicos tóxicos e cujos resultados têm bom potencial de aplicação. Como o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de celulose de eucalipto, o desenvolvimento de tecnologias de branqueamento mais limpas é especialmente estratégico para o país”, conta Diandra de Andrades, primeira autora do estudo, realizado como parte de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com bolsa da Fapesp.

O trabalho integra as atividades do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (INCT Bioetanol) e está relacionado a dois projetos apoiados pela Fapesp, ambos coordenados por Maria de Lourdes Teixeira de Moraes Polizeli, professora da FFCLRP-USP, que também assina o artigo.

A enzima obtida foi a xilanase, que degrada a xilana, uma hemicelulose presente na parede celular de plantas, como o eucalipto, e pode ser usada na produção de papel e celulose. A xilanase facilita a remoção de frações de xilana associadas à lignina residual na polpa após o cozimento da madeira na indústria, contribuindo para o aumento da alvura e para maior eficiência das etapas subsequentes de branqueamento da celulose.

A xilanase foi extraída do Aspergillus caespitosus, um fungo de solo descrito em 1944 nos Estados Unidos e isolado na USP, em 2001, a partir de amostras coletadas no campus de Ribeirão Preto.

As pesquisadoras cultivaram o fungo em dois resíduos agrícolas, bagaço de cana-de-açúcar e farelo de trigo, por meio do método de fermentação em estado sólido. Ambos os substratos se mostraram bastante vantajosos por causa do baixo custo, da facilidade de crescimento fúngico e da alta produção de xilanase.

O aproveitamento de bagaço de cana e farelo de trigo insere o processo no conceito de bioeconomia circular, agregando valor a resíduos agroindustriais abundantes no Brasil.

“O bagaço de cana se tornou mais eficiente quando fizemos um pré-tratamento com hidróxido de sódio [soda cáustica], que separa a celulose da hemicelulose e da lignina, facilitando a penetração do fungo nas fibras. O farelo de trigo, por sua vez, não demandou pré-tratamento por ter boa disponibilidade de carbono, a principal fonte de energia do fungo”, explica Polizeli.

A pesquisadora ressalta, no entanto, que um fator importante a ser levado em conta na escolha do substrato é a disponibilidade local, uma vez que esta pode implicar aumento de custo. Em regiões com alta produção de açúcar e etanol, como o interior do Estado de São Paulo, o bagaço da cana seria o substrato mais indicado, mesmo considerando a necessidade de pré-tratamento. Em regiões produtoras de trigo, como o Estado do Rio Grande do Sul, o farelo de trigo seria mais indicado.

Processo

O branqueamento da polpa não pode ser realizado por completo com enzimas fúngicas porque requer altas temperaturas, que as enzimas não suportam. No entanto, ao longo dos anos, o grupo liderado por Polizeli demonstrou que a enzima do Aspergillus caespitosus tolera temperaturas em torno de 60 °C, quando muitos fungos não vão muito além de 40 °C.

“À medida que avança o processo de branqueamento na fábrica, as temperaturas vão sendo reduzidas. Com isso, nossa enzima pode ser utilizada nas últimas etapas do processo, em que a temperatura é próxima de 60 °C, atuando como um passo complementar ao branqueamento químico convencional e reduzindo a necessidade de dióxido de cloro e, consequentemente, a carga química do processo”, conta Polizeli.

Agora, o grupo busca formas de imobilizar a enzima em algum suporte químico, para que ela possa ser reutilizada mais vezes e até mesmo suportar temperaturas mais altas.

Uma aposta promissora são as nanopartículas magnéticas combinadas à nanocelulose, que poderiam servir, inclusive, para enzimas utilizadas em outras indústrias, como na produção de bioetanol. Os resultados reforçam o potencial da biodiversidade brasileira como fonte de biotecnologias sustentáveis com aplicação industrial.

Pesquisadores do Laboratório de Quimio-Biologia Computacional (CCBL) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP desenvolveram um biorreator semiautomatizado, de baixo custo e código aberto, para estudos com culturas microbianas. O desenvolvimento e validação do equipamento foram detalhados em artigo publicado na revista ACS Omega.

Para testar o equipamento, o grupo realizou um estudo de caso com fungos capazes de degradar a lignina, um polímero natural presente na parede celular de plantas e um dos principais resíduos da produção de papel e celulose. Atualmente, a maior parte desses resíduos é incinerada pelas indústrias, e um método alternativo de biodegradação seria uma solução mais sustentável.

