Fonte: Perfil News
Com duas fábricas em operação, manutenção programada da unidade será realizada em duas etapas: de 5 a 14 de abril, na fábrica 1; e de 15 de abril a 4 de maio, na fábrica 2, envolvendo mais de 120 empresas.
A Suzano vai mobilizar mais de 2,3 mil profissionais e cerca de 120 empresas prestadoras de serviços para a Parada Geral (PG) da Unidade de Três Lagoas, programada para acontecer entre os dias 5 de abril e 4 de maio. Como muitos desses profissionais são de outras regiões, a expectativa é que a manutenção programada contribua diretamente para o aquecimento da economia local, principalmente em setores como de hotelaria, alimentação e comércio em geral.
“A Parada Geral é um período planejado de manutenção que permite revisar equipamentos, realizar melhorias nos processos e preparar a unidade para um novo ciclo de operação com segurança, eficiência e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, também colabora para o aquecimento da economia de forma indireta, já que temos a vinda de trabalhadores de outras regiões e a mobilização de centenas de empresas. Nosso compromisso em cuidar do planeta e das pessoas também se reflete na forma como conduzimos manutenções dessa grandiosidade, sempre alinhada à responsabilidade social e ambiental”, destaca Eduardo Ferraz, diretor de Operações Industriais da Suzano em Três Lagoas.
Durante a Parada Geral, empresas prestadoras de serviços que participarão das atividades de manutenção e engenharia também contratam trabalhadores da própria cidade, mobilizando diversos setores locais que dão suporte à operação, como transporte, alimentação, comércio e outros segmentos. Além disso, a unidade contará com a participação de empresas locais e com a atuação de profissionais vindos de outras regiões, o que tende a ampliar temporariamente a demanda por hospedagem, alimentação e diferentes serviços no município, contribuindo para aquecer a economia local nesse período.
Manutenção programada
Na Unidade de Três Lagoas, como são duas fábricas em operação, a PG deve durar um mês, sendo dividida em duas etapas: de 5 a 14 de abril na fábrica 1, e de 15 de abril a 4 de maio, na fábrica 2.
“Durante a Parada Geral também incorporamos melhorias tecnológicas, revisamos processos, além de garantir que as nossas duas fábricas continuem operando com alto nível de eficiência e responsabilidade ambiental. Isso tudo resulta em uma operação com desempenho produtivo elevado, ao mesmo tempo em que fortalece práticas sustentáveis e gera oportunidades de desenvolvimento para profissionais e empresas da região. Aqui, em nossas operações de Três Lagoas, temos dois desafios adicionais: realizar a manutenção geral de uma fábrica enquanto a outra segue produzindo a nossa celulose, tão presente no dia a dia das pessoas”, completa Eduardo Ferraz.
A Parada Geral é uma manutenção periódica que permite a realização de inspeções detalhadas em equipamentos e sistemas da unidade industrial. Nela, são realizadas vistorias técnicas, manutenções preventivas e corretivas e, quando necessário, substituição de componentes essenciais para o funcionamento seguro da fábrica. O objetivo é preparar a unidade para um novo ciclo de operação, que pode durar entre 15 e 18 meses.
Devido à complexidade da operação, a preparação da Parada Geral começa com meses de antecedência e envolve planejamento detalhado e protocolos rigorosos de segurança. Em Ribas do Rio Pardo, a Parada Geral da fábrica da Suzano ocorreu entre 22 de março e 1º de abril.
Unidade de Três Lagoas
A primeira fábrica da Suzano em Três Lagoas entrou em operação no ano de 2009, com uma capacidade instalada de 1,3 milhão de toneladas de celulose ao ano. Em 2017, foi inaugurada a segunda linha, com capacidade para produzir 1,95 milhão de toneladas de celulose/ano, totalizando 3,25 milhões de celulose produzidas ao ano.
Fonte: Vale da Celulose
A Bracell iniciou a terraplanagem da área onde será implantado o viveiro de mudas em Bataguassu (MS), dando início à fase prática de implantação do projeto florestal no município. A atividade ocorre às margens da BR-267, a cerca de 15 quilômetros da área urbana.
A movimentação de máquinas no local marca o começo das obras e sinaliza o avanço do investimento da empresa na região, considerada estratégica para a expansão do setor de celulose em Mato Grosso do Sul.
