Fonte: Correio do Povo

“Houve um momento em nossa vida econômica em que a borracha dava para tudo e a Amazônia era o Eldorado brasileiro. Alcançou o precioso látex preços excepcionais e foi a fortuna e, ao mesmo tempo, a mina de muita gente. Ninguém ignora o regime de esbanjamentos e de negociatas inauditas que afinal durou o mesmo que as célebres rosas de Malherbes. Fizemos festa de caboclo e, aproveitando os lucros da afortunada ‘havea’, não nos lembramos da face oposta do problema. Deixamos as culturas aos cuidados da providência e do acaso, que são os dois grandes políticos do Brasil. Entramos depois pelo caminho da fraude, da desonestidade e em pouco tempo os milhões da borracha desapareceram. Veio o período da penúria, das vacas magríssimas. A Amazônia caiu no esquecimento, perdemos os nossos mercados e o produto baixou aos ínfimos preços, ao passo que os ingleses faziam surgir nas suas possessões o que desaparecera do Brasil. Agora o monopólio britânico está se tornando o pesadelo dos países importadores, que começam a voltar os seus olhos para o Nordeste brasileiro. Especialmente os Estados Unidos e a Alemanha, que veem naquela outrora opulenta região campo propício para uma segura resistência à indústria britânica. Nesse sentido se estão procedendo a estudos metódicos e com um caráter e senso científico. É bem possível que, como sempre tem sucedido, o ruído que está fazendo no mundo o monopólio britânico nos desperte do letargo em que mergulhamos, hipnotizados pela miragem da nossa incomensurável riqueza.”

O ciclo econômico de exploração da borracha no Brasil se estendeu entre o fim da década de 1870 e o início da de 1910. O látex da seringueira da Amazônia teve grande demanda internacional, sobretudo pela indústria automobilística. Dessa forma, a Região Norte do país se integrou ao comércio global. O declínio do monopólio amazônico se deu a partir da década de 1910 com a crescente produtividade e rentabilidade da exploração britânica em suas colônias no Leste Asiático.

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Bajulação

“‘A Vanguarda’ publica hoje o seguinte comentário, sob o título ‘A mania de bajulação ao sr. Washington Luís’: ‘A princípio correu o boato de que o sr. Washington não gostava que lhe escrevessem o ‘Luís’ com Z. Imediatamente os luíses da política, das repartições públicas e os aficionados da politicagem, como homenagem ao futuro governo, mandaram o Z às urtigas e adotaram a grafia do sr. Washington. Um dia, o sr. Washington machuca o pé. Não tardaram os admiradores de s. excia. a procurar um motivo qualquer para mancar. Até o nosso chanceler apareceu com o pé machucado, tudo isso por solidariedade ao futuro sol. Doutra feita o ‘engrosso-cocus’ atribulou um respeitável cidadão residente em Niterói. Descobriram que ele tinha parentesco afastado com o sr. Washington e por isso o homem se viu abordado com as manifestações, os presentes, as visitas e os cumprimentos. O ‘engrosso-cocus’, micróbio da moda, continuou a contaminar meio mundo. A sua última manifestação é tão idiotamente entusiasta que toca às raias do absurdo. Foram descobrir que o sr. Washington, quando pequeno, cursara o Colégio Augusto, no Engenho Novo, aqui [Rio de Janeiro]. Para quê, santo Deus? Já andam por aí os antigos condiscípulos de s. excia. fazendo subscrição para homenagear o colega ilustre. Que impressão deve ter o sr. Washington de tal gente?!’”

Fonte: The AgriBiz

A FS está dando mais um passo para manter a autossuficiência em biomassa, o principal gargalo da crescente indústria de etanol de milho. Até o final do ano, a empresa chegará a 100 mil hectares de florestas plantadas em Mato Grosso — que serão suficientes para abastecer suas quatro usinas no estado, uma delas em construção.

Com essa área, a FS não só consolida a sua posição como a maior operadora de florestas plantadas em Mato Grosso, sendo responsável por cerca de metade da área total do estado, como se aproxima das gigantes de papel e celulose nesse quesito. A Klabin, por exemplo, tem 400 mil hectares plantados em todo o Brasil — descontando as áreas com algum tipo de proteção. A FS, portanto, já é um quarto da Klabin em florestas plantadas.

