Evento leva alunos a vivenciar atividades práticas sobre solo, clima, pesquisa e florestas plantadas

Cerca de 200 estudantes do ensino fundamental e médio participaram, no dia 24 de setembro, de uma programação especial em celebração ao Dia da Árvore, com atividades que proporcionaram experiências práticas e conhecimentos sobre árvores e florestas.
A ação, realizada pelo quarto ano consecutivo, é realizada pela Embrapa Florestas em parceria com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas) e apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Prefeitura de Colombo.
Durante a programação, os estudantes percorreram estações temáticas para conhecer áreas experimentais e demonstrações práticas. Os temas envolveram florestas plantadas, araucária, erva-mate, solo, clima e insetos florestais. Para Rossana Catie de Godoy, Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Florestas, “este evento já está se tornando uma tradição, quando conectamos a ciência com o dia a dia de estudantes e professores”. 
A experiência possibilitou aos alunos sedimentar os conteúdos trabalhados em sala de aula por meio da observação direta em campo. Na estação dedicada às florestas plantadas, os alunos conheceram espécies utilizadas pelo setor e a contribuição positiva da silvicultura para o meio ambiente . Também puderam compreender a relação entre os plantios e o fornecimento de matéria-prima para diferentes produtos, como madeira, papel, tecido, resina, móveis, cosméticos, entre tantos outros.
Para Ailson Loper, diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), a experiência teve um significado especial por aproximar as novas gerações do conhecimento sobre o setor florestal. “Foi um evento gratificante porque nos permitiu levar conhecimento e informação às novas gerações. São esses os futuros adultos que farão escolhas sustentáveis, conscientes de que as florestas plantadas contribuem para o desenvolvimento da sociedade e protegem as florestas nativas”, assinala.

Relação entre teoria e prática
A importância da vivência em campo foi destacada pelos professores que acompanharam as turmas. Maria Aparecida Soldo, professora do 4º ano da Escola Municipal Severo Ribeiro de Camargo, de Colombo, avaliou que a atividade ampliou o contato dos alunos com conteúdos que, muitas vezes, eram conhecidos apenas por meio de livros, vídeos e explicações em sala. “Eu acho que a vivência é muito importante porque enriquece bastante o conhecimento deles.”
A passagem pela estação de florestas plantadas também despertou novas percepções entre os estudantes. A professora Djeyce de Oliveira, do 4º ano da Escola Municipal Parque Monte Castelo, explicou que a vivência contribuiu para a compreensão dos alunos sobre a origem de materiais utilizados diariamente. “Quando eles tomaram conhecimento de que existe a possibilidade de plantar para depois reutilizar, eles ganharam mais consciência sobre as florestas plantadas”, relatou.
A experiência também mostrou aos alunos que a madeira, a celulose e a resina estão presentes em uma variedade de produtos do cotidiano, aumentando a percepção sobre a relação entre florestas e sociedade.

Pesquisa científica como inspiração para os estudantes
Os alunos do ensino médio também participaram da programação. Mayssa Grise Monteiro, professora do Colégio da Polícia Militar do Paraná, em Curitiba, destacou a importância de levar os estudantes a um ambiente de pesquisa científica.
A escola desenvolvia uma feira de iniciação científica com participação de diferentes disciplinas e levou os alunos à Embrapa Florestas para que conhecessem de perto uma instituição pública dedicada à pesquisa. “Eles terem essa vivência de visitar um laboratório dos mais renomados do Brasil, com toda a tecnologia que é produzida no país, por pesquisadores brasileiros, faz a diferença na capacidade de sonhar e acreditar que qualquer um deles pode chegar um dia a ser um pesquisador”, aponta.

Aprendizado sobre espécies nativas 
Além das florestas plantadas, a programação apresentou pesquisas e conhecimentos relacionados à araucária e à erva-mate, espécies nativas e importante para o Paraná.
Na estação da araucária, os estudantes puderam aprender mais sobre a espécie símbolo do estado, como as características que permitem diferenciar árvores macho e fêmea  e estimar a idade. Também conhecerem como é possível produzir pinhão de forma precoce, além da importância da conservação das araucárias.
Já a estação de erva-mate chamou a atenção para esta espécie que também é nativa e é conhecida normalmente pelo chimarrão e chá. Os alunos conheceram um plantio de erva-mate, novas possibilidades de uso que estão sendo pesquisadas, além dos diferentes aromas a depender da forma de processamento da planta. 

A importância dos solos e dos insetos
Outra atividade foi realizada em uma trincheira aberta no solo, onde  foi demonstrada a relação entre solo, raízes e florestas. Os visitantes puderam entender a função de bactérias e fungos, por exemplo, além do sequestro e armazenamento de carbono pelo solo e sua relação com as mudanças do clima. 
Os insetos florestais também foram  tema de uma estação, que mostrou tanto suas funções nos ambientes florestais quanto situações em que algumas espécies são consideradas pragas e as possibilidades de controle biológico. Os estudantes também conheceram curiosidades e a que mais chamou atenção foi o “bicho pau”, que se camufla como se fosse um pedaço de madeira para evitar serem predados pelos pássaros.
Para Natália Vieira, analista da Embrapa Florestas e coordenadora da ação, “abrir as portas para as futuras gerações, fortalece nossa missão de formar cidadãos conscientes e integrados à ciência. Mas o verdadeiro diferencial esteve nos olhos das crianças: aprender em sala de aula é fundamental, mas sentir a textura do solo, observar de perto os insetos e tocar nas espécies florestais ao vivo no campo transforma a teoria em uma experiência viva e memorável”.

A experiência relatada pelos alunos
A atividade despertou curiosidade entre os alunos e ampliou o conhecimento sobre a presença das árvores no cotidiano. Davi dos Santos Lopes, do 4º ano da Escola Municipal Parque Monte Castelo, destacou o aprendizado sobre solo, árvores, erva-mate e florestas plantadas. “Aprendi sobre as camadas da terra, os componentes da terra, os nomes das árvores, como a erva-mate, sobre praticamente tudo.”
Nicolly Emanoelly de Sousa Constantino, também do 4º ano, contou que passou a perceber de outra maneira a utilização das árvores. “Agora eu sei que a árvore é importante e que a gente usa bastante coisa que é feita por ela.”
Vicente Regagnan da Silva,  do 4º ano,  também se surpreendeu com a variedade de produtos associados às árvores plantadas. “Às vezes a gente pensa que é só uma coisa como lápis, que a gente precisa, mas não. Até para a higiene precisamos de árvore. E não sabia que tinha árvore em pasta de dente e goma de mascar.”
Ao reunir pesquisa, educação ambiental e contato direto com a natureza, o evento do Dia da Árvore proporcionou aos estudantes uma oportunidade de transformar conteúdos teóricos em experiências concretas. Além disso, a iniciativa também reforçou a aproximação entre instituições de pesquisa, educação e setor florestal, mostrando aos alunos diferentes dimensões das árvores e das florestas e sua relação com a sociedade.