O deserto de Takla Makan, no noroeste da China, ganhou um cinturão de vegetação com aproximadamente 3.046 quilômetros de extensão após mais de quatro décadas de trabalhos para conter o avanço da areia. A última etapa do projeto foi concluída em novembro de 2024, formando uma barreira vegetal ao redor de uma área desértica de cerca de 337.600 km², considerada a maior da China e uma das maiores regiões de dunas móveis do mundo.
A iniciativa faz parte do Programa de Proteção Florestal dos Três Nortes, lançado em 1978 e conhecido como Grande Muralha Verde da China. O objetivo é conter a desertificação, reduzir os impactos das tempestades de areia e proteger áreas agrícolas, estradas e comunidades próximas. Apesar dos avanços, o projeto não transformou todo o deserto em uma floresta: a vegetação foi implantada principalmente nas bordas, onde funciona como uma barreira contra o deslocamento da areia.
Como a vegetação ajuda a conter a areia
A cobertura vegetal reduz a velocidade do vento próximo ao solo e dificulta o deslocamento de partículas de areia. Com isso, o cinturão verde ajuda a proteger áreas habitadas, plantações e vias de transporte que atravessam a região. A medida é especialmente importante em uma área marcada por ventos fortes, baixa precipitação e condições difíceis para a sobrevivência das plantas.
Entre as espécies utilizadas estão o choupo-do-Eufrates, arbustos resistentes à seca e outras plantas adaptadas às condições locais. A escolha é importante porque nem todas as árvores conseguem sobreviver em solos arenosos, com pouca água disponível e grandes variações de temperatura. O projeto também utiliza técnicas de irrigação e manejo para favorecer o estabelecimento da vegetação.

O desafio de manter as plantas vivas
Plantar árvores no deserto exige mais do que colocar mudas no solo. A disponibilidade de água é um dos principais obstáculos, e o uso de irrigação precisa ser planejado para evitar o desperdício de um recurso escasso. Estudos realizados no cinturão de proteção do deserto mostram que sistemas de irrigação por gotejamento podem ajudar a manter as plantas, mas também identificam alterações na umidade e na salinidade do solo.
Por isso, a manutenção da vegetação é tão importante quanto o plantio inicial. A escolha de espécies adaptadas ao ambiente, o acompanhamento das mudas e o manejo dos recursos hídricos influenciam a sobrevivência das plantas e a durabilidade da barreira. Os resultados também variam conforme o local, e a implantação de vegetação não elimina todos os efeitos da desertificação.
O que os resultados ambientais mostram
A recuperação da vegetação em áreas áridas pode favorecer a retenção de carbono, reduzir a erosão e melhorar as condições ambientais em trechos específicos. Um estudo recente sobre o Takla Makan identificou variações sazonais na absorção de dióxido de carbono, associadas ao aumento da atividade da vegetação durante os meses mais úmidos. Isso não significa, porém, que a concentração de CO₂ tenha caído permanentemente em toda a região ou que o cinturão tenha provocado um aumento generalizado das chuvas.
A continuidade do projeto depende de equilibrar a proteção contra a areia com a conservação dos recursos naturais. A experiência chinesa demonstra a dimensão de uma iniciativa de longo prazo contra a desertificação, mas também evidencia que os resultados precisam ser avaliados considerando a disponibilidade de água, a sobrevivência das espécies plantadas e os efeitos sobre os ecossistemas locais.