Em 2024, o escritório de arquitetura sueco Wingårdhs apresentou o projeto do edifício Fyrtornet, localizado em Malmö, na Suécia, uma torre de aproximadamente 51 metros de altura construída com madeira engenheirada. Segundo publicação do portal ArchDaily, o edifício é descrito como um arranha-céu de madeira que utiliza soluções estruturais baseadas em engenharia avançada para reduzir o impacto ambiental, destacando-se como uma das principais referências recentes em construção sustentável. O projeto também ganhou destaque internacional. De acordo com o site New Atlas, a torre atinge cerca de 51,5 metros de altura e foi construída quase inteiramente com madeira, utilizando elementos como CLT e glulam, com concreto restrito principalmente às fundações, algo incomum mesmo entre edifícios modernos desse tipo.
O ponto mais relevante é que o Fyrtornet reduz drasticamente o uso de concreto estrutural. Diferente da maioria dos edifícios de madeira de médio e grande porte, que ainda dependem de núcleos de concreto para estabilidade, o projeto aposta em uma estrutura praticamente integral em madeira engenheirada, posicionando-se como um dos exemplos mais avançados da chamada construção em madeira de alta performance.
A estrutura do Fyrtornet é baseada em dois elementos principais: painéis CLT (Cross Laminated Timber) e vigas de madeira laminada colada (glulam). Esses materiais são considerados madeira engenheirada, ou seja, passam por processos industriais que aumentam sua resistência, estabilidade e previsibilidade estrutural.
O CLT é formado por camadas de madeira coladas em direções cruzadas, o que garante resistência tanto à compressão quanto à flexão. Já o glulam consiste em lâminas coladas longitudinalmente, formando vigas capazes de suportar grandes cargas.
Essa combinação permite que o edifício tenha núcleo, escadas e elementos estruturais inteiramente em madeira, dispensando o uso de concreto armado ou aço como elementos centrais de estabilidade — uma característica que diferencia o Fyrtornet da maioria dos prédios de madeira existentes.
Em edifícios convencionais, o núcleo estrutural — onde ficam elevadores, escadas e shafts — é quase sempre feito de concreto armado, pois fornece rigidez e estabilidade contra cargas laterais, como vento.
No caso do Fyrtornet, essa função é desempenhada por estruturas em madeira engenheirada, o que representa um avanço técnico relevante dentro da engenharia civil contemporânea.
Segundo as informações divulgadas pelos desenvolvedores, a torre mantém estabilidade estrutural sem recorrer ao concreto no núcleo, o que reduz significativamente a pegada de carbono do edifício, já que o cimento é um dos materiais mais intensivos em emissões de CO₂ no setor da construção.
Outro ponto técnico importante do projeto é a integração de tecnologia energética diretamente na fachada. O Fyrtornet incorpora painéis solares integrados ao vidro, conhecidos como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).
Esse sistema permite que o edifício gere parte da própria energia elétrica, reduzindo a dependência da rede e aumentando a eficiência energética ao longo da operação.
A combinação entre estrutura em madeira e geração de energia na própria fachada posiciona o edifício como um modelo de construção de baixo impacto ambiental, alinhado às metas europeias de redução de emissões no setor imobiliário.
O processo construtivo do Fyrtornet também segue uma lógica industrializada. Grande parte dos componentes estruturais foi pré-fabricada em fábrica, o que permite maior controle de qualidade, redução de desperdícios e diminuição do tempo de obra.
Além disso, os materiais foram transportados por trem até o local da construção, estratégia adotada para reduzir emissões associadas à logística, já que o transporte ferroviário possui menor impacto ambiental em comparação ao transporte rodoviário.
Esse modelo de construção industrializada em madeira é considerado uma das principais tendências globais, especialmente em países europeus que buscam reduzir a pegada de carbono da construção civil.
A construção em madeira engenheirada tem crescido rapidamente nas últimas décadas, impulsionada por avanços tecnológicos e pela necessidade de reduzir emissões no setor da construção.

O concreto e o aço, embora altamente eficientes estruturalmente, são responsáveis por uma parcela significativa das emissões globais de carbono. A madeira, por outro lado, atua como um reservatório de carbono, já que armazena CO₂ absorvido durante o crescimento das árvores.
Isso faz com que edifícios em madeira possam apresentar balanço de carbono mais favorável, especialmente quando combinados com manejo florestal sustentável e processos industriais eficientes.
O Fyrtornet não é um caso isolado, mas parte de um movimento global conhecido como mass timber construction, que envolve o uso de madeira engenheirada em edifícios cada vez mais altos.
Países como Noruega, Canadá, Japão e Áustria já possuem edifícios de madeira que ultrapassam dezenas de metros de altura. No entanto, muitos desses projetos ainda utilizam núcleos de concreto para garantir estabilidade.

O diferencial do projeto sueco está justamente em eliminar esse elemento, avançando um passo além na substituição de materiais tradicionais.
