Tarifa dos EUA coloca em risco principal mercado da madeira gaúcha e preocupa setor florestal

A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar impactos significativos para a indústria madeireira do Rio Grande do Sul. Principal destino das exportações do setor, o mercado norte-americano concentrou, em 2025, US$ 97,1 milhões em compras de madeira gaúcha, o equivalente a 36% de tudo o que o Estado exportou no segmento.

Representantes da cadeia produtiva avaliam que a medida ameaça uma relação comercial construída ao longo de décadas e reduz a competitividade das empresas gaúchas diante de concorrentes internacionais.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras e Serrarias do Rio Grande do Sul (Sindimadeira-RS), Leonardo De Zorzi, o Estado possui forte vocação para atender o mercado dos Estados Unidos por meio de produtos oriundos de florestas plantadas, especialmente de pinus, eucalipto e acácia.

Embora o governo norte-americano tenha incluído alguns produtos de madeira na lista de exceções da nova tarifa, o dirigente explica que o benefício alcança, principalmente, itens produzidos com madeiras nativas da Amazônia, enquanto a produção do Sul do Brasil permanece majoritariamente sujeita à sobretaxa.

Entre os produtos que devem sofrer maior impacto estão madeira serrada, molduras, chapas compensadas, portas e cercas residenciais, todos com elevado valor agregado e importante participação nas exportações da região.

O Sindimadeira-RS ainda não divulgou estimativas oficiais sobre as perdas financeiras, uma vez que contratos firmados antes da entrada em vigor da medida continuam sendo embarcados. No entanto, o setor teme repetir o cenário observado após as tarifas anunciadas anteriormente, quando houve forte retração nas vendas externas.

De acordo com De Zorzi, em determinados períodos as exportações chegaram a registrar queda próxima de 70%, reflexo da perda de competitividade provocada pelo aumento dos custos para o mercado americano.

Dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) reforçam a preocupação. Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, as exportações gaúchas de madeira serrada para os Estados Unidos recuaram 78%, passando de US$ 3,9 milhões para aproximadamente US$ 800 mil.

Além do impacto sobre as exportações, a indústria teme reflexos na geração de empregos e nos investimentos. Atualmente, o setor madeireiro emprega mais de 15 mil trabalhadores formais no Rio Grande do Sul.

A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) também incluiu a madeira serrada de pinus entre os cinco produtos do agronegócio gaúcho mais afetados pela nova política tarifária dos Estados Unidos. Em 2025, as vendas desse produto ao mercado norte-americano somaram cerca de US$ 81 milhões. Com a incidência da tarifa adicional de 25%, o impacto potencial é estimado em aproximadamente US$ 20 milhões.

Apesar da busca por novos mercados, representantes da indústria avaliam que substituir os Estados Unidos não será uma tarefa simples. Além de responderem por cerca de um terço do consumo mundial de produtos madeireiros, os norte-americanos exercem forte influência sobre a formação dos preços internacionais do setor, tornando a diversificação de destinos comerciais um desafio que pode resultar em menor rentabilidade para as empresas gaúchas.