Pinus fecha 2025 estável em 1,89 milhão de hectares e celebra 120 anos de Brasil com nova liderança: Santa Catarina

Área recua 0,3% no ano, mas acumula alta de 20,6% na década; Santa Catarina ultrapassa o Paraná e assume o topo do ranking pela primeira vez; setor lança campanha pelos 120 anos do gênero no país

O pinus brasileiro vive um momento de estabilidade com mudança de guarda. A área plantada com a espécie fechou 2025 em 1.889.801 hectares, um recuo de 5.214 hectares em relação a 2024 (−0,27%) — praticamente estabilidade, após uma década de expansão consistente: desde 2016, quando somava 1,57 milhão de hectares, o plantio de pinus cresceu 322.624 hectares, alta de 20,6%. A espécie responde hoje por 17,6% de toda a área florestal plantada do Brasil.

O dado mais revelador, porém, está dentro do ranking estadual. Santa Catarina assumiu a liderança nacional do pinus — feita inédita na série histórica do Relatório Anual 2026 da Ibá. O estado ultrapassou o Paraná em 2023 e consolidou o topo: são 711.389 hectares catarinenses contra 684.420 paranaenses. O Paraná, líder histórico, atingiu o pico de 789.194 hectares em 2018 e encolhe 13% desde então. Enquanto isso, o Rio Grande do Sul é o estado que mais cresce em termos relativos: +54,7% na década, saltando de 182.508 para 282.391 hectares. São Paulo soma 155.103 hectares (+26,4% em dez anos) e Mato Grosso do Sul, embora ainda pequena em pinus, mais que dobrou o plantio em 2025 — de 3.377 para 7.928 hectares, alta de 134,8% em um único ano.

A geografia segue concentrada: 89% do pinus brasileiro está na Região Sul, onde a espécie é parte da identidade florestal regional. E a lógica produtiva é distinta da do eucalipto: o pinus é a “árvore lenta” do setor, com ciclos médios de 16,4 anos e produtividade de 31,1 m³ por hectare por ano — contra os 7 anos e 34,5 m³/ha.ano do eucalipto. Em troca, entrega um portfólio industrial próprio: é a base da madeira serrada de coníferas (7,9 milhões de m³ em 2025, com exportações em alta de 5,2% e o Brasil na 9ª posição mundial), da celulose de fibra longa (2,7 milhões de toneladas) e dos painéis de madeira.

O marco dos 120 anos do pinus no Brasil, celebrado em 2026, encontra a espécie em plena maturidade estratégica. Para marcar a data, entidades do setor florestal lançaram em setembro uma campanha institucional que resgata a trajetória do gênero — chegou ao país há cerca de 120 anos, trazido por imigrantes europeus, e só ganhou escala comercial a partir dos anos 1960 — e seu papel atual na bioeconomia, fornecendo matérias-primas renováveis para mercados que exigem crescentes critérios de sustentabilidade. Os números do relatório dão substância à celebração: a madeira de pinus abastece cadeias que exportam principalmente para a América do Norte (31,8% dos destinos da madeira serrada), América Central e Caribe (20,7%) e Oriente Médio (17,2%).

Se o eucalipto é a história da velocidade, o pinus é a história da paciência — 120 anos para construir um parque florestal de 1,89 milhão de hectares que sustenta serrarias, fábricas de papel e painéis em três estados do Sul. A estabilidade de 2025, após uma década de crescimento, sugere um setor que trocou a expansão acelerada pela consolidação: menos hectares novos, mais valor por hectare.

Redação Mais Floresta