A Europa tem liderado iniciativas voltadas à redução de emissões no setor da construção, e a adoção de madeira engenheirada faz parte dessa estratégia.
A União Europeia estabeleceu metas ambiciosas de neutralidade de carbono, e o setor imobiliário é um dos principais focos dessas políticas. Projetos como o Fyrtornet demonstram como inovação tecnológica pode ser aplicada para atingir esses objetivos.
Além disso, o uso de madeira também contribui para o desenvolvimento de cadeias produtivas ligadas à silvicultura sustentável, ampliando o impacto econômico da transição para materiais de menor emissão.
Um dos principais questionamentos sobre edifícios de madeira está relacionado à segurança contra incêndios. No caso da madeira engenheirada, essa questão é tratada com soluções específicas.
O CLT e o glulam apresentam comportamento previsível em situações de fogo, formando uma camada carbonizada externa que protege o interior estrutural. Esse fenômeno aumenta o tempo de resistência ao fogo, permitindo evacuação segura e controle da estrutura.

Normas técnicas internacionais já incorporam esses comportamentos, permitindo que edifícios de madeira atendam aos mesmos requisitos de segurança que estruturas convencionais. O edifício Fyrtornet, na Suécia, demonstra como a construção civil está passando por uma transformação estrutural impulsionada por tecnologia e sustentabilidade.
Com 51 metros de altura, estrutura baseada em CLT e glulam, ausência de núcleo estrutural de concreto e integração de energia solar na fachada, o projeto se posiciona como um dos exemplos mais avançados de construção em madeira no mundo.
Ao combinar engenharia estrutural, eficiência energética e redução de emissões, a torre sueca não apenas desafia o domínio histórico do concreto e do aço, mas também aponta para um novo modelo de construção alinhado às demandas ambientais e tecnológicas do século XXI.
Fonte: Click Petróleo e Gás
Por José Otávio Brito, Professor Titular Sênior -ESALQ/USP
CONFLITOS E SEGURANÇA ENERGÉTICA
A segurança energética tornou-se novamente um tema central no cenário global, não como fenômeno isolado, mas como expressão recorrente de fragilidades estruturais associadas ao modelo energético dominante. A crise energética europeia, intensificada a partir de 2022, evidenciou de forma clara a vulnerabilidade decorrente da elevada dependência do gás natural importado, especialmente de origem geopolítica concentrada.
De maneira complementar, os conflitos recentes no Oriente Médio reforçam essa mesma condição no que se refere ao petróleo, principal vetor energético da economia global. A instabilidade na região impacta diretamente rotas críticas de abastecimento, amplificando riscos de descontinuidade no fornecimento e provocando variações expressivas de preços em curtos intervalos de tempo.
Entretanto, tais episódios não constituem eventos isolados. Ao contrário, reproduzem um padrão histórico já observado nas crises energéticas das décadas de 1970 e 1980, quando choques no fornecimento de petróleo provocaram profundas disrupções econômicas globais. Naquele período, a concentração da produção em regiões politicamente sensíveis revelou-se fator crítico de instabilidade, levando países industrializados a adotarem estratégias emergenciais de diversificação energética.
Ainda assim, ao longo das décadas seguintes, a expansão das cadeias globais de energia e a busca por eficiência econômica resultaram na reconstituição de padrões de dependência estrutural, agora ainda mais amplificados pela escala e integração do sistema energético mundial.
Nesse sentido, a atual conjuntura não representa uma ruptura inédita, mas sim a reedição de um ciclo recorrente de vulnerabilidade. A dependência de combustíveis fósseis, concentrados em regiões geopoliticamente instáveis, mantém o sistema energético global permanentemente exposto a choques de oferta e volatilidade de preços. A questão que se impõe, portanto, não é apenas a gestão da crise atual, mas a inevitabilidade de crises futuras: se os fundamentos estruturais permanecem inalterados, a pergunta deixa de ser se haverá uma nova crise energética e passa a ser quando ela ocorrerá.
É nesse contexto que a biomassa florestal assume relevância estratégica. Diferentemente dos combustíveis fósseis, sua produção pode ser territorialmente distribuída, reduzindo a dependência de regiões específicas e aumentando a resiliência dos sistemas energéticos. Assim, mais do que uma alternativa renovável, a biomassa florestal deve ser compreendida como componente estrutural de segurança energética em um mundo caracterizado por instabilidade geopolítica recorrente.
