Exportações somam US$ 14,9 bilhões, com superávit recorde de US$ 13,6 bilhões; produção de celulose cresce 7% e empregos indiretos chegam a 2 milhões
A indústria brasileira de árvores plantadas fechou o ciclo 2025 com receita bruta de R$ 249,4 bilhões e valor bruto adicionado de R$ 106,9 bilhões, crescendo 1% em termos reais. Com esse desempenho, o setor ocupa a 5ª posição entre 34 segmentos da indústria de transformação e responde por 4,6% do valor adicionado industrial e por 1% do PIB agropecuário nacional.
O motor da balança comercial segue imbatível. As exportações atingiram US$ 14,9 bilhões — com crescimento médio de 5,8% ao ano na última década —, gerando um superávit setorial de US$ 13,6 bilhões. A celulose é a estrela: foram US$ 10,2 bilhões exportados, com 20,7 milhões de toneladas enviadas ao exterior. O saldo comercial positivo da cadeia cresce a 6,2% ao ano há dez anos, consolidando o setor como um dos maiores geradores de divisas do agronegócio brasileiro.
Do lado da produção, a indústria processou 29,4 milhões de toneladas de celulose, alta de 7% sobre 2024 — sendo 26,1 milhões de toneladas de fibra curta e 2,7 milhões de fibra longa. O mercado interno absorveu 8,7 milhões de toneladas. Na papelaria, a produção ficou em 11,3 milhões de toneladas, com o Brasil na 7ª posição do ranking mundial e na 6ª em papelão ondulado. Os painéis de madeira mantiveram o maior volume da série histórica, com 9,7 milhões de m³, e a madeira serrada atingiu 7,9 milhões de m³, com exportações em alta de 5,2%. No carvão vegetal, o Brasil segue como maior produtor mundial, com 6,7 milhões de toneladas.
O impacto fiscal e social é proporcional à escala. O setor recolheu R$ 29,3 bilhões em tributos — R$ 23,2 bilhões federais, R$ 6,1 bilhões estaduais e R$ 531,8 milhões de ISS municipal. São 713 mil empregos diretos, 2,05 milhões indiretos e um efeito total de 3,83 milhões de postos de trabalho na economia, com massa salarial de R$ 32,1 bilhões.
Os desafios, porém, aparecem nos detalhes. O índice de custos do setor subiu 3,36% entre 2024 e 2025, abaixo do IPCA (4,26%) — um alívio após anos de pressão inflacionária sobre silvicultura, colheita e transporte. Na frente da inovação, as empresas investiram R$ 353 milhões em PD&I, com 35% dos projetos voltados ao melhoramento genético, e registraram 1.101 patentes e ativos de propriedade intelectual, além de 44 novas cultivares homologadas.
Nas finanças sustentáveis, o setor liderou as operações rotuladas no sistema financeiro nacional, com 24% do volume total entre 2015 e 2022, segundo a FEBRABAN — e 21% das associadas emitiram títulos ou debêntures sustentáveis em 2025.
Redação Mais Floresta