Os biorreatores são equipamentos que fornecem um ambiente controlado, com parâmetros como temperatura, agitação e teor de oxigênio estáveis, favorecendo o crescimento celular. Eles possibilitam o cultivo eficiente de microrganismos, a produção de biomoléculas e a realização de experimentos de longa duração. Apesar de comumente utilizados nas indústrias farmacêutica e química, esses equipamentos costumam ser muito caros devido à sua alta complexidade, podendo se tornar inacessíveis para laboratórios de pesquisa não industriais.

“Havia dois motivos principais pelos quais queríamos desenvolver o nosso próprio biorreator: o primeiro é que biorreator é muito caro, e o segundo é que, normalmente, os biorreatores não possibilitam fazer coleta e inserção de conteúdo sem que os recipientes do sistema sejam abertos, o que aumenta o risco de contaminação”, explica João Vítor Guimarães Ferreira, autor do artigo que desenvolveu o projeto na iniciação científica, ainda durante a graduação.

Neste contexto, o grande desafio de Ferreira era transitar entre três áreas muito distintas para desenvolver a ideia inicial: programação computacional – linha de pesquisa principal do grupo; eletrônica – uma área completamente nova no laboratório; e microbiologia – a mais familiar para o pesquisador, estudante do curso de Farmácia.

Foi necessário combinar suas experiências prévias sobre microrganismos e códigos computacionais a uma imersão no estudo de microcomputadores capazes de receber e transmitir sinais para que o equipamento alcançasse os objetivos iniciais do projeto.

Deu certo. Além do custo total da montagem do aparelho ficar em torno de R$ 1 mil (muito abaixo do valor dos biorreatores de pequeno porte disponíveis no mercado, que podem custar entre R$ 5 mil e R$ 200 mil), o sistema ainda é capaz de realizar coletas periódicas e repor o volume de meio de cultura retirado. Essas etapas são realizadas de forma automatizada e programada, comandadas pelo microcomputador, e ocorrem sem a necessidade de abrir os recipientes, o que reduz o risco de contaminação.

Finalizadas as etapas de desenvolvimento e construção, era necessário comprovar a funcionalidade e segurança do novo biorreator por meio de uma validação, utilizando-o em um experimento. Isabela Victorino da Silva Amatto, pesquisadora de pós-doutorado na FCFRP e também autora do artigo, explica que o teste escolhido foi o cultivo de duas espécies de fungos, Phanerochaete chrysosporium e Trichoderma reesei, na presença de lignina.

O objetivo era avaliar a capacidade dos microrganismos – tanto separadamente quanto em cocultivo – de degradar a lignina. Para acompanhar a degradação da lignina dentro do biorreator, os pesquisadores avaliaram os metabólitos (produto do metabolismo de uma determinada molécula ou substância) produzidos pelos microrganismos durante um período total de 25 dias. Usando técnicas analíticas de separação e detecção de substâncias, vários intermediários da degradação de lignina puderam ser observados e submetidos a estudos metabolômicos, que são abordagens utilizadas para a identificação dos metabólitos em estudo. Além disso, foram realizadas, também, análises genômicas, ou seja, das características genéticas dos fungos, para compreender quais mecanismos moleculares presentes nos microrganismos viabilizam sua capacidade de degradar o resíduo industrial.

Para Isabela Amatto, o uso de diferentes abordagens reforça a confiabilidade dos resultados obtidos. “A partir da integração dos dados de genômica e metabolômica, podemos provar que aquele metabólito detectado estava sendo produzido pelos fungos, porque no genoma do fungo está presente um gene que produz a enzima responsável pela reação que gera aquele intermediário”, explica.

De acordo com João Vítor Guimarães Ferreira, a interdisciplinaridade do projeto, abrangendo diferentes áreas e técnicas de análise, foi um dos principais pontos para o sucesso dessa ideia. “Eu adorei fazer parte desse projeto, porque vi um mundo de possibilidades que talvez eu não conheceria através das aulas da graduação. A ciência, de modo geral, não é linear, ela tem vários polos. E a parte mais interessante da ciência, pelo menos para mim, é quando esses polos, esses mundos isolados, têm um ponto de intersecção – porque é ali que a inovação realmente acontece”, finaliza.

O artigo Semiautomated Monitoring of Longitudinal Microbial Metabolic Dynamics: A Study Case for Lignin Degradation pode ser lido aqui.

Mais informações: e-mail ridasilva@usp.br, com Ricardo Roberto da Silva

Texto por Eduarda Antunes Moreira, Bolsista Mídia Ciência – Jornalismo Científico/Fapesp no LarFarMar

Essa empresa constrói experiências sensoriais e de bem-estar, redefinindo o novo jeito de morar.