VANTAGENS ESTRUTURAIS DA BIOMASSA FLORESTAL NO SISTEMA ENERGÉTICO
A biomassa florestal apresenta características que a qualificam como fonte energética com atributos estruturais diferenciados. Ao contrário de fontes fósseis, sua produção não está concentrada em regiões geopoliticamente sensíveis, podendo ser territorialmente distribuída e integrada a diferentes contextos produtivos. Adicionalmente, distingue-se de outras fontes renováveis, como a energia eólica e a solar, por não apresentar intermitência operacional, que impactam, sensivelmente, a geração contínua de energia.
Enquanto essas dependem de condições climáticas variáveis, a biomassa permite controle direto sobre o momento de uso da energia, podendo ser estocada, transportada e utilizada conforme a demanda. Essa característica confere previsibilidade e estabilidade ao sistema energético.
Outro aspecto relevante é sua capacidade de integração com sistemas produtivos existentes, especialmente em regiões com forte base agroindustrial e florestal. Essa flexibilidade operacional, associada à possibilidade de produção descentralizada, reduz a necessidade de grandes infraestruturas de transmissão e aumenta a resiliência do sistema energético como um todo.
O MODELO BRASILEIRO COMO RESPOSTA
Se os conflitos recentes evidenciam a vulnerabilidade estrutural dos sistemas energéticos baseados em combustíveis fósseis, o caso brasileiro oferece um contraponto relevante, ao demonstrar, na prática, a viabilidade de um modelo energético parcialmente ancorado em biomassa florestal. Diferentemente de países cuja segurança energética está fortemente condicionada à importação de petróleo e gás, o Brasil consolidou, ao longo das últimas décadas, uma base produtiva que incorpora fontes renováveis de forma estruturada, onde a biomassa de origem florestal tem papel relevante. Esse aspecto é central.
O Brasil possui um exemplo claro da possibilidade de se integrar a biomassa florestal aos processos industriais de alta demanda energética, com requisitos rigorosos de regularidade, padronização e confiabilidade, implicando na existência de uma base florestal planejada, cadeias logísticas estruturadas e sistemas produtivos contínuos. Trata-se da utilização de carvão vegetal na siderurgia. É um caso singular em escala global
A partir de agora, o estado passa a contar com uma nova norma ISO de manejo florestal, uma referência internacional que fortalece a transparência, a rastreabilidade e a credibilidade da produção florestal sustentável, um diferencial competitivo para Mato Grosso.
Além da normativa, também foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Florestal e de Biomassa 2026–2040, construído pelo Governo do Estado, por meio da Sema e da Sedec, em diálogo com o setor produtivo, incluindo a participação ativa do Cipem e das lideranças da cadeia de base florestal.
O plano estabelece ações estratégicas para ampliar e fortalecer o manejo sustentável, com potencial de alcançar 6,5 milhões de hectares e diversificar ainda mais as espécies manejadas, refletindo as demandas e contribuições de quem está na base da produção.
O Cipem reconhece e valoriza o trabalho do poder público, especialmente pela construção conjunta com o setor produtivo, essencial para o desenvolvimento de políticas eficazes que impulsionam a cadeia de base florestal, segmento que alia desenvolvimento econômico, geração de empregos e conservação ambiental.
Seguimos atuando de forma propositiva para fortalecer o setor e consolidar Mato Grosso como referência em produção florestal sustentável.
Fonte: Notícia Exata
Por: Nathália Santos / Perfil News
A interiorização da indústria brasileira ganhou um novo capítulo nos últimos anos com a consolidação do chamado “Vale da Celulose” em Mato Grosso do Sul. Longe dos grandes centros industriais tradicionais, municípios do interior passaram a receber investimentos bilionários, redesenhando suas economias e colocando o Estado no centro da produção global de celulose.
Hoje, a celulose não apenas integra a matriz produtiva sul-mato-grossense. Ela se tornou o principal motor de crescimento econômico do Estado.
UM NOVO EIXO INDUSTRIAL NO INTERIOR

Historicamente dependente do agronegócio, Mato Grosso do Sul encontrou na cadeia florestal uma estratégia de diversificação econômica. A combinação de clima favorável ao cultivo de eucalipto, disponibilidade de terras e logística estratégica atraiu gigantes globais do setor.
Atualmente, o Estado já abriga operações consolidadas da Eldorado Brasil e da Suzano, com fábricas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Essas unidades somam milhões de toneladas de capacidade produtiva anual e posicionam o Estado entre os maiores produtores mundiais.
