Levantamento estima incremento médio anual de 27,6 m³/ha para eucalipto e 24,4 m³/ha para pinus; entre os entrevistados, 75% pretendem ampliar plantios, mas custos preocupam
O Brasil alcançou 10,73 milhões de hectares de florestas plantadas em 2025, com crescimento de 8,1% desde 2021. O avanço, porém, está fortemente concentrado: Mato Grosso do Sul respondeu por aproximadamente 90% do aumento líquido da área mapeada no período. Ao mesmo tempo, as estimativas de produtividade mostram diferenças expressivas entre os estados, enquanto produtores e empresas demonstram disposição para investir, acompanhada de preocupação com custos e rentabilidade.
Os resultados foram apresentados por Bruno Montibeller e Fabio Guimarães Gonçalves, da Canopy Remote Sensing Solutions, nesta quarta-feira, 21 de outubro, durante a apresentação dos resultados da Expedição Silvicultura 2025, transmitida pelo canal do Mais Floresta no YouTube.
Idealizada e coordenada pela Canopy e realizada em parceria com a Embrapa Florestas e a Paulo Cardoso Comunicações, a iniciativa integrou mapeamento por satélite, validação em campo, inventário florestal e entrevistas com participantes da cadeia produtiva. A proposta foi compreender onde estão as florestas, quanto produzem e quais condições influenciam seu desenvolvimento.
Mato Grosso do Sul concentra o crescimento
Entre 2021 e 2025, a área nacional mapeada passou de 9,93 milhões para 10,73 milhões de hectares, um acréscimo líquido de aproximadamente 802 mil hectares. O eucalipto respondeu pela maior parte do avanço, com aumento de 758 mil hectares, equivalente a 10,1%.
No mesmo período, a área de pinus recuou 36,6 mil hectares, ou 1,9%, mantendo-se próxima de 1,9 milhão de hectares. Os demais gêneros e sistemas integrados passaram de aproximadamente 460 mil para 540 mil hectares.
O principal vetor de crescimento foi Mato Grosso do Sul. A área mapeada no estado aumentou de 1,07 milhão para 1,80 milhão de hectares, com acréscimo de 722,7 mil hectares e expansão de 67,3%. Esse avanço correspondeu a cerca de 90% do aumento líquido nacional.
Com isso, o estado passou da quarta posição, em 2021, para a segunda, em 2025, e ampliou sua participação para 16,7% da base brasileira. Minas Gerais permaneceu na liderança, com 2,27 milhões de hectares.

A área mapeada de florestas plantadas passou de 9,93 milhões para 10,73 milhões de hectares entre 2021 e 2025.
Fonte: Canopy Remote Sensing Solutions — Expedição Silvicultura 2025, Relatório Técnico Final (2026).
Segundo Montibeller, sete estados concentram 85,8% da área mapeada: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia.
Em 2025, o eucalipto ocupava 8,30 milhões de hectares, ou 77,4% da base nacional. O pinus somava 1,89 milhão de hectares, equivalente a 17,6%, enquanto os demais cultivos e sistemas integrados representavam 5%.
A evolução da área mapeada, contudo, deve ser interpretada considerando tanto as mudanças no território quanto os aperfeiçoamentos cartográficos. Entre 2024 e 2025, por exemplo, o relatório diferencia novos plantios, retração, áreas em pousio e correções de classificação e delimitação.
Produtividade do eucalipto varia entre os estados
Um dos principais resultados da Expedição foi a estimativa do incremento médio anual (IMA), indicador que expressa a produção média de madeira por hectare a cada ano, considerando uma idade de referência.
Para o eucalipto, o IMA nacional foi estimado em 27,6 m³/ha/ano, aos sete anos, com intervalo aproximado de 95% entre 27,2 e 29,2 m³/ha/ano. Para o pinus, o resultado foi de 24,4 m³/ha/ano, aos 16 anos, com intervalo entre 23,4 e 26,0 m³/ha/ano.