A arquitetura vive uma verdadeira virada de chave. Se antes a estética era o ponto de partida, hoje ela caminha lado a lado com desempenho ambiental, conforto e bem-estar. Essa mudança de mentalidade molda uma nova geração de escritórios e a F/Wood desponta como um dos nomes que melhor traduzem esse movimento.

Com pouco mais de um ano de atuação, a empresa nasceu com um propósito claro: redefinir a relação entre arquitetura, luxo e natureza. Para isso, aposta em um recurso que vem transformando a construção civil em escala global: a madeira engenheirada ou Mass Timber.

À frente da empresa estão o sócio-fundador Marco Casarotto e o arquiteto Lucas Ribes, nomes conhecidos no setor, especialmente pelo projeto Casa Cacupé, residência de 650 m² em Florianópolis, desenvolvida em parceria com o escritório Arte e Arquitetura, de Márcia Barbieri. A proposta une conforto térmico, desempenho acústico e soluções voltadas ao bem-estar dos moradores — princípios que hoje orientam todos os projetos da F/Wood.

Incomodados com os impactos do modelo tradicional da construção civil — responsável por cerca de 30% das emissões globais de carbono — Marco e Lucas passaram a buscar caminhos mais eficientes e sustentáveis. Encontraram na madeira engenheirada não apenas uma solução construtiva de alto desempenho, mas também uma forma de promover mais qualidade de vida às pessoas. Essa busca por desempenho e qualidade estrutural orienta as decisões construtivas do escritório, que adota uma metodologia baseada em sistemas formados pela união de lâminas, painéis ou partículas de madeira coladas ou cruzadas, princípio que define a essência da Mass Timber.

.A F/Wood, também conhecida como Future Wood, atua em três frentes complementares. O ateliê e estúdio, localizado em Florianópolis (SC), é onde nascem projetos de residências e empreendimentos de hospitalidade. Já a fábrica, em Imaruí (SC), é dedicada à produção de elementos construtivos como tetos, painéis e lajes. A empresa conta ainda com floresta própria, de onde vem a matéria-prima que abastece tanto seus projetos quanto obras de arquitetos e incorporadoras de diferentes regiões do país.

Conceito de Wellness
Mais do que uma solução construtiva, os projetos do estúdio são guiados pelo conceito de Wellness — uma abordagem na arquitetura que integra desempenho técnico aos efeitos estéticos e sensoriais pela madeira engenheirada. Essa proposta se traduz em espaços pensados para serem percebidos e vividos, com um design que cuida e que se integra ao bem-estar dos moradores pelas experiências sensoriais representadas em conforto térmico e acústico.

Esses aspectos já dão ares de prosperidade ao mercado global de madeira engenheirada, que cresce entre 16% e 18% ao ano, enquanto o conceito Wellness avança entre 10% e 12% anuais.De acordo com o arquiteto Lucas Ribes, o método de Mass Timber é muito mais do que vivência. “É resposta e visão de futuro”, afirma. E os números confirmam esse avanço. Em países como Canadá, Estados Unidos e nações da Europa, a madeira engenheirada já é amplamente empregada. No Brasil, o conhecimento sobre o tema ainda é recente, embora a produção da matéria-prima tenha crescido cerca de 160% nos últimos cinco anos, apontando para um futuro promissor. 

De olho nessa tendência, o sócio fundador da F/Wood, Marco Casarotto, projeta para a empresa um crescimento de 117% de área construída neste ano, passando de 1.150 m² em 2025 para 2.500 m² construídos ao longo de 2026. Assim, os planos de posicionar a empresa como referência em um mercado que exige soluções escaláveis, responsáveis e alinhadas às urgências urbanas do presente tornam-se cada vez mais próximos.

Para quem enxergou na madeira o potencial de transformar a forma de construir e de viver, este é apenas o começo. “Nascemos da certeza de que existe um caminho mais leve, inteligente e humano para a arquitetura”, completa o empresário Casarotto.

A Embrapa Florestas e o Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais (Funcema) consolidaram, no início de abril, um novo formato de cooperação voltado ao manejo da vespa-da-madeira (Sirex spp.), considerada a principal praga da silvicultura de pínus. A iniciativa representa um avanço em uma parceria construída ao longo de 37 anos, reconhecida por sustentar um dos programas de controle biológico mais bem-sucedidos do setor florestal brasileiro.