Além das plantas já em funcionamento, uma nova onda de investimentos reforça o processo de interiorização industrial:
• A chilena Arauco constrói, em Inocência, aquela que deve ser a maior fábrica de celulose do mundo em linha única
• A Bracell prepara a implantação de uma unidade em Bataguassu
• A Eldorado também projeta expansão da sua capacidade nos próximos anos
Esse conjunto de empreendimentos consolida uma mudança estrutural. A indústria pesada deixa os grandes centros urbanos e passa a se instalar em cidades médias e pequenas do interior.
IMPACTO DIRETO NAS ECONOMIAS LOCAIS
Os efeitos dessa interiorização são profundos e visíveis. Municípios como Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e, mais recentemente, Inocência e Bataguassu, experimentam crescimento acelerado em emprego, renda e infraestrutura.
Segundo estimativas recentes, o setor de celulose deve gerar cerca de 93 mil empregos até 2032 em Mato Grosso do Sul, sendo aproximadamente:
• 24 mil empregos diretos
• 69 mil empregos indiretos
Durante a fase de construção, os impactos são ainda mais intensos:
• A obra da Arauco pode empregar até 14 mil trabalhadores
• A Bracell deve gerar cerca de 12 mil empregos no pico das obras
Esse dinamismo aquece não apenas o mercado de trabalho industrial, mas também setores como comércio, serviços, habitação e transporte, criando um efeito multiplicador típico de grandes projetos industriais.
O PROTAGONISMO DA CELULOSE NA ECONOMIA ESTADUAL
Dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação indicam que Mato Grosso do Sul caminha para se tornar líder nacional na produção e exportação de celulose. O Estado já possui:

• Cerca de 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas
• Projeção de atingir 2 milhões de hectares nos próximos anos
Além disso:
• O Estado responde por cerca de 24 por cento da produção nacional de celulose
• Pode concentrar mais de 70 por cento da expansão da produção brasileira na próxima década
• Os investimentos previstos no setor podem chegar a até 131 bilhões de reais até 2030
Esses números confirmam o protagonismo da cadeia florestal, que hoje se posiciona como o carro chefe da economia sul-mato-grossense, superando atividades tradicionais em geração de valor e atração de investimentos.
TRANSFORMAÇÃO E DESAFIOS
A interiorização da indústria de celulose não se limita ao crescimento econômico. Ela também promove mudanças estruturais nas cidades, exigindo planejamento urbano, qualificação de mão de obra e expansão de serviços públicos.
Entre os principais desafios estão:
• Escassez de trabalhadores qualificados
• Pressão sobre infraestrutura urbana
• Necessidade de ampliação de serviços públicos
Ao mesmo tempo, o avanço da cadeia florestal estimula políticas de capacitação e fortalece parcerias entre empresas, governo e instituições de ensino, consolidando um novo perfil econômico para o interior do Estado.
UM NOVO MAPA INDUSTRIAL
O caso de Mato Grosso do Sul ilustra uma tendência mais ampla da economia brasileira, a descentralização industrial. No Estado, porém, esse movimento ganha escala global.
Com a presença de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, e a chegada de novos projetos de Arauco e Bracell, o interior sul-mato-grossense deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a ocupar posição estratégica na indústria mundial de base florestal.
Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme Código Florestal, grandes consumidores podem usar madeira colhida de reflorestamento.
Em 2022, uma instrução normativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso autorizou que grandes consumidores de biomassa pudessem usar madeira de supressão vegetal (desmate legalizado). Desde então, tem aumentado o consumo desse tipo de insumo, apesar de vedado pelo Código Florestal. O assunto é o ponto central da audiência pública convocada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) que ocorre em 7 de abril (terça-feira) às 14h.
“Além de se contrapor à legislação ambiental brasileira, a normativa coloca em risco vários setores produtivos mato-grossenses que são voltados à exportação. Os importadores mundiais já deixaram claro que não vão comprar produtos com origem em desmatamento, mesmo que legalizado, e isso nos preocupa”, alertou Fausto Takizawa, presidente da Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta).
Biomassa é a madeira utilizada em caldeiras de diversos tipos de agroindústrias. Conforme o Código Florestal, os grandes consumidores (que empregam mais de 24 mil metros estéreos por ano) somente podem usar madeira colhida de florestas plantadas (reflorestamento) ou do manejo florestal – corte planejado de árvores nativas. Não há previsão na legislação brasileira para uso de biomassa vinda do desmate legalizado em larga escala.
Em Mato Grosso, a produção de biomassa é feita, predominantemente, do plantio de eucalipto, usado principalmente em secadores de grãos, indústrias esmagadoras, usinas de etanol de milho, etc. Com o avanço das agroindústrias mato-grossenses, tem aumentado o mercado de biomassa, opção mais sustentável para produzir energia no setor industrial.
