Baianópolis lidera o carvão vegetal extrativista e Santa Rita de Cássia concentra a extração de lenha nativa. Juntos, os municípios do oeste da Bahia respondem por 62% do carvão extrativo baiano.
O extrativismo de madeira no oeste da Bahia somou 136 mil metros cúbicos de lenha nativa em 2024, além de 31 mil toneladas de carvão vegetal e 4 mil metros cúbicos de madeira em tora, segundo a Agência de Notícias do IBGE. Diferente da silvicultura, que usa árvores plantadas, esse tipo de extração retira a madeira direto da vegetação nativa do cerrado, e os números mostram forte concentração em poucos municípios da região.
Os dados vêm da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), levantamento anual do IBGE, na categoria “Madeireiros” da extração vegetal nativa. Assim, o extrativismo de madeira no oeste da Bahia não vem de plantio: a madeira é cortada direto no cerrado, sob licenciamento ambiental, e depois seguida pelo IBGE em três frentes diferentes.
Baianópolis lidera o carvão vegetal extrativista
Em 2024, o oeste da Bahia produziu 31.046 toneladas de carvão vegetal a partir de madeira nativa, uma queda de 3% sobre as 32.005 toneladas de 2023. Baianópolis concentra a maior parte, com 11.301 toneladas, o equivalente a 36% do total da mesorregião. Em seguida vêm São Desidério, com 6.001 toneladas, e Cristópolis, com 5.076 toneladas.
O número chama atenção porque supera o carvão vegetal de origem plantada, também medido pelo IBGE: o carvão vegetal no oeste da Bahia a partir de silvicultura somou 21.035 toneladas na mesma área em 2024. Ou seja, quem olha só o plantio subestima o real tamanho do extrativismo de madeira no oeste da Bahia, porque ainda se produz mais carvão a partir de mata nativa do que de árvores plantadas.
Santa Rita de Cássia concentra a extração de lenha nativa
Já a lenha extrativista cresceu no período: foram 136.005 metros cúbicos em 2024, 10% a mais que os 123.606 metros cúbicos de 2023. Diferentemente do carvão, essa madeira normalmente segue crua para fornos e caldeiras, sem virar carvão antes de ser usada.
Santa Rita de Cássia sozinha respondeu por 54.364 metros cúbicos, ou 40% de toda a lenha extrativista da mesorregião. Riachão das Neves aparece em seguida, com 11.935 metros cúbicos, e Barreiras completa o pódio, com 10.132 metros cúbicos. Portanto, mais da metade da lenha extrativista sai de apenas três municípios.
Madeira em tora: Jaborandi responde por 86% do total
O terceiro produto do grupo, a madeira em tora extrativista, somou 4.056 metros cúbicos em 2024, queda de 5% sobre 2023. Jaborandi concentra quase sozinho essa produção, com 3.492 metros cúbicos, ou 86% do total da região. Correntina e Coribe aparecem bem atrás, com 212 e 186 metros cúbicos, respectivamente.
- Carvão vegetal extrativista: 31.046 t em 2024 (-3% sobre 2023), 62% de todo o carvão extrativo da Bahia
- Lenha extrativista: 136.005 m³ em 2024 (+10% sobre 2023), 9,6% da lenha extrativa baiana
- Madeira em tora extrativista: 4.056 m³ em 2024 (-5% sobre 2023), 2,7% do total estadual
Extrativismo de madeira no oeste da Bahia concentra 62% do carvão do estado
Ao comparar com o total baiano, porém, a concentração regional varia bastante conforme o produto. No carvão vegetal, a mesorregião responde por 62% de toda a produção extrativa do estado, que somou 49.826 toneladas em 2024. Já na lenha, a fatia é de 9,6% dos 1,4 milhão de metros cúbicos produzidos na Bahia, e na madeira em tora, de apenas 2,7% dos 150.050 metros cúbicos estaduais.
Assim, embora o oeste baiano seja mais conhecido pela soja e pelo algodão, é a região que concentra a maior parte do carvão vegetal extrativista de toda a Bahia. Contudo, os dados do IBGE não informam se a extração ocorreu em áreas com manejo florestal sustentável autorizado ou em desmatamento legal para conversão de uso do solo, e o Portal do Cerrado não apurou essa distinção nesta matéria.
| Produto | 2023 | 2024 | Variação | % da Bahia em 2024 |
|---|---|---|---|---|
| Carvão vegetal (t) | 32.005 | 31.046 | -3,0% | 62,3% |
| Lenha (m³) | 123.606 | 136.005 | +10,0% | 9,6% |
| Madeira em tora (m³) | 4.270 | 4.056 | -5,0% | 2,7% |
Fonte: IBGE, Sidra, tabela 289 (Produção da Extração Vegetal), categoria “7 – Madeireiros”. Consulta em 28/09/2026.
Como o Portal do Cerrado apurou
Os números desta matéria sobre o extrativismo de madeira no oeste da Bahia vêm da tabela 289 do Sidra, ligada à Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) do IBGE, na categoria “Madeireiros” (carvão vegetal, lenha e madeira em tora de origem extrativa). Foram somados os valores dos 24 municípios da mesorregião do Extremo Oeste Baiano, em 2023 e 2024, e comparados com o total do estado da Bahia no mesmo levantamento.
Vale registrar que a extração vegetal é diferente da silvicultura: enquanto a primeira retira madeira direto da vegetação nativa, a segunda depende de árvores plantadas, como já mostrou o Portal do Cerrado na matéria sobre o carvão vegetal plantado na região. Mais detalhes sobre a metodologia da pesquisa estão disponíveis na página oficial do IBGE sobre a PEVS.
A mesma base de dados também aparece, em levantamentos anteriores do Portal do Cerrado, ao lado de outras frentes da economia rural da região, como o crédito rural no oeste da Bahia. Já a base populacional usada para calcular indicadores por habitante está detalhada na matéria sobre a população do oeste da Bahia. Nas próximas divulgações do IBGE, o Portal do Cerrado deve voltar a acompanhar o extrativismo de madeira no oeste da Bahia, para saber se a queda no carvão e na madeira em tora se confirma.