As diferenças regionais foram mais acentuadas no eucalipto. Santa Catarina apresentou estimativa de 42,3 m³/ha/ano, seguida pelo Paraná, com 39,4, pelo Rio Grande do Sul, com 36,8, e por São Paulo, com 32,5. Tocantins e Piauí ficaram em 18,7 e 16,0 m³/ha/ano, respectivamente.
Gonçalves ressaltou que esses valores não devem ser interpretados como um ranking de qualidade da silvicultura. O desempenho combina condições de solo, clima, material genético, manejo e outros fatores que afetam o crescimento das árvores.
No pinus, a variação regional foi menor. São Paulo apresentou estimativa de 26,0 m³/ha/ano; Paraná, de 24,8; Santa Catarina, de 24,0; Minas Gerais, de 23,9; e Rio Grande do Sul, de 23,2.

Estimativas de produtividade de eucalipto e pinus por estado, com intervalos aproximados de 95%. As idades de referência são sete e 16 anos, respectivamente.
Fonte: Canopy Remote Sensing Solutions — Expedição Silvicultura 2025, Relatório Técnico Final (2026).
A sobreposição dos intervalos de confiança exige cautela nas comparações, sobretudo onde há menor disponibilidade de dados. O IMA nacional também não corresponde à média dos indicadores estaduais: foi estimado diretamente a partir do conjunto de talhões do país.
As estimativas abrangem diferentes condições produtivas e perfis de propriedade. No eucalipto, incluem tanto plantios em alto fuste quanto áreas em talhadia, conduzidas pela rebrota após a colheita.
Inventário reuniu 446 parcelas em 13 estados
Entre setembro e novembro de 2025, a Expedição percorreu aproximadamente 42 mil quilômetros em 14 estados, responsáveis por cerca de 98% da área plantada brasileira.
Dentro dessa rota, o inventário florestal reuniu 446 parcelas distribuídas por 204 municípios, 13 estados e cinco biomas. Desse total, 293 estavam em áreas de empresas, 150 em propriedades de produtores independentes e três em áreas públicas.
A presença dos independentes permitiu incorporar situações produtivas que podem ficar menos representadas em levantamentos concentrados nas grandes empresas.
O escaneamento a laser terrestre, conhecido como LiDAR terrestre, foi utilizado em 438 parcelas. Em 21 delas, aproximadamente 5%, também foram realizadas medições tradicionais para comparação. Após o controle de qualidade, o processamento gerou estimativas para 19.711 árvores em 374 parcelas de eucalipto e pinus.
As medições da Expedição foram combinadas com inventários fornecidos por empresas parceiras e informações geoespaciais, como idade dos plantios, imagens de satélite, solo, clima e relevo.
Essa base permitiu ajustar modelos de aprendizado de máquina para estimar volumes de madeira nos talhões mapeados. Para avaliar o desempenho, 30% das observações foram mantidas fora da calibração. Os modelos explicaram 75,1% da variação dos volumes no eucalipto e 68,6% no pinus, com viés médio de -1,1% e -1,2%, respectivamente.
Gonçalves destacou que os indicadores territoriais não substituem o inventário contínuo das propriedades. As curvas foram construídas com diferentes talhões observados em distintas idades no mesmo período, e não pelo acompanhamento de uma mesma floresta ao longo de todo o ciclo.
O relatório também registra que as estimativas de volume das parcelas obtidas com LiDAR e pelo método de Pressler ainda precisam ser confrontadas com medições independentes por cubagem, uma frente de aprimoramento para as próximas campanhas.
Campo confirma consistência do mapeamento
A Expedição também permitiu avaliar a qualidade do mapeamento da Canopy, atualizado anualmente a partir da interpretação de imagens de satélite.
O levantamento utiliza imagens Sentinel-2, com resolução espacial de dez metros, séries temporais de índices de vegetação e informações auxiliares. A base representa áreas a partir de 0,25 hectare e diferencia os grupos florestais cultivados.