Em 2025, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que tenham sido consumidos 14,16 milhões de metros cúbicos de biomassa no estado. No ano anterior (2024), foram registrados 13,60 milhões de m3, um acréscimo de 4% no ano.
A questão é que do total consumido em 2025, apenas 47,5% tiveram madeira de reflorestamento como origem (6,7 milhões m3). O que significa que a maior parte (52,5%) teve outras fontes de extração, não tornadas públicas.
“Cabe à Sema demonstrar, de forma transparente, o volume de madeira nativa autorizada com Guia Florestal (GF) em 2025. Nossa preocupação é com a fiscalização dessa biomassa. O órgão ambiental está conseguindo monitorar o transporte desses 7,4 milhões de m3?”, questiona Takizawa.
Com a instrução normativa da Sema em vigor, o uso de biomassa de floresta nativa superou em 55% o consumo de madeira de reflorestamento de 2022 a 2024. “Não é um contrassenso um estado como Mato Grosso, com tanto potencial para o reflorestamento, ir na contramão da descarbonização da economia?”, ponderou Takizawa.
O plantio de florestas tem como principal objetivo reduzir a extração de madeira sobre florestas nativas do País. Com isso, contribui para a preservação ambiental e a recuperação do ecossistema brasileiro. Atualmente, a Arefloresta reúne cerca de 30 associados que respondem por 74.334 hectares de florestas plantadas em Mato Grosso.
A audiência pública foi convocada pela 15ª e 16ª Promotorias de Justiça Cíveis de Defesa do Meio Ambiente Natural da Capital e tem como tema “Biomassa e Sustentabilidade: O uso de vegetação nativa nos Planos de Suprimento Sustentável (PSS) pelos grandes consumidores de matéria-prima florestal”. O evento será híbrido e ocorrerá às 14h, no Auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, com transmissão ao vivo.
Fonte: Mato Grosso Econômico
Órgão está cumprindo prazos e dá segurança sobre questionamento do Ministério Público Federal, diz secretária do Meio Ambiente do RS.
O ritmo de trabalho e o conhecimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre o investimento bilionário da CMPC em Barra do Ribeiro, sul do Estado, transmitiram otimismo à comitiva do governo gaúcho que viajou a Brasília, nesta quarta-feira (1º), para discutir o processo de autorização do projeto. Está nas mãos do órgão a principal pendência em relação à recomendação do Ministério Público Federal (MPF) de que o licenciamento seja suspenso.
Fonte: Perfil News
A indústria de papel e celulose ocupa posição estratégica na economia brasileira, especialmente em polos produtivos como Três Lagoas (MS), considerado um dos maiores do mundo no setor. Responsável pela produção de insumos essenciais — como papel, embalagens e derivados —, a atividade historicamente esteve associada ao uso intensivo de água. No entanto, avanços tecnológicos e exigências ambientais têm transformado esse cenário nas últimas décadas.
Hoje, o setor caminha para uma operação cada vez mais eficiente, com redução significativa no consumo hídrico e maior controle sobre os impactos ambientais.
Ciclo da água: da captação ao reuso
O funcionamento de uma fábrica de celulose depende diretamente da água, elemento essencial em praticamente todas as etapas produtivas. O ciclo começa na captação, geralmente realizada em rios próximos às unidades industriais, garantindo abastecimento contínuo.
Na região de Três Lagoas, por exemplo, grandes plantas industriais operam próximas ao Rio Paraná, enquanto outras unidades no estado utilizam a água do Rio Verde (Suzano de Ribas do Rio Pardo) e o Rio Sucuriú (Arauco – ainda em construção). Após a captação, a água passa por rigorosos processos de tratamento para atender aos padrões exigidos antes de entrar no sistema produtivo.
No chamado “coração” da indústria — o processo de transformação da madeira em polpa de celulose —, a água é utilizada para separar fibras, remover impurezas e transportar materiais. Após essa etapa, o líquido residual, conhecido como efluente, contém compostos químicos e precisa passar por tratamento avançado antes de ser devolvido ao meio ambiente.
Tecnologias como processos biológicos, sistemas de oxidação avançada e múltiplas etapas de filtragem garantem que a água devolvida atenda aos padrões ambientais, desmontando a percepção de que a atividade causa degradação hídrica irreversível.
Eficiência hídrica e sistemas fechados
Um dos principais avanços do setor está na adoção de sistemas de circuito fechado, que permitem a reutilização contínua da água dentro da própria fábrica. Essa prática reduz drasticamente a necessidade de captação de água nova e diminui a geração de efluentes.
Além disso, a indústria investe em:
Essas medidas não apenas preservam recursos naturais, como também aumentam a eficiência operacional e reduzem custos.
