A Suzano mudou o foco de sua estratégia de crescimento. Em vez de preparar uma nova expansão da capacidade de produção de celulose, a companhia passa a direcionar investimentos e gestão para elevar a produtividade das florestas, reduzir custos e aumentar o retorno dos mais de R$ 70 bilhões aplicados nos últimos cinco anos.
A mudança representa uma inflexão na estratégia da Suzano, que é a maior fabricante de celulose do mundo. Após concluir investimentos como o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), a empresa entende que o principal diferencial competitivo agora está em produzir mais utilizando a estrutura existente, e não em iniciar um novo ciclo de expansão industrial.
Produtividade passa a definir a competitividade
Em entrevista à CNN Brasil, o vice-presidente executivo florestal da Suzano, Douglas Lazaretti, afirmou que a prioridade da companhia é extrair o máximo valor dos investimentos realizados recentemente.
Segundo o executivo, esse objetivo será alcançado por três frentes: elevar a produtividade das florestas, reduzir o raio médio de transporte da madeira até as fábricas e ampliar a autossuficiência no abastecimento de matéria-prima.
A logística ocupa papel central nessa estratégia. Como o transporte da madeira representa uma parcela importante do custo de produção da celulose, aproximar as áreas florestais das unidades industriais reduz despesas e aumenta a eficiência da operação. A expectativa da empresa é operar, nos próximos anos, com uma distância média próxima de 150 quilômetros entre florestas e fábricas.
Madeira própria ganha importância
Outro foco da Suzano é reduzir a dependência do mercado de terceiros para o fornecimento de madeira.
Para a empresa, a expansão da demanda nacional vem ocorrendo em ritmo superior ao crescimento da base florestal brasileira. Entre 2019 e 2024, a área de florestas cresceu 9%, enquanto o consumo avançou 19%, tornando a autossuficiência um fator cada vez mais relevante para preservar custos e competitividade.
Nesse cenário, aumentar a produtividade das áreas já cultivadas torna-se mais eficiente do que ampliar continuamente a base de ativos.
Tecnologia substitui novas expansões
Embora tenha concluído recentemente um dos maiores projetos industriais da história da companhia, a Suzano afirmou que não prevê novos investimentos para ampliar a capacidade instalada de produção de celulose neste momento.
Os recursos passam a ser direcionados para inovação, melhoramento genético e desenvolvimento de florestas mais produtivas e resistentes aos impactos das mudanças climáticas.
A companhia também pretende ampliar a diversificação dos mercados consumidores e reduzir gradualmente sua exposição ao mercado chinês, reforçando a integração entre produção florestal e operação industrial.
Com essa estratégia, a Suzano busca transformar os investimentos realizados nos últimos anos em uma vantagem competitiva duradoura, baseada em produtividade florestal, eficiência operacional e menor custo de produção, em vez de um novo ciclo de expansão industrial.