Resultado de cerca de dois anos de construção conjunta, o novo acordo amplia o escopo da cooperação ao integrar, de forma estruturada, atividades de pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de tecnologia. A proposta passa a ser conduzida como um Programa de Manejo Integrado da praga, alinhado às demandas atuais do setor produtivo e às diretrizes institucionais da Embrapa. Mais do que a produção de insumos, a parceria passa a priorizar a entrega de soluções tecnológicas completas, baseadas em dados e com maior articulação com o setor florestal. Nesse contexto, o Nematec®, inseticida biológico desenvolvido pela Embrapa Florestas, segue como componente estratégico, agora inserido em uma abordagem mais ampla de controle.

O chefe-geral da Embrapa Florestas, Silvio Brienza, destacou que o novo momento representa um avanço na forma de atuação da Unidade e no relacionamento com o setor produtivo. “Hoje nós estamos inserindo nessa forma de relação o monitoramento de como essa solução elaborada lá atrás se comporta ou ela se desenvolve hoje”, pontuou. 

A construção do novo formato também contou com a participação direta da gestão anterior da Unidade. O então chefe-geral interino à época da elaboração e assinatura do acordo, Marcelo Francia Arco-Verde, ressaltou que o modelo traz ganhos importantes em termos de segurança e equilíbrio na parceria. “O ajuste dirime prejuízos anuais e fortalece a confiança mútua entre a Embrapa e as mais de 170 empresas representadas pelo setor”, afirmou.

Para a supervisora do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT), Anna Thais Gomes, responsável pela estruturação do novo modelo, a atualização foi essencial para alinhar a parceria às demandas atuais. “Conseguimos evoluir para uma abordagem mais integrada, que amplia o papel da tecnologia e fortalece sua inserção em um programa estruturado de manejo”, afirma.

Representando o Funcema, o presidente da entidade e da Associação Sul-brasileira de Empresas Florestais (ASBR), José Mario de Aguiar Ferreira, ressaltou a importância da cooperação com a Embrapa. “A cultura do pínus não poderia existir sem esse trabalho do nematoide, do monitoramento e do controle da vespa-da-madeira, e a revisão dos termos vem para garantir a continuidade do projeto sem riscos para as instituições”, afirmou.

Outro avanço do novo formato está no fortalecimento da governança e da gestão do programa, com diretrizes voltadas à maior eficiência na execução das atividades e à transparência na aplicação dos recursos. A operacionalização contará com o apoio de uma fundação, contribuindo para maior agilidade na implementação das ações e no suporte às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Além disso, a nova estrutura amplia a capacidade de resposta a desafios emergentes, como a introdução de novas espécies da praga em plantios de pínus no Brasil, permitindo o desenvolvimento de pesquisas específicas e a incorporação de novas estratégias de controle. A iniciativa reafirma a importância da cooperação entre pesquisa e setor produtivo, posicionando a parceria entre Embrapa Florestas e Funcema como referência no desenvolvimento de estratégias integradas para o manejo de pragas florestais no país.

Controle biológico consolidado

Considerada a principal praga da silvicultura de pínus, a vespa-da-madeira é alvo de um dos mais bem-sucedidos programas de controle biológico do Brasil. A Embrapa Florestas é responsável pelo desenvolvimento do Nematec®, um inseticida biológico à base do nematoide Deladenus siricidicola, amplamente utilizado no controle da praga.

O produto atua por meio da inoculação do nematoide em árvores infestadas, interrompendo o ciclo reprodutivo da vespa e reduzindo sua disseminação. Reconhecido pela eficácia, segurança ambiental e viabilidade operacional, o método tem contribuído para manter os níveis de infestação sob controle no país ao longo das últimas décadas.

Manuela Bergamim (MTb 1951-ES)
Embrapa Florestas

O setor de papel e celulose tem enfrentado um cenário misto e as perspectivas para o futuro têm deixado os investidores ainda mais céticos com o que vem pela frente. Com o desempenho recente do real em alta e o dólar operando ao redor de R$ 5, nas mínimas em dois anos, os investidores veem maior pressão para as exportadoras, levando a uma perda de interesse neste ambiente.

Para a XP Investimentos, ainda que os preços de celulose tenham apresentado uma tendência de alta nos últimos meses, os investidores têm ficado receosos com o cenário que está sendo construído para o setor. Os preços líquidos na China de US$ 600/t (tonelada) e US$ 700/t para celulose de fibra curta e celulose de fibra longa, respectivamente.

Além disso, os analistas veem pressões sobre o crescimento da receita em reais. Essa dinâmica também pode levar a um cenário desfavorável para a rentabilidade daqui em diante.

De acordo com a XP Investimentos, a precificação de curto prazo continua sendo mais influenciada pela oferta do que pela demanda. Esse fenômeno se dá ao passo em que o mercado absorve os cortes de produção em curso.

