Fonte: GZH
Mesmo com os impasses envolvendo o processo de licenciamento ambiental da fábrica da CMPC, em Barra do Ribeiro, o projeto do terminal no Porto de Rio Grande segue mantido, sem alterações no cronograma e no investimento. A informação foi confirmada pelo diretor-geral do terminal, Leonardo Maurano.
O investimento no distrito industrial rio-grandino será de R$ 1,5 bilhão, a partir de uma joint venture entre a CMPC e a Neltume Ports.
— O terminal já obteve da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) o reconhecimento de viabilidade para a assinatura do Contrato de Adesão, que permitirá a implantação do Terminal de Uso Privado em Rio Grande. Neste momento, o cronograma do projeto permanece inalterado, com expectativa de início das obras em janeiro de 2027 — afirma.
Segundo Maurano, a viabilidade do terminal em Rio Grande não depende diretamente da implantação da fábrica de celulose prevista para Barra do Ribeiro, atualmente alvo de discussões ambientais e indígenas durante o processo de licenciamento.
— O projeto do Terminal em Rio Grande possui viabilidade própria e independe da implantação do projeto industrial em Barra do Ribeiro, considerando que o volume atualmente movimentado no Porto do Rio Grande já comporta a operação de um terminal dedicado ao segmento — ressalta.
Segundo a Portos RS, a exportação de celulose é um dos pilares do Porto do Rio Grande, movimentando cerca de 1,6 a 1,9 milhão de toneladas anuais.
Quais são os impasses para a implementação da fábrica no RS?
O licenciamento da unidade industrial em Barra do Ribeiro enfrenta um impasse relacionado à solicitação de um Estudo de Componentes Indígenas (ECI) pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
O documento já foi entregue pela empresa e está sendo complementado. No estudo, foram consultadas comunidades indígenas de Barra do Ribeiro e de Porto Alegre.
A licença prévia da fábrica é considerada decisiva para a aprovação final do investimento global de R$ 27 bilhões pela direção mundial da companhia, cuja definição deve ocorrer ainda neste ano.
Além disso, outro ponto debatido durante o processo envolve os impactos ambientais do plantio de eucalipto sobre áreas do bioma Pampa.
Apesar do cenário, a direção do terminal afirma que o projeto em Rio Grande continua avançando normalmente nas etapas de licenciamento ambiental junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Projeto prevê novos berços e armazém para celulose em Rio Grande

A planta do terminal no Porto de Rio Grande prevê a construção de dois berços de atracação para navios, dois berços para barcaças e um armazém com capacidade estática para 200 mil toneladas de celulose.
Além disso, também está previsto um repasse de R$ 142,7 milhões a Portos RS para obras de dragagem do canal do Porto de Rio Grande, ampliando a profundidade do canal de 9,5 metros para 12 metros.
Atualmente, o empreendimento aguarda a cessão de uso do terreno pela Superintendência do Patrimônio da União (SPU). Na sequência, devem ocorrer audiência pública e a emissão das licenças ambientais pela Fepam.
Terminal deve gerar mais de 3,7 mil empregos
A implantação do Terminal Rio Grande do Sul também deve provocar impacto direto na geração de empregos em Rio Grande e na região sul do Estado.
Segundo a empresa, a fase de obras deverá criar cerca de 1,2 mil empregos. Já durante a operação, a expectativa é de geração de 450 vagas diretas, além de aproximadamente 2,1 mil postos indiretos envolvendo trabalhadores portuários avulsos, caminhoneiros e terceirizados ligados à cadeia logística.
A expectativa é que o terminal também impulsione investimentos complementares em infraestrutura, armazenagem, transporte hidroviário e operações marítimas, fortalecendo o Porto do Rio Grande como um dos principais polos logísticos voltados ao setor de celulose no país.