Quanto de água uma fábrica consome?
O principal indicador utilizado para medir o impacto hídrico do setor é o consumo específico de água por tonelada de celulose produzida. Esse índice evoluiu de forma expressiva ao longo das últimas décadas.
(*)a unidade economizou 421.596,6 m³ de água, o suficiente para encher até 169 piscinas olímpicas
A redução é resultado direto da incorporação de novas tecnologias e da pressão por padrões ambientais mais rigorosos. Atualmente, grandes projetos industriais são concebidos desde o início com foco em produzir mais utilizando menos água.
Curiosamente, isso permite que fábricas modernas, com capacidade superior a 2 milhões de toneladas por ano, apresentem consumo específico menor do que unidades menores e mais antigas.
Mitos, sustentabilidade e devolução da água
Apesar de críticas recorrentes, especialistas apontam que a associação entre a indústria de celulose e processos como desertificação não encontra respaldo técnico quando analisada à luz das práticas atuais.
As fábricas modernas operam com sistemas avançados de tratamento e devolvem a água aos corpos hídricos em condições adequadas, seguindo parâmetros ambientais rigorosos. No caso de Mato Grosso do Sul, o setor tem sido citado como exemplo de desenvolvimento aliado à sustentabilidade.
O desafio do futuro: consumo agregado e pressão regional
Se, por um lado, o consumo individual das fábricas tem diminuído, por outro surge um novo desafio: o impacto coletivo das plantas industriais concentradas em uma mesma região hidrográfica.
No chamado “Vale da Celulose”, em Mato Grosso do Sul, projetos de grande porte operam ou estão em implantação, formando um cluster industrial relevante. Individualmente, cada empreendimento comprova viabilidade hídrica nos processos de licenciamento ambiental. No entanto, cresce a preocupação com o consumo agregado ao longo das próximas décadas.
Esse tema já começa a ganhar espaço em análises ESG e avaliações de risco ambiental, especialmente entre investidores e órgãos reguladores.
Sustentabilidade como estratégia de longo prazo
A gestão eficiente da água deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um fator estratégico para a competitividade da indústria de celulose.
Combinando inovação tecnológica, reuso intensivo e monitoramento contínuo, o setor avança rumo a um modelo mais sustentável. Ainda assim, o equilíbrio entre crescimento industrial e preservação dos recursos hídricos seguirá como um dos principais desafios — especialmente em regiões com alta concentração produtiva.
No fim, mais do que produzir em larga escala, o indicador que ganha protagonismo é outro: quanta água é necessária para produzir cada tonelada de celulose.
O tema do momento não poderia ser outro que não a guerra no Oriente Médio. Sem recorrer a previsões catastróficas como a de terceira guerra mundial, o fato é que seus efeitos já são concretos e profundos. Ainda que conflitos regionais — como entre Rússia e Ucrânia — também provoquem impactos relevantes, a atual tensão envolvendo Irã e Israel, com apoio dos Estados Unidos, possui um alcance sistêmico muito maior, especialmente sobre o mercado de energia. O barril de petróleo, que orbitava na casa dos US$70, já alcança níveis próximos de US$120, com projeções ainda mais elevadas, US$200. Mesmo que haja reacomodação após a guerra, a insegurança energética já está instalada — e seus efeitos tendem a perdurar por um bom tempo.
É nesse contexto que se propõe uma reflexão: quais são as ameaças e, sobretudo, as oportunidades que esse cenário impõe ao setor florestal brasileiro? Se há alguma “profecia” plausível, ela não reside apenas no comércio internacional de produtos florestais, mas também em transformações tecnológicas e operacionais — em especial, na forma como se realiza a colheita florestal e no aproveitamento de seus resíduos.
Historicamente, crises do petróleo sempre funcionaram como catalisadores de mudança. Desde a Segunda Guerra Mundial até os choques da década de 1970, observa-se um padrão: instabilidade nos mercados, volatilidade de preços, insegurança energética e, como resposta, substituição e inovação. Mesmo países com grandes reservas — como o Brasil, com o monopólio da Petrobras e que figura entre as maiores reservas globais — não estão imunes, já que o petróleo é uma commodity de preço internacional. Os impactos se propagam por cadeias inteiras, desde a de fertilizantes nitrogenados que inflacionam o preço dos alimentos, até às indústrias químicas, plásticas, têxteis, farmacêuticas e de transformação em geral.