A validação utilizou 37.762 pontos de controle. Na distinção entre florestas plantadas e demais usos e coberturas da terra, a aderência foi de 97,5%. Considerando também a classificação por grupo florestal, o resultado foi de 96,5%.
Os pontos coletados em 2025 foram confrontados com o mapa de 2024, sem terem sido utilizados em sua elaboração, permitindo uma avaliação independente.
Intenção de expansão convive com pressão sobre as margens
Além dos levantamentos de campo, a Expedição aplicou um questionário sobre manejo, tecnologia, sanidade, sustentabilidade, comercialização e expectativas.
Após a consolidação, foram obtidos 73 registros analíticos de participantes com atuação em 16 estados. A soma das áreas declaradas chegou a 4,58 milhões de hectares, mas pode conter sobreposições entre operações de empresas, consultores, instituições e associações.
Entre os respondentes, 75% pretendem implantar novas áreas nos dois anos seguintes e 77% esperam aumento da demanda por madeira nos próximos cinco anos. Entretanto, 85% projetam crescimento dos custos de produção acima da inflação e apenas 41% esperam aumento da rentabilidade.
Outros 38% preveem estabilidade da rentabilidade e 15%, redução. Já a expectativa de preços da madeira acima da inflação foi indicada por 67% dos participantes.
Os resultados mostram que o otimismo com a demanda não significa, necessariamente, expectativa de margens maiores. Na avaliação apresentada por Gonçalves, existe disposição para crescer, mas a realização dos investimentos depende das condições econômicas.

Entre os respondentes, a intenção de ampliar os plantios convive com a expectativa de custos de produção acima da inflação.
Fonte: Canopy Remote Sensing Solutions — Expedição Silvicultura 2025, Relatório Técnico Final (2026).
Cada respondente recebeu o mesmo peso na análise, independentemente do tamanho da operação. Como o questionário foi voluntário e não probabilístico, os percentuais descrevem o grupo consultado e não devem ser extrapolados diretamente para todos os produtores brasileiros.
Desafios mudam conforme o perfil da operação
Os obstáculos apontados também variaram entre os participantes. Entre produtores independentes, seguro florestal, tempo de retorno do investimento e questões ambientais ou regulatórias lideraram as preocupações.
Entre empresas e gestores de investimentos florestais, destacaram-se mão de obra e condições climáticas, seguidas pelo prazo de retorno e pela burocracia e taxas.
No conjunto das respostas, mão de obra foi o desafio mais intenso, com nota média de 4,3 em uma escala de um a cinco. O tempo de retorno do investimento apareceu em seguida, com média de 4,0.
A sanidade surgiu como preocupação transversal: 93% dos entrevistados mencionaram formigas-cortadeiras. No eucalipto, também foram recorrentes psilídeo-de-concha, lagartas desfolhadoras e percevejo-bronzeado. Entre os respondentes de pinus, a vespa-da-madeira foi citada por 58%.
Na sustentabilidade, 26% informaram já participar de programas ou iniciativas relacionadas ao tema. Outros 34% declararam disposição para ajustar o manejo para participar, enquanto 32% responderam “talvez”.
A leitura apresentada indica oportunidades para ampliar a informação técnica, a assistência e a clareza sobre os benefícios econômicos dessas iniciativas.
Oferta futura exige olhar além da área
A apresentação destacou que a dimensão dos plantios, isoladamente, não permite compreender a oferta futura de madeira. É necessário considerar também a distribuição das idades das florestas, a produtividade regional e as condições que determinam a realização de novos investimentos.
Ao integrar essas informações, a Expedição oferece uma referência para estudos de suprimento, planejamento florestal e investigação das diferenças produtivas no país.
O relatório técnico completo pode ser baixado AQUI.
E para assistir a transmissão do lançamento do relatório Final da Expedição Silvicultura no Youtube do Mais Floresta CLIQUE AQUI.
Redação Mais Floresta





