Por anos, a previsão parecia certa: o avanço do digital decretaria o fim do papel. Não foi o que aconteceu. Quem faz o diagnóstico é o sul-mato-grossense Julião Flaves Gaúna, presidente reeleito da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), em entrevista na sede da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems).
O primeiro trabalho, segundo ele, foi de cabeça. “O primeiro passo foi tirar o medo das pessoas diante do avanço da tecnologia”, afirmou. “O papel realmente diminuiu, mas mudamos a forma de mostrar a Abigraf: ela não é mais só uma indústria de impressão, é uma indústria de impressão e comunicação, porque há outras plataformas, as digitais.”

A virada não é só de discurso. Hoje a produção é híbrida, a mesma fábrica opera o offset, voltado à escala, e o digital, no mesmo parque. E o setor tratou de derrubar um segundo mito: o de que só as grandes poderiam trabalhar com o digital. “As grandes têm estrutura para inovar; as menores só conseguem esse acesso pela associação”, resumiu Gaúna, lembrando que 97% do setor é formado por micro, pequenas e médias empresas.
É aí que entra o papel da entidade. Por meio do seu braço de tecnologia, a Abtec, a Abigraf diz levar conhecimento à “ponta”, Norte, Nordeste e interior, onde a inovação chega mais devagar. O objetivo, na leitura do dirigente, é evitar que pequenos gráficos fechem as portas, com o custo social que isso carrega.
Fonte: A Crítica