Esse é o resultado de um trabalho de quase uma década, quando a FS, pioneira na produção de etanol de milho no País, deu início à construção de sua primeira planta, em Lucas do Rio Verde (MT).

Para ser ideia da dimensão, o custo para implementar um hectare de floresta plantada é da ordem R$ 20 mil, o que demandou cerca de R$ 2 bilhões para cultivar 100 mil hectares que a companhia está prestes a atingir.

O esforço — e o alto investimento — é apoiado na estratégia de negócios da FS, que busca ser carbono negativo. “Quando trouxemos o etanol de milho para o Brasil, tínhamos muito claro que duas características principais diferenciavam o nosso etanol de do americano, resultando numa pegada de carbono inferior: o milho segunda safra, que poupa a terra, e o uso da biomassa renovável”, disse Abud em entrevista ao The AgriBiz.

Também havia a leitura de que a produção de etanol de milho iria aumentar substancialmente no Brasil ao longo da década, exigindo não só mais biomassa como também mais consumidores.

“Buscamos novos mercados, principalmente de exportação, e entendemos que eles exigem um grau de exigência e certificação muito grande. E nos posicionamos muito claramente dessa forma [na origem da biomassa] para capturar não só o acesso, como os potenciais prêmios nesses mercados”, afirmou.

Em todas as discussões que envolvem o uso de etanol na produção de biocombustíveis avançados, como para aviação, transporte marítimo e até novos mandatos terrestres, como no Japão, a demanda está diretamente relacionada com metas de descarbonização, lembrou o executivo. Por isso, a fonte de biomassa utilizada no processo produtivo é fundamental.

No Brasil, em vez do carvão mineral ou do gás natural, a energia que move as caldeiras das plantas de etanol de milho tem como fonte a biomassa, como eucalipto, bambu e até resíduos de processos agroindustriais, entre eles casquinha de arroz, de soja e soqueira de algodão.

A biomassa no centro da estratégia

A busca pela matéria-prima sustentável começou no dia zero da FS. O primeiro passo foi comprar madeira em pé em áreas que haviam sido plantadas na expectativa da construção de uma fábrica de celulose no sudeste do Mato Grosso, o que acabou não se concretizando. Nesse modelo, a FS não tem a posse da terra, mas sim o direito sobre a madeira plantada na área em questão.

Com esse investimento, a FS obteve biomassa para mover a sua primeira planta, resolvendo uma demanda de curto prazo. Mas a empresa continuou investindo de olho no seu plano de expansão, que previa a construção de cinco unidades de etanol de milho em Mato Grosso. “Em algum momento, aceleramos bastante para antecipar a disponibilidade de biomassa”, contou o CEO.

A FS Florestal, uma empresa do grupo, também arrenda áreas no estado para o plantio de eucalipto e tem programas de fomento com produtores terceirizados, oferecendo financiamento e garantindo a compra da biomassa em contratos de longo prazo.

Considerando os três modelos, a FS tem hoje mais de 90 mil hectares plantados e deve ultrapassar 100 mil até o final deste ano. A grande maioria tem eucaliptos plantados, apenas 13 mil hectares receberam mudas de bambu, que tem um ciclo bem mais curto, com o primeiro corte em aproximadamente três anos contra seis do eucalipto.

Para financiar essa base florestal, a FS Florestal captou recursos por meio da emissão de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e buscou financiamento bancário. Desde o início do projeto, a companhia emitiu mais de R$ 1,5 bilhão em CRAs para essa finalidade.

Companhia de Ferro Ligas da Bahia (FERBASA), uma das maiores forças industriais do estado e líder na produção de ferro-ligas no Brasil, anunciou a abertura de novas vagas estratégicas para suas operações. Com unidades que abrangem desde a metalurgia em Pojuca até atividades de mineração e silvicultura em diversas regiões da Bahia, a empresa busca profissionais qualificados para sustentar seu crescimento tecnológico e operacional.

