A madeira em tora para a fabricação de papel e celulose respondeu por 98,9% do valor da produção florestal de Três Lagoas (MS) em 2025. Dos R$ 1,83 bilhão gerados pela silvicultura no município, R$ 1,81 bilhão teve origem direta nesse segmento. Os dados integram a Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice considera estritamente a atividade florestal, sem representar a totalidade do Produto Interno Bruto (PIB) municipal. O resultado, contudo, ratifica a alta concentração da monocultura de florestas plantadas voltada ao setor industrial na região. Carvão vegetal, lenha e madeira para outros fins somaram, juntos, cerca de 1% do montante apurado no município.
Predomínio da celulose se estende a outros municípios de MS
A concentração da silvicultura no suprimento de indústrias de celulose é um padrão presente em outros polos de Mato Grosso do Sul que figuram no ranking nacional do setor.
- Brasilândia: A madeira para celulose representou 99,9% dos R$ 591,1 milhões movimentados pela silvicultura local em 2025.
- Selvíria: O insumo atingiu 99,2% de participação sobre os R$ 384,4 milhões gerados pela atividade.
- Inocência: O segmento registrou 97,2% do valor da produção florestal do município.
- Paranaíba: A representatividade da madeira para papel e celulose foi de 96,3%.
- Aparecida do Taboado: O produto respondeu por 93,2% do valor apurado.
Em contrapartida, municípios como Ribas do Rio Pardo — segundo maior produtor da silvicultura no país — registraram uma composição ligeiramente mais diversificada. Dos R$ 1 bilhão gerados no setor, 90,3% corresponderam à madeira para celulose, enquanto o carvão vegetal respondeu por 5,2% (R$ 52,2 milhões). Em Água Clara, o carvão vegetal alcançou 9,3% do valor da produção, e a madeira para celulose, 86,3%.

Estado expande volume colhido e valor de produção
Em todo o estado de Mato Grosso do Sul, a madeira em tora para celulose movimentou R$ 5,16 bilhões em 2025. O número equivale a 91,7% dos R$ 5,62 bilhões totais gerados pela silvicultura sul-mato-grossense.
O volume estadual colhido atingiu 29,9 milhões de metros cúbicos, avanço de 20% na comparação com 2024. No recorte de Três Lagoas, o volume passou de 5,6 milhões para 7,9 milhões de metros cúbicos em 12 meses, expansão de 40,5%. O valor total gerado pelo item na cidade subiu 218,9% no período.
Alta na produção ocorre em cenário de retração de preços internacionais
A expansão física da colheita e o aumento do valor do produto em moeda nacional ocorreram paralelamente à desvalorização da commodity no mercado externo.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reunidos pelo IBGE apontam que o Brasil exportou 22,2 milhões de toneladas de celulose em 2025, somando US$ 10,2 bilhões. Embora o volume embarcado tenha crescido, a receita total das exportações recuou 3,9%.
A retração nos preços internacionais decorreu da combinação entre excesso de oferta global, aumento de estoques e desaceleração do consumo na China, além do impacto da valorização do real frente ao dólar. A celulose posicionou-se como o oitavo item mais exportado pelo Brasil em 2025, representando 2,9% das vendas externas do país. No âmbito nacional, a madeira para papel e celulose atingiu R$ 17,6 bilhões em valor de produção, crescimento de 16,3%.