Ao mesmo tempo, tem custos mais elevados de cavaco e químicos e disrupções logísticas, mesmo com restrições de acessibilidade e condições downstream mais fracas na China emergindo como principais vetores de pressão.

EmpresaRecomendaçãoPreço-alvo
SuzanoCompra (BBA) / Compra (XP)R$ 64 (BBA) / R$ 66 (XP)
KlabinNeutro (BBA) / Compra (XP)R$ 21,5 (BBA) /R$ 25 (XP)

Cenários divergentes

De acordo com a visão de curto prazo do Itaú BBA, o cenário tem sido mais positivo do que o esperado para a celulose de fibra curta. Por outro lado, a celulose de fibra longa continua sofrendo com uma dinâmica de oferta e demanda mais frouxa na China.

Para o BBA, o segundo semestre de 2026 parece mais desafiador para todo o setor. Com a retomada das atividades florestais locais na Indonésia, levando a uma provável queda nos preços de cavacos de madeira no Sudeste Asiático e redução de custos de produção para fabricantes chineses.

Também é esperado para o semestre o início das negociações para nova oferta de celulose do projeto OKI II da APP, com início esperado no final de 2026 ou início de 2027. A longo prazo, de acordo com os analistas do banco, a perspectiva permanece preocupante em termos de fundamentos.

Com a continuidade da integração vertical dos produtores chineses com novas capacidades de celulose e um possível aumento de capacidade de celulose de mercado na América Latina a partir de 2028, o mercado brasileiro deve ter menos espaço para crescimento.

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou proposta que isenta de sanção ou embargo o dono de imóvel rural em que tenha ocorrido incêndio, quando não houver agido com intenção ou mesmo com negligência, imprudência ou imperícia para causar o fogo.

A regra também vale para queimada ou incêndio florestal iniciado em propriedade vizinha.

O texto inclui a regra na Lei 14.944/24, que institui a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Se virar lei, o proprietário não poderá sofrer sanções aplicadas por órgãos ambientais nesses casos.

A proposta aprovada é um substitutivo do deputado Nilto Tatto (PT-SP) ao Projeto de Lei 3872/24, do deputado Lucio Mosquini (PL-RO). O texto inicial isenta de responsabilidade o proprietário rural que não tiver contribuído, direta ou indiretamente, para queimada ou incêndio florestal iniciados em propriedade vizinha.

Segundo Tatto, a punição deve recair sobre quem de fato causou ou ajudou a causar o problema. Isso fortalece a capacidade do Estado de prevenir novas ocorrências e incentiva boas práticas, como manter as áreas em boas condições, avisar rapidamente as autoridades e colaborar com as brigadas. Ao mesmo tempo, evita que o produtor que agiu com cuidado seja responsabilizado por fatos que estavam fora do seu controle.

“A motivação central da proposta é enfrentar situações recorrentes em que incêndios iniciados em propriedades vizinhas se alastram para áreas contíguas, sem qualquer participação ou controle do proprietário atingido; ainda assim, por vezes, esse responsável é submetido a embargos e autuações que comprometem significativamente a atividade produtiva e a própria manutenção do imóvel rural”, disse.

Próximos passos
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Rachel Librelon

A maior fábrica de celulose do mundo em etapa única será construída na cidade de Inocência, no Mato Grosso do Sul. O Projeto Sucuriú é uma iniciativa da multinacional Arauco, e deve gerar 14 mil postos de trabalhos no pico da obra.

A nova fábrica terá capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de mercado por ano. O investimento para a construção da megafábrica é de R$ 23 bilhões, segundo a empresa. A previsão é que as atividades iniciem até o final de 2027.

Além das 14 mil vagas que devem ser abertas durante o andamento das obras, a Arauco afirma que a operação da fábrica de celulose deve contar com 6 mil vagas de emprego nas áreas Industrial, Florestal e Logística.

As instalações estão sendo construídas na cidade de Inocência, que tem 8,4 mil moradores. Ou seja, a projeção de postos de trabalho é maior do que a própria população da cidade.

Como se candidatar às vagas
Os interessados em trabalhar no Projeto Sucuriú, da Arauco, podem acompanhar a publicação de novas vagas através do LinkedIn da empresa. A empresa reforça que as oportunidades são divulgadas somente pelos canais oficiais, e que todas as etapas do processo seletivo são gratuitas. Documentos são solicitados apenas em etapas específicas, através de sistemas oficiais ou e-mails corporativos.

Também é possível acompanhar as vagas disponíveis para trabalhar nas empresas que estão fazendo o Projeto Sucuriú através do sistema Pastinha. Na plataforma, é possível se candidatar à vagas ou cadastrar o currículo.