Trabalhar na Ferbasa significa integrar uma organização que alia tradição industrial com inovação sustentável. Se você busca estabilidade em uma das empresas mais sólidas da B3 (Bolsa de Valores) e deseja atuar em projetos de grande escala, confira os detalhes das funções disponíveis em abril de 2026.

Detalhamento das Oportunidades Abertas

As vagas contemplam níveis técnico, superior e de coordenação, exigindo perfis com forte orientação para resultados e segurança.

Requisitos e Perfil Desejado

Para se destacar nas vagas Ferbasa Bahia 2026, os candidatos devem apresentar:

  1. Formação Acadêmica: Diploma compatível com a função (Conselho de classe ativo como CREA ou CFT é indispensável para as vagas técnicas e de engenharia).
  2. Segurança em Primeiro Lugar: A Ferbasa possui protocolos rígidos de segurança. Demonstrar conhecimento em NRs (como NR-10, NR-12 e NR-35) é um diferencial.
  3. Residência: Disponibilidade para atuar em Pojuca, Campo Formoso ou regiões de unidades florestais, conforme a localidade específica de cada vaga.
  4. Habilidades Digitais: Domínio de sistemas de gestão integrada (como SAP) e ferramentas de produtividade.

Benefícios de Carreira na Ferbasa

A Ferbasa é reconhecida por um dos melhores pacotes de benefícios da indústria baiana, incluindo:

Dicas de Ouro: Como ser selecionado pela Ferbasa

O processo seletivo da Ferbasa é criterioso e valoriza tanto a competência técnica quanto o alinhamento cultural.

1. Destaque sua Experiência Industrial

Dica: No seu currículo, enfatize experiências em indústrias de processo contínuo, mineração ou metalurgia. Termos como “Manutenção de Fornos”“Gestão de Ativos”“Projetos de Engenharia” e “Silvicultura” ajudam na triagem inicial.

2. Atenção ao Portal de Candidatura

Dica: A Ferbasa utiliza um portal próprio de talentos. Certifique-se de anexar seu currículo atualizado em PDF e preencher todos os campos de histórico profissional. Informações incompletas podem desclassificar o candidato antes mesmo da entrevista.

3. Foco em Sustentabilidade e ESG

Dica: A Ferbasa possui um forte compromisso ambiental. Se você tem experiência em projetos de redução de resíduos, eficiência energética ou manejo florestal sustentável, dê destaque a isso em sua apresentação.

4. Prepare-se para Testes Técnicos

Dica: Para as vagas de Engenharia e Técnico, é comum a aplicação de avaliações de conhecimentos específicos e raciocínio lógico. Revise conceitos fundamentais da sua área de formação antes das etapas presenciais.

Sobre a Instituição: Ferbasa

Fundada pelo engenheiro José Corgosinho de Carvalho Filho em 1961, a Ferbasa é um orgulho da indústria baiana. Além de sua relevância econômica, a empresa mantém a Fundação José Carvalho, que realiza um trabalho educacional de excelência no interior do estado. Trabalhar na Ferbasa é unir-se a uma companhia que valoriza o desenvolvimento regional, a ética nos negócios e a liderança tecnológica no setor de ferro-ligas.

Como realizar sua inscrição

As candidaturas devem ser feitas exclusivamente através do portal oficial de vagas da companhia. Não há cobrança de taxas para participação em processos seletivos.

Nota: Fique atento aos prazos de cada edital interno, pois as vagas podem ser preenchidas rapidamente conforme o volume de candidatos qualificados. Boa sorte!

Fonte: Empregos na Bahia

Projeto em Inocência terá 620 residências de até 215 m² e começou a ser construído no último mês.

A empresa chilena Arauco iniciou em março a construção de um bairro planejado com 620 casas no município de Inocência, a 331 quilômetros de Campo Grande, para abrigar trabalhadores da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú.

