Setor de árvores cultivadas investe em qualificação e deve gerar milhares de empregos nos próximos anos

Com investimentos previstos de R$ 75 bilhões até 2029 e a expansão de grandes projetos industriais pelo País, o setor brasileiro de árvores cultivadas tem ampliado não apenas sua capacidade produtiva, mas também os esforços para formar e qualificar mão de obra. Diante da crescente demanda por profissionais especializados, as empresas passaram a investir fortemente em programas de capacitação, inclusão e desenvolvimento de carreira.

Atualmente, o setor sustenta cerca de 2,8 milhões de empregos diretos e indiretos em todo o Brasil. A tendência é de crescimento nos próximos anos, especialmente em estados que recebem novos investimentos industriais, como Mato Grosso do Sul, consolidado como uma das principais fronteiras de expansão da indústria de base florestal.

De acordo com levantamento encomendado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) à consultoria ESG Tech, até 2032 o Mato Grosso do Sul deverá registrar a criação de aproximadamente 24 mil novos empregos diretos e 69 mil indiretos, impulsionados pela instalação e ampliação de grandes fábricas de celulose.

Formação de profissionais dentro das empresas

A necessidade de mão de obra qualificada levou as empresas do setor a adotarem uma estratégia cada vez mais comum: formar seus próprios profissionais.

Segundo a Ibá, diversas iniciativas têm sido desenvolvidas pelas empresas associadas, abrangendo desde educação básica para trabalhadores que não concluíram os estudos até programas especializados para formação de operadores de máquinas, motoristas e técnicos.

Entre os exemplos estão programas educacionais que já beneficiaram centenas de colaboradores em estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de centros de treinamento itinerantes instalados em contêineres, que já somaram cerca de 1.900 matrículas.

A qualificação profissional também tem contribuído para ampliar a participação feminina em atividades tradicionalmente ocupadas por homens. Escolas de formação de motoristas de caminhão e operadores de máquinas passaram a oferecer turmas voltadas especificamente para mulheres, ampliando oportunidades de ingresso e crescimento profissional.

Inclusão, diversidade e qualidade de vida

Além da capacitação técnica, o setor tem ampliado investimentos em ações voltadas para diversidade, inclusão e bem-estar dos colaboradores.

Programas de mentoria para jovens negros, realização de censos internos e criação de grupos de afinidade vêm sendo implementados em diferentes regiões do País, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais diversos e representativos.

Na área de saúde e qualidade de vida, algumas empresas registraram redução nos afastamentos após a implementação de programas de saúde mental destinados a trabalhadores de unidades industriais e operações de campo.

Também têm ganhado espaço iniciativas voltadas ao cotidiano dos colaboradores, como aplicativos que permitem a escolha antecipada das refeições servidas no campo e programas esportivos que incentivam hábitos saudáveis. Um dos exemplos destacados pela Ibá é um grupo de corrida mantido por colaboradores no interior paulista há mais de uma década.

Perspectivas para o futuro

O avanço dos investimentos no setor de árvores cultivadas indica que a demanda por profissionais continuará crescendo nos próximos anos. A expansão de fábricas, a modernização das operações florestais e a adoção de novas tecnologias exigirão trabalhadores cada vez mais qualificados.

Nesse cenário, a formação profissional deixou de ser apenas uma necessidade operacional e passou a integrar a estratégia de crescimento das empresas. Ao investir em educação, capacitação e desenvolvimento humano, o setor busca não apenas suprir a demanda por mão de obra, mas também criar oportunidades de transformação social e econômica nas regiões onde atua.