Suzano coloca a saúde das florestas no centro e capta R$ 360 mi para restauração

Fonte: Exame

Para a Suzano, liderar a produção de celulose e papel exige mais do que cultivar árvores: a saúde das florestas plantadas está ligada à regulação hídrica, à estabilidade climática e à relação com as comunidades no entorno. Por isso, a fabricante coloca a conservação no centro da operação como condição para manter a produtividade no longo prazo, incorporando o clima como fator decisivo em projetos industriais, decisões financeiras e expansão da capacidade produtiva.

Em 2025, a empresa obteve 360 milhões de reais do Fundo Clima, do BNDES, para projetos de restauração de áreas degradadas e descarbonização. Os recursos estão sendo aplicados na recuperação de 24.000 hectares em seis estados brasileiros.

Malu Pinto, vice-presidente-executiva de Gente e Gestão, Sustentabilidade, Comunicação e Marca, explica que a combinação de produção florestal com conservação e restauração busca fortalecer os serviços ecossistêmicos essenciais para o negócio. “Essa atuação sustenta o negócio, ao mesmo tempo que gera impactos positivos para o desenvolvimento sustentável dos territórios onde a Suzano está presente”, afirma.

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A pauta climática se reflete na estrutura financeira. Ao final de 2025, 38% da dívida total da companhia já estava vinculada a instrumentos ESG, incluindo empréstimos atrelados a metas ambientais.

Essa agenda integra os chamados Compromissos para Renovar a Vida, plataforma de sustentabilidade estruturada nos temas de clima, natureza e social, que conecta as prioridades socioambientais à estratégia de crescimento da organização. A incorporação de critérios ambientais nas decisões operacionais e industriais avança no mesmo ritmo: fatores ligados à redução de emissões de carbono já são requisito obrigatório também para a aprovação de projetos de expansão e modernização das operações.

Na prática, um dos resultados mais visíveis é a criação de corredores ecológicos na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia. A meta é conectar 500.000 hectares prioritários para conservação até 2030.

Até 2025, mais de 214.000 hectares já haviam sido integrados por corredores de vegetação nativa, modelo que facilita a circulação da fauna, fortalece a diversidade genética e aumenta a resiliência dos ecossistemas diante das mudanças climáticas. O avanço representa quase metade do objetivo traçado para a década.

No campo social, a Suzano trabalha pela geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento de economias locais. Desde 2020, mais de 140.000 pessoas deixaram a linha da pobreza por meio de projetos ligados a empreendedorismo, agricultura familiar e extrativismo sustentável, cerca de 70% da meta até 2030.

Só em 2025, mais de 44.000 pessoas superaram essa condição por meio de iniciativas desenvolvidas em parceria com organizações locais e governos. O resultado mostra que a agenda social avança no mesmo ritmo que as metas ambientais.

CMPC

A CMPC, produtora de papel e celulose, tem no Projeto Natureza o maior investimento de sua história: 4,6 bilhões de dólares para construir uma nova planta no Rio Grande do Sul com capacidade de até 2,5 milhões de toneladas anuais de celulose. O projeto também é uma aposta em eficiência: menor consumo de água, redução de emissões e ganhos de produtividade industrial fazem parte do desenho desde o início.

Em Guaíba (RS), o Projeto BioCMPC já entregou resultados concretos nessa direção. O programa encerrou definitivamente o uso de carvão na planta industrial e reduziu em 325.000 toneladas anuais as emissões de CO2 — queda equivalente a 53,4% das emissões dos escopos 1 e 2. A unidade passou a operar com um dos menores consumos de água da indústria de celulose na América Latina. Para 2026, a companhia planeja avançar no Projeto Natureza e ampliar investimentos em manejo florestal, biodiversidade e eficiência ambiental das operações.

Klabin

Mais de 2.900 espécies de fauna e flora convivem nas áreas florestais da Klabin, produtora de papéis — entre elas, 70 ameaçadas de extinção. É esse patrimônio que explica por que a conservação ambiental ocupa lugar central no modelo de negócios da empresa.

A Klabin mantém mais de 900.000 hectares de área florestal, sendo 41% de matas nativas preservadas. O chamado plantio em mosaico, técnica adotada há mais de 60 anos, intercala florestas plantadas com vegetação nativa para formar corredores ecológicos e favorecer a circulação da fauna. Em 2025, a companhia atualizou suas metas climáticas: corte de 42% nas emissões dos escopos 1, 2 e 3 até 2030 e redução de 90% até 2050.

“Buscamos ser ativos nas soluções para os desafios globais, parte do nosso compromisso com uma economia de baixo carbono, circular e inclusiva”, afirma Darlon Orlamunder de Souza, diretor de P&D+I, Sustentabilidade e Estratégia & Mercado da Klabin.