A empresa chilena Arauco iniciou a construção da Vila Arauco, bairro planejado com 620 casas em Inocência, a 331 km de Campo Grande, para abrigar trabalhadores da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú. As residências terão entre 115 e 215 metros quadrados. A entrega está prevista para o segundo semestre de 2027. A iniciativa busca reduzir a pressão sobre o mercado imobiliário local e faz parte de compromissos assumidos junto ao Imasul.

Batizada de Vila Arauco, a estrutura será destinada exclusivamente aos colaboradores da unidade industrial e surge como uma tentativa de antecipar um dos principais efeitos de grandes obras em cidades pequenas: a pressão sobre o mercado imobiliário, com aumento de preços e escassez de moradias.

O porte das residências chama atenção. As casas previstas chegam a 215 metros quadrados, área quase o dobro do tamanho médio de imóveis no Brasil e mais de três vezes superior à de habitações populares, que costumam ter de 46 a 70 m². O projeto também inclui unidades a partir de 115 m², o que indica um padrão acima do normalmente associado a moradias temporárias de trabalhadores.

A proposta não é recente. A criação da vila já aparecia no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) apresentado em 2023, que previa a construção de um núcleo habitacional para “oferecer moradia aos trabalhadores do empreendimento, reduzindo a pressão sobre custos de moradia na cidade”.

Com o avanço da implantação da fábrica, o projeto ganhou escala e passou a integrar o planejamento urbano do empreendimento. Informações divulgadas por empresas envolvidas na execução apontam que a vila faz parte de uma estratégia mais ampla, que inclui infraestrutura urbana, logística e organização do território, além da planta industrial.

A previsão é que as moradias sejam entregues no segundo semestre de 2027, em linha com o início da operação da fábrica de celulose.

Em nota enviada ao Campo Grande News, a empresa afirma que a iniciativa está vinculada a compromissos assumidos junto ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente) e ao Plano Estratégico Socioambiental do projeto. “A Vila Arauco tem como finalidade apoiar o crescimento ordenado de Inocência”, informou.

A Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) também destacou que o bairro planejado busca garantir moradia para os trabalhadores e reduzir impactos do crescimento populacional na cidade.

Fonte: Campo Grande News

Fonte: Extra Classe

Projeto bilionário prevê alto consumo de água. Ambientalistas questionam capacidade de assimilação do sistema hídrico e possíveis impactos.

Uma audiência popular na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre que será realizada nesta terça-feira, 7, a partir das 18 horas, promete aquecer os debates sobre o que vem sendo considerado o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul.

A ampliação da Compañía Manufacturera de Papeles y Cartones (CMPC), apesar das promessas de ser uma referência em tecnologia limpa e controle de emissões, acende o sinal de alerta de pessoas preocupadas com a possibilidade de que possa promover mais uma tragédia ambiental no estado.

O projeto, que inclui a modernização da unidade da CMPC já existente em Guaíba e a construção de uma nova planta em Barra do Ribeiro, pode transformar o complexo da multinacional chilena do setor de papel e celulose em um dos maiores do mundo na produção de celulose, com capacidade estimada de 2,5 milhões de toneladas por ano e aporte de até R$ 27 bilhões.

Se o porte do empreendimento é parte do argumento do governo e do setor empresarial, de outro lado, ambientalistas apontam riscos proporcionais à escala.

A pergunta que será feita na audiência popular nesta terça-feira é: a expectativa da geração de até 12 mil empregos na fase de obras, cerca de 1,5 mil postos permanentes e impactos positivos em infraestrutura, como melhorias logísticas e portuárias, compensaria os possíveis impactos socioambientais?

Água no foco

O uso intensivo da água do Guaíba é um dos principais focos de preocupação. A ampliação da CMPC poderá captar cerca de 288 milhões de litros por dia. O volume é superior ao consumo de toda a população da capital.

Já o lançamento de efluentes no Guaíba, por sua vez, levanta dúvidas de especialistas sobre a capacidade de assimilação do sistema hídrico e possíveis impactos na qualidade da água destinada ao abastecimento público, inclusive em áreas próximas a captações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Há ainda alertas sobre a presença de compostos potencialmente tóxicos, como dioxinas e furanos, além do aumento de nutrientes que podem estimular florações de cianobactérias — fenômeno já associado a episódios de gosto e odor na água. Intervenções como dragagens também preocupam pela possibilidade de remobilizar metais pesados no leito do lago.

