Feijão-guandu auxilia nos processos de restauração florestal no interior paulista

Durante as ações de monitoramento e manutenção realizadas em São Pedro (SP), em março deste ano, a equipe técnica do projeto Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas destacou o papel estratégico do feijão-guandu (Cajanus cajan) como adubação verde nos processos de restauração ecológica. A espécie arbustiva tem sido fundamental para acelerar a cobertura do solo e garantir o desenvolvimento saudável das mudas nativas plantadas pela iniciativa, otimizando a recuperação de áreas degradadas no interior do Estado de São Paulo.

Considerado de fácil implantação e manejo, o feijão-guandu destaca-se pela sua alta capacidade de produção de biomassa e rápido crescimento. Ao sombrear o solo de forma eficiente, a planta atua diretamente no controlo de gramíneas invasoras, que costumam competir com as árvores nativas nos estágios iniciais de plantio. Além disso, por ser uma espécie fixadora de nitrogênio, o guandu melhora a fertilidade natural e auxilia na descompactação de solo.

“O feijão-guandu é uma espécie de adubação verde, que nós utilizamos devido aos benefícios que ele traz para o plantio. Especialmente, ele auxilia no controle das gramíneas. Por ser uma espécie fixadora de nitrogênio, agrega fertilidade e favorece a descompactação do solo. Em solos muito pobres e degradados, ele ajuda a incorporar matéria orgânica na entrelinha de plantio”, explica o engenheiro florestal Frederico Domene, doutor em Recursos florestais e responsável técnico pelas operações de restauração florestal do Corredor Caipira.

Auxílio no processo de restauração

De acordo com o especialista, os benefícios práticos já são visíveis em áreas com apenas um ano de implantação. O especialista aponta que a inserção do feijão-guandu permitiu que espécies nativas regionais, como a sangra-d’água, atingissem rapidamente entre dois e três metros de altura. Com o avanço seguro da trajetória sucessional, a expectativa da equipe é que essas áreas deem lugar a florestas bem estruturadas a curto ou médio prazo.

“Nossas árvores nessa área já estão se desenvolvendo e o feijão-guandu está auxiliando nesse processo de cobertura e, consequentemente, no controle das gramíneas. É uma área que já está plantada há um ano e o desenvolvimento dela está excelente, com as mudas crescendo. Aos poucos, a área está seguindo a trajetória sucessional esperada e acreditamos que em breve teremos, nessa área, uma floresta bem estruturada”, afirma Domene.

Projeto Corredor Caipira

O Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas é uma iniciativa realizada pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Esalq da USP. O projeto conta com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Com uma visão de longo prazo que se estende até 2028, o projeto tem como grande objetivo estabelecer 100 hectares de florestas e agroflorestas, conectando fragmentos florestais prioritários para a conservação da fauna e da flora regionais. A sua área de atuação abrange os municípios paulistas de Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi. Para além da restauração ecológica e do fortalecimento de políticas públicas locais, o Corredor Caipira promove a valorização da cultura caipira e a educação ambiental, articulando uma rede viva que envolve comunidades locais, pequenos agricultores, assentados e pesquisadores na construção de paisagens sustentáveis e resilientes.

*Texto com informações de Rafael Bitencourt, Comunicação Corredor Caipira

Fonte: Jornal da USP