Nos últimos dois anos, a Suzano inaugurou a maior fábrica de celulose do mundo, firmou uma parceria com a Kimberly-Clark e ainda impressionou o mercado com bons resultados
Dona de 20% do mercado mundial de celulose — o que a torna a maior empresa do setor — e presente em cerca de 100 países, a Suzano prova que grandes negócios podem ser tão ágeis, enxutos e lucrativos quanto uma startup. Nos últimos anos, a companhia se dedicou a dois projetos de vulto. O primeiro foi a construção em Ribas do Rio Pardo (MS) da maior fábrica de celulose do planeta. Inaugurada em 2024 e com capacidade de produzir 2,5 milhões de toneladas por ano, a unidade consumiu 22 bilhões de reais em investimentos. O outro foi a Arbex, joint-venture com a americana Kimberly-Clark anunciada em julho e que já nasce como uma potência no mercado de papéis absorventes, os tissues.

Essas iniciativas não impediram a empresa de sustentar sólidos resultados operacionais e financeiros. Em 2025, as vendas de celulose aumentaram 15%, para 12,4 milhões de toneladas, e as de papel, 25%, totalizando 1,5 milhão de toneladas. A receita líquida cresceu 6%, para 50 bilhões de reais, e o lucro líquido somou 13,4 bilhões. O ótimo desempenho contribuiu para que a Suzano se tornasse campeã na categoria papel e celulose do ranking TOP30.
Os resultados positivos, porém, não são vistos pela companhia como um sinal de que é hora de relaxar — pelo contrário. O foco agora é extrair o máximo de valor desses investimentos. “Nos próximos anos, nossa prioridade é fazer com que a planta de Ribas do Rio Pardo e a Arbex rendam os frutos esperados”, diz João Alberto Fernandez de Abreu, presidente da Suzano. Uma das estratégias é integrar cada vez mais as operações. Parte da produção da Arbex, por exemplo, consome celulose de fibra longa, insumo que deve ser gradualmente substituído pela celulose de fibra curta, que é a especialidade da empresa. Explorar a crescente demanda da Ásia também está no radar. Nos últimos dois anos, foram abertos escritórios em Singapura, Coreia do Sul, Japão, Bangladesh, Vietnã e Índia. “São as regiões em que vemos mais oportunidades”, diz Abreu. Já a China, sua maior cliente, vive uma fase de verticalização do setor com produtores de papel se unindo a fabricantes de celulose, o que pode reduzir a demanda.
É verdade que a concorrência também se movimenta para conquistar mercados. O destaque é o projeto que a Arauco está erguendo em Inocência (MS) — o primeiro do grupo chileno no Brasil. Com inauguração prevista para o fim de 2027 e investimentos que superam 20 bilhões de reais, a unidade produzirá 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, o que a transformará na maior fábrica do mundo. Esse e outros projetos em construção no país devem pressionar os preços, mas a Suzano conta com um trunfo. “Seu custo de produção é muito baixo”, diz Gabriel Barra, analista de commodities do banco Citi. “Isso lhe dá uma posição muito vantajosa, mesmo que o preço da celulose caia.” É mais uma evidência de que a Suzano conhece bem seu papel de líder do setor.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29