Os efeitos sociais entram no mesmo pacote de incertezas. A ampliação pode atingir pescadores artesanais no Guaíba e na Laguna dos Patos, além de comunidades tradicionais e indígenas.

MPF recomenda suspensão

Na semana passada, o debate ganhou um novo capítulo. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a suspensão do licenciamento ambiental da nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro.

O MPF argumenta que houve ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas Guarani Mbyá. A consulta prévia à povos originários é preconizada pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além da elaboração de estudos complementares sobre os impactos da silvicultura e do uso de agrotóxicos na região.

A audiência popular sobre a ampliação da CMPC no estado acontece no plenário Ana Terra, da Câmara de Porto Alegre. Ela é uma iniciativa dos vereadores Alexandre Bublitz (PT) e Paulo Brack (PSol). Segundo os organizadores, a multinacional foi convidada e até o momento não confirmou presença.

Motoristas enfrentam prejuízos materiais, falta de sinalização e riscos fatais em trechos que já deveriam receber manutenção emergencial.

Pouco mais de sessenta dias após a assinatura do contrato de concessão da Rota da Celulose, o otimismo gerado pelo anúncio de R$ 10,1 bilhões em investimentos esbarra na realidade de quem depende das rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul. O consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Infra, assumiu a responsabilidade por 870,4 quilômetros de malha viária, mas o cenário atual é descrito por usuários como “abandono”.

MS-040

A rodovia estadual MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, é apontada como o ponto mais crítico do sistema. Um levantamento do Jornal Cenário MS identificou que, embora os primeiros 40 km não possuam buracos, o mato alto já encobre quase todas as placas de sinalização, tornando curvas e pontos de ultrapassagem proibida em armadilhas invisíveis.

A partir do KM 40, a situação se degrada rapidamente:

Relatos dos usuários

Os áudios enviados por motoristas e moradores revelam um cotidiano de medo e indignação:

MS-338 e BR-267

Na MS-338, as imperfeições causadas pelo excesso de remendos geram trepidação excessiva, enquanto novos buracos surgem a cerca de 15 km de Santa Rita do Pardo. Já na BR-267, o descaso atinge os perímetros urbanos de Bataguassu e Nova Alvorada do Sul, onde a manutenção que antes era feita pelo DNIT cessou após a transferência para a concessionária.

Outro lado

AGEMS informou que o contrato estabelece um prazo de 12 meses para os “Trabalhos Iniciais”, período em que a concessionária deve corrigir os problemas mais relevantes antes de iniciar a cobrança de pedágio. A agência afirmou já ter realizado a primeira fiscalização e enviado um relatório técnico à concessionária.

No entanto, para quem utiliza a rodovia hoje, o prazo de um ano soa como uma eternidade diante do risco de morte. “Muitos já morreram nessa rodovia por falta de manutenção”, desabafou um usuário, citando também a falta de drenagem que causa aquaplanagem em dias de chuva.

Até o momento, a empresa Caminhos da Celulose não respondeu aos questionamentos sobre a lentidão nas intervenções emergenciais.

Fonte: Cenário MS

Iniciativa do setor produtivo levará empresários brasileiros à feira Carrefour International du Bois 2026, na França, com foco em conexões estratégicas e expansão internacional; inscrições abertas até 10/04.

Empresas brasileiras do setor de madeira nativa terão a oportunidade de ampliar a presença no mercado internacional. Estão abertas, até 10 de abril, as inscrições para a missão comercial que levará empresários à Carrefour International du Bois 2026, uma das principais feiras globais da cadeia produtiva da madeira, realizada de 1º a 4 de junho, em Nantes, na França. Entre os mercados-alvo estão países estratégicos como França, Itália, Bélgica, Dinamarca e os Países Baixos – regiões com alta demanda por soluções inovadoras e sustentáveis em madeira.

A iniciativa é realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), além de contar com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC), da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (FIEMS) Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA).

