Mato Grosso está transformando uma árvore de origem asiática em um dos negócios de maior destaque da silvicultura estadual. Conhecida pela alta durabilidade e pelo valor elevado no mercado, a teca pode chegar a R$ 6 mil por metro cúbico e vem ganhando cada vez mais espaço entre os produtos exportados pelo estado.
O avanço aparece nos números do comércio exterior. No primeiro semestre de 2026, as exportações de toras de teca produzidas em Mato Grosso movimentaram US$ 23,3 milhões, alta de 30,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados US$ 17,8 milhões.
O volume embarcado também disparou. Foram 76,8 milhões de quilos de teca enviados ao exterior nos seis primeiros meses deste ano, contra 57 milhões de quilos no mesmo período do ano passado, crescimento de 34,5%.
O resultado ajuda a explicar por que a cultura vem despertando interesse de produtores e investidores.
Por que a teca vale tanto?
Originária da Ásia, a teca é considerada uma das madeiras nobres mais valorizadas do mundo. A espécie combina características que aumentam sua procura, como resistência à umidade, durabilidade natural, estabilidade e resistência a esforços.
A madeira é utilizada em diferentes segmentos, desde construção naval e fabricação de móveis até revestimentos de áreas externas. Por suportar bem condições de umidade, também é bastante valorizada em aplicações que exigem resistência e longa vida útil.
A importância comercial da espécie não é recente. Há 175 anos, o botânico alemão Dietrich Brandis comparou a teca ao diamante entre as pedras preciosas e ao ouro entre os metais.
Hoje, a valorização continua refletida no mercado: o metro cúbico da madeira pode alcançar R$ 6 mil, dependendo de características como qualidade, idade e finalidade da madeira.

MT concentra 80% do cultivo da América do Sul
O crescimento das exportações acompanha uma produção em larga escala dentro do estado. Um levantamento realizado em 2025 pela empresa Canopy, durante a Expedição da Silvicultura em Mato Grosso, apontou 55.554 hectares plantados com teca em território mato-grossense.
Segundo a Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), o estado concentra aproximadamente 80% do cultivo de teca da América do Sul e é considerado o maior produtor sul-americano da espécie.
Para o presidente da entidade, Fausto Takizawa, fatores como solo e clima ajudam a explicar o desempenho da cultura no estado.
“Mato Grosso se destaca como um exemplo de sucesso no plantio de teca, proporcionando benefícios ambientais, sociais e econômicos duradouros. É um legado valioso para o futuro da sustentabilidade, levando o Brasil ao topo da produção privada de teca plantada no mundo”, destacou.
Mercado asiático puxa as exportações
A produção mato-grossense também está cada vez mais conectada ao mercado internacional. Índia e Vietnã aparecem entre os principais compradores da teca produzida no estado.
A Índia, inclusive, é apontada como o maior importador mundial da espécie, o que coloca Mato Grosso em uma rota estratégica para o comércio da madeira nobre.
O cenário internacional também abriu espaço para novos fornecedores. Após a proibição da exportação de toras de teca por Myanmar, tradicionalmente o maior fornecedor mundial da espécie, países da América Latina passaram a ocupar uma posição mais relevante no mercado.
Brasil, Equador, Gana e Panamá estão entre os países que ganharam espaço nesse cenário.
Certificação aumenta valor da produção
Além da escala, produtores mato-grossenses também têm investido em certificações internacionais para fortalecer a presença da teca brasileira no mercado.
Segundo a Arefloresta, seis produtores brasileiros de teca possuem certificação FSC, o que corresponde a cerca de 43% da área plantada.
O selo FSC é uma certificação internacional voltada ao manejo responsável das florestas e busca garantir que produtos de origem florestal sejam provenientes de fontes responsáveis ou de florestas manejadas de forma adequada.
Para o setor, a combinação entre escala de produção, certificação e inovação genética pode ampliar ainda mais a competitividade da teca brasileira.

De árvore asiática a negócio milionário em MT
O crescimento das exportações mostra que a teca deixou de ser apenas uma alternativa de reflorestamento e passou a ocupar um espaço estratégico na economia florestal de Mato Grosso.
Com mais de 55 mil hectares plantados, exportações que já ultrapassam 76,8 milhões de quilos em apenas seis meses e receita externa de US$ 23,3 milhões, a espécie se consolida como uma das apostas de longo prazo da silvicultura mato-grossense.
Enquanto a demanda internacional aumenta, Mato Grosso amplia sua participação em um mercado no qual durabilidade, qualidade e valor agregado transformam madeira em um negócio milionário.






