Resíduo da agroindústria como bioinsumos para a silvicultura foi destaque do 2º BioComForest

Especialistas da Biossolo, Klabin, Arauco, LD Celulose e Renergon debateram tratamento de resíduos, compostagem e bioeconomia circular na Unesp de Botucatu

Cobertura Especial: 2º BioComForest

O primeiro painel do segundo dia do 2º BioComForest, realizado no dia 29 de julho na Unesp de Botucatu, reuniu cinco especialistas para um debate sobre o tratamento dos resíduos da agroindústria e a transformação desses materiais em insumos para a silvicultura. Em entrevistas exclusivas, os participantes trouxeram experiências de diferentes regiões do Brasil e da Europa, abordando correção de solo, compostagem, qualificação de mão de obra e o papel do carbono na bioeconomia circular.

1.1 Fernando Carvalho (diretor da Biossolo): troca de experiências entre regiões

Fernando Carvalho abriu as entrevistas destacando a presença de colegas que trabalham em diferentes regiões do Brasil, com aspectos agrícolas de entorno diferenciados. Segundo ele, o painel reuniu experiências valiosas tanto no tratamento dos resíduos da agroindústria quanto na comercialização dos produtos obtidos nesse processo.

1.2 Patrícia Atanasio (engenheira agrônoma da Klabin): barreiras sendo vencidas com pesquisa

Patrícia Atanasio falou sobre as dificuldades de utilização dos resíduos dentro das próprias florestas da Klabin. Ela reconheceu que ainda existem entraves e barreiras, mas que a empresa vem vencendo pouco a pouco com pesquisas, incentivos e estudos externos que ajudam a mostrar, internamente, a importância dessa prática. A engenheira também compartilhou a experiência da companhia com a geração de resíduos inorgânicos e sua aplicação nas florestas — um mercado já bem estabelecido e bastante amplo.

1.3 Diego Bongiorno Cruz (gerente da Central de Resíduos da Arauco de Inocência-MS): resíduos que corrigem o solo

Diego Bongiorno Cruz explicou como a unidade transforma resíduos em produtos que retornam para a silvicultura. Hoje, os resíduos inorgânicos têm capacidade de se transformar em corretivo de acidez do solo, com fornecimento de magnésio — suprindo uma das principais necessidades da silvicultura nesse aspecto. Já o composto gerado pelo resíduo orgânico passa por um trabalho em estruturação para ser enriquecido com fertilizante mineral, de forma a atender a demanda florestal. Segundo ele, trata-se de uma linha de pesquisa em desenvolvimento, estruturada para quando a planta iniciar a geração desses produtos.

1.4 Pedro Cardoso (coordenador de produção da Usina de Compostagem da LD Celulose): mão de obra qualificada é o maior desafio

Pedro Cardoso apontou a mão de obra qualificada como um dos grandes desafios de projetos especializados como a compostagem. Ele alertou que, sem desenvolvimento técnico adequado, a pessoa pode provocar desvios significativos no processo, resultando em produto inacabado ou não conforme aos requisitos do Ministério da Agricultura, que legisla sobre a qualidade do produto final. “O maior desafio é desenvolver pessoas tecnicamente capazes de identificar desvios de processo e finalizar um produto com qualidade, para que o mercado o aceite como tal”, afirmou.

1.5 Rafael Raddi (diretor da Renergon Suíça): o carbono e a bioeconomia circular

Rafael Raddi trouxe a visão europeia sobre o papel do carbono na correção do solo, lembrando que o solo é o patrimônio para produzir commodities e florestas. Ele defendeu a inserção do carbono no ciclo da bioeconomia circular, a partir do biochar — o carvão vegetal gerado no solo. Além de sequestrar carbono da atmosfera e gerar créditos, o biochar retém água, deixando a terra mais úmida, e regula a entrada de sais que as plantas precisam para o pleno desenvolvimento.

O 2º BioComForest foi uma realização da Paulo Cardoso Comunicações. Para assistir ao vídeo completo das entrevistas, clique no link do YouTube: https://youtu.be/c-pUx-x3yyg

Redação Mais Floresta