A iniciativa abrirá portas para parcerias estratégicas no exterior e oferecerá uma imersão profunda nas tendências e padrões de consumo do mercado europeu A programação inclui abertura institucional da delegação brasileira, circuitos guiados pela feira e rodadas presenciais de negócios com players globais – um ambiente pensado para promover oportunidades comerciais qualificadas.

Estarão contempladas pela iniciativa empresas exportadoras ou em processo de internacionalização, desde indústrias de desdobramento e beneficiamento primário até fabricantes de painéis de madeira engenheirada, produtos laminados e estruturas para construção civil. O foco é posicionar o setor brasileiro como fornecedor competitivo e sustentável, além de estimular a diversificação de mercados.

As empresas interessadas podem se inscrever até 10 de abril, por meio do formulário online.

Após o cadastro, os participantes receberão mais informações sobre a missão por e-mail.

Plataforma para negócios estratégicos

A Carrefour International du Bois é reconhecida por reunir empresas, compradores, arquitetos, designers e formuladores de políticas públicas, funcionando como uma plataforma estratégica para negócios, inovação e promoção do uso sustentável da madeira em escala global. Em 2024, o evento teve mais de 20 conferências e reuniu 637 expositores, 40 países e 13,5 mil visitantes.

A missão à França faz parte do convênio entre CNI e ApexBrasil, que visa fortalecer a internacionalização das empresas brasileiras e a promoção comercial de setores estratégicos. Por meio da Rede CIN, presente nas 26 federações estaduais da indústria, o projeto oferece serviços especializados para diferentes níveis de maturidade exportadora, com soluções customizadas para inserção no mercado internacional.

Ministério Público Federal (MPF) pediu, na última terça-feira, 31, o arquivamento do inquérito criminal que investigava uma suposta invasão de servidores com o objetivo de desviar cerca de 70 mil e-mails da Eldorado Brasil, da J&F e da JBS.

O caso é um dos desdobramentos da longa disputa societária entre a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista e a Paper Excellence pelo controle da empresa de celulose.

A investigação começou a partir de fatos ocorridos em junho de 2019, no auge do embate entre a J&F e a companhia controlada pelo empresário indonésio Jackson Wijaya. O inquérito foi aberto em Diadema (SP), e, depois de quase sete anos, o MPF concluiu que os elementos reunidos não sustentam a apresentação de denúncia.

batista
A venda da Eldorado Celulose, da holding dos irmãos Batista, tornou-se a maior briga societária do país | Foto: Divulgação

De acordo com o órgão, as provas digitais apresentam “falhas graves” na cadeia de custódia desde o início da apuração. Laudos periciais elaborados por uma empresa contratada pela J&F e pelo Instituto de Criminalística de São Paulo apontaram divergências nos códigos hash dos arquivos analisados — sequência que funciona como uma espécie de impressão digital para garantir a autenticidade dos dados.

Segundo o MPF, essas inconsistências tornaram impossível atestar a integridade do material coletado. O inquérito apurava uma suposta invasão dos sistemas da empresa CTI NET Soluções em Conectividade e Informática, com sete pessoas indiciadas ao longo da investigação.

Outro ponto considerado crítico pelos procuradores foi a condução das buscas e apreensões. Representantes da J&F e da empresa Ventura Enterprise Risk Management, indicada pela holding, acompanharam os procedimentos policiais e ficaram responsáveis pela guarda dos dispositivos apreendidos.

Fachada do Ministério Público Federal (MPF) na rua Frei Caneca, na região da Paulista, em São Paulo, em alusão à matéria sobre a análise de contratos do governo Lula
Fachada do Ministério Público Federal (MPF) na região da Avenida Paulista, em São Paulo | Foto: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

Para o MPF, essa circunstância comprometeu a confiabilidade das provas. Diante desse cenário, o órgão concluiu que as dúvidas sobre a integridade do material são “insuperáveis”, o que inviabiliza o prosseguimento do caso na esfera criminal.

