“É inviável“, deixa claro o diretor-geral da CMPC, Antônio Lacerda, sobre o que está pedido na ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) para suspender a licença ambiental ao Projeto Natureza. A exigência é que a empresa chilena de celulose consulte 46 comunidades indígenas, 86 grupos de quilombolas e 7 mil pescadores.
— É inviável e inédito no país. Nenhum projeto de empresa teve que fazer algo parecido — disse Lacerda em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.
O que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) solicitou à empresa foi um Estudo de Componentes Indígenas (ECI), já entregue e que está sendo complementado agora. Nele, foram consultadas comunidades indígenas de Barra do Ribeiro, onde ficaria a fábrica, e de Porto Alegre.
O licenciamento começou há dois anos, logo após o anúncio da escolha do Rio Grande do Sul para o investimento de R$ 27 bilhões. A licença prévia, buscada agora e que atesta a viabilidade ambiental, é importante para a aprovação do plano pela direção mundial, que se reúne agora na metade do ano. Há risco de cancelamento.
— As exigências são fora de qualquer legislação. Voltei hoje (quinta-feira, 21) do Chile. Todos os dias temos que segurar na unha esse projeto no Rio Grande do Sul. Seria uma vergonha para o país perdê-lo — desabafa Lacerda.

Ainda que a China esteja produzindo mais celulose, a CMPC entende que o Brasil segue competitivo, e isso não impactaria o projeto. Já decisões desfavoráveis na ação do MPF comprometem.
Efluentes
— Acompanhamos há 10 anos a fábrica de Guaíba e não ocorre liberação de tóxicos no Guaíba. O efluente passa por três tratamentos, fica com qualidade acima do exigido e reciclamos 86% dele.
Eucalipto
Outro apontamento é sobre o plantio de eucalipto sobre o bioma Pampa, árvore que exige bastante água. O diretor garantiu que a CMPC não avança em áreas nativas, somente naquelas que já tiveram outros plantios, como de soja.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: avança projeto de US$ 300 bi no RS, varejista dobra prejuízo e farmácia dispara lucro.
Fonte: GZH






