Girassol Agrícola, de grãos, amplia aposta em eucalipto

Sediada em Rondonópolis (MT), um dos principais polos de produção de soja e milho do Brasil, a Girassol Agrícola, que sempre se dedicou a grãos, está crescendo agora com uma aposta diversa: o eucalipto. A companhia, que faturou R$ 1,1 bilhão no último ano, já tem áreas dedicadas ao cultivo da árvore, que a tornam a maior proprietária individual de floresta no Estado, e está ampliando o plantio de eucalipto para atender o crescimento exponencial da demanda por biomassa das usinas de etanol de milho.

Nos próximos três anos, a companhia vai plantar 4 mil hectares com eucalipto, que se somarão aos 10 mil hectares já plantados atualmente. Segundo Gilmar Meneghini, CEO da Girassol Agrícola, o cultivo com eucalipto hoje já oferece uma renda maior do que os grãos. Então soja e milho passam por um momento de compressão de margens, o mercado de biomassa está aquecido, com preços em alta e cada vez mais agroindústrias compradoras.

O uso de biomassa para atender as usinas térmicas associadas às agroindústrias não é novo, mas a disparada de investimentos em usinas de etanol de milho nos últimos anos gerou um vácuo de oferta de biomassa, que começou a ser atendida até por florestas nativas. Atualmente, se todas as usinas de etanol de milho de Mato Grosso usassem apenas biomassa de eucalipto, teria que haver mais de 400 mil hectares plantados com a árvore, calcula Meneghini. Mas não há nem 200 mil hectares.

A situação criou um contrassenso: enquanto se produz um biocombustível que substitui a queima de combustíveis fósseis, queima-se biomassa de floresta nativa. Para conter o avanço sobre a vegetação, o Ministério Público do Mato Grosso (MP-MT) fez o governo do Estado firmar um compromisso de proibir o uso de floresta nativa para atender a demanda de energia das agroindústrias — em 2035. Embora ainda faltem nove anos, a regra deve impulsionar desde já o plantio de florestas de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para ficarem maduras.

“Quando olhamos para frente, acreditamos que a biomassa vai ter cinco a oito anos de alta de procura, independentemente de ter novas unidades [de etanol de milho], só para anteder as unidades em instalação”, avalia Meneghini.

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Na Girassol, o plantio de eucalipto começou há 18 anos como uma forma de cobrir áreas que não eram aptas ao cultivo de grãos. Em 2019, quando começaram a ser instaladas as primeiras usinas de etanol de milho em Mato Grosso, a companhia percebeu o potencial de mercado e começou a ampliar o cultivo. Hoje, a empresa vende 1 milhão de metros cúbicos de cavaco para a FS e tem 10,5 mil hectares de floresta de eucalipto, que deverão ser colhidos até 2031 e gerar uma receita total de R$ 1 bilhão.

O aumento da demanda, porém, foi muito maior, o que fez o preço do cavaco de madeira de eucalipto já oferecer remunerações atraentes. Desde 2019, o preço do metro cúbico do cavaco de madeira passou de R$ 30 para R$ 140.

Segundo o CEO, desde 2024, o eucalipto já oferece margem duas vezes maior do que a dos grãos. Enquanto a receita com eucalipto gira em torno de R$ 92 mil por hectare, a da soja está em R$ 35 mil o hectare. Hoje, do R$ 1,1 bilhão que a empresa fatura ao ano, o eucalipto responde por R$ 100 milhões.

A Girassol estima que o investimento nas novas áreas de eucalipto ficará entre R$ 18 mil e R$ 20 mil o hectare, desde o plantio até o último ano de tratos. Isso deve representar um investimento total de até R$ 80 milhões. “O primeiro desafio é ter esse valor para investir e esperar sete anos”, afirma o CEO.

Ele diz que a empresa terá que financiar boa parte do investimento com recursos próprios, já que os juros “não estão legais”, mesmo dentro de linhas de financiamento com taxas reduzidas. Mas a geração de caixa a partir das outras culturas (soja, milho e algodão) deverá garantir os recursos necessários para o investimento. Segundo o executivo, os bancos têm adaptado linhas de crédito para atender a demanda do eucalipto, mas as ofertas ainda são poucas.

Fonte: Globo Rural