Disputa pela Eldorado começou depois de operação da J&F

A disputa pelo controle da Eldorado Brasil teve início em setembro de 2017, quando a J&F concordou em vender 49,41% da empresa à Paper Excellence por R$ 3,8 bilhões. O restante da participação seria transferido em até 12 meses, condicionado à liberação de garantias dadas pelos Batistas em empréstimos e dívidas da companhia.

O conflito começou no ano seguinte. A Paper alegou que a J&F impôs obstáculos para impedir a liberação das garantias e judicializou a questão antes do fim do prazo. A holding brasileira, por sua vez, sustentou que a rival recorreu à Justiça por não conseguir cumprir o contrato.

Paper Excellence (foto) conflito com J&F
Paper buscou tirar do TRF-4 o poder de decisão sobre o tema | Foto: Reprodução/site Paper Excellence

A transação também foi questionada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em ação que discutia a possibilidade de empresas estrangeiras controlarem terras no Brasil. Ao longo dos anos seguintes, o caso se desdobrou em disputas no Tribunal de Justiça de São Paulo, no Superior Tribunal de Justiça e em arbitragem, além de tentativas de anulação e ameaças de levar o litígio a tribunais internacionais.

No meio da disputa, surgiu a denúncia de tentativa de acesso indevido a e-mails que teriam sido trocados entre advogados da J&F durante o processo arbitral — episódio que deu origem ao inquérito agora arquivado.

O impasse societário foi encerrado em maio de 2025, quando a Paper Excellence aceitou um acordo proposto pela J&F. A holding brasileira pagou US$ 2,64 bilhões à vista pelos 49,41% restantes e passou a deter 100% da Eldorado Brasil.

Fonte: Forbes

Com apenas uma fração de seu potencial desenvolvido, o setor florestal já gera exportações de mais de US$ 100 milhões e 5.000 empregos. Tanto o setor público quanto o privado buscam acelerar investimentos que poderiam multiplicar a produção e transformar o país em um polo regional da indústria madeireira. O setor florestal se posiciona como um dos setores com maior potencial de crescimento no Paraguai e começa a atrair o interesse de investidores internacionais.

Atualmente, a atividade florestal ocupa cerca de 204.000 hectares, gera exportações de cerca de US$ 107 milhões por ano e emprega aproximadamente 5.000 pessoas, além de registrar compromissos de investimento estrangeiro direto próximos a US$ 4 bilhões.

No entanto, as autoridades consideram que o potencial do setor é muito maior. Segundo estimativas apresentadas pelo Viceministério de Rediex, o Paraguai poderia expandir a superfície florestal para até 1,2 milhões de hectares, o que permitiria elevar as exportações anuais para US$ 2 bilhões, gerar cerca de 100.000 empregos e atrair mais de US$ 10 bilhões em investimento estrangeiro.

Nesse contexto, a mesa florestal, criada em 2024, busca identificar barreiras, melhorar o acesso ao financiamento, fortalecer a logística e promover políticas públicas que impulsionem a competitividade do setor, com o objetivo de dinamizar projetos de grande escala e consolidar a industrialização da madeira no país.

O espaço reúne diversas instituições do governo — incluindo os ministérios da Economia, Agricultura, Obras Públicas e Relações Exteriores, além do Banco Central do Paraguai, a AFD e o Infona — juntamente com associações empresariais como a União Industrial Paraguaia, a Federação Paraguaia de Madeireiros e a Associação Rural do Paraguai.

As autoridades consideram que o desenvolvimento do setor permitirá não apenas aumentar as exportações, mas também descentralizar a atividade industrial, gerar emprego em áreas rurais e consolidar novas cadeias de valor relacionadas à biomassa e à transformação industrial da madeira, posicionando o Paraguai como um destino atraente para investimento florestal na região.

Melhorias a serem incluídas

O setor florestal paraguaio se posiciona como um dos segmentos com maior potencial de crescimento dentro da economia nacional. Nesse contexto, o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) destaca cinco aspectos fundamentais que devem ser considerados para impulsionar o desenvolvimento sustentável e competitivo do setor no país.