O passado brasileiro ilustra bem essa dinâmica. Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, restrições ao uso de combustíveis fósseis impulsionaram soluções emergenciais como o gasogênio — tecnologia rudimentar e poluente, posteriormente abandonada. Já na crise dos anos 1970, surgiu o Proálcool: inicialmente instável, mas que evoluiu até consolidar o atual modelo de veículos flex, além do biodiesel e a mais cosmopolita das alternativas refletida no carro elétrico e híbrido, ainda que não sejam plenamente acessíveis.
Na indústria, a substituição de combustíveis fósseis por biomassa já é uma realidade consolidada em muitos segmentos. A geração de vapor e a cogeração a partir de resíduos florestais apresentam custos competitivos, significativamente inferiores aos dos derivados de petróleo. Apesar da crescente participação de fontes intermitentes, como solar e eólica, na geração de eletricidade, a biomassa mantém uma vantagem estratégica: trata-se de uma fonte de energia de base, contínua e previsível.
Nesse cenário, tecnologias como pirólise e gaseificação ganham protagonismo. Diferentemente do gasogênio do passado, soluções modernas permitem a conversão de biomassa em bio-óleo, syngas e biochar — produtos com maior valor agregado e melhor benefício ambiental. A abundância e o baixo custo dos resíduos de plantações florestais colocam o Brasil em posição privilegiada para avançar nesse campo, especialmente em segmentos como celulose, painéis de madeira, metalsiderurgia a carvão vegetal e até mesmo na substituição parcial do diesel por biodiesel derivado de bio-óleo.
Entretanto, essa transição energética traz implicações diretas para a base produtiva florestal: o sistema de colheita. Atualmente, predominam dois modelos principais: o Cut-to-Length (CTL) baseia-se no uso de harvesters que realizam o corte, desgalhamento, descascamento e traçamento da madeira ainda no campo, gerando toras curtas e deixando uma parcela significativa de resíduos — estima-se em até 20% da biomassa — no local. Já o sistema Full-Tree (FT) opera de forma distinta: o corte é realizado por máquinas como o feller buncher, e as árvores inteiras são transportadas para processamento à beira da estrada, permitindo o aproveitamento integral da biomassa lenhosa http://localhost:8081/exclusivo-a-biorrefinaria-e-o-fim-do-porno-florestal/.
A diferença entre os sistemas torna-se estratégica em um contexto de valorização energética dos resíduos. Enquanto o CTL implica perdas relevantes de material lenhoso, o FT viabiliza a captura total desse recurso, com ganhos econômicos estimados — inclusive com redução de custos operacionais. Em um cenário de petróleo caro e pressão por alternativas energéticas, resíduos passam de passivo para ativo http://localhost:8081/exclusivo-fustegando-e-tripudiando-o-transporte-florestal/.
Esse movimento não ocorre isoladamente. A eficiência dos motores a combustão evoluiu significativamente, reduzindo o consumo específico de combustíveis. Caminhões e máquinas tornaram-se mais potentes e econômicos. Paralelamente, mudanças no sistema financeiro internacional — com o fortalecimento de blocos como os BRICS — e a redução da influência histórica da OPEP indicam um rearranjo estrutural no mercado energético global e até na confiabilidade do petrodólar.
Assim, embora guerras possam trazer ganhos de curto prazo para países produtores de petróleo, seus efeitos de longo prazo tendem a acelerar a transição energética e a diversificação de matrizes. Nesse processo, a biomassa — especialmente a florestal — emerge como protagonista.
Por fim, cabe a provocação: o Estreito de Ormuz, onde não passa boi e nem boiada, muito menos navios petroleiros, pode, paradoxalmente, abrir caminho para uma nova lógica produtiva no setor florestal. A valorização dos resíduos e o avanço das biorrefinarias podem, não apenas transformar a matriz energética, mas também redefinir os sistemas de colheita nas plantações florestais. Nesse contexto, a pergunta deixa de ser meramente retórica: o que chegará primeiro — uma escalada global do conflito ou o declínio do modelo CTL e dos harvester como padrão dominante?
Se a história das crises energéticas ensina algo, é que a resposta tende a vir menos da geopolítica e mais da capacidade de adaptação tecnológica e produtiva. E, nesse campo, o setor florestal brasileiro pode estar mais próximo da solução do que se imagina.
Autores:
Sebastião Renato Valverde[1], Jaqueline Maria de Almeida[2] e Marcelo Moreira da Costa[3]
[1] Professor Titular do Departamento de Engenharia Florestal – Universidade Federal de Viçosa. valverde@ufv.br
[2] Pesquisadora Laboratório de Celulose e Papel – UFV j.almeida@ufv.br
[3] Professor do Laboratório de Celulose e Papel. Departamento de Engenharia Florestal – UFV mmdc@ufv.br