Em primeiro lugar, mencionam a importância de manter a estabilidade macroeconômica e um ambiente favorável para os investimentos, ressaltando que esses fatores são a base para atrair capitais para o setor florestal e consolidar projetos de longo prazo.

Outro ponto-chave mencionado foi a necessidade de melhorar a infraestrutura logística, especialmente em relação ao transporte de madeira. Substituírem a importância de avançar em condições que permitam a circulação de caminhões de grande porte pelas rodovias nacionais, o que contribuiria para facilitar o transporte da produção e aumentar a competitividade da indústria.

Eles também enfatizam a relevância de garantir acesso a financiamento adequado, particularmente para iniciativas relacionadas à reflorestação e à produção florestal, que requerem investimentos a longo prazo e condições de crédito apropriadas aos ciclos do setor.

Além disso, destacaram a necessidade de desenvolver novos mercados internacionais, ressaltando a qualidade da madeira paraguaia em comparação com a de outros países da região. Nesse sentido, enfatizaram a importância de cumprir os padrões e requisitos exigidos por mercados exigentes como o europeu para ampliar as oportunidades de exportação.

Por fim, ressaltaram o papel do capital humano na consolidação da indústria florestal, sublinhando a importância de investir em capacitação e formação do pessoal para garantir um crescimento sustentável e competitivo do setor nos próximos anos.

Por Redação do Um Só Planeta

Uma iniciativa privada de restauração e conexão de habitats avançou nos últimos quatro anos e já interligou 214 mil hectares de vegetação nativa — área equivalente a mais de 200 mil campos de futebol — na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia.

O esforço, conduzido pela Suzano, empresa de celulose e fabricante de papel e bioprodutos a partir de eucalipto, ganhou ritmo em 2025, com a conexão de 55 mil hectares adicionais. A meta da companhia é alcançar 500 mil hectares até 2030.

Os corredores ecológicos implantados funcionam como faixas de vegetação que ligam fragmentos florestais antes isolados por pastagens, plantações ou outras formas de uso do solo. Ao reduzir essa fragmentação, permitem o deslocamento da fauna e favorecem processos naturais como a dispersão de sementes e a troca genética entre populações.

“Não se trata apenas de restaurar áreas, mas de permitir que o ecossistema funcione de forma integrada. Quando os fragmentos deixam de ser ilhas isoladas, a paisagem recupera a capacidade de sustentar vida de forma contínua”, afirma o engenheiro florestal Paulo Groke.A definição dos trechos conectados segue critérios técnicos, com prioridade para áreas maiores e regiões já monitoradas, inclusive com presença de espécies ameaçadas. O traçado busca encurtar distâncias entre fragmentos, aumentando a chance de uso pelos animais.

O monitoramento nas áreas conectadas já identificou 97 espécies em risco de extinção. Destas, 19 foram selecionadas como prioritárias para ações de conservação, entre elas o balança-rabo-canela, o macaco-cara-branca e o tatu-canastra.

Na Mata Atlântica, a iniciativa se concentra na ligação de fragmentos entre Bahia e Espírito Santo. No Cerrado, os corredores avançam no Mato Grosso do Sul. Já na Amazônia, incluem áreas no chamado arco do desmatamento, com conexão a territórios estratégicos como o Mosaico do Gurupi.

A implementação envolve tanto áreas próprias quanto propriedades de terceiros, com adesão voluntária de produtores rurais, comunidades e parceiros locais. Segundo a empresa, os corredores não incidem sobre áreas com disputas fundiárias e são estabelecidos mediante acordo entre as partes.

“O sucesso depende de integração regional, com participação de diferentes atores”, afirma Márcio Braga, da iNovaland Brasil, parceira da iniciativa.

Além da área conectada, a empresa diz monitorar os impactos na biodiversidade com uso de tecnologias como sensores acústicos e análise de DNA ambiental. Em uma das regiões acompanhadas, no Mato Grosso do Sul, foram registradas 194 espécies de aves, além de anfíbios e mamíferos.

Embora localizados, os resultados indicam o potencial da estratégia de corredores para reduzir os efeitos da fragmentação florestal, um dos principais desafios para a conservação em biomas como a Mata Atlântica.